Capítulo 47 – Ritual sem sangue

Tema: recomposição

Albus Dumbledore sorriu:

– Ah, meu garoto. Você chegou.

Harry olhou para o ex-diretor de Hogwarts e arregalou os olhos por vê-lo.

– Senhor?

– Não precisa ficar com essa cara, meu jovem. – Os olhinhos quase brilhavam na aparição que irradiava um leve tom azulado. – Espero que esteja tão feliz em me ver quanto eu estou em ver você.

– Sim, senhor. Só um pouco... surpreso.

– Nada disso, Harry. Esse é um grande dia. Então, pronto?

– Sim, senhor. Mas – ele olhou em volta da sala – tem mais gente, não?

– Sim, sim, essas são as pessoas a quem você vai ajudar, Harry. Mas já falamos demais. Precisamos ir.

– Boa idéia – concordou Severus. – Nosso tempo é limitado. Além do mais, o Lord parece especialmente inquieto hoje.

– Nós nos encontraremos lá, Severus – despediu-se Dumbledore.

Ele e as outras pessoas sumiram. Severus encolheu a cristaleira e virou-se para Harry:

– Pronto?

Harry assentiu. Severus o abraçou e juntos Aparataram. Quando Harry viu para onde eles tinham Aparatado, ele se espantou:

– Eu não sabia que era possível vir direto para cá. Achei que o Ministério teria todo tipo de proteção para esse lugar.

Severus deu dois passos para a direita e, com um gesto de varinha, reconstituiu a cristaleira. Harry olhou em volta. Ele odiava aquele lugar.

Era como ele se lembrava: a sala era bem larga e retangular, muito mal-iluminada, fria e silenciosa. No centro, havia uma depressão. Bancos de pedra estão por toda a parte, como um anfiteatro, com degraus alto indo em direção a uma espécie de plataforma no centro da depressão. Um arco de pedra, gasto, sem estruturas visíveis que o suportem, estava na plataforma, com uma cortina preta puída, flutuando suavemente como se alguém a tivesse perturbado. E as vozes continuavam a sussurrar, como se estivessem logo atrás do pano velho.

Contudo, esse era o lugar onde Harry deveria estar: na Sala do Véu no Departamento de Mistérios do Ministério da Magia. Ali eles iriam derrotar Voldemort sem o monstrão sequer ter idéia. Mas ele se lembrava da última vez em que estivera ali. A dor de ver Sirius ir embora.

– Harry?

Severus o encarava.

– Está tendo outras idéias?

– Não. Não é nada disso. É só que... Eu estava me lembrando... de Sirius, sabe.

– Lamento a sua perda, Harry. Mas sugiro não nos perdermos em lembranças. Sabe, preciso de você para fazer isso. Preciso de você focalizado, está bem?

– Está bem.

– Lembra-se do que falamos? De como vai ser o ritual?

– Estou bem, Severus. É sério.

– Ótimo. Confio em você, Harry.

Harry o abraçou, absorvendo sua força, precisando de seu apoio. Em segundos, ele sentiu a energia o envolver. Olhou para seu dominante com um sorriso.

– Vamos?

– Com prazer.

Então, de braços dados, Severus e Harry atravessaram o Véu dos Mistérios, a cristaleira mágica flutuando atrás deles.

o0o o0o o0o o0o o0o

Harry não sabia direito o que esperar quando entrasse naquele lugar, mas ele temia que fosse o que apareceu à sua frente.

Nada.

Ele estava num grande nada, uma atmosfera de sonhos, etérea e fluida. Se ele não estivesse de braços dados com Severus, ele temia se perder no nevoeiro cinza, sem qualquer referência. Além do mais, aquele lugar era frio de um jeito estranho, daquele frio que não era muito intenso, só gelava a alma.

Dumbledore veio até eles. Estranhamente, Harry o viu perfeitamente sólido e opaco. Para sua surpresa, os translúcidos eram ele e Severus. Ele, num tom levemente dourado. Severus emanava uma névoa prateada ao redor de seu corpo.

– Já temos tudo preparado – garantiu Dumbledore. – Por aqui, por favor.

