Decisões
A vida, na verdade, é um jogo que você já começa a jogar sabendo que nunca vai vencer. A única regra é a que no fim você morre. A única certeza é que você não tem certezas. Mas as recompensas estão ao longo do caminho para você pegá-las. E essa era, naquele momento, a maior preocupação de Shadow.
Sentira Harry em controle esta manhã, por duas vezes. Ele precisava dos amigos, assim como Shadow precisava da certeza de que nada, nunca mais, ameaçaria o mundo que ele estava tentando reconstruir. A morte daquele trouxa desprezível era exatamente do que ele precisava. Logo, as corujas inundariam o Ministério, Shacklebolt veria que ele tinha razão e eles poderiam começar a traçar planos e, lentamente, ele poderia fazer o que estava tentando: controlar suficientemente tudo ao seu redor para nunca mais sentir medo.
E então Harry poderia aproveitar os poucos, mas valiosos, prazeres do jogo. Embora, para Shadow, os prazeres que Harry parecia querer não lhe pareciam bons o suficiente. Paz? Amigos? Uma família? A paz vem com o controle sobre seus arredores. Se você sabe o que lhe espera, então você não tem nada a temer, portanto você está em paz. Os amigos de Harry eram leais demais para manterem-se afastados, eles voltariam, Shadow tinha certeza disso. Ao menos, eles voltariam se Harry ainda quiser que eles voltem. Havia tantas pessoas mais interessantes para se relacionar que aqueles dois. Mas lealdade é uma virtude rara e se faria Harry mais feliz e estável, que mal poderia haver? Quanto à família... Com quem? A garota deslumbrada? Que nada mais era que uma cega pela fama que o nome de Harry dava? Será que Harry era realmente tão inocente a ponto de achar que ela o amava? Ele, apenas ele, não sua imagem ou fama ou méritos, mas o garoto meio bobo, de riso fácil que carregava mais do que poderia suportar e que naquele momento não conseguia lidar nem consigo mesmo? O que faria Ginevra se algum dia descobrisse que durante todo o tempo em que estiveram juntos, Harry tinha com ele, nele, uma parte do homem que quase a havia matado com onze anos de idade? O que ela diria se soubesse que uma mesma parte deste homem estava ainda ali?
Shadow tinha consciência de que era muito mais parecido com Tom Riddle do que com Harry Potter. Shadow também tinha consciência de que Harry Potter seria muito mais parecido com Tom Riddle do que já era se não tivesse tanto medo de afastar as poucas pessoas que tinha ao seu redor. Era uma fraqueza. Harry temia a si mesmo, e era fraco por isso. E essa era a função de Shadow: fazer com que Harry lidasse com seus medos, protegendo-o e si mesmo.
E se conseguisse conquistar seus próprios objetivos durante este tempo, tanto melhor.
Draco Malfoy estava encarando-o com um olhar especulativo durante toda a manhã. O garoto era esperto, com certeza, e parecia disposto a trabalhar pela causa, ao menos agora. Sua família podia não ter mais prestígio político, ou um nome que causasse uma boa impressão, mas tinham conhecimento suficiente para serem bons aliados. Draco talvez fosse, de uma maneira equivocada, a melhor pessoa para Harry se aproximar, mas ao mesmo tempo que a ideia lhe parecia ideal, também lhe parecia temerária. Harry era como uma bomba relógio pronta para explodir a cada segundo. Com alguém ao seu lado, talvez conseguisse se centrar mais facilmente, ou talvez acabasse se dividindo ainda mais, entre a parte que amava os antigos amigos, a parte que se relacionaria com Draco e a parte que continuaria sendo Shadow.
Precisava pesar as consequências e só então tomar atitudes. Precisava pensar se valia a pena tornar Draco Malfoy mais do que um mero aliado político, mas alguém próximo de Harry.
Precisava pensar.
