CAPÍTULO XI

Snape seguia a esposa olhando detidamente cada detalhe das cenas que surgiam diante de seus olhos. O calor lhe parecia mais insuportável do que antes, o clima seco fazia com que essa sensação fosse maior. Ele estava acostumado com as baixas temperaturas da Inglaterra e suas constantes chuvas, aquilo definitivamente fugia aos seus padrões, mas Rosie sentia-se tão a vontade percorrendo aquelas ruas apinhadas de pessoas, que fez com que Snape relevasse seu costumeiro estado de ânimo.

Rosana mostrava-lhe tudo que surgia pelo caminho. O trânsito daquela cidade era caótico, os trouxas tinham uma verdadeira inclinação em utilizar as buzinas de seus carros para qualquer coisa. De tempo em tempo, Severus estremecia com o soar de uma delas ao seu lado. Conseguiram a muito custo e esbarrões atravessar a movimentada rua. A cidade era um museu aberto às margens do Nilo. Em cada ruela, beco e rua podiam ser encontrados o moderno e o antigo convivendo em harmonia. Eram cores, cheiros e construções exóticas, e aquilo começara a fasciná-lo.

Os cafés esfumaçados por narguilés, a visão das Pirâmides de Gizé, os barcos deslizando sobre as águas do Nilo e o entoar de canções nas mesquitas por onde passavam, faziam com que Severus, no seu imaginário ocidental, mitificar-se mais ainda com a visão da cidade do Cairo.

Ele e Rosie chegaram a uma mesquita muito bonita que surgia como uma ilha de calmaria num bairro tão animado, eles entraram em sua arquitetura harmoniosa. Por alguns poucos minutos Snape conseguiu relaxar. Perto dali, Rosie o levou para conhecer um bazar. Ele constatou rapidamente que estava no lugar errado, uma infinidade de ruas formando um labirinto de lojas abarrotadas de tudo que se podia imaginar roubou o lugar da cena calma do interior da mesquita.

Não havia como andar por aquelas ruas sem esbarrar em alguém a todo o momento. Como as mulheres gostavam daquilo? Era uma coisa que ele se perguntava nesse momento, pois sua paciência já chegara ao fim. A visita às Pirâmides e ao Museu ficaria para o dia seguinte. Retornaram para casa de Ali encontrando os mesmos obstáculos da ida. Jantaram com o padrinho de Rosie e subiram para o quarto.

Rosana o fitava com curiosidade, apesar de ter visto várias vezes Snape fazer caretas ao longo do passeio, não o ouvira emitir qualquer comentário. Ela estava retirando suas vestes para poder banhar-se de novo, quando perguntou a ele:

― Então querido, gostou da cidade? - ela sorriu entrando na banheira.

― Bom, não é o que eu possa chamar de divertido - ele sorriu amarelo, ajoelhado na beira da banheira. - Com um bando de trouxas se atirando em nossa direção e aquele barulho todo nas ruas. Contudo, devo admitir que a história do Egito imponha um ar de mistério fascinante a essa cidade.

― Isso quer dizer que no fundo você apreciou o passeio - Rosie assoprou uma porção de espuma na direção dele e completou dizendo: - Venha, vamos aproveitar esse clima mítico aqui dentro - e o puxou para dentro da banheira com roupa e tudo.

Segundo depois já não havia mais roupas como barreira para seus corpos, apenas a espuma da banheira.

Os dias seguintes se sucederam assim, visitaram as Pirâmedes, o Museu do Cairo, a Cidadela de Saladino. São um povo muito rico em cultura. O mundo bruxo egípcio não era muito diferente do trouxa, Snape logo percebeu isso. O bairro bruxo era colorido e exótico, e cheio de bruxos se esbarrando como nas ruas que ele visitara com Rosie. Mesmo assim ele já sentia acostumado ao jeito peculiar daquelas pessoas viverem.

Parecia incrível como se adaptara tão fácil aquela vida, Rosana parecia mais viva ali do que ele jamais a vira antes. Era como se nada pudesse atingi-los, como se todo o passado tivesse sido deixado para trás, como se Voldemort não existisse. O mais engraçado era que o passado daquelas pessoas o envolvia em seu presente e transformava dia a dia sua vida. Nunca imaginara uma vida de casado tão simples, nunca achara que pudesse literalmente recomeçar. Mas isso decididamente não era para um ex-Comensal como ele, e a sua marca ardeu quando Snape menos esperava.

