CAPÍTULO IX

Quando Rosie acordou um par de olhos extremamente azuis a fitavam por detrás de um oclinhos meia-lua. Dumbledore estava sentado na beirada da cama ao seu lado, e mais do que rápido, ela se sentou recostando-se nos travesseiros.

― Olá, professor - ela abaixou os olhos. - Desculpe por ter falhado, acho que acabei desencadeando uma sucessão de erros, não foi?

― Aquiete-se, criança - deu um tapinha em sua mão. - Você não teve culpa de nada, eu não devia ter permitido que voltasse e se envolvesse nisso tudo. Severus está certo em ficar irritado comigo, como a pouco - a olhava com carinho. - Minha maior felicidade foi saber que estava aqui e a salvo, mas temo ter que mandá-la de volta para o Egito, Rosie. Lá estará segura até que Voldemort seja derrotado. Falarei com Ajnabi, Ali fará o que lhe peço.

― Eu não quero ir, Dumbie. Não quero voltar para o Egito, eu... - e o fitou, seus olhos azuis estavam tristes.

― Entendo. Severus me disse que lhe fez um pedido - Dumbledore a encarava sério -, e você aceitou.

― Sim - Rosie desviou seu olhar do dele. - Mas não existe só Severus.

― Bom, ele me fez o mesmo pedido - disse interrompendo-a de prosseguir no que estava prestes a dizer. - É claro, em outras palavras, afinal não sou a noiva! - ele sorriu, e recomeçou em seu tom calmo e reconfortante: - Eu lhe disse que se você estava de acordo, então não via motivos de impedir que minha filha casasse com uma pessoa pela qual tenho grande estima.

Rosie pulou em seus braços num acesso infantil, seus olhos cheios de lágrimas .Dumbledore a abraçou carinhosamente, nunca tinha estado tão perto dela e de todos os seus sentimentos quanto agora. Ele definitivamente demorara trinta e seis anos para viver um momento como aquele, estava participando da vida de Rosana, pelo menos uma vez, e como pai.

― Obrigada, papai! - falou com tato, demorara tanto tempo para pronunciar tal palavra, que temia não conseguir fazer direito.

― Vai me prometer uma coisa, Rosie - apesar de estar emocionado também, manteve seu tom paternal e firme -, você irá para o Egito, vai se casar lá e de lá não sairá até que eu a chame. Compreendeu? Infelizmente não posso prometer a você e a Severus uma lua-de-mel duradoura. Terão tempo para isso mais tarde.

― Dumbie, o que aconteceu no Ministério? - ela desviou o assunto.

― A profecia foi quebrada e Lorde Voldemort ficou sem acesso a ela... felizmente! Creio que já sabe que seu amigo Lucius está em Azkaban. E perdemos Black, Bellatrix o matou.

― Aquela vaga... - ela encarou o pai, que lançou-lhe um ar de reprovação. - Desculpe, professor. Foi força de expressão, eu ainda pego Bella e arranco aquele sorriso dela. Eu me lembro vagamente de Sirius, andava com James e Lupin, não?

― E Peter - completou ele. - Uma grande perda, Harry está arrasado. Pobre menino. Acho que coloquei um fardo muito pesado em seus ombros. Temo que tenha cometido outro erro, como fiz com você.

― Não cometeu erro algum comigo, paizinho - Rosie sorriu, idéia de chamá-lo assim já parecia normal. - Só quis me proteger, mas nada. E se voltei foi porque queria ficar perto de você, cuidar de você.

― Eu a amo, Rosie - disse um Dumbledore envelhecido pelo peso das palavras. - Por favor, nunca acredite em tudo o que ouve e, principalmente, jure que não contestará qualquer atitude minha ou de Severus, promete?

― Aonde quer chegar com isso? - o olhou desconfiada, ouviu as malditas vozes em sua cabeça. - Há algo que não quer me contar? Por que? Você me prometeu que não teríamos mais segredos.

― Não há segredos, criança - ele sorriu. - Só quero que confie em minhas decisões e confie no homem que é seu futuro marido. Não me parece nada demais.

― Não, não é! - ela deu-lhe um beijo suave no rosto. - Eu sei que está me escondendo algo, algo que vai me fazer sofrer - ela respirou fundo. - Onde está Severus?

