CAPÍTULO XII

Severus não teve tempo de falar com Dumbledore, foi diretamente ao Lorde das Trevas assim que chegou em Hogwarts. Seu papel de agente duplo pesava-lhe agora muito mais, livrou sua mente de qualquer lembrança de Rosie.

Quando se apresentou a Voldemort estava tão frio e calmo como das outras vezes. Draco Malfoy estava lá, ele havia marcado o menino, e Snape não sabia dizer ao certo porque aquilo não o assustou. Talvez fosse porque presenciara o Lorde fazendo a mesma coisa com Rosie a dezessete anos atrás. Ela era apenas uma menina, apenas um pouco mais velha do que Draco.

Bellatrix devia ter presenciado toda a cena, porque estava ao lado do sobrinho tendo um enorme sorriso no rosto. Narcissa, ao contrário da irmã, parecia mais pálida do que o normal. Os olhos vermelhos demonstravam que tinha chorado muito e as olheiras deveriam significar as noites em claro a que se submetia desde a prisão de Lucius. Na realidade este fato não incomodava nem um pouco Snape, apenas o deixava aliviado.

Todos se retiraram, e ele e Voldemort ficaram a sós.

― Não consegui localizar aquela vadia - disse o Lorde em referência a Rosie. - Nenhuma notícia de seu paradeiro em Hogwarts, Severus?

― Não, Milorde - ele respondeu impassível, apesar de suas entranhas queimarem ao ouvir as palavras que o Lorde usara. - Dumbledore não fala na filha e nem a tem em seus pensamentos.

― Esse é o tipo de sentimento que aquele velho tolo não deixaria ao seu alcance - Voldemort o encarou. - Não se preocupe com isso por hora, preciso que você fique de olho em Draco. Eu o encarreguei de uma missão muito importante, matar Dumbledore. Sabe, sempre pensei em usar Rosie para liquidá-lo, agora farei o contrário, assim ficará mais fácil achá-la.

― Sim, senhor - Snape não demonstrou qualquer alteração na voz ou no seu semblante. - E se o rapaz falhar, Mestre? Não o acha muito inexperiente para fazer tal coisa?

― Espero que para o bem dele e de sua mãe, se saia bem, caso contrário, quando Lucius deixar Azkaban, o fará sem família! - Deu uma risada aguda e histérica. - Os Malfoy liquidados! - riu novamente. - Se ele não o fizer, você o fará, Severus. Quero-o morto e quando Rosie aparecer ela vai saber a quem traiu. Agora vá, já tem suas ordens. Volte para seu posto.

― Sim, Milorde - fez uma rápida reverência e se retirou.

Dumbledore o esperava em seu escritório. Snape fez ao Diretor um relatório completo de tudo o que se passara no seu encontro com Voldemort. A preocupação de ambos se voltara para Rosana, mas chegaram a conclusão que deviam deixar Draco seguir com o plano de Voldemort. Dumbledore avisou-o, então, que sairia naquela noite para destruir uma das horcruxes. Ele havia finalmente encontrado o anel de Servolo e iria destruí-lo. Severus tentou persuadir o Diretor a levá-lo junto, mas seu pedido foi negado, caso algo desse errado os dois estariam expostos.

Já era tarde da noite quando o Diretor procurou o professor de Poções em seus aposentos. Estava abatido, muito fraco e seu braço sangrava terrivelmente. Snape saiu em direção ao armário onde guardava seus estoques particulares de poções e ingredientes, e voltou com um pequeno vidro verde. Dumbledore estava apoiado nos travesseiros da cama do professor, a vida parecia lhe deixar aos poucos. Apavorado ante essa perspectiva, Severus deixou que o líquido escuro e espesso escorresse pelos lábios entreabertos do Diretor.

Agora era esperar, esticou as pernas de Dumbledore sobre a cama fazendo-o deitar, e cobriu-o com os lençóis. Depois puxou a cadeira para perto da cama e se sentou ao lado da figura de barba prateada do sogro, que agora parecia etérea. Adormeceu ali no momento em que o corpo e alma já não conseguiam mais velar por si próprio. Foi o Diretor quem o acordou, havia recuperado a cor dos lábios e a vitalidade.

Snape pôde perceber que apesar de seus esforços a mão de Dumbledore ficara sem vida, porém ele tinha conseguido evitar o pior. Apesar de abatido, o Diretor estava vivo.

― Obrigado, Severus - disse o Diretor sorrindo. - Estou em dívida com você, só não sei se poderei pagá-la tão cedo.

― Não, senhor - respondeu o professor devolvendo-lhe o sorriso -, estamos quites. Só que da próxima vez que for atrás de alguma horcrux, eu irei junto!

― Veremos isso no momento certo - deu-lhe um tapinha nas costas e foi em direção a porta. - A propósito, antes do início das aulas irei ao Egito, daqui a duas semanas. Tem interesse em me acompanhar nessa aventura, professor?

― Se me permitir, senhor - Snape realmente sorria -, terei o maior prazer em rever minha esposa.

Dumbledore assentiu, e caminhando vagarosamente para a porta, deixou os aposentos do professor nas masmorras em direção ao seu escritório. Severus deitou-se na cama lembrando da última imagem de Rosie ao despedir-se dele ao pé da lareira. Como gostaria de sentir o calor dos lábios dela nos seus naquele momento, adormeceu sentindo-a afagar seus cabelos.