Era o seu sinal, a deixa para voltar. Foram apenas quinze dias, mas tinham sido os dias mais felizes que ele vivera até então. Rosana estava ao seu lado quando aconteceu e ela sabia exatamente o que aconteceria, não havia como fugir. Severus a abraçou forte contra o peito, depois ela o beijou apaixonadamente. As mãos dele deslizaram sobre o vestido dela com uma fúria louca até alcançarem suas coxas, e levantou-o arrancando sua calcinha. Rosie estava contra a parede, o agarrava pelo pescoço com a mesma intensidade, retirou a blusa e percorreu as costas dele com as unhas.

Severus continuava explorando seu corpo com as mãos ávidas, enquanto ela o beijava e acariciava. Foram derrubando tudo pelo caminho até chegarem na cama. Ele rasgou o vestido dela, a mordia, beijava, lambia com toda a voracidade que sua alma lhe permitia. Rosie não deixava por menos, o chupava da forma mais faminta que Snape ousaria pensar.

As bocas se engoliam, as respirações aceleraram, as carícias chegaram aos extremos, já não havia parte que as suas mãos não tivessem explorado. Os sexos já ardiam, pulsavam, e exigiam a redenção de ambos. Eles não pararam, queriam gravar suas marcas pessoais em cada parte de seus corpos e alma, como se o dia de amanhã não existisse, eram seres irracionais se amando selvagemente. Não havia barreiras para se possuírem, não se impuseram limites.

Quando separaram seus corpos, que ainda arqueavam fortemente, ele pode ver duas grossas lágrimas rolarem pelo rosto de Rosie. Snape a puxou para si e a fitou com carinho, era a segunda vez que a ninava em seus braços como uma criança. Rosana o beijou ternamente, e ele se levantou da cama procurando no chão suas roupas espalhadas. Vestiu-se e colocou alguns pertences na valise que trouxera.

Rosie havia colocado uma veste rosa pálido, e o acompanhou até a sala vazia onde ficava a lareira em que eles chegaram dias antes. Snape passou os dedos no rosto dela com carinho, encostaram suas testas, e se fitaram durante um tempo.

― Tome cuidado mesmo aqui, ouviu Rosie? - ele disse primeiro.

― Não me faça esperar mais quinze anos, Sevie - ela sorriu angustiada. - Se não voltar para mim, eu vou atrás de você aonde for, me entendeu?

― Não vai precisar. Eu voltarei - ele a beijou e foi para a lareira, pegou pó de flu e disse: - Hogwarts!

A última imagem que ele viu foi a de Rosana de pé a sua frente, tão linda quanto estava quando a vira voltar para Hogwarts. Somente uma coisa o preocupou, as lágrimas que caiam de seus olhos, e ele tentou apagar isso de suas lembranças.

My Immortal

Evanescence

Meu imortal

Estou tão cansada de estar aqui

Reprimida por todos os meus medos infantis

E se você tiver que ir

Eu desejo que você vá logo

Porque sua presença ainda permanece aqui

E isso não vai me deixa em paz

Essas feridas parecem não querer cicatrizar

Essa dor é muito real

Isso é simplesmente muito mais do que o tempo não pode apagar

Quando você chorou, eu enxuguei todas as suas lágrimas

Quando você gritou, eu lutei contra todos os seus medos

Eu segurei a sua mão por todos esses anos

Mas você ainda tem tudo de mim

Você costumava me cativar

Pela sua luz ressonante

Agora eu estou limitada pela vida que você deixou para trás

Seu rosto assombra

Todos os meus sonhos, que já foram agradáveis

Sua voz expulsou

Toda a sanidade em mim

,Eu tentei com todas as forças dizer a mim mesma que você se foi

Mas embora você ainda esteja comigo

Eu tenho estado sozinha todo esse tempo.

Eu segurei a sua mão por todos esses anos

Mas você ainda tem tudo de mim, mim... mim...