Capítulo XIII

Harry partiu naquela manhã com Lupin, Rony e Hermione para o local indicado por Snape. A Sra. Weasley costumava ficar muito ansiosa quando eles saiam assim, seu coração de mãe sempre ficava a espreita de qualquer aviso sobre a vida de seu filho. Luna havia decidido não voltar para casa até eles regressarem, apesar de ter certeza de que seriam bem sucedidos. Combinaram com Tonks uma visita ao Beco Diagonal e à loja dos gêmeos, talvez isso ajudasse a passar o tempo. Na hora marcada, Tonks surgiu com seus cabelos rosa na lareira, e vendo a Sra. Weasley mais agitada do que nunca, juntou-se a Luna e Gina e sumiram nas labaredas esverdeadas.

O Beco estava calmo naquele dia, a falta de aulas em Hogwarts e os constantes ataques que haviam sofrido a pouco tempo, levando o Ministério a mantê-lo sob a vigília constante de um grupo de Aurores, eram os principais motivos para o pouco movimento de suas ruas. As meninas aproveitaram para olhar a loja de Madame Malkin e ver as "novas" tendências da moda bruxa antes de visitarem as Gemialidades Weasley. Luna olhou reprovadora para um modelo amarelo exposto na vitrine e se lembrou da revista de moda trouxa que vira recentemente, aquilo amarelo era decididamente horrível. Lembrou-se de Severo e tratou de afastar aqueles pensamentos de sua mente.

Luna se distanciou um pouco das outras duas e começou a observar a vitrine dos gêmeos. A loja de Fred e Jorge era de longe a mais cheia de todas, e assim que Gina e Tonks se juntaram a ela, entraram no animado ambiente. Passaram horas agradáveis conversando com os gêmeos, vendo suas novas invenções, mas haviam prometido para a Sra. Weasley que não demorariam muito, e despediram-se. Antes, porém, de tomarem o caminho de casa, passaram no Caldeirão Furado para beberem cerveja amanteigada.

Entraram, sentando numa mesa ao canto, e fizeram seus pedidos. Quando já estavam bebericando a cerveja, um homem alto e negro se aproximou da mesa delas com um luminoso sorriso. Tonks foi a primeira a saudá-lo:

― E aí, Shack? – sorriu de volta. – Beleza?

― Oi, Kingsley – saldaram Gina e Luna. – Alguma novidade?

― Bem, só a de que Malfoy e seus amigos conseguiram fugir de Azkaban graças à ajuda dos Dementadores – suspirou ao sentar-se junto a elas, e depois fez um gesto ao barman para que lhe servisse também. – O Ministro mandou um grupo de Aurores para lá também, a fim de impedir qualquer outra fuga. Daqui a pouco estaremos recrutando vocês duas para trabalharem conosco – sorriu na direção de Luna e Gina. – Estamos ficando sem pessoal.

― Eu não me incomodaria nem um pouco em trabalhar como Auror – murmurou Luna.

― Bem que Dumbledore avisou a todos sobre o perigo de manter os Dementadores em Azkaban – falou Tonks e sorveu o último gole da bebida. – É incrível como ele está sempre certo.

Fez-se silêncio ao seu redor enquanto todos terminavam suas bebidas. As meninas já estavam para deixar o local quando vários estalidos ecoaram pelo salão, fazendo todos os quatro sacarem as varinhas. Tonks e Shack empurraram Gina e Luna para o chão. Não demorou mais que dois segundos para que um grupo de Comensais surgisse diante dos olhos de todos no bar. Feitiços e azarações cruzavam o ar de ambos os lados, um grupo de mais três homens se juntaram a Shack e Tonks, provavelmente parte do destacamento do Ministério. Luna e Gina não conseguiam distinguir muita coisa de onde estavam. Com muita dificuldade, Luna tentou se orientar, no meio daquela bagunça e gritaria, para o lado que ficava a saída, e descobriu que era na direção oposta a dos Comensais; puxando a amiga pelo braço, pôs-se a rastejar naquela direção, com cuidado para não serem vistas. O balcão agora lhes dava cobertura, e Luna e Gina alcançaram a porta dos fundos do bar.

