Capítulo 43 – Treinamento
Tema: poderes
Foi preciso muito jogo de cintura para controlar Ron e evitar que ele espalhasse o segredo que Harry era agora, possivelmente, o adolescente mais rico de toda a Grã-Bretanha bruxa – e Muggle, talvez. O assunto virou segredo, depois tabu, e em pouco tempo, os três não falavam mais disso.
Aliás, toda essa encrenca, incluindo a caçada às Horcruxes de Voldemort, simplesmente deixou a mente de Harry até o começo de outubro, quando uma coruja desconhecida entregou um envelope pardo e sem qualquer característica marcante. Ele viu a elegante letra de Severus no envelope e no pequeno bilhete incluso. "Pesseguinho, preciso vê-lo hoje à noite na sala da cristaleira. S"
Hermione ficou alarmada:
– Ele pediu para você sair da escola?
– Ele não teria pedido se não fosse importante – argumentou Harry, baixinho.
– E como você vai fazer para chegar lá a tempo? Tentar entrar na rede de floo?
– Não, é mais fácil Aparatar.
– Vai até o portão para Aparatar?
– Não, eu acho que posso Aparatar daqui mesmo.
– Quantas vezes vou ter que repetir que não se pode Aparatar de Hogwarts?
– Hum, eu acho que isso não é verdade para mim ou para quem me chamou.
– Harry, isso pode ser muito perigoso.
– Não sei não. O castelo falou comigo quando eu cheguei. Acho que ele vai deixar eu Aparatar...
– Oh, Harry. O que vocês vão fazer?
– O que for preciso, Hermione. O que for preciso.
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Foi mais fácil do que ele previra. Depois do jantar, Harry pegou a capa de seu pai e disfarçadamente foi ao banheiro dos monitores, após fazer um sinal para Ron e Hermione e se certificar de que Plonk estava escondido no frasquinho em seu colar. Dentro do banheiro, ele Aparatou rapidinho antes que a Murta aparecesse.
Assim que ele se deu conta, viu que estava em Grimmauld Place. Debaixo da capa, ninguém podia vê-lo. Imóvel, ele tentou ouvir barulhos na casa. Nada.
Em silêncio, subiu até a já apelidada sala da cristaleira. Estava tudo apagado. A porta estava aberta e ele entrou. Viu Severus virar-se para ele e sorrir.
– Bem-vindo, pesseguinho.
– Pode me ver?
– Poderes Koboldine. Vejo as trevas, as sombras, o além.
– Legal.
Severus acendeu a luz:
– Harry, a hora está chegando. Está pronto?
– É agora?
– Não, mas Albus avisa que conseguiu localizar a última vítima de uma Horcrux. Disse que você sabia quem era: a Sra. Hepzibah Smith.
– Sim, eu sei! Acreditamos que ela seja avó do Zacharias Smith. Hermione ficou de fazer uma pesquisa. Talvez seja bom acelerá-la, hein?
– Esqueça a pesquisa, Harry. Você é Koboldine Arati! Você tem treinado com Berenkor, você sabe o que pode fazer. Você pode fazer coisas incríveis, e só você pode fazer, ninguém mais. Se é que alguém pode achar a última Horcrux, você sabe que é você.
Harry se sentiu emocionado e repreendido ao mesmo tempo. Era como se ele tivesse ganhado um presente maravilhoso e não soubesse usá-lo corretamente, como se fosse desinteressado ou inepto. De repente, ele se sentiu com cinco anos, levando uma bronca de seu tio Vernon.
Então, em seguida, ele sentiu uma corrente fria. Era estranho, porque embora a corrente levasse ar frio, ela esquentou Harry por dentro.
– Oh, Severus. O Prof. Dumbledore está aqui, não está?
– Sim, ele está bem próximo a você, agora. Pode senti-lo?
– Posso. De repente me deu uma vontade danada de irmos para aquele lugar de poder que Berenkor tanto fala.
– Não é uma má idéia. Sugiro treinarmos melhor nossa comunicação à distância.
– Vamos precisar disso. Desenvolver a segunda visão.
– Você conseguiu desenvolver essa habilidade?
– Sim. Não é perfeita, mas...
– Harry, isso pode ser fundamental na batalha. Precisamos ter isso muito bem coordenado.
– Então posso passar a noite aqui? – sorriso maroto.
