Capítulo 2: Os Velhotes
Parte 5 – Anúncios de Jornal
Tinha-se passado uma semana desde a morte do velho Samuel. Naquela tarde solarenga, Judite e Leonilde estavam sentadas em duas cadeiras, no jardim do lar. Leonilde tinha um jornal na mão e estava a ler os anúncios.
"Mas afinal, que anúncios é que estás a ler, Leonilde?" perguntou Judite. "Vais comprar alguma coisa?"
"Não, nada disso. Estou a ver os anúncios de relacionamentos, mulher." disse Leonilde. "Estou a ver se encontro algum anúncio interessante para eu responder."
"O quê? Queres responder a esses anúncios que vêm no jornal? Mas isso é perigoso."
"Não é nada, se tivermos cuidado. Eu estou sozinha há algum tempo e se arranjar algum pretendente de jeito, junto os trapinhos, Judite."
"Então, mas já alguma vez respondeste a algum anúncio no jornal?"
"Já, algumas vezes. Mas não deram em nada. O único que era mesmo interessante, porque tinha ainda os dentes todos, portanto, sem qualquer dentadura, foi-se."
"Foi-se?" perguntou Judite, confusa.
"Sim. Pôs o anúncio de jornal, com o número de telefone. Pela altura em que eu vi o anúncio e liguei para o número, atendeu-me a filha do velho, a dizer que ele tinha morrido no dia anterior."
"Ah, que azar." disse Judite, suspirando. "Pelo menos tu já foste casada e infelizmente separaste-te do teu marido. Quanto a mim, nada."
"Então, vamos pôr um anúncio no jornal para ti!"
"O quê?"
Apesar de, no inicio, não concordar com aquela ideia, Judite acabou por se deixar convencer e Leonilde ajudou-a a elaborar um anúncio. Judite ainda acabou por dizer que se quisesse arranjar alguém, podia arranjar alguém ali no lar, mas Leonilde disse-lhe que ali não havia ninguém de jeito. Dois dias depois, o anúncio estava colocado no jornal.
Nesse dia, numa das salas de convívio do lar, Nicolau estava a ver os anúncios. Alcino estava sentado ali perto, a ler uma revista sobre agricultura. Outros idosos, como o velho Macário, que sofria de insónias, estavam também por ali, a ler, a dormitar, a ver televisão ou a jogar damas.
"Ah, muito bem, vá lá, um artigo que diz alguma coisa de jeito sobre a agricultura." disse Alcino. "Hoje em dia têm as noções todas trocadas e a agricultura é feita com muitas modernices. Demasiadas, até. No meu tempo não era assim!"
Entretanto, uma enfermeira tinha chegado perto do velho Terêncio, que estava a dormir. Abanou-o e ele acordou.
"Hum, o que foi?" perguntou ele.
"O senhor esqueceu-se de tomar o seu remédio para dormir." disse a enfermeira.
"Incompetente!" exclamou Alcino, que tinha ouvido aquilo. "Então vai-me acordar o homem, para lhe dar um medicamento para dormir? Se ele já estava a dormir, não era preciso."
Depois de ofender a enfermeira por mais uns segundos, Alcino deu-se por satisfeito. Acabou por virar a sua atenção para Nicolau.
"Então Nicolau, o que é que estás aí a ver no jornal? Algum artigo de jeito? Alguém morto à mocada, à facada ou assim?"
"Não. Estou a ver a secção dos anúncios, a ver se encontro aqui algum interessante. Quer dizer, já vi alguns. Temos aqui uma moça loiraça e com vinte anos que procura homem viril. Podia ser eu."
"Tu? Com uma moça de vinte anos? Deixa-me rir." disse Alcino, mas não se riu. "Procura mas é alguém da tua idade."
"Olha, está aqui outro anúncio. Senhora humilde e sincera, 75 anos, procura homem para relacionamento muito sério." leu Nicolau. "Está assinado como Judite Bezerro. E menciona aqui o lar. Ah! É a Judite daqui!"
"Isso já eu tinha percebido." disse Alcino, revirando os olhos.
"Não vou responder. Credo, não quero relacionamentos sérios. Quero divertir-me."
