Cap 6. Pressão.

Gina chegou em casa depois do trabalho e encontrou Harry lendo o Profeta Diário deitado no sofá.

- Você soube? – ele disse para a esposa – Draco Malfoy entrou com o pedido de divórcio.

- Ah é? – Gina disse parecendo desinteressada, mas seu coração batendo a mil por hora – Lendo Rita Skeeter meu amor?

- Um pouco de fofoca é bom pra relaxar.

- Cadê a Lílian?

- Com seus pais.

- Quer dizer que estamos sozinhos?

- Pois é... E tem uma banheira de hidromassagem com uma água bem quente, bastante espuma – ele foi chegando perto dela – aromas e pétalas – ele a beijou – de rosas.

- E por acaso essa banheira é pra uma ou duas pessoas?

E Harry a beijou. Aquele mesmo beijo doce de sempre, sem paixão nem desespero, típicos dos beijos de Draco. Ela não teria como escapar dessa vez. Harry era seu marido, e ela não poderia fazer isso com ele.

- Ai – disse Harry soltando Gina. Era uma Carta.

- De Hogwarts – disse Gina pegando a carta e abrindo-a – Ai meu Deus, tava demorando.

- Tiago?

- Você tem alguma dúvida?

- E o que ele fez?

- Deu algum tipo de poção para a filha de Luna, que está agora vomitando e cheia de pústulas.

- Que prazer é esse que esse garoto tem de fazer mal às pessoas? Parece Malfoy. Aliás, nem sei como é que ele pode ser meu filho.

Gina sentia que agora sim seu coração parara de vez. Esse era o momento de contar a verdade se ela quisesse, não haveria outro tão propício. Mas Harry a odiaria. Tiago a odiaria. Sua família a odiaria. Só sobraria Draco, que ainda a amava, que estava se divorciando por ela.

Gina acordara e percebera que não estava em casa.

- Céus – ela disse levantando-se de súbito.

- Gina – disse Draco pegando em sua mão – Fique calma. Agora é tarde. Você fez o que quis fazer.

- Você está certo – disse Gina sentando-se na cama – Eu sou a pior mulher do mundo.

- Não, você é a melhor mulher do mundo – disse Draco beijando-a – Eu te amo Gina. Eu te amo... Te amo demais. Eu não sei mais viver sem ter você. Você traiu seu marido comigo, e você quis fazer isso porque você não o ama, mas tem medo de deixá-lo. Tem medo de me amar porque sabe que nada seria fácil ao meu lado. Mas eu te amaria tanto e tão intensamente que nada mais importaria.

- Queria viver nesse seu mundo de conto de fadas. Não é assim tão simples.

- É muito simples Gina. Tudo o que você tem a fazer é se separar de Potter.

- Eu... Eu acho melhor a gente não se ver...

- Shh... – ele disse colocando o dedo indicador sobre os lábios da ruiva – Não diga que não devemos nos ver mais. Potter vai ficar fora duas semanas. Fique comigo essas duas semanas e decida depois.

- Eu não posso fazer isso Malfoy – disse Gina começando a chorar desesperada – Eu sou uma mulher suja e se eu tiver você como meu amante, ficar com você todo o tempo que meu marido estiver fora, eu jamais vou me perdoar.

- Gina...

- Draco, você não entende... Eu prometi... Prometi que... Que se Harry sobrevivesse a Voldemort, eu ficaria com ele... Ficaria com ele pra sempre. A menos que ELE não quisesse mais.

- Isso é fácil. Conte a ele a verdade.

- Isso seria sabotar minha promessa.

- Você não pode deixar de viver a sua vida – ele disse em tom firme, até nervoso, segurando Gina fortemente pela cintura – você não pode abrir mão da sua felicidade por causa de uma promessa. Você não entende? Potter estava destinado a viver. Ele estava destinado a matar o Lorde das Trevas.

- O que você quer não é a minha felicidade Malfoy, é a sua.

- É a nossa. Você é a única mulher que eu já amei e eu duvido que amarei outra. Me caso em um mês, e se eu não tiver você do meu lado eu não terei porquê não me casar. Serei infeliz sem você de qualquer forma. Mas se eu tiver você ao meu lado vou poder enfrentar tudo e todos. Não me importo com nada.

- Draco. Eu não posso.

- Diga que não me ama – ele disse segurando Gina com força. Um braço em sua cintura e a outra mão entrelaçada nos cabelos da ruiva – Diga.

- Eu nunca disse que eu não te amava – disse Gina deixando escorrer uma lágrima – Mas só isso não basta.

- Você me ama – disse Draco com os olhos marejados de emoção.

- Eu não posso. É por isso que eu preciso ir embora.

- Meu amor...

- Draco, não dificulte mais as coisas. Me solta, eu quero ir embora.

- Tudo bem – ele disse com os olhos cheios de lágrimas. Ele não se lembrava da ultima vez que chorara, e ele sabia, certamente não fora por uma mulher.

- Draco – ela disse olhando nos olhos dele e beijando-o em seguida – Eu te amo – e desaparatou.

Quinze dias se passaram. Harry estava para chegar e Gina estava completamente atordoada. Primeiro porque achava que não amava mais o marido, segundo porque estava loucamente apaixonada por Draco Malfoy, e terceiro porque não achava que poderia esquecê-lo. Gina deveria ter ficado menstruada no dia anterior e ainda não ficara. Ela sempre fora muitíssimo regular, e ela sabia que se estivesse grávida a chance de o pai ser Malfoy era enorme. E isso fazia com que ela pensasse ainda mais nele.

- Acho melhor irmos até lá – disse Gina.

- É. Esse garoto ultrapassou todos os limites.