-x-
Não achava que Granger fosse, de fato, concordar em vê-lo quando mandara a coruja de sua família entregar seu bilhete para ela, no início daquela tarde. Havia passado a manhã toda com Potter e estava até aquele momento mesmerizado como conseguira ficar quase quatro horas na presença dele e não havia ouvido sequer uma frase que se tratasse de algum assunto pessoal. Apenas conversa amena, comentários interessantes e inteligentes, mas jamais algo sobre Potter, ou sobre ele. Estava intrigado, curioso e totalmente perdido, na verdade. Aquele não era Potter. Não era, não importa o que sua mãe havia dito. A pessoa que vira naquela manhã com Weasley e Granger era Potter. O outro que aparecera logo em seguida não era. E embora simpatizasse muito mais com Shadow do que com Potter, não tinha vontade de estar por perto de alguém mentalmente instável, se esta instabilidade se provasse perigosa.
Já havia tido sua dose de malucos homicidas por toda a sua vida, obrigado, não precisava de mais.
Mas não deixava de ficar intrigado. Potter estaria sendo possuído, talvez? Teria ele morrido durante a última batalha e aquele era, agora, um impostor polissucado se aproveitando da fama e da influência de Potter?
Enquanto divagava, viu uma massa de cabelos grossos e mal comportados entrando pela porta do pequeno – e único – restaurante trouxa que conhecia. Granger olhou em volta e o avistou, traçando uma linha reta até ele, com um ar determinado. Assim que alcançou sua mesa, antes mesmo de se sentar, a garota apoiou as duas mãos à sua frente e disse, muito baixo, "O que éque está acontecendo, Malfoy?"
Draco a encarou um minuto inteiro, tentando se controlar para que seu temperamento não levasse a melhor sobre seu autocontrole.
"Sente-se, por favor, Granger. Nós realmente precisamos conversar.", a garota lhe encarou durante mais alguns segundos, em que Draco recusou-se a baixar o olhar, até que ela suspirou e sentou na cadeira em frente a dele, na última mesa do restaurante.
"Você disse que Ron não podia vir também, por que, Malfoy? O que é que você está tramando agora?"
Draco suspirou de uma maneira um tanto dramática e girou os olhos em direção ao teto.
"Escute, Granger, não me interessa o que você pensa de mim, ou do que eu faço, mas não me acuse antes de sequer me ouvir. Se Potter pode fazer isso, com certeza você também pode, porque a impressão que eu sempre tive era de que o cérebro do trio era você.", Hermione encarou rapaz sem saber o que fazer do elogio um tanto estranho que recebera.
"Muito bem, então o que você quer e por que Ron não pôde vir junto comigo?"
"Porque eu quero falar sobre Potter e Weasley nasceu sem controle sobre a boca, então isso ia acabar virando uma discussão sem tamanho e eu preciso de respostas, não de conflitos.", Hermione acenou com a cabeça de maneira apreciativa e eles aguardaram em silêncio enquanto o garçom entregava os drinks que Draco já havia pedido antes de Granger chegar. Quando ele se retirou, Hermione deu um suspiro cansado e retomou a conversa.
"O que você quer falar sobre Harry?", indagou, cautelosa.
"Você estava lá hoje de manhã, não estava?", Granger acenou com a cabeça confirmando, "Então você conheceu Shadow."
Um ar intrigado e preocupado surgiu no rosto da garota, enquanto Draco continuava.
"Porque é assim que ele pediu para ser chamado, embora apenas Rabastan, Rabastan Lestrange, aparentemente o homem em que Shadow mais confia, chame-o assim."
O rosto de Granger tinha um ar prático agora e Draco percebeu que ela devia, ao menos, ter alguma idéia sobre o que estava acontecendo.
"Desde quando ele tem agido assim?"
"Desde que essa nova 'guerra' começou. Ele nos ajudou, Granger, minha família e os Lestrange, e depois nos chamou para ajudá-lo. Meu pai e os outros concordam que ele é um líder nato, que ele é inteligente e que eles só têm a ganhar ao lado dele, mas aquele não é o Potter. Ele não age como o bobo alegre que eu conheci. Granger, ele armou o encontro com o tio.", Draco sussurrou, aproximando-se de Hermione, de uma maneira nervosa, enquanto sussurrava, "Ele aceitou a minha idéia de usar a imprensa e ele chamou os jornalistas. Potter fugia da fama, esse... Shadow se aproveita dela. Ele não é a mesma pessoa, e me desculpe se isso vai soar covarde para a Srta Gryffindor, mas eu estou com medo. Eu já tive mais do que precisava de líderes insanos na minha vida. Eu preciso que você me ajude a descobrir o que há de errado com Potter."
