CAPÍTULO XXIV

Londres estava deserta àquela hora, havia apenas pequenos focos de agitação trouxa onde se podiam encontrar os tipos mais suspeitos da sociedade. Rosie aparatou perto do antigo pub no qual Comensais tinham por hábito comemorar suas torturas. Não eram essas lembranças que Rosie gostaria de ter naquele momento, passou rapidamente pela porta do pub e seguiu em frente. O nevoeiro se intensificara, ela quase não podia divisar os prédios da rua. Apertou o passo, atravessou a rua e continuou descendo os quarteirões que se surgiam um após outro.

Não precisava enxergar para saber exatamente aonde devia ir, segurou a varinha embaixo das vestes e prosseguiu. As casas mal alinhadas e decrépitas se delineavam na escuridão e ela pôde ver pequenas luzes distorcidas pelo nevoeiro em algumas delas. Passou por um prédio alto e abandonado, que deveria ter sido outrora uma fábrica, um cheiro infeto impregnou o ar, e Rosie torceu seu nariz. Avançou rapidamente por algumas vielas, estacando assim que virou o último quarteirão. Uma pequena casa mal iluminada surgiu isolada na penumbra. Rosana suspirou, deu mais alguns passos e parou diante da porta de madeira. Fechou seus olhos enquanto seu coração disparava dentro do peito e pensou: "Que Merlin me ajude! Eu o quero vivo e sozinho atrás dessa porta!". Abaixou seu rosto, como se procurasse por algo no chão, e voltou a fitar a porta a sua frente. Segundos depois sua mão fechada agitou-se no ar e foi de encontro à madeira, provocando um som oco.

Ouviu-se o ruído de passos arrastados no interior da casa que se tornavam mais próximos e a porta foi aberta num estalido. Um homem baixo, de olhar lacrimoso e ar repugnante estacou no portal enquanto a fitava. Rosie o olhou com desprezo, empurrou-o para o lado abrindo passagem para a sala. Era exatamente como vira em seu sonho. Olhou a sua volta assimilando os detalhes, viu o sofá puído onde Narcissa se sentara e sentiu um frio percorre-lhe a espinha. Foi tirada de seus pensamentos pela voz fina e baixa a suas costas. Rosana virou-se com cuidado e deteve-se na figura insignificante de Rabicho. "Como alguém pode descer tão baixo?", pensou lembrando de tudo que aquele homem fizera.

– Não devia estar em missão, Bella? - deu um sorriso temeroso e amarelo.

– Não é da sua conta o que tenho que fazer, apenas chame Severus - e o olhou enojada. Ele não se mexeu, ficou ali parado com as mãos ao lado do rosto e terror nos olhos, incapaz de dar um passo. - Você não ouviu o que eu disse, Rabicho? - seus olhos brilharam. - Ande, seu verme, chame-o!

Rabicho se retirou do aposento tropeçando em seus próprios pés. Sabia agora que Snape estava vivo. Um alívio invadiu sua alma e ainda obtivera um bom disfarce: Bella. Rosie sorriu andando pela sala, apesar do aspecto miserável, era limpa. Havia uma estante com livros, uma mesa bamba e um tapete de aparência duvidosa. Foi até a janela e fitou a rua pelos vidros encardidos.

Ela percebeu quando a porta abriu silenciosamente e uma lufada de ar entrou no aposento, mas não se virou. Ouviu passos firmes atravessarem a sala e o som de um copo encher. Mesmo assim, permaneceu parada, atenta, esperando ele falar primeiro.

– Bella - a voz aveludada encheu o ar. - A que devo a honra da visita? Que eu saiba devia estar com seus... amiguinhos. Não foi o que o Lord a mandou fazer? - ele sorria, Rosie podia sentir um leve escárnio crispando seus lábios. - Acha que só porque invadiu a sede da Ordem, num ataque arriscado, e devo dizer frustrado, se tornou digna de maior atenção? Não foi um grande progresso.

