Horas depois, Rosana aparatou em um cemitério, próximo de onde se erguia um prédio. O lugar era lúgubre e Lucius a esperava de pé perto da estátua onde o jovem Harry estivera preso meses antes. Ela caminhou em sua direção com um sorriso irônico nos lábios e trajando suas vestes negras.
― Lucius - disse ela estendendo-lhe a mão. - Esperava uma recepção mais calorosa já que sou tão querida.
― Rosie - depositou os lábios suavemente nas mãos alvas que lhe eram oferecidas. - Acho que não se deve nunca decepcionar uma mulher. Vamos?
― Creio que devo me preparar para o pior - ela continuou sorrindo.
― Acho só que não deveria subestimar o Lorde, ele pode querê-la de volta - fitou-a com um leve sorriso -, mas não gostou que não viesse assim que foi convocada.
― Vamos, a demora só irá irritá-lo mais - murmurou Rosie.
Subiram o terreno em direção da casa. Lá dentro o ambiente era tão frio quanto ou pior do que o casebre em Londres. Malfoy subiu na frente por uma escada de madeira e entrou no quarto no fim do corredor. Rosana fez o mesmo caminho enquanto a enorme cobra passou por seus pés e ela apenas a olhou com desprezo. Entrou no quarto atrás de Malfoy, ele se afastou e se juntou a mais dois encapuzados ao canto. Rosie permaneceu de pé, contemplando a poltrona desbotada a sua frente, sabia exatamente que Voldemort em pessoa estava ali. As outras duas pessoas eram, ela podia dizer sem olhá-las, Bellatrix e Rodolphus Lestrange.
― Rosie, Rosie - disse Bella com ironia e depois dando uma sonora gargalhada. - Achei que vinha mais cedo? Não lhe mandaram um convite? Veja, até Severus veio antes de você!
― Olá, Bella. Rodolphus - disse dirigindo-se para a figura de um homem imóvel ao lado da mulher de cabelos castanhos que lhe falava. - Não vim por medo, minha cara, vim porque quis. Aliás, estou aqui porque você é incapaz de ser um braço direito decente, na falta de Snape, é claro - e sorriu mordaz.
― Ora sua... - as palavras dela morreram quando a de Voldemort se fez ouvir.
― Cale-se, Bella! Já chega! - ele ordenou com a voz fria. - Venha aqui, Rosie!
Sem qualquer hesitação ela se colocou em frente à poltrona, encarando os olhos vermelhos da figura branca e cadavérica ali sentada. Rosie o fitou sem fazer qualquer reverência, apenas esperou que ele falasse.
― Faz muito tempo, minha cara - ele disse.
― Uns treze anos, não? - ela rebateu. - Não gosto de lembranças e conversas fiadas, por isso quero saber o que quer de mim.
― Continua espirituosa - gargalhou histérico. - Talvez eu devesse...
Houve um minuto de silêncio, uma contração no rosto de ambos e uma nova gargalhada. Só que desta vez quem a deu foi Rosie.
― Nem tente - ela falou parando de sorrir.
― Você não vai querer medir forças comigo - ele falou seco -, ou vai?
― Não, não tenho essa intenção - suspirou. - Quero apenas saber o que quer de mim. Não iria me chamar aqui à toa e colocar em risco seu trunfo preservado durante esse tempo todo. Ou iria?
― Você é muito esperta. Diga-me, como está seu pai? - Voldemort a encarou.
― Bem, eu acho. Era só isso? - Rosie dirigiu-lhe um olhar frio.
― Não. Vou entrar no Ministério, ou melhor, Lucius vai - ele falou com calma.
― Boa sorte, Malfoy - ela sorriu sarcástica.
― Gostaria muito de arrancar esse sorriso de seu rosto, Rosana - dizendo isso Bella foi em sua direção com a varinha em punho.
Não menos que segundos depois foi imobilizada na parede, se contorceu e soltou um grito medonho. Rosie apenas a encarava sem se mexer ou usar sua varinha. Nem Lucius, nem Rodolphus fizeram qualquer movimento, foi quando Voldemort falou novamente tendo um sorriso nos lábios.
― Solte-a, Rosie - ordenou.
― Como queira - virou-se voltando seu olhar para ele e no mesmo instante Bella escorregou para o chão. - Não tente fazer isso novamente, Bellatrix.
― Quero que os coloque lá dentro, Rosie - disse.
― Está bem. Isso será fácil! - recolocou o capuz e foi em direção a porta. - Avise-me apenas quando será.
Bellatrix ainda se recompunha amparada pelo marido, e Lucius, a um meneio de cabeça de Voldemort, se adiantou em acompanhar Rosie até a saída. Antes de deixá-la ir, ele falou:
― Por que não fica aqui? - Voldemort deu-lhe um sorriso malicioso. - Há tantos quartos nessa mansão infernal. Seria bom ter alguém por perto para conversar.
― Não, obrigada. Amizade e negócios não se misturam - Rosie sorriu irônica. - Você me ensinou isso muito bem. Quero apenas Dumbledore morto. Só isso. Adeus!
Saiu acompanhada de Lucius, enquanto Voldemort soltava uma nova gargalhada.
Lá fora a noite fria havia descido por completo. Rosana andava rápido para fora da proteção de feitiços que cercavam a casa, e Malfoy segui-a de perto. Assim que chegaram ao lugar para que ela pudesse aparatar, eles se despediram.
― O que disse lá dentro é verdade, Rosie? - ele a fitou com seus olhos azuis.
― Disse tantas coisas, Lucius - ela respondeu.
― Sobre amizade e negócios - sorriu amarelo.
― Depende - Rosie suspirou, deu alguns passos em sua direção e fitou-o. - Nunca tive negócios com você, Malfoy. Nossa relação é de amizade. Sempre foi.
― É uma pena que pense assim. Não que eu quisesse ter negócios com você - ele se colocou a centímetros de seus lábios. - Sabe, queria tê-la em meus braços de novo, sentir seu perfume, sua pele. Ah, minha doce Rosie.
― A doce Rosie se foi, Lucius - ela desviou seu olhar -, há muito tempo.
― Não. Ainda está aqui - puxou-a para si e lhe deu um beijo terno.
― É melhor eu ir.
Rosie desaparatou, deixando Lucius envolto na escuridão e em seus pensamentos. No entanto, havia mais alguém ali oculto pela noite e que, ao ver a cena, desaparatou no mesmo instante em que ela.