A parede de tijolos surgiu na frente delas, mas parada ao lado da porta havia uma figura em trajes de Comensal. Com a varinha em punho, Luna tomou a frente de Gina e apontou-a para seu oponente. Ao contrário do que imaginaram, ele não se moveu, parecia mais surpreso do que elas com o acontecimento. Os olhos azuis de Luna se fixaram nos do mascarado, e ela reconheceu pretos. A mão que estendia a varinha baixou lentamente desfazendo a posição de ataque e ele a imitou, Gina, no entanto, se mantinha com a dela firme e apontada para o estranho. Luna levou a mão até a de Gina e a fez baixar a varinha também. Num gesto rápido e preciso ele bateu nos tijolos fazendo a passagem para o Beco aparecer. Luna empurrou Gina para a rua que se estendia do outro lado, e depois a seguiu; quando estava próxima a ele, ela murmurou baixinho:

― Obrigada, Severo...

Ele fez um assentimento quase imperceptível de cabeça em resposta. Luna e Gina desceram a rua rapidamente. Luna chegou a olhar para trás por um instante e o viu parado na passagem, olhando fixamente para ela. Quando voltou a olhar na mesma direção, mais adiante, já não havia sinal dele ou da passagem. O tumulto no bar não atingiu o Beco, e chegaram esbaforidas à loja dos gêmeos. Jorge as levou para dentro e Gina começou a relatar os fatos que ocorreram, excluindo, é claro, a parte onde encontraram com Snape. Luna, ao contrário, sentia seu coração aos pulos dentro do peito, encontrar Snape assim não era o que tinha em mente.

Já de volta a Toca, acompanhadas pelos meninos e Tonks, que havia conseguido escapar com a ajuda de Shack, souberam que a missão de Harry havia sido bem sucedida. O único problema que essa notícia trazia consigo era o fato de que a fúria de Voldemort seria implacável e que a próxima Horcrux provavelmente não seria tão fácil de se destruir assim.

Com os acontecimentos turbulentos daquele dia, havia sido marcada uma reunião para as nove horas, no Largo Grimauld. O cerco se fechava. Esta tinha sido a reunião mais cheia a qual Luna comparecera, absolutamente ninguém faltara, ou melhor, havia, sim, a ausência de alguém... alguém que a salvara naquela tarde e que estava por trás do sucesso daquela missão. Um misto de apreensão e felicidade encheu seus pensamentos enquanto ouvia Lupin encerrar a reunião. Ela se levantou junto com os outros, precisava ir para a casa, mas ao passar por Lupin, ele a impediu de prosseguir.

― Luna será que poderia me conceder alguns minutos de seu tempo? – falou baixo, mas claro.

― Sim, professor – respondeu.

― Por favor, me acompanhe – pediu com um leve sorriso. Ele tomou a frente dela no corredor e a conduziu até ao que parecia ser um escritório. O lugar era mal iluminado e as cortinas escuras deixavam a maior parte do aposento na penumbra. Lupin escolheu uma cadeira de espaldar alto perto do sofá desbotado, Luna preferiu ficar de pé.

― Não quer se sentar? – perguntou suave.

― Não, obrigada – respondeu no mesmo tom. – Estou bem de pé.

― Acho que andou convivendo muito com Severo – sorriu para ela. – Essa é uma resposta típica dele.

― Talvez... – ela devolveu-lhe o sorriso.

― Estou vendo que está impaciente – disse calmo -, mas gostaria que tivesse a bondade de me contar exatamente como escaparam do Caldeirão Furado esta tarde.

― Pela passagem, com a ajuda de Severo – respondeu curta.

― Entendo – disse -, por conta do ocorrido, eu recebi um pedido de Snape.

― Um pedido – indagou surpresa –, de Severo?

― Exatamente. – Os olhos de Lupin caíram sobre ela atentamente. – Ele me pediu que convencesse o Sr. Lovegood a mandá-la para o mais longe possível de Londres.

― Como? - Azuis se tornaram intensos. – Eu não pretendo deixar Londres! Nem por ordem de Merlin!

― Srta. Lovegood, a situação está em seu extremo, não é aconselhável que permaneça na cidade – ponderou Lupin. – Se Voldemort descobri que está viva, virá atrás de você e de Snape.

― Eu não vou sair da cidade – disse firme –, se ele quer me proteger que escolha um outro modo, quanto a vida dele, eu não me importo. Ele não tem o mínimo apego a ela, porque eu deveria ter? - e continuou: - Não vou aceitar que ninguém me diga o que fazer, muito menos ele. Desculpe-me, professor, mas esse pedido está fora de questão, no entanto, agradeço sua preocupação, mas o que faço de minha vida é um problema só meu.

