CAPÍTULO VI

Dumbledore estava de pé na sala como no dia anterior quando Rosana entrou. Ela foi até ele e, para surpresa de ambos, deu um leve beijo em seu rosto. Depois foi até o sofá e se sentou.

― Sente-se - sorriu infantil para ele -, bom dia, professor, desculpe-me pelo atraso.

― Pelo que vejo, Rosie, essa noite dormiu bem - Dumbledore fitou-a por trás dos oclinhos.

― Sim, muito bem - ela o encarou. - Quer que eu lhe satisfaça a curiosidade?

― Não precisa, minha criança, tenho certeza que irei encontrar esse mesmo brilho no olhar de certo professor meu - sorriu indulgente para ela. - Não preciso usar legilimência para isso.

― Bom, acho melhor passarmos para os fatos de ontem, não? - disse Rosie.

― Claro - ele acenou afirmativamente, apesar de estar curioso sobre Rosana e sobre a noite anterior.

― Voldemort vai entrar no Ministério para tentar pegar a profecia, ou melhor, Lucius vai fazer isso com um grupo - Rosie falou calmamente.

― E quer que você os coloque lá dentro, ou seja, ajude-os a passar pelos feitiços de proteção! - ele completou rapidamente.

― Eu já aceitei.

― Fez bem, já sabe quando será? - Dumbledore analisava o que ela dizia a ele. - Ele tentou uma vez e atacou Arthur. Severus deve ter lhe dito, não?

Ela balançou a cabeça afirmativamente. Rosie sabia como o velho bruxo se sentia em relação a ela. Na época em que foi levada a Hogwarts, e posteriormente resguardada por ele fora da Inglaterra, tivera uma conversa com o Diretor. A conversa foi despida de quaisquer ilusões ou mentiras, dois exímios legilimens, um de frente para outro. Não havia o que esconder, Rosana penetrara nos segredos mais profundos de Dumbledore. Por isso voltara, por isso estava do lado dele. Rosie sabia melhor do que ninguém quem Dumbie era, seus segredos... seus erros. Ela confiava nele mais do que em qualquer um, nem Severus a faria trair Albus Dumbledore. Muito menos Voldemort.

― Ainda não sei quando, mas tenho certeza que é em breve - ela disse categórica.

― Deixarei a Ordem em alerta - ele passou sua mão pelo rosto dela. - Tome cuidado. Tenho que ir, Hogwarts não pode ficar nas mãos do Ministério e de Dolores Umbridge.

― Nunca tivemos um tempo só nosso - ela deu-lhe um sorriso. - Acho que nunca teremos, não é?

― Não, acho que não - deu-lhe um tapinha na mão. - Não tenha dúvidas que sempre estarei com você... de uma forma ou de outra.

― Eu sei... sei muito bem disso - seus olhos brilharam de satisfação.

― Deixe-me ir, minha querida - Dumbledore se levantou do sofá e foi em direção à lareira. - Algum recado para... bem, Hogwarts?

― Não, Diretor, obrigada. - Rosie sorriu.

― Adeus, senhorita - dizendo isso atirou Flu ao chão da lareira e desapareceu nas chamas verdes.

Dumbledore já havia chegado a seu escritório há algumas horas. Tinha descido para o jantar com os professores e retornara para seus aposentos, quando uma batida na porta o retirou de seus pensamentos.

― Entre, professor - disse ele.

A porta se abriu e deu passagem para o professor de Poções, Severus Snape. Snape entrou no aposento com sua capa esvoaçando e parou em frente à mesa do diretor. Ele juntou as pontas de seus dedos e encarou Dumbledore com seus olhos pretos. O Diretor, por sua vez, se limitou a sorrir por trás do oclinhos de meia-lua.

― Sente-se, Severus - disse o Diretor indicando-lhe a cadeira a sua frente.

― Não há necessidade, Diretor - seus olhos analisavam a figura do Diretor. - Preciso lhe falar sobre certa pessoa. Não estou certo de que aqui seja o melhor lugar, porém se não o fizer aqui, terá que ser na sede da Ordem, o que seria lamentável também.

― Entendo. Não há problema desde que respeitemos a ausência de nomes - Dumbledore falou calmamente, piscando o olho. - O que quer me falar sobre esta pessoa, professor?

― Diretor, ela está correndo um enorme perigo - seus olhos destoavam de sua aparência impassível. - Não seria conveniente afastá-la novamente?

― Severus, sabe tão bem quanto eu que não adiantaria - ele se levantou e começou a andar pelo escritório. - Primeiro porque Voldemort iria atrás dela e segundo porque esta pessoa em especial não aceitaria sair de cena tão facilmente. Principalmente nesse momento, acredite, eu a conheço bem.

― Está certo, não tocarei mais neste assunto - Snape desviou seu olhar do Diretor. - Permita então que me retire, Diretor. Tenho que preparar as aulas de amanhã.

― Tenho certeza que tem coisas melhores a fazer nas masmorras - ele sorriu para o homem aparentemente calmo a sua frente. - Pode ir, mas antes quero lhe pedir um favor, Professor. Eu deixarei a pessoa da qual acabou de me falar em suas mãos. Quero que cuide dela por mim, confio em você, Severus. Agora vá, não quero ser o responsável por não ter suas aulas prontas.

