Capítulo 41 – Alma Mater
Tema: memória
Uns dias depois dos incidentes em Diagon Alley, operação semelhante de segurança foi realizada para fazer os alunos embarcarem no Expresso de Hogwarts. O Sr. Weasley conseguiu carros e escolta de Aurores, além dos amigos da Ordem. As manchetes do Profeta Diário não deixavam dúvidas de que Harry Potter estava voltando a Hogwarts. Portanto, ele foi logo cercado por amigos na frente do trem, na Plataforma 9 3/4. Luna e Neville foram os primeiros a cumprimentá-lo, mas Dean e Seamus (que tivera um trabalhão para convencer a mão a deixá-lo a vir para Hogwarts) não também ficaram felizes em vê-lo, todos comentando do incêndio em Privet Drive.
– Cara, ficamos preocupados – confessou o pequeno irlandês.
– Os jornais demoraram a desmentir – explicou Dean. – Eu quase perguntei quando seria o funeral!
– É que eu estava viajando pro Norte – justificou Harry. – Então demorou um tempo.
– Sinto pelos seus parentes, Harry – disse Luna. – Você falava mal deles, mas eram sua família.
– Obrigado, Luna. Eu senti a morte deles, sim.
– E aquele ataque semana passada em plena luz do dia em Diagon Alley? Verdade que você estava lá?
– Com Ron, Hermione, Ginny, e mais outras pessoas. Uma delas ficou ferida, mas agora está bem.
– Foi uma sorte ninguém ter sofrido nada mais sério.
– O namorado de Harry também estava lá! – provocou Ginny, com uma careta. – O namoradinho de verão!
Houve risos e assovios, e Harry ficou vermelho.
– Foi ele quem te deu esse colar, Harry? – indagou Luna. – É bonito.
– Você gostou? – Harry pegou a pequena ampola com um líquido azulado indefinido. – É bonito, né?
– E onde está ele, Harry? – indagou Dean. – Vamos conhecê-lo?
– Ah! – gozou Seamus. – Como se você já não tivesse lido tudo nos jornais!
– Ele voltou para Yorkshire – respondeu Harry.
– Ah, vocês terminaram?
– Minha mãe falou que romances de verão não duram uma estação – disse Ginny.
Hermione a olhou com reprovação, sentindo que ela falava com despeito. Harry também sentiu que Ginny parecia mais do que feliz por não ver Plonk ali.
– Vamos tentar nos corresponder – adicionou Harry. – Eu nunca conheci ninguém como ele antes.
Neville sorriu:
– Parece que o verão foi mesmo agitado, hein, Harry?
Os amigos entraram no trem, mal reparando nos Slytherins, reunidos num canto da plataforma, olhando os Gryffindors com olhares mal-intencionados. Harry se lembrou de Draco, que não estaria voltando pôs a mão na ampola instintivamente, sentindo que ela se aquecia. Era Plonk, escondido no colar, dando a seu Rei apoio e conforto que o Príncipe não podia dar.
Durante a viagem, Hermione e Ron foram para o carro dos monitores, e Neville e Luna trocaram impressões sobre o verão, a guerra, Hogwarts...
Hogwarts preocupava Harry. A velha Hogwarts, que Harry considerava seu verdadeiro lar, onde tinha passado tantas alegrias. Aqueles corredores guardavam segredos de tantos séculos. Agora sem Dumbledore. Como seria a velha escola sem aquele que por quase um século a tinha guardado em seu coração?
Normalmente, já seria uma viagem cheia de emoções. Contudo, Harry não podia prever os acontecimentos de sua chegada.
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É fato conhecido que células têm memória. Baseados nisso, muitos definem a memória como um atributo de seres vivos, capazes de consciência – em maior ou menor grau.