― Foi ver Voldemort e apurar o que puder - ele se levantou. - Já está de volta, vou deixá-los a sós.

― Obrigada. Eu o amo... muito, papai! - ela sorriu ternamente para o homem de longas barbas prateadas a sua frente.

Dumbledore olhou carinhosamente para filha e saiu do quarto. Foi para seu escritório com a certeza de que ninguém poderia arrancar dele aqueles sentimentos todos que o invadiam. Sentou-se em sua cadeira com as mãos cruzadas e sorriu.

Pouco depois que o Diretor saiu, Snape entrou pela porta que dava para o vestíbulo. Retirou a capa e se aproximou da cama, onde um par de olhos castanhos o encarava aflito. Ele sentou na beira da cama e segurou as mãos de Rosie entre as suas.

― Você estava certa, minha querida - disse ele tentando sorrir. - O Lorde acha que você o traiu, fora o fato de culpar Lucius pelo fracasso da missão. Tenho que falar com Dumbledore, acho que ele deve mandá-la imediatamente para o Egito.

― Eu já concordei em ir, apesar de que não me agradar a idéia de que os dois homens a quem mais amo permaneçam aqui sem mim - ela sorriu palidamente.

― Sobreviveremos - Snape também tentou esboçar um sorriso, sentia um vazio cada vez maior invadir-lhe a alma. - Ele contou a você sobre o meu pedido?

― Sim, professor. E disse que havia concordado - Rosie o olhava com carinho. - Você sabe o que ele está tramando, Sevie?

Snape sentiu um frio percorre-lhe a espinha: "Será que Dumbledore havia sido louco em contar à filha sobre as horcruxes?" Ele tentou manter a calma e o controle.

― Não, Rosie - ele a encarou. - Só sei que pretende afastá-la daqui a qualquer custo.

― O que são horcruxes, Severus? - o tom dela mudara. - Não minta. Você acabou de pensar nisso assim como também meu pai quando aqui esteve.

― Rosie, não quero envolvê-la nisso. Quanto mais pessoas souberem, mais arriscado será encontrá-las, e colocaremos você em perigo! - Snape a fitou nervoso. - Seu pai sabe disso, ele sabe o que está fazendo.

― Ele vai morrer nessa busca, Severus! - seus olhos marejaram e ela escondeu o rosto entre as mãos. - Eu sei. Senti quando ele pediu para confiar em suas decisões e em você sem perguntas.

― Rosana, eu fiz um Voto com seu pai quando entrei para Ordem - seu tom era frio. - Coloquei, naquele momento, minha vida à disposição dele, o que ele me pedir, eu farei! - parou e depois retomou a sua fala calma. - No entanto, senhorita Baker, me orgulho de dizer que seu pai me resgatou de mim mesmo, e independente de qualquer voto, eu sempre estarei ao lado dele. Eu confio em Dumbledore, faço o que ele me pedir.

Rosie o fitava com admiração, nunca o ouvira falar assim de seu pai ou de quem quer que fosse. Ali estava o menino que ela conhecera na plataforma 9 3/4, amuado, com os cabelos lisos em desalinho e seus olhos penetrantes. Ela estava com sua mãe, ou melhor, com a senhora Baker, mas alguma coisa naquele menino de onze anos lhe chamou a atenção. As mães de ambos se despediram deles e tanto ela quanto o menino entraram no Expresso. Não se viram até o meio da viagem quando Rosie resolveu andar pelo trem. Ela estava entretida em seus pensamentos e ao entrar num vagão derrubou alguma coisa. No mesmo instante ela viu Severus abaixando para pegar um livro no chão. Apesar de todas as reclamações por parte do menino, Rosie resolveu estabelecer uma conversa. Ela podia sentir todos os sentimentos tumultuados em seu coração e seus pensamentos conflituosos.

Rosie o encarou e o sentiu recuar. Então ele perguntou o que ela estava fazendo dentro de sua mente. Snape era bom, assim que se sentiu ameaçado fechou sua mente rapidamente. Ela sorriu e tentou explicar o que podia fazer. A princípio ele talvez pudesse ajudá-la a controlar aquilo, já que conseguira afastá-la de suas lembranças com desenvoltura. Severus, no entanto, não pareceu tão entusiasmado com o dom de sua nova amiga.

