CAPÍTULO V

Rosana andou pelas ruas de Hogsmeade até chegar ao Cabeça de Javali. Entrou, sentou numa mesa ao canto e pediu um firewhisky. O barman trouxe rapidamente, não havia quase ninguém para servir naquela noite fria. Do outro lado do bar, um homem envolto numa capa a olhava detidamente. Viu-a beber dois copos da bebida rapidamente.

Após uma meia hora, ele se levantou e caminhou até a mesa dela. Rosie não pareceu dar-se conta de sua presença, olhava para seu copo. Já estava na quarta dose, e balançava o copo com as pontas dos dedos. O vulto se aproximou e antes que falasse, ela o fez.

― Boa noite, Severus - disse sem encará-lo. - Nova missão?

― Não acha que já bebeu demais? - a voz dele era fria.

― Não - disse seca. E você não me respondeu.

― Não lhe devo satisfações, Rosie - Snape falou ríspido enquanto se sentava.

― Ponto para você - e virando-se para o barman, sacudiu o copo vazio. - Mais um!

― O que faz aqui? - ele a olhou com curiosidade. - Não devia ter ido ver o Mestre?

― Eu não devia te responder - falou enquanto tomava mais um gole da nova dose. - Já fui e já voltei. Negócios, meu caro, only business!

― Está bêbada - rosnou para ela.

― E daí? - ela sorriu marota. - Sou maior de idade, não tenho marido, namorado ou qualquer coisa parecida.

― É melhor parar de beber - Snape falou desdenhoso e olhou para os lados -, ou vai perder o controle sobre si mesma.

― Estou bem, pode ir - seus olhos castanhos o fitaram com frieza. - Já cumpriu seu papel de bom moço - completou já grogue.

― Eu deixo esse papel para Lucius - falou com malícia. - Ele faz bem o gênero, não acha?

― Tem razão - Rosie completou com mais malícia ainda. - Ele é um homem de verdade.

Snape a encarou, seus olhos cintilavam de raiva. Levantou, retirou o copo das mãos dela e jogou algumas moedas de prata sobre a mesa. Antes que ela pudesse protestar, ele a puxou pelo braço e saíram do bar. Caminharam por algumas ruas, Rosie queria falar, mas manteve-se quieta. Sua curiosidade de onde ele a estava levando era muito maior. Entraram na mesma pensão da outra noite e subiram por uma escada tortuosa de madeira. Severus abriu a porta do quarto e entrou seguido por ela. Rosie retirou a capa enquanto ele se virou e saiu pela porta, dizendo:

― Eu já volto.

Ela não respondeu, andou pelo quarto e menos de dez minutos depois ele voltou. Entrou com uma garrafa e um copo. Colocou-os sobre a mesa, encheu o copo e entregou a ela dizendo com sarcasmo:

― Pronto! Agora pode dar seu showzinho particular - recostou-se na cama e a observou.

Rosana sorriu, olhou o copo entre os dedos e levou-o aos lábios. Sorveu todo seu conteúdo em um só gole e colocou-o de volta na mesa. Snape a acompanhava com os olhos. Ela foi até ele.

― Não sabia que gostava de shows, professsorrrr - disse languidamente ao seu ouvido e mordeu-lhe o lóbulo da orelha -, mas eu adoro - sussurrou baixinho enquanto posava o dedo em seus lábios e depois o beijava, sugando vagarosamente o lábio inferior.

Snape a olhou se afastar por instantes dele, retirar as vestes e ficar nua na sua frente. Apenas sorriu crispando os lábios, ela era realmente muito bonita. Severus a queria mais do que qualquer coisa, nunca desejara tanto uma mulher assim. Rosie voltou até ele agarrando-o pelos cabelos e puxando-o para si. Seus lábios tocaram os dele com suavidade, e ao sentir o apelo de seu corpo, Severus a beijou com uma paixão intensa.

As mãos dela percorreram suas vestes, desabotoando todos os botões. Snape beijava seu pescoço, seus lábios, mordia seus ombros. O desejo de Rosie só aumentava, mas ela conseguiu fazê-lo livrar-se das roupas e deitá-la na cama. As mãos dele agora percorriam suas coxas fazendo-a gemer de desejo, e seus lábios deslizavam suavemente pela pele rosada de seus seios.