Essas conclusões causam grandes ressentimentos às rochas. Afinal, se tem alguém capaz de guardar fatos durante muito tempo são justamente as pedras, que existem pelos milênios afora, cuidadosamente guardando camadas e camadas de acontecimentos, a maior parte dos quais impresso em seus sedimentos. A memória rochosa é profunda e imutável.
Porque as rochas se lembram de Hogwarts antes que Hogwarts tivesse esse nome. A rocha se lembra de quando ela própria se formou, muitas vezes ígnea, correndo pelas veias do planeta. O mundo acima era caos, mas a rocha se recorda das mudanças, da fundação da terra.
Houve camadas e camadas de memória se sedimentando antes que os fundadores chegassem a Hogwarts. Havia magia profunda, ancestral. A rocha acompanhou todos esses acontecimentos enquanto eles ainda faziam parte do presente, não do passado. Acompanhou a chegada da magia aos humanos, a divisão entre Muggles e bruxos, a grandiosidade, a glória. A magia tão fantástica que se recolheu da face da terra para outras dimensões. E os bruxos criaram um cisma, recolhendo-se para o mundo só seu.
Os fundadores, vindos dos quatro cantos, fizeram uma grande impressão na rocha. Mas muitos outros passaram, tempos, rostos, sonhos, esperanças, ambições, poder.
Por causa dessa fantástica memória, a rocha conseguiu reconhecer a magia ancestral, a magia que corria fundo em suas veias rochosas, que permeava todo o planeta em si e atingia as dimensões sutis. A rocha mexeu-se para se certificar do que estava acontecendo, algo que marcaria mais uma vez suas camadas com grande profundidade.
A rocha lembrou-se, uns anos antes, de James Potter, Severus Snape e a energia Koboldine. Para a rocha, o fato ocorrera há pouco tempo. Pois o tempo passava diferente para rochas e humanos. Então, tinha sido como se fossem minutos antes.
Mas agora a rocha via Harry Potter chegar trazendo a energia do Reino. Uma energia que rocha imaginava quase perdida. Poucas árvores da Floresta, com memória semelhante à da rocha, também puderam reconhecer a energia. A energia vivificava, reanimava.
Portanto, quando Harry Potter trouxe a energia ancestral de volta, as vibrações atingiram diversas dimensões. Inclusive a rocha.
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– Harry? Harry?
O rapaz piscou duas vezes diante da pergunta de Luna. Agora Hermione também o encarava, e Harry tentou disfarçar:
– Acho que foi muita emoção.
– Você está bem, Harry? – indagou Hermione.
– Sim – ele disse, ainda trêmulo, abaixando a voz. – Mas eu senti uma coisa... É como se o castelo estivesse... querendo falar comigo, alguma coisa assim.
– O castelo? – Ela se espantou. – Harry, o castelo não fala.
– Eu sei! Por isso é que ficou estranho. Era como se ele estivesse me cumprimentando. Sabem, dizendo alô.
Ron chamou:
– Ei, seus molengas! Eu não quero perder o jantar!
Depois, Harry ficou pensando que ele poderia ter perdido o jantar, sim.
Nada poderia ter sido mais melancólico do que o Banquete de Boas-Vindas. Durante anos, Harry sempre reconhecia aquele momento como um de grande felicidade: ele estava longe dos Dursley e entre seus amigos. Mas aquele ano, parecia que havia um vazio maior do que o Salão Principal na mesa dos professores. Não era só a ausência de Dumbledore. Muitos professores não tinham voltado, alunos também. Não havia como esconder que não havia professores suficientes para todas as matérias. Muitos estavam acumulando cadeiras, especialmente para o sétimo ano.
– Harry – indagou Neville –, esse ano vamos fazer o DA?
– Claro que sim! – incentivou Dean. – Agora é quando a gente mais precisa!
– Se a gente tivesse continuado o DA no ano passado, talvez aquela noite... – Seamus não terminou a frase, ao ver o olhar de dor no rosto de Harry.
