Os meses se passaram. Os bebês já andavam se segurando aqui e ali. Caíam, levantavam e faziam a alegria de todos. Cada vez mais se pareciam com o pai. Não havia notícias de Londres, a não ser as de que os ataques de Comensais se tornavam mais freqüentes a cada dia. A apreensão de Rosie se tornou mais intensa, ela andava extremamente nervosa.
Vendo seu grau de agitação progredir assustadoramente naquela semana, Ali resolveu fazer um grande piquenique. Quem sabe ela não conseguia relaxar um pouco. Tudo foi preparado com carinho, e na manhã de domingo eles aparataram no meio da Restinga da Marambaia, Rio de Janeiro. Ali conhecia o Brasil como poucos e adorava a vista da tal restinga. Um pedaço de terra que se estendia por dentro de um mar de águas cristalinas, onde coqueiros balançavam com o vento, a areia era branca e fina e ainda podiam desfrutar de um riacho de água doce que corria dentro da reserva.
Sentaram-se na praia, estenderam as toalhas e arrumaram todo o conteúdo da cesta sobre elas. Jade cuidava alegremente dos gêmeos, que andavam cambaleando de um lado para o outro na areia. Albus sentara-se no extenso cobertor branco e fazia questão de comer a areia quando Rosie retirou-lhe a guloseima das mãos. Alan por sua vez se encolhia no colo de Jade por sentir nervoso dos grãos entre seus pés.
Por ser um lindo dia de inverno a temperatura era bem amena até para o calor dos trópicos. Rosie resolveu mergulhar e nadar um pouco. Retirou o pequeno vestido que servia de saída de banho e foi na direção do mar calmo e azul. As garças andavam pela orla assim bem como outras espécies de pássaros, não se importando que ela cruzasse seu caminho.
Draco estava sentado em uma das toalhas se escondendo do pálido sol, enquanto Ali e Jade haviam ido com as crianças até a beira do riacho para elas se refrescarem um pouco. Rosie saiu das águas e veio se sentar ao seu lado. Seu semblante parecia mais calmo, só que ele duvidava muito que ela realmente estivesse bem. O vento despenteava seus cabelos loiros e Rosie se arrepiou ao senti-lo tocar sua pele. Draco havia dado uma toalha para que ela pudesse se secar.
– Eu não a deixaria sozinha tanto tempo - ele a fitou intensamente.
– Não quero falar sobre isso, Draco - ela retrucou friamente.
– Desculpe. Não suporto vê-la sofrer desse jeito - ele se levantou, bateu as mãos retirando a areia. - A escolha é sua. Acho que vou andar um pouco, se importa?
– Não. Pode ir - respondeu em seco.
Assim que perdeu-o de vista, colocou seu rosto entre os joelhos encolhidos e chorou. A dor que sentia era tão grande, algo estava para acontecer e envolvia Severus. Tinha tanto medo de perdê-lo, não saberia viver sem ele. E agora tinha que lidar com aquela paixonite de um pirralho que se achava o dono da verdade. Rosie se levantou, recolocou a saída de banho e foi se juntar aos filhos, tio Ali e Jade.
As crianças estavam exaustas quando retornaram para casa, tomaram um banho refrescante e adormeceram profundamente. Draco havia se recolhido até o jantar, Rosie agradeceu intimamente por isso. Não queria mais ter conversas com aquelas, sentia o interesse do menino crescer a cada dia, mas Rosana amava apenas um homem, um único homem chamado Severus Snape.
Não desceu para o jantar, permaneceu em seu quarto e quase não tocou na ceia que Jade levou para ela. Simplesmente deixou-se ficar ali fitando as estrelas que começaram a surgir no céu. Pensando em seu marido, adormeceu. No meio da noite acordou suando assustada, ouvira um grito e depois um gemido abafado. Sua cabeça doía, Rosie pensou em Severus e seu coração disparou. Suas mãos suaram, mas estavam geladas, seu corpo tremeu e ela fechou os olhos tentando afastar aqueles pensamentos de sua mente.