Hermione ficou em silêncio alguns minutos, até parecer tomar coragem para falar.
"Eu tenho uma idéia... Mas eu não sei se esse conceito é conhecido entre os bruxos..." ela mordeu o lábio inferior, parecendo perdida em pensamentos.
"Granger, existe alguma chance de aquele ser alguém polissucado de Potter?"
A garota balançou a cabeça.
"Não. Eu sei onde você está querendo chegar, mas não, aquele é o Harry, mas eu acho... Malfoy, você já ouviu falar em distúrbio de personalidade múltipla?"
Draco arqueou uma sobrancelha, intrigado com o termo.
"Não. O que é?"
Hermione suspirou e pareceu imersa em pensamentos, como se tentasse decidir como explicar a teoria da relatividade para uma criança de dois anos e foi com esse tom que começou a falar com Draco.
"Suponha que alguém sofra um trauma. Um trauma muito grande, maior do que essa pessoa poderia aguentar. Algo que, de tão grande, atingiria a alma desta pessoa, e ela ficaria com tanto medo das consequências do que aconteceu a ela que ela não suportasse mais, que não aguentasse mais ter de viver com o conhecimento do que aconteceu a ela. Você consegue imaginar isso?"
Draco acenou com a cabeça, concordando.
"Eu acho... Eu acho que foi isso que aconteceu com Harry. Existe uma doença, chama-se Distúrbio de Personalidade Múltipla. Ela ocorre quando um trauma assim acontece com a pessoa que, para se esconder desse trauma, do conhecimento dele e do sofrimento que ele traz, a pessoa se... quebra, se divide, em outra. Como... como duas pessoas, duas almas, duas personalidades em um corpo só. Se isso for o que aconteceu com Harry, Shadow é essa personalidade."
"Você quer dizer que alguém está possuindo Potter?", indagou Draco, medo pingando de suas palavras e espalhando-se pelo seu rosto.
"Não.", respondeu Hermione, com um quase sorriso, "Shadow, como ele se autodenomina, ainda é Harry. Ele é apenas a parte de Harry que se lembra do trauma, que está lidando com este trauma de uma maneira que Harry não conseguiria. Por isso ele agiria diferente, se relacionaria com outras pessoas e teria outras atitudes e preferências. Porque a pessoa que Harry era não conseguiria lidar com o que aconteceu, mas a pessoa que Shadow é, consegue. Você consegue entender?" Draco confirmou com um acenar e cabeça, e ela continuou, "Harry ainda está lá, e eu penso que hoje pela manhã ele estava no controle durante alguns momentos." Draco acenou a cabeça mais uma vez, recordando do ar aturdido de Potter, "Ele ainda está ali e talvez volte a surgir... Talvez se nós conseguíssemos explicar o que está acontecendo ao Harry, ele pudesse se livrar do Shadow..."
"Você quer dizer nos livrarmos do homem que está liderando uma nova guerra? Dele, que tem como aliados ex-Comensais e várias pessoas de comportamento dúbio? Você está falando, Granger, em destruir este Shadow, o líder deles, e deixar apenas Potter ali?"
Hermione ainda estava mordendo o lábio e seus olhos agora tinham lágrimas.
"Você quer matar seu melhor amigo, Granger? Porque isso é o que vai acontecer se você tirar Shadow deles agora."
Aquela frase teve o efeito de fazer Granger definitivamente chorar e Draco não sabia o que fazer. Era muito mais complicado do que ele imaginava.
"Granger, você disse que foi Potter quem criou esse Shadow, não foi?" Hermione concordou entre lágrimas, "Então... Isso não quer dizer que Potter também é esse Shadow? Não é como se Shadow e Potter fossem a mesma pessoa que se... dividiram?", ele perguntou, com um ar de dúvida. Hermione pareceu considerar a questão por alguns minutos.
"Encarando dessa forma... Talvez... talvez seja.", eles ficaram em silêncio e Draco se perdeu em considerações, até ouvir a voz fraca de Hermione mais uma vez.