Eles seguiram o velho diretor por entre as névoas e foram a uma aglomeração de pessoas. Harry não podia vê-las direito por causa do nevoeiro, mas elas estavam dispostas em círculo, em cujo centro havia o que parecia ser uma espécie de altar pequeno. Um pentagrama de luz podia ser visto na superfície, cobrindo toda a extensão da pedra.

Dumbledore fez os dois ficarem diante dele e estendeu as mãos:

– Agirei como um athame, uma faca ritualística, para a condução de energia. Preciso que cada um de vocês pegue minha mão, e assim fecharemos um círculo.

Harry podia sentir seu coração batendo, mas aquele lugar efetivamente era estranho. A proximidade de Severus o tranqüilizava, mas ambos reconheciam a importância do momento. Ambos uniram suas mãos a Dumbledore, cujo toque era quente e amigável.

Ele ergueu as mãos para o alto e invocou:

– Do Leste eu chamo Zéfiro, Senhor do Ar. Do Sul, Notus, Senhor do Fogo. Do Oeste, Eurius, Senhor da Água. Do Norte, chamo Seb, Deus da Terra. Pois esta é a antiga lei, a lei da Deusa e do Deus, que reina sobre os homens, as criaturas, o céu, o mar, as terras e o além. No além estamos e para mais além iremos. Acima disso, temos o Rei e seu Príncipe. Que eles nos concedam a graça da paz no além.

A névoa se elevou, e o ambiente pareceu um pouco mais leve e iluminado. A um sinal de Dumbledore, Harry e Severus soltaram as mãos. Dumbledore apontou a varinha para a cristaleira, que se abriu. De lá, veio levitando a Taça de Hufflepuff, que foi direto para o centro do pentagrama. O desenho se encheu de luz, e uma vibração invisível fez o objeto tremer. Dumbledore avisou:

– Agora!

Severus e Harry apontaram suas varinhas para a taça, ao mesmo tempo em que se encontraram no seu lugar de poder. Era lindíssimo e terrível, pensou Harry, o jeito como a luz do Sol se uniu à luz da Lua e fez a Taça de Hufflepuff tremer tanto que o texugo incrustado parecia dançar. Aos poucos, da taça ergueu-se uma figura vaporosa, uma senhora rechonchuda em roupas elegantes e cheia de jóias que Harry reconheceu como sendo Hepzibah Smith. Ela parecia um tanto maravilhada, sorrindo muito.

– Livre...! Livre, afinal!...

A multidão que observava o ritual parecia em transe ao ver o que se passava. De repente, quando a Sra. Hepzibah finalmente se materializou por completo, uma voz fininha soou do meio do agrupamento:

– Madame!

– Oh, Hokey!

Uma elfa doméstica saiu da multidão e chegou-se até sua antiga senhora. As duas se abraçaram, emocionadas.

Diante do espanto de Harry, Dumbledore se adiantou:

– Hokey morreu no cárcere, acusada de ter matado sua senhora, graças a um ardil de Voldemort. A confecção de uma Horcrux mexe com muitas pessoas. Ao libertar o pedaço de alma de Lord Voldemort, vocês também libertam as almas atormentadas das pessoas que ele matou para obter essa Horcrux e de todas as pessoas afetadas pelo seu ato terrível de fragmentar a própria alma. Ninguém a não ser os dois Koboldines Mizrahi combinados, Arati e Sharaman, seriam capazes de libertar todos esses espíritos presos pelas iniqüidades de um homem que ousou sonhar com a imortalidade à custa do tormento de almas de tantas pessoas. Vocês são heróis, meus amigos, aqueles que ouvem o chamado e não se furtam a atendê-lo.

Era grande a emoção no local. Harry sabia o que ia acontecer e pensou que estivesse preparado. Mas ele não contava com tanta emoção.

Dumbledore começou a retirar as Horcruxes de dentro da cristaleira. Uma a uma, as vítimas de Lord Voldemort e todas as pessoas afetadas por seus crimes, recompuseram suas almas fragmentadas e conseguiram encontrar paz no pós-túmulo. Algumas se apresentaram, pois faziam questão de agradecer efusivamente ao casal Koboldine. Algumas Harry reconheceu, como os próprios parentes de Voldemort, os Gaunt. Um outro presente ao círculo trouxe muita tristeza ao rapaz: Ollivander, o melhor fabricante de varinhas do mundo bruxo. Outras pessoas ele nem sabia quem eram, como Ernest Miller, David Thomas, Curtis Straughter, Errol Lindsey ou Konerak Sinthasomphone. Todos eram vítimas de Voldemort, direta ou indiretamente. As relíquias dos fundadores de Hogwarts deixaram de ser repositórios de pedaços de alma do Lord das Trevas.