Tentou se controlar ao máximo, porém não conseguia voltar a dormir. Estava muito tensa e agitada, precisava pensar, vestiu sua capa e saiu para a noite alta. Rosie foi para o único lugar que a fazia se sentir segura desde criança. Quando era pequena sempre ia até as ruínas e sob a luz da lua refletia. O vento soprava forte, seus cabelos soltos se agitavam suavemente ao seu toque. Ela penetrou nas areias a sua frente.
Já tinha andado um bom pedaço em direção as construções no meio do deserto, quando estacou e virando-se com a varinha em punho, perguntando:
– O que faz aqui? - seu tom era mordaz.
O rosto pálido a sua frente se iluminou pelo facho de luz emitido pela ponta da varinha. Os olhos azuis reluziram, uma surpresa quase palpável passou por eles, e Draco respondeu baixo:
– Fiquei preocupado e... - seu rosto adquiriu uma expressão séria.
– Escute. É melhor você voltar para casa. Eu estou bem, sei me cuidar - respondeu rápida, tentando impedir o prolongamento da conversa. - Eu não quero magoá-lo, Draco, mas não há lugar para você aqui. Por favor, me deixe só!
– Já pensou que ele pode não voltar, Rosie ? - seu tom soou frio e cruel. - O Lord não perdoa - Draco chegara bem perto dela.
– Não precisa me dizer isso - seus olhos castanhos o encararam. - Fui Comensal, conheço os riscos.
– Como pode amar alguém que matou seu pai? - falou com desprezo.
– Você não sabe nada sobre isso - deu um passo para trás -, é algo que não lhe diz respeito.
– Será que ama Snape tanto assim? - segurou seus pulsos rapidamente antes que ela pudesse empunhar a varinha e trouxe-a até perto de seus lábios. - Vou testar sua fidelidade - disse com arrogância.
– Largue-me, Malfoy! - Rosie gritou angustiada, enquanto ele inclinava seu rosto a fim de beijar-lhe.
Não perceberam a proximidade de um vulto a suas costas e uma voz fria cortando a noite.
– Não ouviu o que ela disse, Draco? - Snape estava de pé atrás dele e seus olhos pretos cintilavam de ódio. - Largue-a, agora!
Malfoy soltou os braços de Rosie e virando-se para o antigo professor, se preparou para sair. Severus o deteve nesse instante apontando a varinha para seu rosto. Então avisou:
– Se voltar a importuná-la novamente, eu tirarei de você aquilo que lhe dei quando o trouxe para cá - crispou os lábios num sorriso maléfico. - Estamos entendidos, não? Agora suma da minha frente!
O rapaz saiu em direção à escuridão, sem olhar para trás uma única vez. Severus foi até Rosie, que estava pálida e ofegante, abraçou-a carinhosamente e, inclinando-se para os lábios dela, beijou-os intensamente.
– Desculpe tê-la exposto a isso - murmurou.
– Ele está confuso - beijou-o mais uma vez. - Senti tanto sua falta. Ah, Severus, eu o amo tanto!
A noite terminou com eles se amando nos lençóis de seda do quarto de Rosie. Tudo o que ela mais queria era não ter que acordar daquele sonho, não ter que deixá-lo partir de novo, não sozinho, desta vez iria junto. Não temia o Lord, temia não sentir mais o calor de seu corpo junto ao dele, a tensão dos braços na sua cintura e os beijos apaixonados daqueles lábios. Severus não voltaria a Londres sem ela.
Before The Dawn (tradução)
Composição: Evanescence
Antes do Amanhecer
Encontre-me de novo depois do anoitecer e eu te abraçarei.
Eu não sou nada além do querer te ver de novo,
E talvez esta noite, nós voaremos pra tão longe,
Estaremos perdidos antes do amanhecer.
Se a noite pudesse te guardar onde eu pudesse te ver, meu amor,
Que eu nunca mais acorde!
E talvez esta noite, nós voaremos pra tão longe,
Estaremos perdidos antes do amanhecer
De alguma forma eu sei que não podemos mais acordar desse sonho
Não é real, mas é nosso!
Talvez esta noite, nós voaremos pra tão longe,
Estaremos perdidos antes do amanhecer!
Talvez esta noite, nós voaremos pra tão longe,
Estaremos perdidos antes do amanhecer!
