Capítulo 51 – Convoque a violência

tema: guerra

Raios voavam na madrugada, e também algumas flechas ou outros projéteis. A onda de ataques das forças das Trevas começou com uma revoada de Dementadores, que deixou Hogwarts às escuras, crianças assustadas, medo e pavor no ar, a noite adquirindo uma qualidade nefasta e funérea.

Severus estava ao lado do Lord das Trevas, com os demais Death Eaters atrás. Mais do que a seu lado, ele estava na posição de segundo em comando. Mais uma vez, a inveja dos seus companheiros fez Severus se proteger contra ondas e ondas de ódio.

Eles estavam à frente da cabana de Hagrid, encarando o castelo cercado de Dementadores. Na verdade, parecia que estavam apreciando a vista.

– Parece que vai ser mais fácil do que eu previ, Severus – comentou o Lord. – Assim que Bella chegar com a carga preciosa, a diversão vai começar. Excitado?

– Ansioso – confessou Severus. – É um momento histórico.

– Tem razão, meu amigo. Estamos, mais uma vez, fazendo história. O mundo bruxo não vai se esquecer dessa noite. Lord Voldemort vai cumprir seu destino.

Severus concordou fervorosamente com aquilo.

Em muito menos tempo do que ele esperava, Bellatrix Lestrange apareceu com os irmãos Rodolphus e Rabastan, além de outros três mascarados. Severus teve que apreciar o fato de que seis experimentados Death Eaters tinham sido convocados com a simples missão de recolher Harry Potter. Ele viu que Ginny Weasley também estava com eles.

Harry ainda estava desacordado.

– Vejo que você ainda abriga fortes sentimentos pelo pirralho Potter, Severus.

Severus desviou o olhar:

– Ele puxa ao pai. Ambos arrogantes, inconseqüentes e irritantes.

O humor do Lord das Trevas estava excelente, pois ele abriu um sorriso – o que fez as narinas se dilatarem – e anunciou:

– É hora do show. Bella, fique comigo. Yaxley, quero que cuide dos prisioneiros e os mantenha atrás das linhas. Não os quero danificados. Meus Death Eaters, a hora chegou. Ao ataque!

Numa linha reta, uma única linha de frente, os invasores começaram a avançar no gramado ao lado das estufas de Herbologia, rumo à entrada mais próxima às escadas. Em segundos, vários oponentes apareceram vindos de dentro da escola, e o combate teve início, intenso e encarniçado. Aurores lutavam ao lado de professores, e a troca de raios coloridos era tão árdua que a noite estava quase iluminada e multicolorida.

De repente, um vento forte começou a soprar. Muito, muito forte mesmo, soprando da escola para os invasores. Entranho que os Aurores e professores mal sentiam as rajadas, mas para os Death Eaters, eram como chicotadas. Em seguida a chuva começou a cair, também intensa, também concentrada nos agressores.

Kingsley Shacklebolt e os dois Aurores que o acompanhavam se entreolharam, intrigados. A Profª McGonagall, ao lado de Remus Lupin, indagou:

– Algum de vocês conjurou esse temporal?

– Não! – gritou Moody, mais afastado, pegando a rebarba do vento, seu olho mágico rodopiando furiosamente para o lado oposto. – Mas parece que isso está detendo o avanço deles.

– Ótimo! – comemorou Shacklebolt. – Vai dar tempo até os reforços chegarem!

Do outro lado da batalha, Bellatrix gritou, o vento levando suas palavras para longe:

– Está vendo, Mestre? Essa chuva parece estar tentando nos impedir! Como em Diagonal Alley!

O Lord das Trevas apertou os olhos:

– É uma magia antiga... Muito, muito antiga... Eu pensei que tivesse controlado essa ameaça. Com Dumbledore morto, imagino quem estaria por trás disso.

Severus estremeceu, mas o Lord não se deteve em especulações: com um movimento elegante de varinha, dispersou o vento e parou a chuva. Como fim dos obstáculos, o combate recomeçou em seguida. Além dos raios, também flechas começaram a voar na noite.

