CAPÍTULO VII

Rosana não teve que esperar muito para receber um novo comunicado do Lorde das Trevas. As coisas aconteceram numa linda manhã de verão, ela estava sentada nos jardins de Mansão dos Bakers quando uma voz conhecida falou ao seu ouvido.

― Rosie, minha querida - disse Malfoy.

― Bom dia, Lucius - sorriu polidamente. - Não está cedo para uma visita?

― Negócios, senhorita Baker - ele beijou-lhe a mão estendida -, nunca têm hora certa.

― Diga logo o ele quer, Lucius - Rosie o encarou com seus olhos castanhos -, meu tempo é precioso, mesmo para o Lorde.

― Já que insiste - Lucius havia se sentado ao lado dela no banco de madeira. - Precisamos que seja feito hoje. O Mestre não quer mais perder tempo e decidiu por hoje à noite.

― E seu eu não puder? - ela o olhou com malícia.

― O que você está pretendendo, Rosie? - ele a encarou com os olhos azuis. - Você está brincando com o fogo.

― Não, não estou - sorriu com desdém. - Estarei lá à noite.

― Oh, não, minha cara, você não está entendendo - foi a vez dele sorrir. - Você irá comigo... agora!

Rosie não esperava por isso, mas devia ter previsto que tal coisa pudesse acontecer. Olhou para Malfoy com curiosidade, não precisava ler sua mente para saber o que queriam com isso e do que suspeitavam. Sua mente trabalhava ferozmente a procura de uma saída. Ela tinha que dar um jeito de avisar Dumbledore. Não poderia contar com a presença de Severus lá, pois não teria como justificar depois sua permanência em Hogwarts. Isto significava que ela, Rosana, estava sozinha. Sua mente borbulhou nos instantes que se seguiram. Ela se levantou e virou-se para Malfoy dizendo:

― Bom, vou pegar minha capa e podemos ir - assumiu um ar frio e tomou a direção da casa. - Se importa?

― Não, claro que não - Lucius se pôs de pé e ofereceu-lhe o braço. - Eu a acompanho até lá. Permite?

Rosie sorriu condescendente e enlaçou seu braço ao dele. Rumaram para a Mansão, era uma linda construção semelhante a um pequeno palácio de pedra, que se erguia no meio dos campos verdes. Chegaram à porta, Rosie entrou primeiro, Lucius em seguida. Ele olhou a sua volta e parecia satisfeito com o que via.

― Muito acolhedora sua casa, Rosie - ele sorriu. - Foi decorada com muito bom gosto.

― Obrigada, Lucius - ela o fitou com interesse. - Só que você sabe que esse lugar me trás péssimas recordações. É realmente belo e rico, há muitas obras de arte espalhadas por aí, tapetes, vasos... Ah! E o que eu mais gosto: uma maravilhosa biblioteca. Devorei todos aqueles livros na juventude, gostaria de ver?

― Adoraria - disse isso e seguiu-a.

Rosana pensava em entretê-lo com alguma coisa para tentar passar sua informação ao diretor. Percorreu alguns corredores e parou em frente a uma porta dupla de madeira. Abriu e deu passagem para Malfoy. Lá dentro havia estantes e mais estantes repletas de livros de todos os tipos, inclusive de Magia Negra. Ele estava fascinado, e então Rosie aproveitou para dizer:

― Fique a vontade e aprecie os livros enquanto eu pego minha capa - sem lhe dar chance de resposta saiu para o corredor. - Não vou me demorar.

Rosie caminhou rapidamente para o andar de cima, entrou no quarto de seus tios, que tinha uma enorme lareira. Jogou pó de Flu ao chão da peça de pedra e em segundos estava no escritório do diretor. Dumbledore não estava lá e ela não tinha tempo de contatar Severus. Olhou para cima da mesa de madeira no centro do aposento e viu uma pilha de pergaminhos. Agarrou uma pena, rabiscou algumas palavras em um e voltou para lareira desaparecendo nas chamas verdes.

Chegou a tempo apenas de destrancar a porta que servia de comunicação entre o quarto em que estava e o seu, encoberto nos dois lados por enormes tapeçarias. Abriu a porta do guarda-roupa, retirou de dentro dele uma capa verde e ajeitou-a sobre os ombros. Ouviu uma batida na porta e a maçaneta girou.

― Não sabia qual era seu quarto, mas aparentemente encontrei-o, não? - ele falou analisando o aposento em que estava.

― Vamos? - disse Rosie virando-se para ele, sem dar muita atenção as suas palavras.

Lucius sorriu e esperou que ela saísse por primeiro. Deu uma última olhada no aposento e fechou a porta atrás de si. Percorreram o caminho de volta até os jardins e desaparataram em direção ao cemitério.

Rosana estava apreensiva, mas conseguia facilmente esconder suas emoções. Passou o resto do dia arquitetando junto com o grupo de Comensais todos os passos para a invasão do Ministério. Não seria difícil e, muito que provavelmente, os guardas nem saberiam que tinham entrado. Porém, Rosie exigiu de Voldemort que seus trabalhos se limitassem a essa ação. Ela não faria nada além de colocá-los lá dentro e depois sairia sem levantar suspeita sobre si.

Ao ser perguntado sobre o motivo dessa exigência, Rosana alegou duvidar da capacidade de metade da equipe de Malfoy em completá-la. O Lorde pareceu satisfeito com sua resposta, mas ela percebeu um leve brilho de ódio cruzar os olhos de Bellatrix. Rosie, um dia, acertaria contas com aquela vagabunda.

Os outros se retiraram para fazer alguns preparativos. Voldemort saiu com Bella, e Rosie ficou a sós com Lucius.

― Quero te pedir uma coisa, Lucius - ela o encarou, seus olhos tinham adquirido um brilho profundo. - Tome muito cuidado lá dentro, está me ouvindo?

― Por que está me dizendo isso? - ele se aproximou dela e sorriu. - Com medo de me perder, senhorita Baker?

― Não brinque, Malfoy - Rosie o olhou séria. - Eu vi, sei do que estou falando, ok?

― Viu o que, Rosie? - seu sorriso desaparecera.

― Vi você sendo preso, Lucius! - Rosie estava nervosa. - Tome cuidado, eu lhe peço.

― Está bem, mas nada irá nos acontecer. - beijou-lhe a testa, como se faz à uma criança. - Agora é melhor ir descansar.

Ela assentiu e saiu da sala, mas podia sentir toda apreensão que tomava conta da mente de Lucius. Rosie desviou seus pensamentos dali e foi para o quarto que aprontaram para ela. Entrou no pequeno aposento composto apenas de uma cama e uma cômoda a um canto.

O quarto era tão frio quanto o resto da casa. Naquele momento tudo o que Rosie mais queria era que Dumbledore tivesse lido sua mensagem, de certa forma estava prisioneira ali. Ela tinha certeza que Voldemort desconfiava dela ou, no mínimo, estava se resguardando. De qualquer forma, isso não era bom para eles. Não conseguiu dormir, sua mente girou feito um turbilhão e as imagens vieram. Voldemort estava a sua caça, Rosie não poderia mais se expor.