– Aquela noite teria terminado do mesmo jeito – garantiu Harry antes que a coisa ficasse muito mais embaraçosa. – Ninguém poderia ter salvado Dumbledore.
– É, mas a gente poderia ter ajudado a capturar Snape ou Malfoy!
– Covarde – disse Seamus. – Não foi à toa que aquele nojento do Malfoy não teve coragem de aparecer esse ano. Ele ia direto para Azkaban!
– Ele e o Sebosão do Snape – concordou Dean.
Harry olhou para os outros, alarmado. Só então ele se deu conta de que ninguém sabia que Draco estava morto. Ele tinha contado a Ron e Hermione, claro, mas ninguém mais tinha idéia de que o herdeiro da família Malfoy tinha sido dizimado por Voldemort.
– Primeiro vamos ver o horário, para depois a gente ver se dá para encaixar o DA – sugeriu Harry. – Esse ano tem NEWTs, gente, não vai ser fácil...
– Isso mesmo – reforçou Hermione. – Vamos ter muito o que estudar.
– Nem todos estarão fazendo NEWTs – lembrou Ginny. – É o meu caso, o dos irmãos Creevy... Outras pessoas também, claro.
– Podemos ver isso mais tarde, como já falei – insistiu Harry. – Guardem seus galeões e quando tiver uma novidade, eu aviso.
– Agora está na hora de ir dormir – avisou Hermione. – Todos para o dormitório. Ron, me ajude com os alunos do primeiro ano.
– Cara, mais anões! – Ele gritou. – Ei!
Hermione ralhou:
– Ron, você não pode chamá-los de anões!
– Claro, é verdade! – Ele ergueu a voz. – Ei, baixinhos! Por aqui!
Próximo capítulo: Vazou pela imprensa
Capítulo 42 – Assuntos legais
Tema: instituições
As primeiras semanas foram bastante ecléticas. Harry sentia a falta de Snape terrivelmente, e Plonk vinha visitá-lo nas suas horas de solidão, incentivando-o a ir atrás de seu Príncipe. Harry se refugiava mais e mais no local de poder, como Berenkor o ensinara. A última coisa que ele queria era cair numa depressão, de saudades de Severus. Embora não fossem telepatas, eles conseguiam ter consciência de um na mente do outro. Aquilo consolava Harry, um pesseguinho triste longe de seu dominante.
Ele fora capaz de convocar duas sessões de DA, e tinha se esforçado muito para não demonstrar o quanto seus poderes tinham mudado. Mas a verdade é que nada era mais como no quinto ano. Nada mais era como antes, na verdade.
Numa manhã, isso ficou ainda mais claro.
As corujas trouxeram a correspondência no café, como sempre. Hermione recebeu seu Profeta Diário e Harry recebeu uma carta grossa, com o carimbo de Gringotts. Ron ficou curioso, mas esperou o amigo abrir a correspondência.
Harry leu o grosso pergaminho e disse:
– Eles querem que eu vá resolver umas coisas relativas à herança. Pedem uma resposta marcando um horário. Vou ter que explicar que não posso deixar a escola.
– Ué – fez Ron. – Você é herdeiro de Sirius há tanto tempo. Por que só agora querem resolver essas coisas?
Harry deu de ombros e Hermione mostrou o jornal:
– Olhem só isso!
A manchete gritava: "Lucius Malfoy encontrado morto". Harry empalideceu e acompanhou rapidamente a reportagem, contando que o Ministério tentava esconder o fato de que Malfoy Sênior tinha sido assassinado em sua cela em Azkaban, vítima de um veneno poderoso, sem que ninguém soubesse como o assassino entrara na prisão.
A notícia obviamente se espalhara, porque os murmúrios pelo Grande Salão eram grandes, até mesmo na mesa dos professores. Só na mesa de Slytherin é que havia um nítido constrangimento. Harry ainda achava estranho que muitos filhos de Death Eaters tivessem voltado para Hogwarts. Provavelmente para ficar de olho nele, claro.