Snape interrompera o discurso, analisava detidamente a figura em pé no lado oposto da sala. Os cabelos castanhos saíam pelas laterais do capuz, notou-lhe a silhueta e sentiu um tremor percorrer seu corpo. Controlou-se e avançou em direção com cautela, dizendo:

– Parece que veio me fazer perder tempo, não? - a voz era fria, Rosie se arrepiou. - Não quer uma dose? Talvez se lembre porque veio até aqui.

Rosana se virou, no mesmo instante em que ele parava a suas costas, apesar da máscara, seus olhos se encontraram. Houve alguns minutos de silêncio, ele viu-a surgir a sua frente e isso o mortificou.

– Acho que não gostaria de conversar aqui, Severus - a voz de Rosana soou rouca. - Aquele idiota deve estar ouvindo-nos atrás da porta, como na noite em que estive aqui com minha irmã - ela o encarou, os olhos negros dele não desviaram dos dela. - Quero um lugar em que estejamos a sós. Prometo ser boazinha, apesar do que me disse a pouco.

Ele arqueou a sobrancelha. "O que a fazia pensar que aceitaria ir com Bella a algum lugar recluso?", bufou, "Insana! Isso ela tinha de parecido com Bella, mas ele faria qualquer coisa por ela!". Deu-lhe um leve sorriso cínico, enquanto Rosie o encarava esperando por uma resposta.

– Conheço um lugar mais reservado - pegou sua capa no cabideiro e voltando até ela, ordenou: - Venha!

Abriu a porta e saiu com Rosie ao seu encalço. Percorreram as ruas em silêncio por quase meia hora e chegaram a uma edificação de dois andares. Trouxas com ares exóticos e drogados entravam e saíam daquela espelunca, eles avançaram pela porta. No sofá ao canto, mais adolescentes esparramados como se estivessem em êxtase total. Severus atravessou a sala e foi até o balcão, murmurou algumas palavras e o homem lhe deu uma chave. Pegou Rosie pela mão arrastando-a pelas escadas para o andar de cima. Abriu a porta do número 15 e a puxou para dentro. O quarto era tão miserável quanto o resto do lugar, havia apenas uma cama e duas cadeiras no aposento. Não pôde ver mais nada, a mão forte de Severus a prendeu de encontro a parede enquanto a outra arrancava sua máscara. Rosana sorriu com malícia, ele murmurou ao seu ouvido coma voz rouca: "Sua louca!", levantou suas vestes até os quadris e excitou-a.

Ela trouxe seus lábios para perto, agarrando-o pelos cabelos negros e se beijaram com fúria. Snape a beijou e acariciou de todas as formas possíveis e quando chegou a sua vez de proporciona-lhe as mesmas sensações, Rosana não foi menos implacável. Arrastaram-se até a cama sem desgrudar seus corpos. Deitaram com tal intensidade que ela rangeu sob o peso deles. Rosie montou nos quadris de Snape, fazendo-o penetrá-la com suavidade. Espalmou-lhe as mãos com as suas atrás da cabeça e os cabelos dela caíram em cascata sobre seu rosto. Ela sentiu a pulsação dele acelerar e aumentou a cadência do movimento de seus quadris.

Severus soltou uma de suas mãos, puxando os cabelos dela para trás e fazendo-a arquear. Rosie teve que soltar o outro braço, ele sentou-se e acariciou com a língua seus seios, fazendo–a sorrir. Os movimentos agora eram controlados por ele. O ranger da cama se tornou ensurdecedor, abafando seus gemidos. Ele a puxou para baixo, seu corpo tremeu num espasmo de prazer profundo, enquanto Rosie arqueou mais uma vez retesando cada músculo. Rosana caiu extenuada sobre o tórax suado do marido, as respirações ofegantes. Ela ainda sentia as pulsações do membro dele dentro de seu corpo. Fechou os olhos quando sentiu a mão dele percorrer seus cabelos descendo até suas costas. Ela sorriu virando-se para fitá-lo, ele havia fechado os olhos também, então Rosie beijou-lhe ternamente os lábios.

Snape abriu os olhos, crispou os lábios num sorriso malicioso, rolou-a na cama, e posicionou-se sobre ela. Rosie o encarou, os lábios dele percorreu-lhe o pescoço, o colo. Severus parou, olhou-a mais uma vez e sorrindo começou a se movimentar novamente. A noite ia ser longa.