"Ai sim? Pois olha que nunca foste casado, só andaste a saltar de mulher em mulher pelo que não sabes o que é uma vida a dois e as alegrias que isso pode trazer." disse Alcino. "Sabes porque é que sou tão refilão? Porque desde que perdi a minha mulher, muita da minha alegria de viver desapareceu. E tu, se continuas assim, ficas sozinho até morreres. É isso que queres?"
Nicolau ficou calado. Tivera várias namoradas ao longo da vida, mas nunca tivera nenhum relacionamento que durasse mais do que uns meses. O seu tempo de vida estava a esgotar-se e quando morresse, haveria alguém que sentisse realmente a sua falta, tirando a filha que tinha tido com uma das mulheres com quem se relacionara?
Nicolau levantou-se e saiu rapidamente da sala de convívio. Encontrou Judite no jardim, com Leonilde.
"Judite, vi o seu anúncio no jornal." disse ele. "Por acaso, não quer vir dar uma volta comigo, pelo jardim? Para falarmos melhor."
Judite hesitou, mas acabou por acenar afirmativamente. Os dois afastaram-se pelo jardim e Leonilde abanou a cabeça.
"Espero bem que o Nicolau não esteja a querer só uma aventura com a Judite. Ela não é mulher para isso e ficaria muito magoada."
Parte 6 – Na Cozinha
Tinha-se passado cerca de um mês desde que Judite tinha colocado no jornal o anúncio para conhecer alguém interessante. Desde que Nicolau a tinha convidado para passear, os dois estavam mais juntos que nunca. Eram vistos a passear constantemente, a falar, a rirem-se juntos.
Nessa tarde, alguns idosos estavam em mais uma das actividades preparadas pelas animadoras do lar. Sílvia e as suas colegas tinham preparado para esse dia uma aula de culinária, pelo que todos os participantes na actividade estavam na cozinha do lar, em volta de algumas mesas.
As cozinheiras não estavam muito contentes por terem a sua cozinha invadida, mas não se pronunciaram, pois a directora do lar tinha dado a ordem para ser feita ali a actividade. Nicolau e Judite estavam ao pé um do outro, sorrindo. Leonilde estava perto de Alcino.
"Muito bem, então já sabem, agora já temos a massa para os biscoitos feita, portanto é hora de moldarem a massa." disse Sílvia. "Podem começar."
Os velhotes assim fizeram. Nicolau pegou num pouco da massa que estava em cima da mesa e moldou-a na forma de um coração, oferecendo-o de seguida a Judite, que corou e soltou um risinho. Leonilde revirou os olhos.
"Aqueles dois estão num estado que não se pode aturar." disse ela.
"É verdade. Credo, sempre ali juntinhos e a rir-se. Dá cabo dos meus nervos." disse Alcino, moldando a sua massa numa bola. "Se bem que, pronto, pelo menos andam contentes."
"Lá isso é verdade." disse Leonilde, abanando a cabeça. "A Judite anda toda encantada e o Nicolau parece outro. Agora já nem faz piadas falando em mulheres, nem olha para mais ninguém. Aquilo se calhar ainda dá casamento."
"Hum, talvez sim." disse Alcino. "Pronto, já está feita a minha bola."
Sílvia aproximou-se e abanou a cabeça.
"Ó senhor Alcino, assim o biscoito fica muito grande. Mais vale dividir a massa em duas e fazer duas bolas mais pequenas." disse ela.
"Irra! Nunca nada está bem, heim? Pronto, eu faço duas bolas." reclamou Alcino.
"Não reclame, seu chato. Vê-se bem que não percebe nada de comida." disse uma cozinheira gorda e de cabelo castanho, chamada Guilhermina Papuças.
"Ah e você sabe? Ainda ontem a comida parecia pastilha elástica e mal dava para comer. O sumo que nos servem não vale nada e há duas semanas a Leonilde encontrou um anel na sopa!" exclamou Alcino.
"É verdade." concordou Leonilde.
"O anel era meu." disse Guilhermina. "Quero-o de volta."
"Nem pensar!"
Leonilde e Guilhermina envolveram-se numa discussão, enquanto Sílvia tentava pará-las e Alcino gritava com toda a gente que se aproximava por causa da confusão.
Apesar da confusão mesmo ali ao pé, Judite e Nicolau mal prestavam atenção a isso. Judite tinha moldado a sua massa em forma de um laço.
"Está muito bonito, Judite." disse Nicolau. "Como tu."
"Ai, não digas essas coisas, Nicolau." disse Judite, corando.