Lupin ia protestar, mas uma voz vinda do lado escuro da sala o impediu.

― Não, Srta. Lovegood – rebateu Snape, saindo da penumbra e indo se colocar em frente a ela -, esse não é um problema só seu.

Os olhos azuis de Luna mergulharam nos pretos dele. Seu coração pareceu sair pela boca, tinha vontade de sair correndo e se atirar nos braços dele, se abrigar na quentura daquele corpo. Snape, por sua vez, manteve-se frio e distante, apenas seus olhos brilharam ao encontrar os dela. Lupin os fitou por alguns segundos, e se pôs de pé, murmurando uma desculpa qualquer, deixando-os a sós. Os minutos que se seguiram à saída de Lupin pareciam infinitos, nenhum dos dois deu um passo. Ela sentia cada parte de seu corpo procurar pelo dele, os olhos encararam de novo pretos e as lágrimas desceram. Em dois passos seus, Snape cruzou a distância que os separavam, colocando seu corpo próximo ao dela, inalando alfazema. Ah, Luna... – pensou – você vai ser minha perdição. Luna fechou os olhos ao sentir o toque dos dedos dele sobre seu rosto, secando algumas lágrimas. Os lábios dele tocaram de leve sua testa, enquanto os dedos deslizaram suaves para sua nuca, entrelaçando alguns fios de cabelo a eles. Os lábios desceram pela face, beijando o caminho por onde passavam até chegar aos lábios dela. Snape tocou-os suavemente, seus dedos sobre a nuca dela a trouxeram mais próxima, entregando sua boca a dela numa possessão desesperada.

As mãos dela entrelaçaram seu pescoço, trêmulas, enquanto as dele a apertavam de encontro ao seu corpo. Deslizando entre os cabelos e as costas dela, voltando até a cabeleira loira, vorazes, beijando-a intensamente, querendo sorvê-la num toque. Os lábios, exigindo mais, devorando-se um ao outro. Snape a afastou de si, a respiração descompassada, fitando-a com carinho. Os lábios estavam inchados de seus beijos, a roupa amassada pelo seu toque, Luna sorriu. Não um sorriso aberto, era quase infantil, ingênuo. Foi o bastante para suas barreiras serem vencidas, e segurando a mão de Luna entre a sua, Snape deixou o Largo Grimauld. Aparataram em direção a Hogwarts.

Dentro das masmorras, no aposento de Snape, sentiram toda a sanidade deixar suas almas. Os lábios dele deslizavam pelo corpo de Luna como seda, explorando cada parte com um carinho intenso, demorando-se, deleitando-se, provando o gosto dela, fazendo-a derreter-se entre seus dedos; sobre seu toque Luna agarrou pretos trazendo-o até seu rosto, vendo os brilho intenso nos olhos dele. Ela sorriu ao vê-lo sedento, o corpo molhado pelo suor, os lábios partidos sorvendo o ar rapidamente. Luna tocou-lhe o tórax com as mãos, depois com a boca e deixou a língua passear por toda a extensão de pele clara até o abdômen, sentindo as defesas dele caírem por completo. Quando ela voltou ao rosto dele, pretos brilhavam e azuis se entregaram completamente. O toque de Luna sobre sua pele era vicioso, seu gosto era doce como mel e Snape se perdeu naquela imensidão macia. Metade da noite já havia passado e suas bocas ainda se procuravam, ardentes, desejosas.

Olhe para mim

Com a lua e o sol em seu olhar

Ele chegou

E eu não sei o que faço sem ele

De repente, ganhei vida

Olhe, olhe para mim

Eu não tenho nada a esconder

Olhe para mim

Eu estou colocando meu coração na palma de sua mão

Tão gentilmente

Eu sei que ele sabe que eu o amo

Eu acho que nunca disse que era um caminho fácil

Olhe, olhe para mim

Eu não tenho nada a esconder

Olhe para mim

Eu não tenho nada a esconder

Olhe para mim

Voltando para casa

Eu estou voltando para casa

Eu sinto que estou voltando para casa

Voltando para casa

Eu estou voltando para casa

Olhe, olhe para mim

Eu não tenho nada a esconder

Olhe para mim

Eu não tenho nada a esconder

Olhe, olhe para mim

( See me – Roxette )