Capítulo 49 – A festa continua

Tema: peças no tabuleiro

Ele estava na sala da diretora, depois de ter tido um trabalhão para convencer Plonk que ele não podia entrar ali. Harry não tinha podido sequer falar com seus amigos e dar a boa notícia.

– Potter, onde se meteu durante o Baile?

– Er... Eu estava mostrando o jardim ao meu convidado...

– E você não estava tentando encontrar a Srta. Weasley?

– Eu juro que não. Só estou sabendo do que aconteceu agora. Aliás, eu nem sei direito o que aconteceu.

A Profª McGonagall não caiu na lábia dos olhinhos verdes brilhantes e ordenou, secamente:

– Quero que você se despeça de seu par e volte para seu dormitório. O Ministério está mandando um destacamento de Aurores para proteger a escola. Ao menos, até que o Conselho de Diretores decida se a escola permanecerá aberta ou não. O rapto de Ginny Weasley pode ter sido a gota d'água para Hogwarts fechar as portas para sempre.

As palavras ainda ecoavam nos ouvidos de Harry quando ele se encontrou com seus amigos. Ron, Hermione, Neville, Luna e Plonk o esperavam no Salão Comunal.

– E então? – perguntou Ron.

– Ela me mandou ir para o dormitório. Parece que desta vez a escola vai ser fechada.

– E o que você vai fazer? – quis saber Neville.

– Eu vou buscar Ginny, é claro.

– Harry, é uma armadilha! – protestou Hermione. – É uma armadilha para atrair você!

– Hermione, é a Ginny! É claro que eu vou. Eu iria se fosse qualquer um de vocês. Você sabe disso, então por que está me dizendo essas coisas?

– Mas Voldemort só está usando Ginny para atrair você!

Ron parecia absolutamente deprimido. Harry olhou para ele e prometeu:

– Vou fazer tudo para trazer Ginny de volta, Ron.

– Eu sei, cara. Eu só... fiquei nervoso.

– Como ele conseguiu pegá-la aqui em Hogwarts?

– Nós vimos quando ela estava indo para a Floresta – respondeu Neville. – Ela e o par.

– Quem era o par dela?

– Nott.

– Aquele Slytherin magrelo e fuinha? – Harry arregalou os olhos. – Será que ele ajudou nisso?

– Eu não descartaria. Ele foi encontrado estuporado, sem memória e com um bilhete que a Profª McGonagall recolheu.

– Bilhete?

– Um bilhete para você, Harry.

– Preciso ver esse bilhete. É óbvio que ali deve ter algum tipo de pista. Alguém sabe o que ele diz, alguém viu?

– Eu vi quando o encontraram – interveio Luna, que até então estava calada. – Muito bem escrito. Parecia um poema, sabe. Ou um enigma.

– Muito apropriado – disse Harry, sombrio. – Afinal, ele é Tom Riddle.

– O que dizia esse tal enigma?

"Eu a peguei antes, eu a peguei de novo

Venha brincar conosco, Harry,

Onde nos vimos pela primeira vez

Junto de meu pai imprestável

Antes que a donzela arturiana

Seja levada para o Valhalla"

Houve silêncio pesado entre os cinco. Neville o quebrou de repente, virando-se para Luna:

– Você decorou o texto?

Ela deu de ombros:

– Parecia uma musiquinha antiga.

Ron virou-se para Harry:

– Você entendeu alguma coisa?

– Ele quer que eu o encontre no cemitério. Foi aonde nós nos vimos pela primeira vez, e é lá que está enterrado o pai dele. Ele o matou.

– Que horror!

– Bom, agora só me resta ir lá.

– Você vai sozinho? – Luna inclinou a cabeça. – Isso não me parece muito sábio.

– Eu vou com ele! – adiantou-se Plonk, que evitara falar até o momento. – Meu Rei não vai enfrentar nada sozinho.

– Fique tranqüila, Luna – Harry sorriu. – Obrigado, Plonk.

Luna sorriu para o elemental:

– Gostei de você, Plonk. Você é esquisito, mas eu gosto de você!