Snape assentiu com a cabeça e se retirou do escritório do Diretor. Estava aturdido com a pequena entrevista. Quanto Dumbledore sabia sobre seus sentimentos? Quanto ele sabia sobre o que estava acontecendo? E o que exatamente ele quis dizer com "cuide dela por mim"?

Seus pensamentos giravam em torno disso enquanto percorria o caminho até as masmorras. Estava acostumado com o frio dos corredores, assim que abriu a porta de seus aposentos sentiu um calor intenso que vinha lá de dentro. Atravessou o vestíbulo e chegou ao quarto. Deitada de bruços em sua cama com as pernas balançando no ar e mordendo uma enorme maçã enquanto folheava um livro, estava Rosie.

Severus tinha parado no portal e a fitava tentando absorver cada detalhe daquela cena. Rosana fechou o livro e virou-se para ele com um sorriso zombeteiro nos lábios.

― Pensei que não viesse dormir - disse isso e mordeu a maçã.

― O que faz aqui, senhorita? - ele só a olhava, não deu um passo.

― Uma surpresa! Gostou? - Rosie havia se levantado, deixara a maçã sobre a mesinha e andava calmamente até ele.

― Não acha que está se arriscando demais? - ele continuava a fitá-la.

― Tavez, mas sabia que você não apareceria hoje, então eu... - ela havia chegado perto, brincava de andar com os dedos de um botão para o outro da veste dele enquanto o encarava mordendo o lábio inferior.

― Não podia esperar? - Snape perguntou só por perguntar, aqueles olhos faziam seu corpo ferver. Sabia qual seria a resposta porque ele mesmo a tinha naquele momento. Apenas queria ouvi-la da voz dela.

― Não - Rosie sussurrou ao seu ouvido enquanto seus dedos desabotoavam os botões com os quais brincara há poucos instantes atrás.

Ele a puxou pelos cabelos e juntou seus lábios aos dela num beijo alucinado de desejo e paixão. As mãos escorregaram pelas suas costas e retiram-lhe a blusa. Rosie já tinha retirado seu casaco e beijava-lhe cada parte do peito desnudo. Snape a tomou nos braços e a conduziu até a cama, onde recomeçaram as carícias e os beijos.

Rosie deitou-se por cima dele e percorreu seu corpo beijando-lhe ardentemente. Deteve-se numa parte intumescida, a qual exigiu dela uma atenção especial. Um beijo longo, depois seus lábios o percorreram levemente, apenas estabelecendo um pequeno contato. Snape gemeu, ela sorriu e voltou para entretê-lo novamente com seus lábios que agora o massageavam com sofreguidão. Depois intensificou mais ainda as carícias alternando a língua e os lábios, multiplicando a sensação de prazer dele. Rosie sabia que ele estava ponto de explodir, ele urrou e ela parou suas manobras, encarando-o com um olhar safado.

Snape sorriu para ela, deitou-a e começou a tocá-la de todas as formas possíveis. Suas mãos exploravam cada parte do corpo de Rosie. Quando escorregou por suas coxas em direção a sua intimidade, ela foi levada ao limite de sua resistência. Ele também não agüentaria muito mais tempo, colocou-a de quatro e a possuiu.

Os corpos arqueavam ainda quando ela recostou a cabeça sobre o peito dele. Se Rosie pudesse optar nunca mais deixaria aquele quarto, aquele castelo. Nunca deixaria Severus. Snape acariciava seus cabelos castanhos e percorria com as pontas dos dedos as costas da amada.

― Dumbledore pediu que eu cuidasse de você, agora pouco.

― Parece que cumpriu as ordens ao pé da letra - respondeu Rosie sorrindo e apoiando-se com os cotovelos em seu tórax.

― Não estou brincando, Rosie - ele disse sério enquanto acariciava o rosto dela. - Ele sabe o que sentimos.

― Sei disso - ela continuava sorrindo para ele enquanto enrolava os cabelos pretos em seus dedos. - Como acha que vim parar aqui? - Rosie ficou séria e o fitou. - Do que tem medo, Sevie?

― Não tenho medo, apenas me senti estranho quando ele falou comigo, só isso - ele a puxou para si e beijou-lhe os lábios. - O que seu pai diria se eu a pedisse em casamento?

― Não sei. Eu diria sim! - beijou seus lábios rapidamente.

― Não tenho muita coisa a lhe oferecer, minha querida - ele sorriu amarelo.

― Tem sim, você é tudo o que eu quero! - seus olhos brilharam. - Tenho certeza que ele irá adorar!! E você aceita conviver com uma louca, que vê coisas e faz coisas estranhas, para o resto da vida?

― Você é toda loucura da qual preciso! - beijou-a intensamente e deitando-a nos lençóis, recomeçou a beijá-la e acariciá-la. - A que sempre precisei.

Rosie apenas sorriu e abraçou-o. O mundo podia acabar naquele momento que estariam ali abraçados, apaixonados, se amando. O amor deles era assim: um fogo consumindo a palha.