À medida que os objetos eram "limpos" e os presentes eram libertados de suas prisões, a névoa densa foi dando lugar a um ambiente mais claro e leve. Harry pôs-se a sentir uma espécie de transcendência, se é que aquilo era possível naquele estranho local. Ele também se sentia muito próximo a Severus.

O plano de Dumbledore para destruir as Horcruxes de Lord Voldemort tinha sido, na verdade, a única saída possível para livrar o mundo do Lord das Trevas. Só no Véu dos Mistérios teria sido possível retirar a alma de Voldemort das relíquias dos fundadores e reunir as almas fragmentadas. Tinha sido assim que Dumbledore destruíra a Horcrux contida dentro do anel de Slytherin. Ele não entrara no Véu, apenas tinha posto sua mão com o anel. Contudo, a mão tinha sido irremediavelmente atingida, e ele sabia que teria morrido em breve.

Esse era um problema que não atingia Koboldines Mizrahi. Era quase um milagre que um casal Mizrahi estivesse ali, lutando contra Voldemort. Eles eram os únicos que podiam entrar no Véu e dele sair sem conseqüências.

Entrar no Véu sem qualquer conseqüência só era sido possível porque os dois Mizarhi estavam juntos. Se Severus entrasse sem Harry, ele não teria como sair daquele local. Como a parte do casal com mais afinidade com as sombras e o Além, Severus sentiria uma atração irresistível e jamais encontraria a saída. Já Harry, que era luz e vida, morreria ali dentro sem Severus para guiá-lo. Com seu Sharaman, ele não só poderia transitar dentro do Véu, mas também saberia encontrar a luz que os permitiria sair dali. Só juntos eles sobreviveriam.

Esse tinha sido o plano desde o início. Naquele momento, quando as relíquias foram definitivamente descontaminadas da presença de Voldemort, Dumbledore se dirigiu ao casal, cheio de gratidão:

– Está feito. Graças a vocês. Com isso, minha missão aqui está completada. Cabe a vocês agora garantir que essa ameaça seja definitivamente afastada.

– Quer dizer que agora Voldemort está vulnerável? Digo, se ele for tomar banho, escorregar no chuveiro e bater a cabeça, ele vai morrer? Morrer e ficar morto?

Dumbledore sorriu:

– Com certeza, Harry. Mas acho que você sabe o que lhe cabe fazer. Gostaria de poder ver isso, meu rapaz. Eu tenho muito orgulho de vocês dois.

Harry adiantou-se:

– Sentiremos sua falta.

– Nem posso exprimir minha gratidão, diretor – garantiu Severus.

– Posso lhes dizer o mesmo. Foi uma honra e um privilégio ter convivido com vocês. Agora vocês devem retornar.

Harry pediu:

– Sim, claro. Se vir alguém conhecido, diga olá.

Ao ouvir isso, os olhos azuis de Dumbledore brilharam:

– Ops, eu quase me esquecia. Tenho uma surpresa para vocês antes que voltem.

Próximo capítulo: Quem fica parado é poste

Capítulo 48 – A cartada de Lord Voldemort

tema: armadilha

Nem bem pôs o pé para fora do Véu, Severus deparou-se com uma dor lancinante em seu braço. Seu Lord estava extremamente impaciente. Ele mal pôde despedir-se de seu pesseguinho e correr para o lado do Lord das Trevas, apagando de sua mente os incríveis acontecimentos que acabara de viver.

– Severus, meu servo – sibilou o Lord das Trevas. – Você foi estranhamente lerdo ao atender ao meu chamado.

– Rogo seu perdão, milord. Procurava um plano para atrair o pirralho Potter.

– Ah, meu príncipe, sempre querendo me agradar. Tenho grandes planos para você, Severus. Por isso eu o chamei. Quero compartilhar uma grande satisfação.