Hermione cochichou:
– Por que você acha que Voldemort fez isso?
– Como você sabe que foi ele? – indagou Ron, pálido.
– Ora, quem mais faria uma coisa dessas?
– Mas por que ele faria isso?
– Medo – Hermione sugeriu. – Só para mostrar que ele pode alcançar qualquer lugar. Você sabe como ele é.
Ron ficou olhando para a namorada como se ela tivesse intimidades com o Lord das Trevas por trás de suas costas. Harry interveio:
– Hermione pode estar certa. Ele gosta de se mostrar, acho. Gostaria de poder conversar com... Vocês sabem.
Hermione pegou em seu braço, e Harry sentiu-se um pouco mais confortado. Era bom ter amigos, claro. Mas ele queria mesmo era seu dominante.
Longe dali, Severus Snape ouviu o chamado de seu pesseguinho.
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No dia seguinte, Harry consultou a Profª McGonagall sobre uma visita de um representante de Gringotts, e ela o aconselhou a ter um adulto por perto, alguém que o aconselhasse sobre isso, e sugeriu o nome de Arthur Weasley. Harry achou razoável e mandou a coruja.
Menos de 24 horas mais tarde, ele estava na aula de Transfiguração com a Profª Sinistra (que estava acumulando funções) quando a Profª McGonagall veio buscá-lo para um assunto urgente. Harry recolheu suas coisas e, no corredor, a diretora de Hogwarts indagou:
– Sr. Potter, tem idéia do motivo que deixou o Ministro da Magia furioso o suficiente ao ponto de fazê-lo vir pessoalmente a Hogwarts?
Harry arregalou os olhos:
– Senhora?
– Scrimgeour está enfurecido com você, Potter! Sabe o motivo?
– Não faço idéia, professora. Eu juro!
Harry não sabia o que esperar no escritório da diretora, quando se encontrasse com o ministro. Mas ele certamente não esperava encontrar um duende do Banco Gringotts.
– Ah! Finalmente ele chegou. – O ministro veio até ele. – Venha, venha, meu rapaz.
– Olá, senhor. – Harry estava hesitante e cumprimentou o duende também. – Bom-dia.
Rufus Scrimgeour nem deixou o duende responder direito:
– Sim, sim, vamos dar logo um jeito nisso.
– Sr. Ministro! – protestou a Profª McGonagall, escandalizada. – Não posso permitir que o senhor tome essa atitude com um aluno de Hogwarts. Seja qual for o assunto que tem a tratar com ele, espero que o trate com cortesia e respeito!
Inacreditável, pensou Harry, como até o Ministro da Magia em pessoa podia se sentir intimidado com a diretora de Hogwarts. Minerva McGonagall era mesmo uma mulher formidável, pensou.
Aproveitando o silêncio constrangedor, o duende se aproximou de Harry:
– Sr. Potter, meu nome é Ninerod, e trabalho para Gringotts. Eu pretendia agendar um encontro, conforme as corujas trocadas há alguns dias.
– Sim, claro. O senhor me escreveu – lembrou Harry. – Muito prazer.
O duende pareceu satisfeito com o tratamento de Harry:
– O prazer é meu. Contudo, o Sr. Scrimgeour tentou fazer uma retirada não-autorizada de um de seus cofres. Justamente um dos cofres cuja propriedade tentamos estabelecer.
– Esse cofre está sob o confisco do Ministério! – protestou Scrimgeour. – Bem como todos os outros da família Malfoy!
Harry franziu o cenho, mas Minerva foi mais rápida.
– O que tudo isso tem a ver com Harry?
– Ele é o herdeiro.
– Não, não – ele corrigiu. – Sou o herdeiro de Sirius Black.
– Sim, eu sei – disse Scrimgeour, agitado. – Mas veja, as famílias bruxas de linhagem pura são todas intrincadas. Você é o único herdeiro masculino dos Black. Com a morte de Lucius, os Malfoy se extinguiram.