– Se for preciso, treinaremos a noite toda. Ainda bem que amanhã é sábado e você não tem aula.
Harry sorriu, malicioso:
– Ainda bem mesmo...
– Harry, viemos aqui trabalhar – lembrou Severus, sério. – Albus não tem muito tempo.
– E Voldemort? Você sabe quando ele pretende atacar?
– Ainda não. Por isso precisamos estar preparados. Pode ser a qualquer momento. Temos que encontrar a última Horcrux.
Harry sentia muita falta de seu dominante, mas ele sabia que tinha que ser maduro agora. Eles poderiam namorar o quanto quisessem assim que a ameaça de Voldemort fosse destruída. Cabia a eles livrar o mundo daquela ameaça.
Mas então os poderes Koboldine se manifestaram, e Harry sentiu uma onda de desejo vinda de Severus. Seu dominante, porém, apenas anunciou:
– Harry, Albus gostaria de se despedir. Ele diz que está muito orgulhoso de você e confiante nos seus esforços.
Sem conseguir enxergá-lo, Harry apenas falou para o ar:
– Agradeço a confiança, senhor. Faremos o melhor que pudermos.
– Ele pede que visite seu retrato de vez em quando. Quando ele não mais puder aparecer, o retrato vai acordar.
– Eu gostaria muito disso, senhor – respondeu Harry para o ar.
Harry observou Severus olhar para o lado direito antes de chamar:
– Vamos para o outro cômodo. Não podemos arriscar a cristaleira encantada.
O rapaz seguiu seu dominante para o outro aposento, que era o seu próprio quarto. Mal ele entrou no apoawnro, Severus o empurrou para a cama, e Harry sentiu uma mistura de excitação e susto, que se refletiu em ondas por todo o seu corpo. Severus cochichou:
– Precisamos de maior integração. Quero ver você fazer sua mágica, meu pesseguinho.
– Oh, Severus... Quando você me chama assim...
O beijo entre os dois foi cheio de paixão e desejo. Harry sempre se sentia todo envolvido no amor de Severus, como se fosse algo físico. A magia entre os dois certamente tinha picos de intensidade quando faziam amor. Se Harry pudesse raciocinar, teria visto que essa era a intenção de Severus: magia sexual agia de forma instantânea entre Koboldines, além de reforçar o laço entre os dois.
Harry não soube quando ficou sem as roupas da escola. Só soube que de repente estava sentindo a pele de Severus contra a sua, o cheiro de seu dominante em suas narinas, e então ele estava chupando e lambendo, servindo-se de Severus como se ele fosse o melhor banquete do mundo. E era.
Seu dominante, porém, tinha outras idéias, e logo abriu as pernas do pesseguinho como se fosse uma fruta, também lhe sugando o membro rígido. Harry suspirou, seu corpo inteiro ardendo para Severus, que o ergueu e também passou a usar a língua experiente na sua aberturinha, relaxando-o.
– Ahhh – fez Harry, inebriado. – Severus...!
Severus usou um feitiço não-verbal para lubrificá-lo e então começou a prepará-lo. O jovem choramingava de desejo, suspirando alto.
– Severus... por favor...! Rápido...
O pesseguinho estava implorando, tremendo de tanto desejo, e Severus sabia que aquilo era a sua perdição. Toda vez que eles faziam amor, ele não resistia a seu Harry.
– Harry...
Severus escorregou para dentro de seu submisso, sabendo que o gesto não só o completava, mas também o fortalecia e o estabilizava. Ouviu o suspiro alto, mas mais do que isso, ele podia sentir a energia operando nele, a magia mudando, a vibração se alterando. Harry passou as pernas por trás dele e puxou-o para junto de si.
Quase em transe, ambos espiralaram rumo ao céu, ao êxtase. Havia luz por toda parte, e os dois, unidos, eram o centro dela. Harry sentiu a explosão chegando, tão rápido, muito antes do que ele gostaria.
Os dois chegaram ao seu lugar de poder, onde Sol-Harry cantava para Lua-Severus. Mas a Lua, implacável, chamou:
– Harry, quero que você olhe para o lugar onde está. Não saia daqui, mas olhe para o seu quarto.
– Mas como posso estar em dois lugares ao mesmo tempo?
– Não saberá se não tentar. Precisa desenvolver a sua segunda visão. Falta tão pouco para isso.
Harry concentrou-se em Severus, naquele local. Então abriu os olhos.