Ele se sentou na cadeira alta que lhe servia de trono e, a um gesto de sua mão, algo apareceu a seus pés. Só olhando com atenção Severus percebeu que era uma pessoa ajoelhada. Amarrada. Humilhada.

Ela ergueu a cabeça ruiva e o encarou, com os olhos destilando um ódio incomum.

Ginny Weasley. Com a roupa do baile, de onde provavelmente tinha sido raptada.

Merda.

– Ah, Srta. Weasley. – Severus soltou um risinho de escárnio. – A namoradinha de Potter. Ou devo dizer ex?

Voldemort corrigiu:

– Ela é a irmã do melhor amigo de Potter. Se ele é honesto em sua opção homossexual, ele provavelmente a vê como uma irmã que nunca teve. Ela é família para ele.

– Eu odeio você! – gritou a ruivinha.

Precisamente nesse momento Severus sentiu que a garota, embora fosse sincera ao dizer que o odiava, não era totalmente sincera na sua condição de prisioneira. Ela não tinha sido raptada em Hogwarts.

Ela era a espiã infiltrada na Ordem.

"Vadia traidora", pensou Severus.

Mas antes que ele pensasse mais qualquer outra coisa, o Lord chamou sua atenção:

– Severus, meu servo, faria muito gosto que você desfrutasse de nossa nova aquisição. Sabe, para manter a tradição de nosso tratamento com prisioneiros.

A garota perdeu a cor:

– O quê?! É absurdo! Eu não...

Silencio! – fez o Lord das Trevas, o feitiço emudecendo a prisioneira.

Severus observou a interação entre os dois e concluiu que estava testemunhando o exato momento em que a imbecil se viu frente a frente com a verdadeira natureza do monstro a quem tinha se vendido. Guriazinha estúpida.

– Então, Severus? – insistiu o Lord. – Estou lhe oferecendo um petisco e tanto.

– Milord, eu fico honrado. Mas na verdade o senhor sabe que não faz o meu gênero...

Foi interrompido:

– Ah, sim, estou bem ciente de sua preferência pelo próprio sexo. Mas eu ficaria muito feliz em vê-lo aproveitar esta iguaria. Faça-o apenas para me agradar. E para me obedecer.

A última parte foi dito em tom que não admitia resistência ou oposição. Severus não se permitiu qualquer reação. Ele olhou a garota, que o encarava com um misto de choque e horror. Voldemort deu seu próprio sorrisinho cínico e ajuntou:

– Pense apenas que isso vai machucar Potter.

Foi justamente no que Severus tentou não pensar quando ele agarrou o braço da jovem e arrastou-a para a alcova mais próxima. Fazia tempo que o Lord não lhe fazia um pedido tão direto e tão ameaçador. Severus obedeceria, pois não era nada sábio arriscar sua posição agora que o jogo estava tão próximo do fim.

Jogou-a para dentro de uma cela. A moça já estava com o rosto coberto de lágrimas, mas não emitia um único ruído devido ao feitiço. Ele se jogou em cima dela e agarrou-lhe o queixo:

– Pare com isso! Não vou me comover com sua choradeira!

Ginny soluçava em silêncio, e, num acesso de fúria, Severus esbofeteou-a. Ela se encolheu, parando de chorar. Ele abriu as vestes dela com violência, chegando a uma roupa de baixo cheia de rendas e laços, causando ainda mais daquele choro mudo. Severus teria que ir adiante com aquilo, um ato tão repugnante e tão abismal que ele não podia se deter em pensamentos ou em conseqüências. Ele lidaria com aquelas coisas quando elas chegassem.

Foi quando uma voz surgiu às suas costas

– Assim já está bom, meu servo.

Severus não notara a entrada de seu Mestre. Num reflexo, ele se ajoelhou:

– Meu Senhor.

Aquilo agradou a Lord Voldemort, que ordenou:

– Fique de pé diante de mim, Severus. Você me agradou imensamente. Mostrou que é um servo obediente e leal. Sabe cumprir ordens, sabe que deve me obedecer acima de tudo. Quero compartilhar com você um pequeno grande segredo.

Ginny, que tentava abotoar o vestido, ainda chorava quando Severus se ergueu. Voldemort apontou a varinha para a jovem:

Sonorus!