Ignorando tudo isso, o grupo de Death Eaters avançava de maneira consistente. Os Aurores e professores obrigavam-nos a lançar mão de escudos energéticos, mas não conseguiam deter o avanço dos invasores.

– Estão chegando mais perto! – alertou Mad-Eye Moody.

– É melhor recuarmos! Vamos defender a escola!

Do outro lado do campo, o Lord das Trevas ordenou que o fogo fosse suspenso. Com um Feitiço Sonorus, chamou:

– McGonagall! Vamos conversar!

Moody ainda soltou um feitiço, mas Kingsley também ordenou um cessar-fogo. Os dois grupos estavam a uma distância razoável, mas podiam se comunicar. A diretora de Hogwarts respondeu:

– O que temos para conversar, Tom?

Ser chamado de seu nome Muggle enfureceu o Lord das Trevas.

– Eu queria negociar uma rendição honrosa. Está claro que eu vou tomar Hogwarts, e achei que gostaria negociar a liberdade dos alunos. Mas para isso exijo respeito!

– Está fora de si se pensa que vou desistir sem oferecer resistência! – objetou a escocesa.

O Lord fez um gesto a Yaxley e continuou:

– Não tem como resistir! Eu tenho não só a menina Weasley como o seu prodígio Harry Potter! Isso mesmo! O Eleito, O Menino-Que-Sobreviveu, o seu Mini-Salvador, é meu prisioneiro!

Minerva franziu o cenho e olhou para Kingsley. O Auror também não estava entendendo. Do que Voldemort estava falando? Potter estava em segurança no interior da escola. Moody também deu de ombros, sem saber o que o louco estava dizendo.

– Que quer dizer com isso? – indagou Minerva. – Harry está a salvo na escola!

– É o que pensa! – gritou o Lord. – Yaxley! Traga os prisioneiros!

Minerva arregalou os olhos ao ver, aparentemente, Harry Potter e Ginny Weasley em poder do Lord das Trevas. Ela não estava entendendo. Mas Voldemort não permitiu que ela pensasse:

– Então? Mais disposta a negociar agora?

– Você está louco, Riddle!

– Ao ataque!!

Severus notou que as coisas rapidamente iriam degringolar. Os Death Eater avançavam numa linha horizontal, lenta e segura, como uma régua sendo empurrada para frente, forçando os Aurores e professores a irem para trás, na direção da escola. Eles não iriam conseguir deter a invasão sozinhos.

Parecia coisa combinada, pois assim que ele pensou nisso, dezenas de aurores saíram de suas posições e se juntaram à linha de defesa. O combate se tornou mais feroz. O Lord das Trevas sentiu que seu avanço tinha sido efetivamente detido.

Ele não iria deixar isso assim.

Severus acionou seu pesseguinho imediatamente.

– Dementadores! – gritou o Lord, já começando a perder a paciência. – Quero todos em formação de anel ao redor do castelo!

– Sim, meu amo – disse Alecto, correndo o mais rápido que suas curtas pernas permitiam.

– Dolohov! – chamou o Lord, e logo o serviçal se apresentou. – Solte os gigantes. Não quero perder mais tempo aqui do que necessário. Também deixe Jugson em alerta. Vou precisar dos serviços dele em breve.

O Death Eater saiu correndo, quase espavorido, rumo à Floresta Proibida. Os Dementadores vieram em tempo recorde, e logo havia tantos patronus de todos os tipos tentando afugentar as criaturas que a noite parecia ter virado dia. O reforço dos Aurores estava mesmo dando trabalho às forças das Trevas. Os Death Eaters não conseguiam mais avançar. Os Dementadores não estavam surtindo efeito.

O Lord estava cada vez mais furioso:

– Eu quero os gigantes aqui! Agora!

– Sim, Milord!

Severus observava tudo com apreensão. Seu pesseguinho estava demorando. Mais um pouco e o Lord das Trevas estaria praticamente dentro de Hogwarts. Ainda não se sabia se ele tinha alguma carta na manga.