"Estou só a dizer a verdade."
"És tão simpático, Nicolau. Não tinha reparado até há pouco tempo e já nos conhecemos há pelo menos dois anos."
"Foste tu que me mudaste." disse Nicolau. "Agora nunca mais te largo."
Judite soltou um risinho, enquanto Leonilde acabava por mandar a sua massa à cara da cozinheira Guilhermina, que ficou ainda mais furiosa do que já estava.
"Você vai arrepender-se, Leonilde!" exclamou a cozinheira. "Não vai comer sobremesa durante uma semana!"
"A sobremesa aqui é tão má, que se não ma dá, está a fazer-me um favor!" exclamou Leonilde.
Sílvia acabou por conseguir levar Guilhermina para o outro lado da cozinha. Alcino sorriu.
"Você disse-lhe das boas, Leonilde. Assim é que é." disse ele.
"Claro. Se ela deixou cair o anel na sopa, problema dela. Não o ia devolver." disse Leonilde. "Até porque já não o tenho. Entreguei-o ao meu filho que é ladrão e ele já o vendeu por um bom dinheiro."
"Hum, espero que da próxima vez ela deixe cair na sopa algum relógio. Precisava de um novo." disse Alcino.
Pouco depois, a massa dos biscoitos foi ao forno e mais tarde foram retirados os biscoitos, já acabados. Sílvia e as suas colegas pareciam satisfeitas.
"Muito bem, os biscoitos estão feitos e parecem estar deliciosos." disse Silva. "Vamos provar?"
Todos tiraram os biscoitos da bandeja, mas quando os trincaram, começaram todos a tossir e a cuspir.
"Credo! O que é isto?" perguntou Judite. "Que sabor horrível!"
"Estão péssimos." disse Nicolau.
"Mas porquê? Nós pusemos os ingredientes certos." disse Sílvia, perplexa
"Hum... ó Sílvia, quando você me disse que era açúcar e farinha que queria, era mesmo isso?" perguntou Guilhermina. "É que estou com a ideia que lhe trouxe farinha e sal para fazer os biscoitos..."
Os velhotes começaram todos a discutir com Guilhermina e Sílvia tentou acalmar os ânimos, mas não conseguiu. A directora foi chamada ao local. Guilhermina começou a insultar toda a gente e acabou por ser despedida.
"Eu volto!" exclamou Guilhermina, olhando para todos. "Ainda hão-de voltar a ver-me!"
Parte 7 - Visitas
Era dia de visitas no Lar Fralda Prateada. Apesar de teoricamente os familiares poderem ir visitar os velhotes ao lar a qualquer dia, todos os Domingos eram considerados os dias de visitas, quando mais familiares iam ao lar.
Naquela tarde, não era excepção. Filhos, primos, irmãos e muito mais vinham visitar os habitantes do lar. O velho Terêncio tinha recebido a visita dos filhos e o casal Marcolina e Zé tinham recebido a visita da filha mais velha, que estava preocupada com o estado de saúde do pai.
Entretanto, Alcino também tinha recebido a visita do seu único filho, André, com quem não tinha muito contacto. André contou-lhe que estava agora num novo emprego e que planeava casar. Alcino resmungou um pouco, mas acabou por dizer ao filho que devia avançar com o casamento.
"Uma mulher faz muita falta na vida de um homem." disse Alcino. "Só eu sei a falta que a tua mãe faz na minha vida."
"Eu sei, pai. Também tenho saudades dela."
Os dois começaram a falar do passado.
"Eu lembro-me de uma vez que íamos no autocarro, que estava cheio. Entrou uma senhora e tu disseste para eu me levantar e lhe dar o lugar, pai." disse André. "Eu não quis. Tu resmungaste e deste o teu lugar. No final da viagem, ralhaste imenso comigo."
"Pois foi, eu lembro-me. E tinha toda a razão, obviamente."
"Mas eu também vi uma fotografia tua e da mãe, em que iam num autocarro e a mãe ia em pé e tu estavas sentado. Também não lhe deste o lugar."
"Isso é diferente." disse Alcino. "É que nessa fotografia eu e a tua mãe só estávamos casados há três dias. Nem ela se conseguia sentar, nem eu me aguentava em pé!"
Ali perto, Leonilde estava a falar com o seu filho mais velho, Tibério, que a tinha vindo visitar sozinho. Tibério dissera que a sua mulher e filha tinham ficado em casa.