"Draco... E se Harry voltar quando eles estiverem lá? Quem vai proteger Harry?"
Espantado mal começava a definir como Draco se sentiu. Primeiro pelo uso de seu primeiro nome e depois pelo fato de que não tinha considerado isso. Não era como se ele pudesse forçar Shadow a aceitar os amigos de Potter de volta, nem que ele quisesse fazer isso. Parece que cabia a ele a tarefa de não deixar que Potter acabasse morrendo por ser bobo demais. Oh, a alegria de cuidar de um Gryffindor, ele pensou, com sarcasmo.
"Parece que até que Shadow decida aceitar você e Weasley de volta, Granger, eu vou ter que fazer isso."
Hermione ficou em silêncio e com a cabeça baixa por alguns momentos.
"Você acha que ele vai nos aceitar?", como era irônico que o trio precisasse dele agora. Era a forma de pagar todas as vezes que Potter havia salvado sua vida, pensou Draco, amargamente.
"Talvez... Vocês, sim, mas não deixem a Weasley miniatura ir com vocês quando vocês procurarem Shadow. Ele não gosta dela."
Hermione concordou com a cabeça e levantou-se. Antes de sair, ele se virou e olhou para Draco.
"Obrigada, Malfoy."
Draco acenou com a cabeça e perdeu-se em pensamentos. Precisava se aproximar de Shadow para manter Potter vivo. Era uma simples questão de sobrevivência, obviamente. Nada, nada mais que isso.
-x-
Kingsley Shacklebolt encarava o jornal entre horrorizado e temeroso. Definitivamente era perigoso para Harry ter se aproximado dos tios trouxas, mas sua intenção parecia ser exatamente o tipo de atitude que Harry tomaria. Ao menos, o Harry que ele conhecia. Agora... Parecia-lhe falso que o garoto frio que encontrara há alguns dias fosse fazer algo apenas pelo bem dos tios trouxas que o maltratavam.
Ainda pensativo, King decidiu que precisava encontrar-se com Harry Potter. Urgentemente.
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"O Lorde era um homem incrivelmente auto-suficiente.", a voz de Rabastan soou da porta da biblioteca e Shadow desviou o olhar da taça de vinho que estivera encarando durante a última meia hora para fitar o seu agora aliado, "Meu pai e ele foram colegas de escola, mas ele nunca se abriu com ninguém. Nunca, ninguém soube o que ele realmente pensava. Ele nunca permitiu que qualquer pessoa se aproximasse dele. E isso foi exatamente a maior fraqueza que ele teve."
"Ter pessoas a sua volta é uma fraqueza, Rabastan. É um ponto fraco.", o homem sorriu para o rapaz mais novo com condescendência, um dos poucos Shadow admitiria fazer isso, hoje em dia. Respeitava Rabastan, assim como respeitava Snape ou Dumbledore - ele fizera o necessário pela sua causa e arcara com as consequências.
"Não. Não ter ninguém é uma fraqueza. Porque não falar, não expor, fingir não sentir torna as pessoas fracas. Seus próprios pensamentos o sufocam. Sufocaram o Lorde. E ele era forte."
"Não mais forte do que eu.", declarou Shadow, finalmente começando a demonstrar um pouco de impaciência com os rumos daquela conversa.
"Eu sei disso, Shadow. Ele era fraco, em muitos pontos. Existem muitos tipos de fraqueza. Mas até mesmo ele, talvez, se tivesse se permitido ter alguém em quem confiar, por mais que jamais admitisse isso, ele tivesse sido mais forte. Ele prezava Bella quase tanto quanto a si mesmo. Você viu isso, no dia da batalha, mas mesmo assim, jamais confiou nela. Poderia ter feito a diferença. E você sabe disso."
"Eu não entendo como Rodolphus não se incomoda com a maneira livre com que todos vocês sabem disso.", Shadow havia percebido a maneira saudosa, mas vaga com que Rodolphus se referia à falecida esposa, durante as semanas de convivência.
"Ele não precisa se incomodar, Shadow, porque ele tem a mim."