E viu luz. Uma luz que o encheu tão fundo que ele não tinha como sentir medo ou vazio. Harry sentiu, então, que estava em pleno contato com sua herança Koboldine. Se pudesse, ele teria visto o sorriso de James, agora aliviado, pois seu filho estava pronto.
O jogo iria começar.
Próximo capítulo: Uma data é fixada enquanto eles continuam tentando achar a taça
Capítulo 44 – Na pista do cálice
tema: outubro
– Você precisava ter ficado até quase de manhã, Harry?
– Você pode não acreditar, mas estávamos treinando – garantiu Harry a Hermione. – Além disso, parece que precisamos localizar a taça de Hufflepuff.
– Você sabe onde ela está?
– Não. Por isso eu estava treinando.
– Para encontrar o quê de Hufflepuff? – indagou uma voz diferente.
Harry se virou, assustado, para o rosto inocente de Luna Lovegood. A moça indagou de novo:
– Vocês estavam falando em localizar uma coisa de Hufflepuff, não estavam?
– Bom, sim, mas...
– Hanna Abbott vive dizendo que o salão comunal de Hufflepuff é cheio de objetos antigos e mais parece um museu. Eu não sei como é nas outras casas, mas em Ravenclaw nós só temos uma tapeçaria antiga de Rowena e retratos de Ravenclaws famosos. Muitos deles eram bruxos que trabalhavam no aperfeiçoamento de feitiços, sabem? Outros descobriram poções. Como Marcus Belby, que ainda está vivo. Ele descobriu a Poção Wolfsbane.
– Você já foi ao Salão Comunal de Hufflepuff?
– Não.
– Talvez eles tenham lá uma taça. Ou um troféu.
– Mas – indagou Luna, inclinando a cabeça – eu achei que os troféus deveriam ficar na sala de troféus.
Hermione virou para Harry:
– Luna tem razão, Harry. Lugar de troféu é na sala de troféus.
– Será que a taça...?
Luna olhou seus amigos Gryffindors e achou que, desta vez, eles mereciam mais o apelido de Loony do que ela.
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Não foi exatamente uma invasão, mas o trio de ouro de Gryffindor entrou na sala dos troféus de Hogwarts pé ante pé. Ron ficou na porta, e Hermione acompanhou Harry dentro da sala, os dois de varinhas acesas.
– Tem certeza do que estamos fazendo? Você pelo menos sabe que taça é essa?
– Não tem problema, Hermione. Eu conheço a taça.
– Como?
– Numa memória que Dumbledore me mostrou ano passado. Tem um texugo gravado.
– Parece com alguma dessas?
– Ela não é tão grande.
– Isso deveria estar num museu, é o que eu acho. Relíquias de bruxos famosos, ainda mais fundadores de Hogwarts, não deveriam estar perdidas em casas de puro sangues, enterradas em ruínas no norte ou servindo de receptáculo de pedaços de alma de lordes das trevas.
– Psiu, fale baixo.
A luz das varinhas percorria as prateleiras com troféus e troféus. Hermione suspirou:
– É inútil. Vamos demorar horas para encontrar. Se Hogwarts pelo menos tivesse uma sala especial, onde os troféus mais valiosos ficassem trancados, como em Durmstrang...
– Durmstrang tem uma sala dessas?
– Isso mesmo. Só os alunos mais aplicados sabem de sua existência.
– Como você sabe tudo isso? Leu também "Durmstrang, uma história"?
– Seu bobo! Viktor me falou. Ele me contou que Igor Karkaroff era especialmente paranóico com aquela sala. Ele guardava ali algo que tinha recebido de um parente de um amigo aqui da Inglaterra. Segundo Viktor, era um objeto muito, muito precioso.
– Hermione, você acha que pode ser o que estamos procurando?
– Como pode ser? O que uma Horcrux de Voldemort estaria fazendo na Bulgária?
– Ora, você mesmo disse. Se um dos amigos Death Eaters de Karkaroff tinha a taça, e aí ele morreu, mas a família não queria nada dele em casa e entregou a Karkaroff?
– Harry, isso pode ser só imaginação.
– Deixe-me verificar uma coisa.
Conforme tinha sido treinado, Harry não saiu de Hogwarts, mas foi ao local que gostava de chamar de seu local de poder, onde ele era o Sol e Severus era a Lua. Em breve, ele se viu diante de Severus.