"Deviam ter-me vindo visitar. A Laurinha devia mostrar mais entusiasmo para vir ver a avó." disse Leonilde.
"Mãe, ela agora está de castigo. Respondeu mal à professora."
"Ai sim? Então porquê?"
"A professora fez-lhe uma pergunta para ela responder, mas a minha filha Laurinha não sabia a resposta e começou a chorar. Ora, a professora disse-lhe para não chorar, que as meninas que choram ficam feias." explicou Tibério. "E a Laurinha disse-lhe que então ela, a professora, devia ter chorado muito quando era nova. Claro que a professora a pôs de castigo."
"Ai, ai... então e o teu irmão? Ele nunca mais disse nada."
"Não sei onde está. Acho que assaltou algum banco e agora anda fugido à polícia. A mãe sabe como ele é, rouba tudo e foge. Pode estar em qualquer lado."
Quase ao fundo da sala de convívio, Judite estava a falar com a sua irmã Jurema, que se estava sempre a queixar da sua vida.
"O Manuel está sempre a gritar comigo, a comida tem-me calhado mal, chove-me na sala de estar, ando mal das varizes, estou com alguns problemas de asma..." disse Jurema.
"Ó mana, tens de pensar nas coisas positivas da vida." disse Judite.
"Que coisas positivas? O meu cão morreu, os preços estão todos a subir, a minha vizinha odeia-me, o meu gato está com alergias, perdei a carteira no outro dia..."
Judite revirou os olhos. Por vezes achava melhor que a sua irmã não a viesse ver. Afinal, Jurema queixava-se de tudo e mais alguma coisa e mal a deixava falar. Entretanto Nicolau aproximou-se, com uma mulher de cerca de quarenta anos a seu lado.
"Judite, queria apresentar-te a minha filha Sandrina." disse Nicolau. "Sandrina, esta é a senhora de que te falei, a Judite."
"Muito prazer." disse Sandrina.
Judite cumprimentou Sandrina e depois apresentou Jurema. Apesar de Nicolau nunca ter tido relações muito duradouras, acabara por engravidar uma mulher e tivera aquela filha. Já tinha falado disso a Judite, mas Judite ainda não a conhecia.
Nesse momento, o médico Virgílio, que tinha ido ao lar fazer apenas uma consulta de emergência e já estava quase de saída, olhou para a sala e sorriu. Sílvia, que estava de serviço nesse dia, aproximou-se dele.
"Os velhotes ficam todos contentes com as visitas." disse Sílvia.
"Ainda bem. Pelo menos mostra-se que, mesmo fora do lar, há alguém que se preocupa com eles." disse Virgílio.
De volta a Nicolau, Judite, Jurema e Sandrina, Jurema começara logo a queixa-se a Nicolau, enquanto Sandrina e Judite iniciavam uma conversa.
"O meu pai tem andado muito feliz." disse Sandrina. "Tem-me até ligado mais vezes e tenho ouvido falar muito de si."
"Bem, espero eu." disse Judite, sorrindo.
"Sim, muito bem, aliás. Está a fazer bem ao meu pai e parece boa pessoa." disse Sandrina. "Acho que desta vez ele assenta. Espero que faça o meu pai feliz, dona Judite."
"Vou fazer o meu melhor."
Parte 8 – Actividades Explosivas
Estava um dia solarengo e no exterior do Lar Fralda Prateada, vários dos idosos estavam no jardim, nas traseiras do lar. Vestiam fatos de treino de cores variadas. Sílvia e as suas duas colegas estavam presentes, bem como o médico Virgílio e duas enfermeiras do lar.
"Muito bem, como sabem, hoje vamos ter uma aula de exercício físico." disse o médico, sorrindo a todos. "Agradeço a vossa presença e vamos exercitar para que vivam muitos mais anos e nas melhores condições possíveis."
Alguns velhotes aplaudiram. Não estavam todos presentes, pois nem todos podiam praticar desporto, mas quem podia, tinha comparecido. Leonilde estava toda agitada e entusiasmada.
"Isto faz-me lembrar dos meus bons velhos tempos." disse ela, olhando para Alcino, que estava ao seu lado. "Eu costumava correr muito, para me manter em forma."
