CAPÍTULO VIII

― Precisamos ir, Rosie - disse a voz à porta.

Ela levantou rapidamente, apanhou a capa, a máscara e seguiu Malfoy. Foram até a sala onde Voldemort dava as últimas instruções.

― Está pronta, minha querida? - aqueles olhos vermelhos a fitaram detidamente.

― Sim, não deveria? - ela o encarou sem medo. - Veja, eles estarão sob minhas ordens até entrarem no Ministério, disse-lhes isso, não?

― Eu não vou entrar no Ministério sob as ordens dessa daí! - esganiçou Bellatrix.

― Vai fazer o que eu mandar, Bella! - Voldemort ordenou. - Você, como todos os outros, seguiram as ordens de Rosie até estarem seguros lá dentro. Entenderam? - sua voz ecoou fria e potente pela sala.

Lucius e os demais assentiram numa reverência enquanto Rosana continuava parada na mesma posição. Voldemort virou-se para ela e sussurrou baixinho em seu ouvido:

― Não me decepcione, minha cara - e sorriu mordaz.

― Espero que você também não faça o mesmo - Rosie o encarou e virou-se para sair.

Um grupo de encapuzados mascarados aparataram há poucas quadras da entrada do Ministério da Magia. Rosana foi à frente, fechou os olhos, concentrando-se, conseguindo confundir mentalmente as defesas mágicas da sede enquanto os outros avançaram. Estavam no Hall do Ministério quando Rosie sentiu a presença dos guardas se aproximando, os outros se esconderam e ela habilmente penetrou em suas mentes, fazendo-os caírem desacordados e retirando-os de combate.

Seu trabalho estava terminado, agora Lucius tinha que seguir sozinho com a missão. Deveria descer pelo elevador até o andar do departamento encarregado das profecias e achá-la. Rosie sentiu um aperto no coração, não só pelo que sabia que ia acontecer a Lucius, mas porque a entrada tinha sido muito fácil. Ela esperava mais segurança, ou os membros da Ordem. Para ela seria complicado, por isso restringira sua ação apenas à entrada. Isso só podia significar que Dumbledore não tinha lido sua mensagem.

― Podem ir. Daqui para frente é com você, Lucius - Rosie o encarou com um brilho triste no olhar.

― Vá, o Lorde a espera - ele havia se aproximado dela enquanto os outros, tendo Bella a sua frente, penetraram no corredor escuro que iria dar no elevador. - Fique tranqüila, sei me cuidar - beijou-lhe os lábios.

Rosie ia protestar, mas Malfoy já tinha sumido no corredor. Ela saiu dali rapidamente, sabia que os segundos agora contavam a seu favor. Alguma coisa iria dar errado na missão e ela seria a acusada do fracasso junto com Malfoy. Só havia um lugar para onde ir, tinha que agir rápido. Saiu do Ministério, a rua estava deserta, dobrou duas esquinas e desaparatou.

A sua frente estavam os portões da propriedade onde lia-se: "Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts". Rosana pensava como poderia entrar, não podia aparatar nos terrenos da escola, então o fizera ali. Agora tinha que entrar, mas como? Severus! Rosie pediu à Merlin que ele abrisse sua mente e se concentrou tentando transmitir-lhe uma mensagem.

Já estava se sentindo exausta quando viu um vulto surgir ao longe envolto em uma capa preta. Rosie sorriu para si mesma, tinha conseguido, por Merlin! Tinha conseguido. Snape abriu os portões conjurando algum feitiço e apontando a varinha para as grossas correntes. Assim que ela entrou, atirou-se em seus braços aos soluços.

― Rosie, o que faz aqui? - sua voz era preocupada.

― Ele está a minha procura, Sevie! - ela ofegava. - Eu sei disso!

― Vamos entrar às escondidas. Quando chegarmos aos meus aposentos você me conta o que houve - ele a escondeu sob a capa.

Caminharam por uma boa porção do terreno, dando a volta no castelo, e entraram por uma portinhola lateral. Percorreram os corredores até chegarem às masmorras. Snape abriu a porta de seu quarto, certificando-se primeiro que estavam sozinhos, e a fez entrar. Atravessou o vestíbulo com ela e colocou-a sentada na beira de sua cama. Foi até a lareira acendeu-a e voltou a sentar do lado da moça. Ela estava pálida, seus olhos sem brilho, em choque. Snape a abraçou e acariciou seus cabelos, tentando aquecê-la e acalmá-la. Em seguida, deitou-a sob as cobertas, e levantou-se seguindo em direção ao seu armário. Pegou um pequeno frasco e a fez beber seu conteúdo. Minutos depois Rosie recobrava a cor rubra dos lábios, e ele a recostava nos travesseiros. Sorriu e segurou as mãos delicadas dela entre as suas.

― Agora conseguiria me contar o que aconteceu? - disse ele apreensivo.

Ela assentiu e pôs-se a contar o que acontecera desde a manhã, quando Malfoy a buscou em Enfield. Contou como tentara avisar Dumbledore, como ficara presa na casa de Voldemort, e por fim, como entrara no Ministério com os Comensais. É claro que não deixou de citar suas visões.

Snape a encarou, e da mesma forma, passou a relatar os fatos que haviam acontecido na escola. Dumbledore tinha se afastado por ordem do Ministério, muito provavelmente por isso não tenha lido a mensagem que ela lhe deixara. Harry, nesse momento, estava no Ministério atrás do padrinho, Sirius Black. E ele tinha contatado a Ordem e posto todos atrás de Harry e das outras crianças. Rosana olhou as chamas da lareira e desviou o olhar encarando-o.

― Entendeu, não é? - ela suspirou. - Voldemort vai achar que fui eu quem denunciou a missão para a Ordem. Não posso mais aparecer, era isso que significava aquela visão - ela apertou as mãos dele. - A propósito, Malfoy irá para Azkaban.

― Eu sabia que não devia ter voltado - ele falou com revolta. - Você queria ação, não era? Tenho que achar Dumbledore o mais rápido possível!

― Eu quero vê-lo, Sevie. Preciso ver Dumbie - ela se aninhou em seu colo como uma criança desprotegida.

― Eu sei - Snape passou as mãos em seus cabelos e a abraçou. - Por enquanto está a salvo aqui, mas vai ter que ficar aqui dentro até segunda ordem, entendeu mocinha?

― Vai ficar comigo, não vai? - ela sorriu maliciosa -, só até eu dormir.

― Isso pode demorar muito mais do que imagino - ele a beijou intensamente, deitando-se por cima dela. - Porém, no momento preciso encontrar o Diretor.

Rosie o soltou de seus abraços e o viu sumir pela porta do vestíbulo. Sorriu e adormeceu entre os travesseiros impregnados do cheiro de seu homem, o professor de Poções de Hogwarts.