– Mas e Draco? – indagou Minerva. – Ele só está desaparecido.
– Não, ele está morto – garantiu Scrimgeour. – Testes bruxos comprovaram que Draco Malfoy morreu no incêndio na casa dos tios de Harry. Nunca divulgamos essa informação para não provocar o pânico.
– Oh, Merlin! – fez a professora.
– Como Draco também era um Black por parte de mãe, os bens dos Malfoy passam para o herdeiro dos Black, ou seja, Harry Potter. Se Sirius Black não houvesse nomeado herdeiros, tanto os bens dos Black quanto os do Malfoy passariam a ser propriedade do Ministério.
– Mas existe um herdeiro – garantiu Ninerod. – E ele agora vai tomar posse de seus bens, conforme previsto na legislação.
– Contudo, os proprietários eram criminosos. Seus bens e propriedades foram confiscados a partir do momento em que foram trancafiados em Azkaban.
– Embora foragido, Draco Malfoy não foi julgado nem condenado à prisão – lembrou o duende. – Ele tinha plenos poderes sobre os bens. O confisco não se aplica a ele; portanto, não há disputa sobre a herança ou sobre a linha de sucessão. O Sr. Potter tem direito a tomar posse de todos os bens. Eu não fiz a lei, Ministro. Vocês, bruxos, é quem a fizeram. Estou apenas cumprindo essa lei, e garantindo que os direitos do meu cliente não sejam atropelados.
Harry ainda estava meio tonto. Ele tinha herdado os bens dos Malfoy? E o Ministério estava tentando colocar a mão naquele dinheiro?
– Mas... mas... Todo esse dinheiro não pode ir para a mão de um garoto! – O ministro estava escandalizado. – Com esses recursos, poderíamos ter uma vantagem sobre as forças das Trevas!
– O dinheiro não é seu, Sr. Ministro – assegurou o duende. – É do Sr. Potter. Ele é um adulto, não uma criança com tutor.
– Basta você assinar uma autorização, Harry – pediu Scrimgeour. – Aí poderemos cuidar de Voldemort de uma vez por todas.
Minerva estava escandalizada:
– Isso é um insulto!
Harry sentiu uma jarra de água se mexendo. Plonk, sempre ao lado de seu Rei, estava dando sinais de que agiria se fosse preciso. Dentro de sua própria mente, Harry sentiu a presença de Severus, confortando-o, nutrindo-o, acalmando-o.
O rapaz de 17 anos (ou garoto, como dissera o ministro) se virou para o duende e indagou:
– Sr. Ninerod, o senhor tem um valor estimado dos bens que eu herdei?
O pequenino duende tirou um papel do bolso e o entregou:
– Bem aqui, Sr. Potter. Claro, esse valor não inclui outros bens, propriedades e constituintes de patrimônio aziendal no mundo Muggle.
Harry pegou o papel e olhou por alto a lista, os números, a imensidão. Ele mal conseguia imaginar o que aquilo representaria. E ainda tinham os bens Muggle! Fechou o papel e indagou, calmamente:
– Que devo fazer para tomar posse disso?
O duende abriu a pasta e tirou alguns pergaminhos:
– Basta assinar essas guias, se esses dois bruxos concordarem em ser testemunhas do processo. Podemos abrir mão de outros procedimentos, tendo em vista que o senhor ainda está na escola.
Minerva concordou na hora e Scrimgeour, relutante, também. Depois de tudo assinado, Harry pediu:
– Sr. Ninerod, até eu me formar, não terei condições de ir a Gringotts pessoalmente. Poderia me fazer uma gentileza? Gostaria de transferir 25 mil Galeões para o Ministério, a fim de ajudar no esforço de guerra.
– Tem certeza, Harry? – indagou a Profª McGonagall. – Isso é muito dinheiro.
