Rosie o fitava com carinho, os cabelos negros caíam como uma cortina sobre seu rosto, a respiração estava calma e sua feição serena. "Por que as coisas não podem ser sempre assim?", pensou enquanto acariciava seus cabelos. Ela o beijou de leve e Snape entreabriu os olhos. Ele sorriu levando seus lábios aos dela.
– Bom dia, Rosie - ele murmurou abraçando-a pela cintura e recostando a cabeça em seu colo.
– Bom dia, anjo - ela respondeu. - Acho que já está tarde, eu devo ir.
– Para onde? - ele a encarou sério. - Você tem que voltar para onde estava, Rosie.
Ela estava por responder, mas de repente ambos levaram as mãos aos braços esquerdos e se entreolharam. Voldemort. Snape se levantou rapidamente, vestiu suas roupas e colocando sua capa ordenou:
– Vá para casa de Dumbledore e fique lá - ele a segurou pelo braço. - Algo está errado, não havia reunião marcada a essa hora. Rosie, preste atenção, não saia de lá até eu mandar.
– Está bem, farei o que me pede, mas tome cuidado - deu-lhe um beijo. - E quanto às horcruxes?
– Eu passei para Harry as informações que obtive, ele foi atrás delas - Snape a fitou. - Entende agora o porquê do ataque à sede da Ordem? O momento chegou. Até os traidores se mostraram.
– Vá antes que levante suspeita! - disse assentindo com a cabeça.
Severus saiu e Rosie deixou-se cair sentada na beirada da cama. O que todos esperavam começara definitivamente, a última batalha. Ela olhou a sua volta, recolheu a roupa e se vestiu. Saiu da pensão, cruzou algumas ruas e aparatou. Poucos minutos depois Rosie sentia cheiro de maresia da brisa vinda do mar. Seus cabelos esvoaçaram e ela avançou para a casa a sua frente. Apontou a varinha para porta, proferiu algumas palavras e entrou. Tudo estava igual, Rosie andou por entre os móveis e fechou os olhos. Podia sentir a presença do pai em cada espaço da casa. Ouviu um leve ruído as suas costas, "Droga. Esquecera a porta aberta!", pensou, mas era tarde demais. Um vulto negro se erguia no portal. Rosie apontou-lhe a varinha, mas seu oponente já usara um feitiço para desarmá-la. Estava se recompondo quando ouviu uma gargalhada fria e estridente.
– Achou que ia conseguir se esconder, Rosie? - a voz rouca era inconfundível. - Sabia que qualquer hora você voltaria para cá.
– Bella, você é patética - sorriu com escárnio para outra. - Não tenho tempo para perder com você, minha querida - Rosie estava de pé novamente e com um simples gesto atirou Bellatrix contra a parede. - Devia ter aprendido mais com Voldemort antes de me atacar.
– Você me paga - Bellatrix veio em sua direção. - Crucius!
– Tola! - sorriu mais uma vez enquanto a outra ia ao chão se contorcendo. - Você não pode comigo, Bella.
Bellatrix arquejava em sua frente quando um feixe de luz verde atingiu Rosana pelas costas, fazendo-a cair desacordada. Rodolphus entrara nesse instante com a varinha em punho apontada para ela.
– Demorou, querido - disse Bella se ajeitando e limpando a capa. - Vamos! Amarre-a!
– Não vai levá-la ao Mestre? - ele a fitou curioso. - Achei que era essa a intenção.
– E deixá-lo com todo prazer de torturá-la? - Bella sorriu enquanto o marido terminava de amarrar e amordaçar Rosie. - Não! Antes vou me deleitar um pouco.
– Cuidado para não estragar o presente do Lord - disse sorrindo para ela. - Ele pode não gostar, meu bem.
– Não se preocupe, meu caro - pegou o queixo de Rosie e moveu seu rosto de um lado para o outro. - Ela só vai aprender quem são os Lestrange.
Vamos começar? – perguntou Rodolphus
– Ainda não. Quero que Rosie esteja acordada - seus olhos brilharam de satisfação. - Quero ver o sofrimento estampado em seus olhos.
Ela foi até a cozinha, encheu uma terrina de água e voltou calmamente até a sala. Olhou para Rosie e atirou o conteúdo em seu rosto. Rosana abriu os olhos, sentiu o rosto molhado e viu Bellatrix na sua frente. Sua mente estava confusa e a cabeça doía.
– Desculpe, mas você é a convidada de honra de nossa festinha - Bella gargalhou. - Lembra como fazíamos? Sempre me divirto. Seus tios foram corajosos - e sussurrou ao ouvido de Rosie: - Sua tia morreu se defendendo de meus ataques, infelizmente tenho boa pontaria.
Rosana a encarou, seus olhos fuzilavam Bellatrix, Rodolphus se mantinha de pé ao lado da esposa com a varinha em punho. "Controle-se, Rosie!", pensou. Fechou os olhos tentando reunir forças, pois sem isso seria uma presa fácil.
– Olhe para mim, Rosie - ordenou Bella enquanto Rosie a encarava. - Muito bem. Crucius!
A mente de Rosana rodou num turbilhão, a dor percorreu cada parte de seu corpo. "Vamos, feche sua mente!", gritou consigo mesma. Tentou controlar a dor, mas sem sucesso, tinha que impedir o feitiço de agir.
– Isso dói, mas ainda é pouco - gargalhou alto. - Vai ficar pior! Crucius!
Rosie inclinou a cabeça para trás, retesou todo o corpo e voltou a encarar Bella. Essa dor havia passado rápido, ela conseguira um pouco de controle. Olhou sarcástica para a outra que parara de sorrir, e disse:
– É o melhor que sabe fazer, Bella? - falou mantendo o sorriso cínico
Rodolphus se adiantou e fechando a mão, esmurrou-lhe o rosto. Rosie sentiu um calor intenso e uma fina dor, enquanto o sangue escorria empapando-lhe as vestes. Bella a encarava com satisfação latente nos olhos.
– Boa mira, Rodolphus - Rosie sorriu. - Ele treina com você, Bella?
– Ora, sua - Bellatrix se aproximou. - Cr... - as palavras morreram. Rosie conseguira controlar o efeito da maldição. Bella caíra no chão levando as mãos à garganta, seus olhos reviraram no mesmo instante em que o marido foi atirado de encontro a parede e caiu desacordado.
Rosie a viu sufocar, desmaiando, então retirou o feitiço. Ambos estavam fora de combate, mas como ela sairia dali? "Minha varinha! Accio varinha!", pensou. A varinha estava em sua mão, esticou os braços entre as cordas, roçando-os nela até que permitissem um leve movimento do pulso. Apontou a varinha para as cordas e murmurou um feitiço, que desfez os nós. Minutos depois estava solta e os Lestrange amarrados. Sentou no sofá, limpou o sangue do nariz. Sua vontade era matar Bellatrix ali mesmo, mas tinha que levá-los para o Ministério. Ela não era igual a eles ou pelo menos não queria ser.