– E como você pretende deixar Hogwarts? – indagou Neville. – A escola está toda vigiada.

– Não se preocupe com isso. Eu só acho que a escola não está muito segura. Hermione, quero que você fique com o galeão da Armada Dumbledore.

– Harry, você acha que ele vai atacar Hogwarts?

– Hoje é Dia das Bruxas, e Voldemort adora uma data festiva. Não custa prevenir. Acho que o Ministério e a diretora não vão deixar a gente alertar ninguém, mas precisamos estar preparados.

Nesse momento, a porta se abriu e a Profª Sinistra olhou-os de maneira irada, as mãos nas cadeiras:

– Vocês deveriam estar recolhidos!

– Desculpe, professora – adiantou-se Harry. – Eu só estava dando adeus a meu convidado.

Ela arregalou os olhos:

– Ele ainda não foi embora? – Ela se virou para Plonk. – Rapaz, você tem como voltar para sua casa?

– Ele pode aparatar sozinho – garantiu Harry. – Mas eu tenho que levá-lo até o ponto de aparatação.

– Muito bem. Mas o senhor só tem permissão para levar seu amigo até o portão da escola, Sr. Potter – disse a professora. – E eu os acompanharei até lá. Agora. Vamos. O resto de vocês precisa se recolher. Srta. Lovegood, já para a Torre de Ravenclaw.

Harry e Plonk tiveram que agüentar os olhares da professora de Astronomia até chegar aos portões de entrada. Harry olhou para a Profª Sinistra e pediu:

– Er... Eu só vou dar tchau. Posso?

– Faça isso rápido, Sr. Potter.

Ele abraçou Plonk e cochichou:

– Peça a Berenkor para esperar o meu sinal. Eu só preciso falar com Severus para ficar tudo pronto. Depois, volte para Hogwarts no colarzinho.

– Sim, Meu Rei.

– Aham!

Um pigarro alto fez os dois se separarem. Harry voltou para a escola enquanto Plonk descia a colina rumo a Hogsmeade. A Profª Sinistra fez questão de escoltar Harry até vê-lo entrar na Torre de Gryffindor.

Ela não viu que Harry só ficou ali o tempo suficiente para trocar a roupa do baile e Aparatar em seguida.

Só que ele não foi direto para o cemitério. Antes disso, precisava fazer duas paradas estratégicas.

Próximo capítulo: Harry vai ao combate com todas as suas armas

Capítulo 50 – Postos de batalha

tema: estratégia

Se arrependimento matasse, Ginevra Weasley estaria sem vida no meio do cemitério onde estava amarrada a uma lápide. Ela desejava ardentemente estar morta. Não só se sentia merecedora de uma morte rápida, como agradeceria o final da dor que seu corpo experimentava, depois de passar algumas horas com Fenrir Greyback.

Agora Ginny não se lembrava mais dos ataques de ciúme que a levaram à infeliz decisão de ajudar Lord Voldemort para conquistar Harry de novo. Tudo aquilo parecia tão distante e tão infantil. Sim, ela tinha sido infantil. Parecia que uma insanidade a tinha acometido. Ou talvez um feitiço. Um resquício do tempo em que Lord Voldemort se apossara do seu corpo, graças ao diário que a fascinara tanto, anos atrás. Seja lá como fosse, porém, agora era tarde demais. Ela estava lúcida de novo, mas era tarde demais.

Harry vinha para uma armadilha.

O grito veio sem aviso.

Crucio!

– AAHH! – fez ela, o corpo tremendo e queimando contra as cordas.

– Nem tente avisar o bebê Potter, sua vadia – sussurrou Bellatrix Lestrange. – Quando ele chegar, faça apenas o papel de vítima. É o que vocês dois vão ser.

A mulher riu-se, de modo demente. Ginny queria chorar, mas estava mais assustada do que desesperada.