Aos poucos ela conseguiu cativar a amizade dele. Eram bons em Poções, Feitiços e Defesa Contra a Arte das Trevas. Snape não gostava de se expor, então duvidava que alguém desconfiasse de sua amizade por ela. Rosie, por sua vez, se sentia tão a parte da turma, que não fazia questão de notoriedade. Talvez por isso encontrassem lugares estranhos para estudarem juntos ou apenas conversarem. Enquanto isso, o diretor começara a ensiná-la a controlar o que podia fazer e Rosie começou a sentir mais segura.

Ao modo deles a amizade crescera, e cada dia descobriam mais coisas em comum. Toda vez que um deles se sentia triste, davam um jeito penetrar na Floresta Negra e alcançar um lugar secreto perto do lago. Uma velha cabana de caça, quase abandonada. Foi na beira do lago que Snape havia retirado seus óculos e lhe dera um beijo... seu primeiro beijo. Rosie sonhou com isso as noites seguintes, mas Snape parecia tão confuso com seus sentimentos que começou a evitá-la. As férias chegaram e quando ela voltou com treze anos completos as coisas definitivamente mudaram entre os dois. Rosana começou o namoro com Malfoy.

Rosie foi tirada de suas lembranças pela voz de Severus, que a fitava com interesse.

― No que estava pensando?

― No que você me disse: que confia no meu pai independente desse pacto - ela se sentiu corar. - Assim como um dia confiamos um no outro quando éramos adolescentes, lembra?

― Como poderia esquecer - ele sorriu. - Você sempre foi uma sonserina insuportável. A pior que eu já conheci, mas a única capaz de me aceitar como eu era.

― Era? Você continua um rabugento, Sevie - falou com desdém. - Mas eu o amo... com todos seus defeitos e virtudes.

― Por que fazemos tantas escolhas erradas? - disse ele. - Eu deveria ter lutado por você, não deixado Lucius namorá-la. E essa foi apenas a primeira...

― Esqueça isso, querido. Diga-me o que Dumbledore quer com as partes da alma de Voldemort? - Rosie foi direta, tinha acabado de lembrar o que eram horcruxes.

― Você sabe o que são horcruxes? - Snape disse arqueando as sobrancelhas, surpreso.

― Acabei de lembrar de um livro que li na biblioteca de meu tio, existem muitos deles lá que não se encontram normalmente por aí... muitos de Magia Negra. Sim, sei exatamente o que são - ela confirmou com a cabeça.

― Dumbledore quer destruí-las para eliminar qualquer possibilidade de retorno do Lorde depois de seu confronto inevitável com Potter - ele fixou o olhar nela.

― Eu posso ajudar a descobri-las - Rosie devolveu-lhe o olhar.

― Não, você vai para o Egito! - Snape foi seco.

― Quem vai me impedir? - ela falou desafiante.

― Eu! Ainda não sou seu marido por direito - ele chegou próximo a ela -, mas sou de fato.

Rosie não pôde reclamar, seus lábios estavam colados nos dele. As mãos envolviam-lhe os cabelos, a paixão inebriava sua alma. Snape a deitou sobre os lençóis e retirou-lhe rapidamente as peças de roupa enquanto ela fazia o mesmo com ele. Minutos depois só havia seus corpos nus se entregando a um balé de emoções e sensações diversas.

Eram pernas e mãos que se enroscavam. Bocas, beijos e línguas que se tocavam e exploravam cada parte de seus corpos. Carícias, desejos que se aprofundavam... e uma explosão de luxúria e libido incontroláveis. Paixão, amor e, de repente, vinha a plenitude desse ardor, despejando todo o gozo e suor em si próprios. Os corpos arquearam e despencaram apoiados um no outro.

Rosie o fitou sorrindo, podia sentir cada músculo dele tremer sobre a sua pele. Snape por sua vez, encostou seu rosto no colo dela, fechando os olhos e tentando prolongar aquela sensação maravilhosa. Assim que sentiu a tensão afrouxar, Rosana começou a beijá-lo ardentemente até que enrijecesse novamente. Passaram a noite inteira se amando.

A conversa com Dumbledore tinha ficado para amanhã.