"Isso deve ter mesmo sido nos velhos tempos, porque a única forma que tem agora é a forma de uma bola."
Leonilde lançou-lhe um olhar irritado e Alcino encolheu os ombros.
"Eu só disse a verdade." disse ele.
"Ora, vá mas é catar pulgas." disse Leonilde, afastando-se, aborrecida.
Judite e Nicolau aproximaram-se de Alcino.
"Então, acho que a primeira coisa que vamos fazer, para aquecer, será correr." disse Nicolau. "Eu sou bom em corridas. Dantes corria atrás das mulheres todas."
Judite lançou-lhe um olhar reprovador.
"Mas isso era dantes! Agora sou muito fiel à minha Judite."
Judite acabou por sorrir e Alcino revirou os olhos.
"Credo, eu vim aqui fazer exercício. Não vim para estar a ver um espectáculo de coisas românticas. Até me dá a volta ao estômago."
Nesse momento, Sílvia explicou que começariam por correr durante um pouco, dando uma volta ao lar. Contou até três e os velhotes começaram a correr. O velho Macário, o ex-boxeador, ia a correr ao lado de Olívia, uma velhota pequena e rechonchuda.
"Uf, credo, só corri uns metros e já estou cansada e cheia de calor." disse ela. "Faz-me lembrar quando fiz vinte e cinco anos de casada com o meu Sebastião, que Deus o tenha."
"Porquê? Também estava muito calor nesse dia?" perguntou Macário.
"Não. É que fomos a um restaurante que tínhamos ido quando tínhamos começado a namorar. E eu disse que sentia, nessa noite, o mesmo calor no peito que tinha sentido vinte e cinco anos antes."
"Não estou a perceber..."
"Então, é que quando fui a ver, tinha as mamas na sopa! Foi um calor desgraçado e agora é o mesmo."
Macário revirou os olhos e continuou a correr. Alcino desistiu de correr pouco depois de começar e quando Sílvia se aproximou, começou a reclamar com ela.
"Isto é correr muito! Não pode ser! Nós já não somos novos!" exclamou Alcino.
"Ó senhor Alcino, você só correu dez passos!" exclamou Sílvia.
"E já é muito!"
Depois da corrida, os velhotes começaram a fazer alguma ginástica, com a ajuda de Sílvia e as outras duas animadoras.
"Agora mexam os braços para a esquerda." disse Sílvia. "Isso mesmo. Muito bem."
"Uf, isto é cansativo, mas é engraçado." disse Judite, mexendo os braços como lhe tinham dito.
"É verdade. Vamos ficar todos esbeltos." disse Nicolau.
Depois da ginástica, Sílvia e as colegas distribuíram raquetes de badminton e volantes a todos, para os velhotes praticarem. O médico Virgílio observava tudo, para que se fosse necessário actuar e ajudar algum velhote, o fizesse rapidamente.
Judite conseguia mandar o volante ao ar, mas não conseguia acertar com a raquete nele. Nicolau mandou por duas vezes a raquete ao chão sem querer. Alcino cruzou os braços depois de levar com o volante na cabeça e não quis jogar mais.
Leonilde afastou-se um pouco do grupo. Estava a conseguir lançar o volante ao ar e tocar nele com a raquete sem o deixar cair por algum tempo. Dos arbustos, a cozinheira Guilhermina espreitava. Tinha na mão um pequeno explosivo caseiro.
"Agora vais pagar por eu ter sido despedida, velha." pensou Guilhermina.
Guilhermina atirou o pequeno explosivo na direcção de Leonilde. Leonilde nem reparou, pois estava a dar raquetadas no ar e acertou com a raquete no explosivo, que foi lançado de volta contra os arbustos e embateu no chão, ao lado da cozinheira.
"Ups!" exclamou ela.
No segundo seguinte, deu-se uma pequena explosão. Os velhotes, bem como o resto do pessoal, aproximou-se e viram a cozinheira caída no chão, com o cabelo em pé e todo chamuscado, mas de resto não parecia muito ferida.
"É melhor chamar uma ambulância." sugeriu Sílvia.
"Faça isso, eu vejo como ela está." disse Virgílio, ajoelhando-se perto de Guilhermina.
"Bom, corridas, ginástica, raquetes e uma maluca com o cabelo em pé e estorricado." disse Leonilde. "Estas actividades desportivas deviam acontecer mais vezes."
Continua…
