Malfoy se manteve à distância desde aquela noite, não ousava trocar mais que algumas palavras com Rosie. Ela sentia-se mais tranqüila em relação a ele com as coisas assim, mas intimamente se perguntava o quão sozinho Draco se sentia.
Rosie corria os olhos pelo jornal bruxo britânico quando uma notícia lhe chamou a atenção. Era uma pequena nota colocada a um canto da página, algo que a maioria dos leitores não veriam de imediato:
Ontem a noite, o n.12 de Grimauld Place foi atacado por baderneiros (Nota Oficial do Ministério). O que chama atenção nesse caso é que os vizinhos da residência alegam, até aquela noite, não saberem de sua existência. Devido ao grande número de trouxas envolvidos no incidente, o Ministério da Magia destacou um grupo de Aurores para cuidar do caso e alterarem suas memórias.
Apesar da pouca divulgação do acontecimento, acredita-se que foi obra dos bruxos das Trevas, com o envolvimento, talvez que direto, de Você-Sabe-Quem. O que ainda não se sabe é o que funcionava em tal local. Também não houve nenhuma notificação de morte por parte do Ministério, algo difícil de se acreditar quando há relação com Comensais. Nossa reportagem não teve acesso a essas informações, o que se apurou com certa dificuldade é que não houve feridos internados no St. Mungus.
Oliver Jonnes - O Profeta Diário
Rosie fechou o jornal com cuidado, evitando atrair os olhares do tio e de Malfoy para si, e dando qualquer desculpa, se retirou. Não conseguia acreditar no que havia lido. Aquela era a sede da Ordem! "Como podiam tê-la atacado? Tinha sido protegida por vários encantamentos e o fiel de seu segredo estava morto!", pensou.
Isso podia ser pior do que parecia à primeira vista, alguém os traíra ou algo falhara. Fosse o que fosse não devia ter acontecido. Rosie foi até uma enorme cômoda a um canto do quarto, retirou algumas peças de roupa preta e atirou-as em cima da cama. Foi até o toillet, prendeu os cabelos num coque desajeitado e entrou na banheira. Chegara a hora de partir.
Vestiu as pesadas vestes, foi até o quarto dos filhos e se despediu com um beijo terno. Os dois dormiam serenamente, o mundo lá fora ainda não os afetava. Sentiu um vazio invadir sua alma quando fechou a porta ao sair, trancara lá dentro qualquer sentimento que pudesse servir para Voldemort encontrá-los. Deixara com eles todo o amor de mãe que tinha dentro de si, agora só interessava a ela destruir o homem que a fazia sofrer.
Ao descer, encontrou tio Ali e Draco conversando na grande sala onde ficava a lareira. Rosie entrou silenciosamente, mas não imperceptível a seus olhos. A figura negra estacou na frente de ambos, um misto de assombro e surpresa percorreu o semblante dos dois homens. Draco pareceu ser refazer primeiro que Ali, perguntando:
– Aonde você vai, Rosie? - seu tom era incrédulo. - Você está indo encontrar o Lord?
– Sim. E espero contar com a ajuda de vocês dois - ela deu-lhes um olhar severo.
– Minha querida - disse o tio confuso -, seu marido não pediu para ficar quieta aqui? E sua promessa a seu pai?
– Há mais que isso em jogo, tio - Rosie não estava brincando, seu tom de voz era sério e calmo -, a sede foi atacada e isso não estava nos planos. Algo está errado.
– E o que a leva a crer que poderá ajudar? - disse o rapaz firme. - Sabe onde irão se reagrupar? Não acredito que tenham pego todos...
– Não é melhor esperar notícias do Severus? - alegou Ali.
– Eu tenho feito tudo que me pedem até agora - ela os fitou. - Não vou ficar parada sabendo que algo anormal aconteceu tendo a possibilidade de ter sido uma catástrofe. Creia-me tio, preciso ir!
– Vou com você - Draco se pôs de pé.
– Para quê? Seria uma grande satisfação para aquele imbecil - Rosie sorriu. - Você fica! Cuide dos bebês para mim. Não é uma grande tarefa, mas estará me ajudando, se é isso que você quer. Eu agradeço, Malfoy - e virou-se para o Ali. - Tio, mantenha seus olhos atentos e qualquer sinal estranho, suma daqui.
Deu um beijo em ambos, sabia que não poderiam impedi-la, não com esses argumentos, depois entrou na lareira, atirou Flu ao chão e desapareceu numa longa labareda verde.