E os dois foram até Hogwarts por meio de flu. Encontraram já o professor Flitwick, agora diretor, com Tiago em sua sala.

- Meu filho, o que foi que você fez? – disse Gina em um tom desapontado.

- Mamãe, eu não fiz nada demais...

- Olha Tiago – disse Harry – Você já me desapontou demais e à sua mãe também. Eu sinceramente não sei a quem você puxou.

- É eu também não sei – disse Tiago.

- Na verdade – disse o Prof. Flitwick – ele não faz nada sozinho. Está sempre acompanhado de Serena Yaxley e Escórpio Malfoy.

- Escórpio Malfoy? – disse Gina engasgando.

- Ele é um menino legal. Muito mais legal que Alvo, devo dizer – disse Tiago.

Gina ficara completamente atordoada com a idéia de Tiago estar convivendo com seu meio-irmão. Ela achava que poderia ser um passo mais próximo da verdade, que ela ainda hesitava em contar.

- Alvo é seu irmão Tiago – disse Harry quase num grito.

- Alvo é um menino chorão e bobo. Não tenho obrigação de agüentá-lo.

- Tem sim Tiago. – disse Gina – Ele é seu irmão.

- Mas eu sinto como se Escórpio também fosse. Ele é igual a mim mamãe... Em tudo...

Gina deixou cair uma lágrima de desespero. Não sabia mais o que fazer. Não sabia se contava ou não a verdade. Afinal, Escórpio era mesmo irmão de Tiago.

Harry a abraçara pensando que seu choro era devido ao seu desapontamento com Tiago.

- Está vendo o que você faz com a sua mãe Tiago?

- Até parece que vocês eram grandes obedecedores de regras...

- Mas nós não machucávamos ninguém filho. Não humilhávamos ninguém. E não criamos você assim. Não demos a você esses valores.

- Mas são os que eu tenho agora. E não estou pretendendo mudá-los. E também não estou pretendendo agüentar bebês chorões como o meu irmão.

Mais quinze dias se passaram desde que Harry voltara. Gina acordou completamente enjoada e fora correndo para o banheiro. Com todo aquele movimento Harry também acabou acordando.

- Amor – ele disse batendo na porta do banheiro – está tudo bem?

- Harry – disse Gina saindo do banheiro – Acho que eu estou... grávida.

- Grávida? Amor, não acredito – disse Harry em êxtase – isso é maravilhoso. Ah Gina,eu mal podia esperar por esse momento sabia?

- É... pois é.

- O que há? Não está feliz?

- Claro, claro que sim – disse Gina tentando disfarçar sua preocupação – É só que... estou enjoada mesmo.

- Claro amor. Por que não se deita e eu vou preparar uma poção pra esse seu enjôo passar?

- É, eu adoraria.

Assim que Harry saiu do quarto Gina não conseguiu mais se conter e começou a chorar. "É, eu estou grávida – pensou – mas o pai não é o meu marido... Não acredito que eu fui capaz de fazer isso com ele"

- Está chorando querida... Por que? Está tão mal assim?

- É... – disse Gina mentindo – Estou.

- Vamos fazer o seguinte: eu vou para o Ministério e você fica até melhorar. Eu aviso lá que você não está bem, e você vai depois.

- Está bem amor.

- Não acredito – disse Harry não conseguindo deixar de sorrir – um filho...

- É, um filho... – disse Gina sorrindo também. Apesar de suas preocupações ela já amava muito a criança que estava se formando dentro dela.

Harry se foi e Gina adormeceu. Acordou duas horas depois passando muito bem e decidiu que já era hora de ir trabalhar. Quando chegou ao Ministério, todos a cumprimentavam, dando parabéns pelo herdeiro que estava para vir.

"Harry já espalhou para todos – ela pensou – ele está tão feliz..." Procurou por ele, mas a informaram que ele tinha saído pra resolver alguns problemas e que provavelmente iria demorar. Foi, então, para sua sala, onde encontrou...

- Malfoy – disse Gina com o coração acelerando muito.

Draco fechou a porta com a varinha e se aproximou de Gina.

- Um filho – disse Draco tocando sua barriga.

- É... Um filho... Meu e de Harry – disse Gina virando-se de costas.

- Não Gina – disse Draco acariciando os cabelos da ruiva – Olhe nos meus olhos e diga que esse filho não é meu.

- Esse filho não é seu Draco – disse Gina ainda de costas.

- Olhe nos meus olhos Gina – disse Draco virando-a para si e a segurando fortemente pela cintura, mantendo o rosto dela bem perto do seu.

- Draco, por favor, você não pode contar... Não pode...

- Eu sabia... Sabia – disse ele sorrindo.

- Draco... Essa criança vai ser criada e amada por Harry. É a ele que ela vai chamar de pai. Você não pode contar...

- Mas Gina... Eu amo você... E agora vamos ter um filho pra provar o nosso amor... Um filho que eu vou amar como ninguém nesse mundo...

- Draco – disse ela interrompendo-o – Se você me ama como diz, entenda que é com Harry que eu vou ficar... Ele é meu marido... Eu não posso dizer a ele q esse filho não é dele... Arrasaria o coração dele Draco... E de toda a minha família...

- Mas Gina...

- Mas nada Draco. Chega. Saia. Harry pode chegar e ele vai vir aqui antes de qualquer coisa, e eu não quero que ele te veja aqui. Esqueça que algum dia tivemos alguma coisa e entenda de uma vez por todas que eu sou casada e estou esperando um filho do meu marido.

- Esse filho...

- Chega Malfoy. Saia – disse Gina firmemente abrindo a porta.

Draco saiu sem dizer mais uma palavra.