Os soluços soaram fortes. Ginny reclamou, com a voz entrecortada:

– Não era isso que tínhamos combinado!...

Com um suspiro de tédio, o Lord das Trevas deu de ombros:

– Ah, então você notou que eu resolvi alterar o nosso acordo.

Ela ergueu a voz, agora com raiva:

– Você me prometeu que não mataria Harry! Prometeu que ele seria meu!

Ah, notou Severus, com satisfação. Agora a vaquinha percebeu.

Ele ergueu uma sobrancelha, disfarçando:

– Ela era o espião dentro da Ordem?

O Lord sorriu para Severus, arreganhando os dentes desnivelados.

– Ela veio me procurar. Veio me propor um acordo, Severus. Ela veio até mim falando em condições, em termos de negociação e em reciprocidade.

Severus genuinamente teve vontade de rir. Optou pelo sorriso sarcástico, o mesmo que o Lord exibia ao concluir:

– A imbecilzinha acreditou que eu fosse cumprir o tal acordo, Severus.

Ginny estava mais vermelha do que seus cabelos, prestes a ter um ataque apoplético. O Lord sibilou:

– Acho que agora ela começa a perceber que Lord Voldemort não negocia, não faz barganhas nem aceita condições dos outros. Imaginei que ela soubesse disso tudo, uma vez que eu a possuí há uns poucos anos atrás. Mas Dumbledore sempre dizia que eu subestimo o poder do amor. Velho tolo. De qualquer forma, ele podia ter alguma razão. Afinal, o poder do amor a trouxe até mim. E o poder do amor vai trazer o precioso Potter até mim para resgatá-la.

Severus pensou amargamente que, pelo menos uma vez na vida, o Lord estava sendo sincero.

– Você mentiu para mim! – protestou a moça.

– É claro que sim, menina tola. Mais do que isso, achei que você poderia me ser de valor. Sabe, há lendas sobre o poder da sétima filha mulher numa casa só de homens. Mas você preferiu jogar tudo isso fora. Pergunte o que aconteceu a qualquer um que tentou manipular Lord Voldemort, e eu lhe digo que você tem sorte. Aliás, devo avisar: não tenho memória curta. Você me foi útil antes, quando era uma simples garotinha enxerida lendo meu diário, e pode me ser útil agora. Mas não posso esquecer que você teve uma participação na Batalha do Departamento dos Mistérios. Você ajudou na prisão de vários dos meus seguidores. É apenas natural que hoje eles desejem vingança. Não acha?

A garota empalideceu:

– Não pode fazer isso!...

– Não me diga o que posso ou não posso fazer, menina! – O Lord parecia furioso. – Você me prometeu passar informações sobre a Ordem da Fênix! Prometeu me ajudar a capturar Potter! Não fez nada do que me prometeu. Não cumpriu sua parte no acordo, e agora exige que eu cumpra a minha? Ninguém faz exigências ou demandas a Lord Voldemort!

Ela voltou a chorar:

– Mas eu traí minha família!... Meus amigos!

Aquilo pareceu divertir a criatura reptiliana:

– Ah, sim. Talvez você ache que tenha alguma coisa em comum com Severus. Afinal, muitos também o chamam de traidor. Meu servo, gostaria de esclarecer a Srta. Weasley a esse respeito?

Severus fez uma reverência acentuada, curvando-se servilmente:

– Meu Lord, ela deveria perceber que eu jamais traí meu verdadeiro Senhor.

A resposta satisfez o Lord das Trevas, que ordenou:

– Agora leve-a para a cela. Acho que vou convidar Greyback a fazer-lhe uma visitinha. Ele deverá saber como entretê-la.

– Mas Mestre – lembrou Severus –, se ela não sobreviver, Potter não aparecerá.

– Oh, eu não tenho a menor intenção de matá-la. Ainda. Mas também não significa que eu vá privar nosso lobisomem de um pouco de diversão. Pode levá-la.

Foi o que Severus fez, genuinamente ignorando os gritos e súplicas da menina tola que imaginou poder ser mais esperta do que o Lord das Trevas.

Próximo capítulo: Harry morde a isca, mas está longe de ser o rato nesse jogo