O rapaz fitou o homem mais velho, tentando compreender tudo que ele dizia. Rabastan nunca falava nada diretamente, era uma mania um pouco irritante. Lembrava-lhe de Dumbledore de uma maneira um tanto desestabilizadora.
"Quando fomos presos pela primeira vez, foram catorze anos no cárcere, sabendo de nossa culpa. Não é como o seu padrinho, que quase conseguiu manter a lucidez por saber que era inocente. Nós sabíamos que éramos culpados. Mas ter Rodolphus ao meu lado me deixou lúcido. Assim como saber que eu estava ali, manteve a mente de meu irmão intacta. Isso não aconteceu com Bella, ou o Lorde.", ele fitou o rapaz até perceber o olhar verde preso ao seu. "Simplesmente porque eles jamais, verdadeiramente, tiveram alguém."
Shadow baixou a cabeça e concentrou seu olhar na taça novamente.
"Eu perdi todos eles. Eu tive que fazer uma escolha e eu escolhi liderar e não ser liderado. E tudo tem um preço. Eu paguei. É simples assim. Não é como se eu pudesse trazer todos os meus antigos amigos", e havia um rancor tão grande impresso naquela palavra que o próprio Rabastan se surpreendeu, "para o meu lado, novamente. Eu escolhi um caminho, eles escolheram não escolher. Estamos de lados quase opostos agora, e esse é o fim da história."
"Há mais pessoas que trocaram de lado. Até alguns meses atrás, você teria dado muita coisa para me matar. Hoje, nós estamos conversando. Há meses atrás você daria sua vida pelos seus supostos amigos, hoje, alguns deles te prenderiam, se pudessem. Há algum tempo atrás, você estaria brigando com muita gente que agora está ao seu lado, você desprezava pessoas que agora você ouve e admira.", ele fez uma pausa, que Shadow entendeu como a deixa para encará-lo novamente, e viu Rabastan lhe dar um meio sorriso, "Escolha alguém. Uma única pessoa, em quem você possa se espelhar. Isso não significa confiança imediata, ou nada do gênero. Significa apenas que, quando tudo estiver demais, você vai poder olhar nos olhos dessa pessoa e ver sua força ou sua fraqueza, sua alegria ou dor, tudo refletido nesta única pessoa. E aí, Shadow, você será mais forte. Porque não será mais um só."
Shadow ainda encarou Rabastan mais alguns segundos antes de suspirar e olhar sua taça novamente. Ele não queria precisar de alguém, mas não negava que se sentia... perdido, às vezes. Nunca quisera ser um líder antes. Não o queria, mesmo agora, era apenas uma questão de fatos. Ele não precisava querer liderar. Ele apenas liderava.
Sem escolhas.
Assim como nunca tivera, diferente de seus antigos amigos, que sempre puderam optar por segui-lo ou não e que agora, haviam de decidido por não estar ao lado dele.
Quem entenderia o que ele sentia? A opressão de jamais escolher? De não poder fazer nada contra ele mesmo, por não ter como fugir?
Uma cena de um garoto chorando no banheiro e baixando a varinha. Alguém querendo lutar com todas as suas forças para entregá-lo a Voldemort, porque era ele ou sua família. Alguém que tivera uma mãe que desafiara o Lorde em pessoa para salvá-lo...
Melhor do que ninguém, Draco Malfoy sabia o que era não ter escolhas.
Voltou a olhar Rabastan que tinha um sorriso conhecedor nos lábios. Ele se levantou e já ia saindo, enquanto falava, já de costas.
"Apenas tente. Você é o líder agora. Precisa ser mais forte que todos nós."
E então Shadow entendeu. Não era apenas Harry que precisava de alguém, era ele mesmo. E se Draco Malfoy era a pessoa mais indiada para entendê-lo, ao menos até certo ponto, que fosse. Não teria mais medo de ver Harry se partindo mais uma vez porque ele estaria ali para ancorá-lo. Draco seria a ajuda deles dois, seu ponto em comum.
Draco seria o primeiro passo da sua cura.
E então ele lideraria e poderia dar a Harry tudo que ele sempre quis.
R E V I E W !
Revisado em 04/04/2011