Os Dementadores desistiram do ataque, mas mantiveram-se flutuando pela região, e um suspense inenarrável permeava o ar quando um barulho ensurdecedor rompeu o ar da noite vindo da Floresta Proibida. Era como se a própria Floresta tivesse se rebelado contra os intrusos, um terremoto que só afetava a floresta. Os grupos em batalha apenas sentiam os efeitos da raiva telúrica.

Dolohov voltou da Floresta, ofegante e parecendo terrificado:

– Meu Lord!... Os gigantes!...

– O que têm eles?

– Estão encontrando... oposição.

– De quem?

– Da Floresta!... É um horror, Milord!... Rios e lagos em fúria!... A própria terra revoltada!... Um vento sobrenatural!... Incêndios sem explicação!

– Seu idiota! – Os olhos vermelhos do Lord pareciam cuspir fogo. – Parece um Muggle aterrorizado!

– Os gigantes deram meia-volta e foram embora. Eles não gostam de água nem de fogo, como sabe.

O Lord das Trevas soltou um urro de ódio antes de sacar a varinha e apontar contra Dolohov:

Crucio!

O Death Eater se estertorava de dor quando o Lord se virou para Severus:

– Meu servo, meu fiel Severus! Preciso daquela poção. Agora.

Severus obedeceu sem pestanejar, embora seu coração trepidasse. A poção, que ele mesmo tinha feito, era para aprisionar corpos. Era a poção que ele usara para fazer os Inferi obedecerem a ele, e a ele somente.

O Lord das Trevas bebeu todo o frasco e jogou-o longe. Então ele abriu os braços e gritou:

– Que venham a mim os Inferi! Seu Senhor lhes ordena!

O grito de guerra não passou despercebido. Os Death Eaters sentiram a energia na ordem.

– "Convoque a violência! E solte os cães de guerra!" – citou o Lord das Trevas.

Severus ergueu uma sobrancelha. Onde o Lord tinha aprendido Shakespeare?

Ele assentiu, impressionado, citando:

Júlio César, ato 3, cena 1.

O Lord abriu um sorriso no seu rosto reptiliano:

– Ah, Severus, você é quase um erudito. Conhece até os clássicos Muggle. Saberá apreciar a estética do massacre que promoveremos agora.

Os Dementadores não tinham voltado, mas o ar pareceu ficar ainda mais sombrio e fúnebre. Então, eles começaram a sair do lago, uma visão pavorosa. Inferi, aparentemente centenas deles, com suas mãos enrugadas, os trapos velhos sobre a pele acinzentada, aproximando-se do castelo.

Feitiços não os detinham. Patronus tampouco. Inferis não sentiam dor, não eram parados por coisas que faziam mesmo Death Eaters veteranos pedir clemência. Após uns poucos minutos, a vantagem sobre as forças da Luz ficou estabelecida. Aurores caíam feito moscas, e alguns membros da Ordem da Fênix também.

Foi aí que Severus sentiu a tensão subir um pouco.

Em meio a Aurores caídos, membros da Ordem e professores em guerra, Harry Potter apareceu no campo de batalha.

O choque em Lord Voldemort foi tão grande que ecoou em ondas psíquicas em todos os Death Eaters com a Marca Negra em seus braços.

Próximo capítulo: Dois Harrys, dezenas de Death Eaters, Dementadores e Voldemort mostram suas armas secretas

Capítulo 52 – A dualidade da luz

Tema: Amor omnia vincit

– Quem é aquele?

– É Harry Potter! – gritou a Profª Sprout. – O que ele acha que vai fazer?

Minerva McGonagall tentou chamá-lo:

– Potter! Potter! Volte já para dentro!

– Minerva! Ele tem mais alunos com ele!

Neville Longbottom chegou perto das professoras:

– Não se preocupe, diretora. Estamos aqui para ajudar.

Remus Lupin decidiu:

– Eu vou lá deter esse menino! Harry! Harry, pare!

– Não! – gritou Luna Lovegood para o lobisomem. – Harry pode ajudar, Prof. Lupin!

