As notícias que vinham de Londres eram mais animadoras, Harry fizera grandes progressos no descobrimento das horcruxes. Severus o estava ajudando, mas havia alguns pontos ainda obscuros sobre o esconderijo das duas últimas. Enfim, com as memórias de Dumbledore fora possível comprovar para os membros da Ordem a inocência de Snape.
– Digamos que tenha sido apenas um pouco difícil fazê-los aceitar a verdade dos fatos - Rosie ouviu o relato do marido com atenção, não pretendia perder nenhum detalhe, estava determinada a entrar em cena. Não contou a Severus suas intenções, temia que ele desde já a impedisse de dar qualquer passo adiante, mas Rosie não dependia de sua aprovação. Seu amor por ele era a prova viva disso, caso tivesse desistido dele há 16 anos atrás.
"Quanto tempo! Parece que foi ontem.", pensou. Rosie sorriu.
– Gostaria de ter podido vir antes, mas acredito que agora tenha entendido perfeitamente meus motivos - ele a fitou de pé ao lado da cama, enquanto se vestia.
– Eu estava com medo que algo grave pudesse ter acontecido. As notícias aqui só revelam mais ataques de Comensais - Rosie encarou-o da cama onde ainda estava deitada -, e sabemos o que isso significa - houve uma breve pausa, e ela perguntou: - Ele tem exigido muito de você?
– Rosie, não posso evitar o tempo todo de sair com os outros - seu semblante endureceu, seus olhos anuviaram. - Já evitei muitas mortes, contudo não pude impedir outras tantas - Snape se sentou na cama sem a camisa, ficou de costas para Rosie e baixou a cabeça passando as mãos pelos cabelos negros. - Queria evitar minha presença nesses assassinatos, Rosie, mas não posso!
Ela se levantou enrolada no lençol, abraçou-o por trás e recostou sua cabeça na dele. Rosie sabia que aquilo pesava muito mais em seu coração do que as palavras expressavam, era uma prisão sem barreiras. Ele estava, de certa forma, sozinho. Acariciou seus cabelos com ternura.
– Sevie, o que Voldemort falou da morte de Avery? - mudou o assunto e acrescentou: - E do conseqüente desaparecimento de Draco?
– O corpo dele não foi encontrado, aparentemente - virou-se de frente para ela dando um leve sorriso. - Acreditam que ambos estejam mortos. Um ataque da Ordem talvez ou de aurores. O fato é que não virão atrás de Malfoy.
– E de mim? - Rosana falou devagar como se temesse a resposta que viria. - Ele me quer morta mais do que tudo.
– Não, Rosie - o que Snape estava a ponto de dizer era pior do que ela esperava ouvir: - ele a quer viva. Ninguém tem permissão para matá-la!
– Escute, eu não vou passar o resto da minha vida esperando Harry achar essas horcruxes para só então poder destruir Voldemort! - ela se levantou e começou a se vestir rapidamente. - Não vou ficar me escondendo, não preciso disso. Se ele quer tanto encontrar comigo, eu vou até lá. Não tenho nada a perder!
O rosto de Severus não poderia estar mais pálido, ele andou até onde ela pairava, abotoando as vestes. Rosie evitou seu olhar, sabia que só encontraria reprovação, apenas esperou que ele falasse de novo.
– Eu tenho, não vou perder você por uma atitude inconseqüente! - Snape a segurou pelos pulsos. - Sei como se sente, mas acredite ou não na decisão de seu pai, ele deu a vida por você.
Os olhos castanhos de Rosie o encararam, tão profundos e tristes, as pálpebras fecharam e ela assentiu com a cabeça. A vontade de Snape era de tirá-la a qualquer custo dali, impedir que tudo isso a atingisse, porém não adiantaria fazê-lo. Aonde fossem, enquanto Voldemort estivesse vivo, não teriam paz.
– Temos dois filhos, minha querida, isso muda tudo - ele falou com carinho.
– Daria minha vida por eles, sabe disso - Rosie deixou as lágrimas descerem mudas.
– Sei que é isso que está tentando fazer - Snape passou as pontas dos dedos em seu rosto, enxugando as lágrimas. - Mas não será a forma mais racional de combatê-lo, não nesse momento. Estou perto de descobrir o paradeiro das duas últimas, Rosie, me dê mais algum tempo! Um pouco mais!
– Eu confio em você, Sevie, mas não me faça esperar muito - deu um pálido sorriso. - Não vou aturar Draco por anos.
Snape a trouxe para perto e beijou-lhe os lábios. Rosana retribuiu com todo o amor e carinho que possuía. Queria poder prendê-lo ali em seus braços, contudo mais uma vez ele escorregou como areia por entre seus dedos...
Dizem que o amor faz a gente sofrer
Sem meu grande amor não poderei viver
Se eu disser que sim e ele disser que não
É uma parte perdida que teve na vida, no meu coração!
Se o amor traz sofrimento, vou sofrer até o fim!
Minha vida será um tormento se ele não disser que sim!
O amor que lhe dedico é uma obsessão!
Imploro, por favor, não digas não!
Dizem que o amor..."
( Dizem que o amor - Marisa Montes )