Com um sorriso inocente, Harry explicou:
– Ao que tudo indica, eu posso me dar a esse luxo. Mais do que isso: como disse o ministro, isso pode cuidar de Voldemort de uma vez por todas.
– Mas a Mansão foi alvo de busca e apreensão. Procurávamos Draco Malfoy.
– Em sua própria casa? Ele pode ser inexperiente, mas burro?
– Havia relatos de movimento na casa!
– E vocês a invadiram? Devo chamar um advogado para reaver meus bens, Sr. Ministro? Porque é óbvio que meu advogado não pararia nisso. Ele adoraria pedir uma gorda indenização do Ministério da Magia. Tenho certeza!
O ministro não respondeu, mas se confundiu muito. Harry disse:
– Bom, posso me eximir disso mediante um pequeno favor. Se o Ministério mantiver longe da imprensa que eu estou herdando os bens dos Malfoy, posso considerar esquecer a invasão à minha casa em Wiltshire. Concorda, Sr. Ministro?
Rufus Scrimgeour relutantemente assentiu sua concordância. A diretora de Hogwarts aproveitou que tudo estava resolvido e indagou:
– Muito bem, senhores, se tiverem terminado seus assuntos com o Sr. Potter, eu gostaria que ele retornasse à sala de aula.
Como não houve objeções, Harry ficou feliz em obedecer e deixar o escritório, com um cartão de Ninerod, que se colocou à disposição para atender o Sr. Potter em qualquer coisa que ele precisasse. Harry achou que aquilo seria muito útil. Ao descer a escada, ele viu Plonk se materializar a seu lado.
– Plonk! Ficou doido? Alguém pode vê-lo.
– Meu Rei, só vim avisá-lo de que o Príncipe está conosco.
– Severus? Em Hogwarts?
– Não, meu Rei. Aqui.
– Atrás de você, meu pesseguinho.
Das sombras, Severus emergiu com um sorriso. Harry se inundou de alegria e correu para os seus braços.
– Como entrou? O que houve? Severus, isso é tão perigoso!
– Senti seu alerta, e Plonk me avisou que estava em perigo. Isso me fez descobrir que eu posso aparatar em Hogwarts.
– Severus, do que está falando? Ninguém pode aparatar em Hogwarts.
– As proteções do castelo não só me reconheceram como me cumprimentaram e me deram as boas-vindas.
– Oh, meu amor... Elas fizeram isso comigo também. – Harry lembrou e tentou dizer: – Severus, Lucius está...
– ...morto, eu sei. O Lord fez questão de avisar a todos que ele não teria mais "decepções da família Malfoy".
– E o dinheiro dele veio para mim.
– Como assim?
– Eu virei herdeiro da família Malfoy. O Ministério me queria tirar da jogada e meter a mão na fortuna. Por isso fiquei tão nervoso. Mas agora tudo bem.
Um barulho os alertou.
– Melhor você ir agora.
– Vou mandar Hedwig ficar com você.
– Uma coruja-das-neves dificilmente seria inconspícua entre os Death Eaters, Harry. Mas deve esperar notícias minhas.
– Droga, Severus, eu estou com tanta saudade...
Severus puxou o rapaz contra si e apertou-o em seus braços. Harry colou seus lábios nos deles, sentindo-lhe o cheio, o corpo, a sensação de familiaridade, a saudade apertando...
– Vem gente aí! – alertou Plonk.
Eles se beijaram mais um pouco.
– Eu te amo.
– Eu também amo você.
Eles se separaram, e um estalo baixo se ouviu no corredor bem quando o rosto mal-humorado de Argus Filch apareceu diante de Harry.
– Fora da sala de aula, hum?
– Estou voltando da sala da diretora. – Harry notou que o zelador pareceu não acreditar nele. – Pode perguntar a ela, se quiser.
– Então não fique parado no corredor, moleque!
Harry obedeceu, mais feliz do que podia imaginar.
Próximo capítulo: Harry diz a Hermione que fará o que for preciso