– Mas Potter está indo direto para as criaturas! – A voz da diretora estava mais alta do que o normal, tamanha era sua angústia. – Potter! Potter, volte agora mesmo!

O rapaz parecia não ouvir, avançando sozinho em direção aos Death Eaters. Só que, antes de chegar até os Death Eaters, ele teria que passar pelos Inferi.

Para não mencionar o espanto que parecia ser a presença de um outro Harry Potter nas mãos dos discípulos do Lord.

– Que truque é esse? – indagou o Lord das Trevas, a voz ainda mais alta do que de costume. – Estão tentando me enganar? Bella, traga Potter até aqui! Vamos tirar isso a limpo! Ninguém brinca com Lord Voldemort!

Os Inferi mudaram de direção e foram para o lado de Harry. Severus agarrou sua varinha e preparou-se para tudo.

– Isso não é brincadeira, Voldemort – garantiu Harry, do outro lado do campo. – Solte seus prisioneiros. Eles não lhe servem de coisa alguma.

– Ah, então vai querer me convencer que esse aqui não é Harry Potter? – apontou para o Harry Potter ao seu lado, que começava a dar sinais de vida. – Que provas pode me dar de que você é o artigo genuíno e não o que já está comigo?

– Ah, você quer provas? Que tal isso?

Severus arregalou os olhos quando viu Harry, do outro lado do campo, fechar os olhos e abrir os braços para os Inferi cada vez mais próximos dele. Era como se Harry fosse abraçá-los, como se fossem filhos perdidos há muito tempo, só agora encontrando o caminho de casa.

Aurores e membros da Ordem olharam horrorizados quando a massa de mortos-vivos avançou contra Harry, seus corpos esqueléticos, as roupas esfarrapadas parecendo ainda mais deterioradas graças à água do lago. E Harry ainda estava de braços abertos, de olhos fechados.

Severus sentiu, pela ligação entre os dois, o acúmulo de energia. Ele mal acreditou quando seu pesseguinho começou a emitir luz. Luz mesmo, luz como se fosse um Sol, o que ele era, na verdade. Mais surpreendente, porém, foi o efeito dessa luz tão intensa sobre os Inferi.

Não é segredo para ninguém que a natureza dos Inferi é fugir da luz. Contudo, a luz de Harry não era do tipo brilhante e cegante. Era uma luz que, mais do que brilho ou claridade, irradiava calor, conforto, vida... amor. Talvez tenha sido este o motivo que fez os Inferi não fugirem dele, mas simplesmente pararem. Eles pararam e sentiram o calor invadindo seus corpos frios e desesperançados, vazios de substância, animados mecanicamente pela magia de Lord Voldemort.

E eles sentiram luz. E eles sentiram vida. E calor. E, acima de tudo, sentiram amor.

Aliás, todos os que estavam na refrega podiam sentir a mudança no ar. O primeiro sinal já poderia ter sido com a fuga definitiva dos Dementadores, que foram para longe, espavoridos, soltando guinchos horríveis. O espanto foi total ao ver Harry emitindo luz, detendo os Inferi. Mais do que isso: o jovem dava calor e vida a seus corpos sem alma. Na verdade, ele devolvia suas almas, o que os libertava do jugo de Voldemort. Era uma autêntica revivificação.

Um a um, os corpos de Inferi foram caindo ao chão. Quase ao mesmo instante, de cada um dos corpos caídos no gramado, saía uma fumaça muito fina, quase um vapor. A fumaça subia ao céu e rapidamente desaparecia na noite.

No campo de batalha, todos olhavam, surpresos, o desenrolar dos fatos. Ninguém combatia, apenas assistia às cenas assombrosas.

– Por Merlin... – sussurrou a Profª Sprout, arrepiada. – Minerva... Aquilo é o que eu estou pensando?

A sisuda diretora de Hogwarts estava comovidíssima. Ela tinha os olhos cheios d'água ao responder:

– São suas almas, Pomona. Os pobres finalmente podem deixar de obedecer ao seu Amo das Trevas e descansar pela eternidade.