Ao menos, até ouvir o espocar da Aparatação adiante. O barulho acelerou seu coração e fez Bellatrix se juntar aos companheiros, nas sombras densas criadas pelo Pó Peruano de Escuridão Instantânea. Mais de uma vez, Ginny amaldiçoou os irmãos por não perguntarem a quem vendem seus produtos.

A jovem Weasley ficou quieta, o coração acelerado, desejando que Harry não tivesse vindo. Mas ela conhecia o amigo, o jovem por quem estava apaixonada há tantos anos. Sabia que Harry viria.

Quando ele surgiu, entre as lápides,o coração de Ginny se apertou. Ela gritou:

– Harry, é uma armadilha!

Várias ações aconteceram ao mesmo tempo. Ginny foi atingida por uma maldição Cruciatus, e a figura caminhando entre as lápides chamou:

– Ginny, onde você está?

Ela gemeu, e Harry dirigiu-se até ela. Mas antes lançou um feitiço na direção de onde tinha partido a Cruciatus.Um grito se ouviu e Harry se abaixou bem a tempo de um raio não o atingir, protegendo-se atrás de uma lápide. A partir daí, a escuridão da noite virou um arco-íris de tantos raios riscando o ar ao mesmo tempo.

Era difícil acompanhar os feitiços. Talvez Harry não tivesse vindo sozinho, pensou ela, recuperando-se da dor em seus músculos ao mesmo tempo em que sentiu as cordas afrouxando-se. Ginny foi ao chão, tentando recobrar o fôlego.

A chuva de raios deu uma trégua de alguns segundos, durante os quais ela se arrastou para trás de uma lápide. À direita, ela ouviu o chamado sussurrado:

– Ginny?

– Harry, vá embora daqui! É um truque!

– Eu sei disso! Mas vou levar você comigo!

– Não, Harry! Eu não mereço! Ele vai pegar você, e eu ajudei!

– Ginny, o que está dizendo?

– Eu traí você! Traí todos!

Mais raios interromperam o diálogo estranho. Minutos mais tarde, Ginny viu que Harry tinha se arrastado até ela. Ginny o encarou e viu decepção infinita nos olhos verdes que tanto amava.

– Oh, Ginny...

Ela chorou:

– Desculpe, Harry... Eu pensei... Droga, eu nem sei o que eu pensei!...

Ela afundou o rosto entre as mãos e mal ouviu o feitiço sussurrado:

Obliviate.

A expressão de Ginny mudou radicalmente, e ela fixou o olhar no vai-e-vem de raios coloridos dos Death Eaters reunidos no cemitério. A moça viu perfeitamente quando um dos lindos raios atingiu Harry em cheio, e o rapaz foi ao chão, imóvel. Ginny, porém, não estava raciocinando o suficiente para indagar-se se ele estava respirando ou não.

– Eu o peguei! Eu o peguei! – Bellatrix saiu da escuridão exultante. – Pirralho nojento. Achando que seria páreo para o Mestre ou os seus fiéis servos.

– O Mestre ficará satisfeito – concordou Rodolphus.

O corpo inerte de Harry foi levitado.

– Vamos, vamos ao encontro dele.

Rabastan indagou:

– E a vadia?

– Vamos levá-la. O Mestre pode querer fazê-la acompanhar a cena quando ele lentamente destruir Harry Potter e tornar-se Lord Supremo do mundo bruxo.

o0o o0o o0o o0o o0o

O ruído suave deixou Ron em alerta antes mesmo que ele pensasse em tentar pegar no sono. E ele ficou abismado com o que viu no dormitório. Cochichou:

– Harry?

– Hum, oi, Ron.

– Você já voltou?

– Já.

– E a Ginny?

– Vai ficar tudo bem, Ron.

– Mas você não foi buscá-la? Harry, você disse que ia!

Uma voz irritada interrompeu os dois:

– Querem parar com o barulho? – O irlandês Seamus Finnigan sentou-se na cama. – Eu quero dormir!

Foi quando um ronco profundo chegou aos ouvidos deles. Os três se entreolharam.

– Foi você, Neville? – arriscou Seamus.

O ronco se repetiu, mais alto e mais profundo. Parecia vir de dentro das paredes.