– Deu certo!
– Espero que seja importante. Estou com o Lord no momento.
– Preciso saber se há alguma chance de que a Taça de Hufflepuff tenha ido parar em Durmstrang com Igor Karkaroff. Ela não está em Hogwarts.
– Como sabe que não?
– Eu sinto que não está, Severus. Agora tenho certeza que posso sentir essas coisas. Mas se você pudesse confirmar...
– E como eu posso confirmar, se Karkaroff está morto?
– Ué, você não fala com os mortos? Você vive de papo com Dumbledore.
– Harry, não é bem assim. Eu não posso falar com todo e qualquer falecido a meu bel prazer. Além do mais, os mortos estão em diferentes níveis, diferentes locais, diferentes condições. Você há de convir que dificilmente Karkaroff está no mesmo lugar de Dumbledore, em termos de além.
– Puxa... Eu senti uma intuição muito grande quanto a isso.
– Então não se desespere. Podemos checar isso juntos. Dê-me um tempo.
– Droga, Sev. A gente não pode manipular o tempo também? Pouparia tanto desgosto.
– Moleque impudente. Continue treinando seus poderes.
– Sinto sua falta, Severus. Quero terminar isso de uma vez logo e ficar com você.
– Isso vai ter um fim, pesseguinho. Só mais um pouco.
Harry sentiu a proximidade de seu dominante, uma sensação que permaneceu por seu corpo quando se viu de volta à sala de troféus. Hermione o encarava.
– Tudo bem, Harry?
– Sim, claro. Hum, a propósito, Severus vai verificar se Karkaroff tem mesmo alguma coisa a ver com a Taça.
– Então vamos sair daqui antes que Filch nos pegue!
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– Atenção, estudantes! – A voz da diretora Minerva McGonagall ergueu-se acima do burburinho do Salão Principal naquele café da manhã. – Gostaria de convidar a todos para um evento extracurricular destinado a elevar o moral e promover a socialização dentro da escola. No último dia deste mês, teremos um Baile de Dia das Bruxas.
O burburinho começou em todas as mesas, mas a diretora pediu silêncio para continuar:
– Não será um baile formal, mas espero que todos ponham trajes sociais. Haverá dança. Excepcionalmente, serão permitidos convidados. A organização do baile estará a cargo do Prof. Slughorn. Os nomes de todos que pretendem comparecer ao baile, alunos e convidados deverá ser informados ao Prof. Slughorn na oportunidade mais conveniente. Agora apreciem seu café e não se atrasem para as aulas!
Desnecessário dizer que o resto do café foi consumido num alto volume de risadinhas adolescentes e aumento no nível de hormônios. Lavender Brown chegou perto de Ron e logo quis saber:
– E aí, Ronald? Você vai ao baile?
Ron rapidamente fez o sorriso dela cair:
– Não se a Hermione não quiser ir comigo. E você? Tem um par?
Lavender fechou a cara e deixou a mesa, enquanto Hermione abria um imenso sorriso e Ron enrubescia. Ginny virou-se para Harry:
– Pena que você agora é gay, Harry. Se você não fosse, a gente podia ir junto para o baile.
Harry não gostou nada daquilo, mas não quis irritar Ron, então ele disse apenas:
– Ei, eu não iria privar Neville de sua companhia.
Seamus riu alto:
– Neville? Ele já correu para a mesa de Ravenclaw para convidar a Luna!
Todo mundo se virou para ver o rapaz tímido indo rumo à sua amiga de colar de flores de alho. Dean olhou para a Ginny e deu um risinho sarcástico:
– Parece que você vai ter que arrumar outro par, Ginny. Até o Neville tá se arrumando para o baile.
Ela mostrou a língua para ele e todos começaram a rir. O irlandês perguntou:
– Harry, você vai convidar o seu namorado?
– Vou tentar. Espero que ele possa vir. Ele mora em York, vocês sabem.
Os que estavam perto começaram a assoviar, mas a brincadeira foi logo interrompida, porque estava na hora de ir para as aulas. Hermione estava animada, achando que o baile iria realmente animar a escola, mas Harry estava mais interessado na distração que isso iria criar. Com todo mundo pensando em baile, ninguém prestaria atenção na sua caçada pelas Horcruxes.
Próximo capítulo: Uma viagenzinha básica à Europa Central