Um momento solene se passou no campo de batalha, durante o qual o combate dava uma trégua enquanto as facções em guerra observavam, abismadas, os eventos sobrenaturais desenrolando-se à sua frente. O ar estava carregado de amor e de magia ancestral, uma aura que parecia atingir cada um e todos os presentes na sua essência.

Tanta emoção dificilmente poderia deixar de ter repercussões. Especialmente entre Death Eaters, de almas tão mais negras, ou em Lord Voldemort, cuja alma fraturada sentia o ar saturado de amor e compaixão como um veneno mortal.

– AARGH!!

Ele foi ao chão, contorcendo-se. Bellatrix gritou, histérica:

– Mestre!!

Severus sentiu que aquele era o momento de agir. Ele se aproximou de Bella, usando os seus poderes Koboldine:

– Ajude o Mestre, Bellatrix! Você tem que ajudá-lo!

Bellatrix Lestrange, uma oclumente experimentada, não era uma pessoa de mente fraca, capaz de ser facilmente influenciada pelo poder Koboldine. Contudo, Severus calculou que a emoção de ver seu Mestre se contorcendo no chão como se tivesse levado uma Maldição Cruciatus deixaria Bellatrix mais receptiva às suas sugestões.

– Não posso! – angustiava-se ela. – Ele me passou a guarda dos prisioneiros!

– Você sabe que ele vai matá-los de qualquer jeito. Mas ficará grato se você o ajudar – instigava Severus. – Ele pode fazer de você a favorita novamente. Você fracassou naquela missão em Diagonal Alley, Bellatrix. Lembra-se? Você não conseguiu pôr as mãos em Potter. Agora você pode salvar o Mestre. Essa é sua chance de se redimir!

Ela resistiu dois segundos antes de se lançar ao corpo que debatia no chão, gritando:

– Meu Mestre!!

Era a chance que Severus esperava. Os dois prisioneiros agora só estavam guardados pelos irmãos Lestrange. Embora fortes e cruéis, eles não tinham fortes mentes como característica mais marcante. Portanto, Severus sugeriu:

– Que estão esperando? Bellatrix precisa de sua ajuda!

Os dois imediatamente entraram em ação. E Severus também.

Ele agarrou o Harry Potter prisioneiro, que estava abraçado a Ginny. A moça mantinha o ar distraído e aéreo desde que recebera o Feitiço Obliviate.

– Vamos, vamos sair daqui!

– Já não era sem tempo! – reclamou Harry. – Daqui a pouco o disfarce vai sumir!

– Severus...! – A voz de Voldemort estava uma oitava acima.

Ele se virou. O Lord das Trevas estava caído, alquebrado, com uma mão erguida, a voz fraca, ignorando os servos à sua volta e chamando Severus.

– Severus... Meu servo... me ajude, por favor...

Severus virou-se:

– Lamento não poder fazer isso. Meu verdadeiro Mestre espera por mim. Aquele a quem eu sempre fui leal.

Os olhos vermelhos adquiriram um brilho carmim:

– TRAIÇÃO!... Você é um traidor, Snape!

– Não mesmo. Eu nunca traí minhas alianças verdadeiras. Agora a profecia se cumpre: "Ele terá um poder que o Lorde das Trevas desconhece/ E um dos dois deverá morrer na mão do outro, pois nenhum poderá viver enquanto o outro sobreviver". Você vai morrer sem Harry precisar matá-lo. Aliás, você já está morrendo. Não notou?

Sem mais a acrescentar – e observando o movimento dos demais Death Eaters já tentando cercá-lo –, Severus apertou Harry Potter contra si e Desaparatou, levando também a jovem Weasley consigo.

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Ao ver aquilo, Minerva arregalou os olhos e assombrou-se:

– Por Merlin! O que é aquilo? Não se pode Aparatar em Hogwarts!

Hermione Granger, que acabava de chegar correndo, sorriu, ofegante:

– Aparentemente, professora, o Prof. Snape não sabe disso!