– Não é o Neville – garantiu Harry. – É o castelo.

– O castelo? Que merda é essa, Harry?

Um novo ronco o interrompeu, mais alto, mais gutural, um som cavernoso que parecia vibrar até dentro dos ossos dos garotos. O barulho acordou Neville e Dean Thomas, ambos de olhos arregalados. Harry pulou da cama, gritando:

– Voldemort está em Hogwarts!

Nunca antes os meninos se vestiram tão rapidamente. Não era uma tarefa fácil, considerando que de repente todas as luzes se apagaram e um frio intenso tomou conta do local. Harry sabia que Voldemort estava usando Dementadores como linha de frente.

Os garotos correram para o Salão Comunal, onde algumas meninas estavam reunidas, assustadas, à luz de velas. Hermione tentava acalmá-las, e Harry informou:

– Voldemort está na escola. Chame a Armada Dumbledore. Usem seus Patronos, porque os Dementadores estão cercando o castelo.

– Como ele conseguiu entrar? – indagou Neville.

– Aposto como foi Snape – disse Seamus com repugnância. – Traidor e assassino.

O coração de Harry quase se partiu em dois ao ouvir aquilo. Afinal, ele mesmo ajudara a espalhar essas acusações. Então ele teve uma idéia e falou, com toda a sinceridade e veemência:

– Ninguém chega perto de Snape. Ele é meu.

Nesse momento, a porta abre e a Profª Sinistra entra, esbaforida:

– Atenção! Atenção, todos! Monitores, quero que levem os alunos para o Grande Salão. É onde estamos estabelecendo as defesas. Nada de pânico. Alunos do sétimo ano devem ajudar os monitores a proteger os mais novos.

– O que está acontecendo?

– Um grupo de invasores está tentando atacar o castelo. Não tenham medo. Há Aurores tratando disso. – Ela encarou Harry. – Vamos proteger todos os alunos. Os mais velhos devem ajudar, entenderam?

– Sim, senhora.

– Então vamos, vamos!

No Salão Principal, os alunos estavam todos juntos. O Prof. Slughorn e Madame Pomfrey organizavam os grupos com energia, especialmente porque os Slytherins estavam sendo discriminados e hostilizados. Hagrid estava com sua balestra a postos na entrada lateral. A luz das tochas tornava lúgubre o mesmo ambiente, onde há poucas horas todos estavam dançando e se divertindo. Algumas das decorações nem tinham sido retiradas.

Do lado de fora, havia Aurores posicionados nas entradas. Dentro, os professores se revezavam em reforçar as proteções da escola. Harry podia sentir a movimentação, enquanto seguia as instruções com o resto dos alunos de sétimo ano.

Ele ajudava Hermione e Ron a ajeitar os mais novos quando o Prof. Slughorn o saudou:

– Ah, meu rapaz. Fico feliz em ver que não deixou sua impetuosidade Gryffindor fazê-lo tentar bancar o herói e salvar a Srta. Weasley.

Harry deu de ombros, com um meio-sorriso:

– Obrigado. Mas é bom lembrar: a noite ainda não acabou, né?

O velho Mestre de Poções o encarou, surpreso. Depois caiu na gargalhada.

– Excelente, rapaz! Um pouco de humor ajuda a aliviar as tensões.

Hermione chamou:

– Harry, tem uma menina do segundo ano que não pára de chorar. Pode me ajudar?

Grato pela interrupção, Harry adiantou-se:

– Claro, Hermione. Com licença, professor.

Ele foi até Hermione e cochichou:

– Preciso falar com Plonk. Ele tem que avisar Berenkor que agora é a hora. Sinto que são muitos lá fora, tentando entrar.

– Como podemos fazer isso sem que ninguém veja? – quis saber a moça

Harry sorriu e apontou para o chão.

– Veja.

Uma poça d'água insuspeita começou a se mexer rapidamente rumo às saídas.

Elementais são mesmo muito legais, pensou Harry.

Próximo capítulo: Exércitos se posicionam