Sem perder o ritmo e a intensidade das carícias que se faziam, Rosie sentou sobre seu membro enquanto ensaiava um suave balançar de quadril. Como a resposta dele foi rápida a sua pressão, ela aumentou intensidade do movimento. Sem que perdesse qualquer contato com ela, Snape mudou de posição e deitou-se por cima dela, conduzindo-a agora para um frenético movimento de seus corpos. Não demorou muito para que Rosie arqueasse o corpo num espasmo de prazer e ele por sua vez contraísse cada músculo num gozo profundo.

Severus beijou-lhe apaixonadamente os lábios e deitou sua cabeça sobre o colo de Rosie. Ela sorriu e começou a acariciar seus cabelos, como se o ninasse. Ele a abraçou pela cintura e fechou os olhos.

― Você vai me fazer sofrer - ela disse baixinho.

― Eu nunca a deixarei sofrer de novo - ele a fitou com tristeza. - Nunca a esqueci. Nunca! Desde Hogwarts... você e Malfoy...

― Eu amava você e não o Lucius - falou receosa. - Acho que nos machucamos muito.

― Sim, mas podemos mudar isso - recomeçou a beijá-la.

A noite ainda serviu de pano de fundo para os dois amantes durante as horas seguintes.

A manhã seguinte chegou enchendo o quarto da pensão com um sol pálido de inverno. Rosie já estava de saída quando Severus a olhou, recostado nos travesseiros. Ela tinha acabado de vestir a capa e amarrava os sapatos.

― Já vai? - disse ele fitando-a.

― Tenho que encontrar Dumbledore. Ele já deve estar me esperando com um sermão por não ter dormido novamente em casa.

― Novamente? - ele arqueou a sobrancellha. - Não me lembro de ter dormido com você na noite passada.

― Talvez - Rosie se sentou na cama ao seu lado -, se tivesse dormido eu não precisasse de desculpas esfarrapadas.

― Tome cuidado, mocinha - disse dando-lhe um beijo -, você sempre foi minha e sempre será, ouviu?

― Não sei de onde tira tanta confiança? - sorriu irônica. - Lucius já me disse isso também.

― Não brinque comigo, Rosie - Snape a segurou pelo braço. - Você já fez isso uma vez, e se ele acha que conseguirá tirá-la de mim de novo... eu o mato!

― Nossa! Um homem de verdade! Eu estava enganada - ela disse com malícia e depois assumiu um tom sério. - Eu nunca brinquei com você. Nunca! Você não me deu chance de provar que o amava.

― Esqueça isso, sei que fui um tolo - ele a fitou sem jeito. - Porém, não muda o fato de que a quero longe do Malfoy, entendeu?

― Impossível, anjo, tenho uma missão com ele - Rosana falou com calma. - Não sabia? Vou colocá-los dentro do Ministério. Seu Mestre me pediu.

― Não tenho tido muito contato com o Lorde. Preciso espionar Dumbledore - seus olhos negros encontraram os dela. - Sabe por que ele quer entrar lá, não? Ele atacou Arthur há pouco tempo. Insisto em que tome cuidado.

― A profecia de Potter - ela suspirou. - Fique tranqüilo, sei me cuidar muito bem, lembra? Voldemort teme que perca seu controle sobre mim... como se algum dia tivesse tido.

― Não fal... - Snape não terminou a frase.

― Eu sei, não diga o nome dele assim! Ah, Severus, não tenho mais vinte anos - Rosie beijou-o delicadamente nos lábios. – Tenho que ir.

Rosie se levantou enquanto a mão dele deslizou pelo seu braço e deteve-se na dela querendo impedi-la de dar mais um passo em direção ao seu destino. Severus tinha que admitir que ela nunca saíra de seus pensamentos um segundo, odiou o dia em que Lucius a pediu em namoro. Esse mesmo ódio o atormentou ao entregá-la para Voldemort e depois, quando Dumbledore a tirou de Hogwarts, levando-a para longe. Agora Rosana estava de volta, era só dele, tinha certeza disso! Sempre fora!

― A propósito, não minta a Dumbledore - disse ele largando sua mão e fitando-a mais uma vez. - Fale onde esteve. Sabe que ele se preocupa com você de verdade.

― Está bem. Sei que Dumbledore se importa e muito - ela abriu a porta e antes de sair completou: - Eu o amo também. Mais tarde nos veremos?

― Amanhã tenho que dar aulas, Rosie - ele sorriu.

― Apenas duas horas - lançou um olhar pedinte. - Prometo!

― Vou ver o que posso fazer por você. Vá! - ordenou.

Rosie saiu sorrindo enquanto Snape jogava as pernas para fora da cama, procurando por suas roupas espalhadas pelo chão, e paulatinamente as vestia. Ele meneou a cabeça negativamente e sorriu.