Severus aparatou ao lado de Harry, que abriu os olhos e um sorriso ao vê-lo. Então, ele viu-se com o seu sósia e confessou:

– É estranho ver-se a si mesmo.

O outro Harry sorriu, os olhos verdes brilhando:

– Aproveite rápido, porque isso não vai durar muito.

Parecia que ele só estava esperando isso. Nesse momento, o corpo do Harry que segurava Ginny começou a tremer. Hermione se adiantou para ajudar a irmã de Ron, observando, fascinada, a transformação com o fim do efeito da Poção Polissuco. Harry não tinha compartilhado com os amigos a identidade da pessoa que tomara a poção para enganar Voldemort. Aurores, Death Eaters e combatentes continuavam a observar os acontecimentos, espantados.

Por isso é que o choque foi tão grande quando, ao final da transformação, Harry Potter transformou-se em ninguém menos do que Sirius Black. Exclamações de espanto começaram a pipocar pelo gramado, gente vinha correndo de dentro do castelo para ver o que se passava. Petrificado, Lupin sentia o sangue fugir-lhe do rosto.

Adiante, porém, o grito de Bellatrix foi incrível:

– Isso é uma farsa! Eu matei você!

– Na verdade, prima – sorria o animago redivivo –, a sua maldição não me matou. Fiquei vivo, mas, infelizmente, não tinha como voltar do Véu. Foi preciso Harry entrar lá para me tirar. Ah, e ele também entrou lá para destruir umas coisas desse seu Mestre nojento.

– NÃÃO! – urrou Voldemort, ainda no chão, com Bellatrix tentando sustentá-lo. – Minhas Horcruxes!

– Lamento – disse Sirius, sarcástico. – Parece que não sobrou nenhuma. Dessa vez, você vai morrer e vai continuar morto, seu asqueroso.

– Não serei derrotado por um moleque de escola!

Harry caminhou alguns poucos passos para se aproximar do Lord agonizante e garantiu:

– Você não tem escolha. Severus falou bem: a profecia se cumpre hoje. Como pode notar, você já está morrendo. Pois, para você, o amor é tóxico. Dumbledore me ensinou isso muito bem. A única arma contra você é o amor. É um veneno que você não suporta em sua alma fragmentada. Aliás, os fragmentos de sua alma e daqueles a quem você matou e atormentou já estão em paz. Você deveria fazer o mesmo. Descanse, Lord Voldemort. Que você possa encontrar sua paz. Que Tom Riddle possa morrer e ter seu descanso.

Severus sentiu uma onda de compaixão tão forte vinda de Harry que ele mesmo ficou emocionado. Depois de tantos anos e depois de tudo o que Voldemort e seus comparsas fizeram Harry passar, tantas perdas, tanta dor, o rapaz ainda sentia piedade por seu algoz. Todo esse amor era um veneno para o Lord das Trevas, que se contorceu ainda mais, dilacerado de tanta dor.

Logo ele parou de se contorcer, nos braços de uma horrorizada Bellatrix. E a luz vermelha sumiu de seus olhos.

Num sussurro, Lord Voldemort deixou o mundo dos vivos.

Para sempre.

Foi isso que detonou a confusão.

Um raio, que só mais tarde foram descobrir que tinha vindo de um Auror, atingiu Severus nas costas naquele exato momento, em que todos estavam atentos ao triste fim do Lord das Trevas. O feitiço foi tão fulminante que Severus não teve tempo sequer de soltar um som antes de ir ao chão e lá ficar, imóvel.

– SEVERUS!! – gritou Harry, que não pensou duas vezes antes de se abraçar ao seu dominante no chão. – NÃO!!

Outro grito surgiu, de Bellatrix, que se ergueu, varinha em riste mirada em Harry:

– VOCÊ MATOU MEU MESTRE, PIRRALHO!

Harry mal percebeu o que o atingiu antes que o mundo inteiro ficasse preto a seu redor. Depois ele não viu mais nada.

Próximo capítulo: O mundo bruxo volta suas atenções para Hermione Granger