A Nova Ordem

"A prerrogativa do poder é desejá-lo.

Não governa aquele que não deseja governar, não lidera aquele que não deseja liderar, não vence aquele que não deseja vencer... Não tem direito ao poder aquele que não deseja possuí-lo.

A sustentação do poder é controlá-lo.

A manipulação do controle é uma arte refinada e sutil. Ninguém segue voluntariamente líderes incompetentes, ninguém suporta por muito tempo líderes que não saibam como controlar o povo, e poucos se deixam realmente controlar cegamente por um líder que não amam. A sustentação do poder é conquistá-lo. Não arrancá-lo, ou forçá-lo, mas tê-lo por direito próprio conquistado com trabalho duro e, de preferência, com cicatrizes e uma história triste de fundo. Porque os homens, bruxos, ou trouxas, puro-sangue ou sangue-ruim, eles precisam de identificação. Todos querem saber que seu líder é um pouco como ele, uma fraqueza em comum, um gosto compartilhado, um objetivo igual, e você os tem: o povo e o poder. E depois disso, tudo que você precisa é simples: um objetivo.

O objetivo do poder é a ausência do medo.

Porque se você controla, você não é controlado. Se você toma decisões, você sabe quais elas são. Se você faz o futuro, você sabe exatamente o que esperar dele.

E isso resume a história do mundo, no fim das contas. Um tirano domina, um rebelde o contraria, um tempo de paz, uma época de guerras, tudo vem em ondas, em ciclos repetidos.Gellert Grindenwald, Albus Dumbledore, Voldemort, Harry Potter...Shadow. Cada um com seus líderes ineptos no poder, cada um tentando fazer o que achava melhor – para si, ou para o mundo – cada um com seus objetivos, com seus erros, falhas, acertos, seguidores, fãs ou amigos, e todos com um objetivo em comum: poder.

Porque mesmo que você esteja lutando pelo bem comum, mesmo que você se convença de que não, você não quer ser idolatrado, idealizado, não quer ter o poder. Você realmente não quer... Mas você luta. Porque talvez você não queira o poder completo, talvez você realize, em algum ponto, que você não quer dominar. Talvez a morte da sua irmã o faça ver falhas, onde você via apenas a perfeição. Talvez você enxergue que sem a pessoa que ama você não quer mais o poder que tem. Talvez você nunca enxergue o que lhe falta e por isso busque mais e mais, tanto que suga tudo o que jamais terá e perece pelo que não entende.

Talvez você nunca tenha tido nada e, quando recebe algo, não saiba o que fazer com isso.

E então você desespera.

Você não aceita.

Você nãoseaceita.

E então você se divide. Metade de você que todos amam, outra metade de você que todos seguiriam. Nenhuma metade capaz de confiar. Aliados que você já não pode vencer. Amigos que você nunca pôde imaginar.

Você mesmo redigindo textos e explicações e desculpas pelo quevocêacredita, mas não tem coragem, ou força, ou fé, ou consciência para aceitar.

Ainda.

Porque eu sei, e você também sabe, e Draco sabe, e até mesmo Granger e Weasley sabem, Harry, que o seu lugar é no alto. Que você é o líder. E que a nova guerra começou e que é de mim e você que eles precisam para ganhar.

E é por isso que você vai ler o meu diário, onossodiário, e você vai tentar nos compreender, porque só unidos nós conseguiremos vencer.

É sobre sobrevivência e mudança. É sobre nossa vida em paz e confiança.

É sobre tudo que você sempre quis, Harry, e nunca admitiu."

Shadow fechou o pesado caderno encadernado em couro preto e pousou-o sobre a mesa da biblioteca, fechando os olhos em seguida, retirando os óculos e massageando as pálpebras.

Estava há horas escrevendo e achava que havia chegado a um resumo conciso, completo e suficiente para que Harry ao menos começasse a entendê-lo. Um problema a menos em sua cabeça, um milhão deles para serem resolvidos. Draco deveria chegar a qualquer minuto, e Rabastan e Rodolphus estariam ali em pouco menos de uma hora. Os Malfoys viriam à noite, assim como alguns dos outros aliados, porque eles precisavam de um plano de ação.

Não é possível vencer uma guerra que não acontece, ou batalhas que não ocorrem. A atitude do Ministério de esconder os bruxos cada vez mais fundo estava indo de encontro aos objetivos de Shadow e isso não podia acontecer.

Shadow suspirou e pousou a cabeça entre as mãos, cotovelos apoiados na mesa à sua frente, uma dor irritante na nuca, uma tensão dolorida nos ombros.

Tenso. Estava tenso. Estava com medo de que Harry voltasse a si no meio de algum daqueles encontros, temia que relaxasse demais e o garoto decidisse aparecer por se sentir seguro, estava com medo de que Rabastan descobrisse algo, porque ele parecia já estar desconfiado, estava com medo da reação dos demais aliados quando Hermione e, talvez, Weasley, aparecessem ali àquela noite, estava com medo de que algo saísse errado e o Ministério acabasse passando alguma lei que acabasse com as suas chances na guerra.

Temia que sua guerra fosse terminada antes mesmo de começar.

Estava com medo de ser rejeitado por Harry tão definitivamente que teria que assumir o controle total ou desaparecer.

Estava com medo de confiar em qualquer um e se sentia confiando em Draco. E tinha medo.

Medo de perder a única pessoa em quem confiava pela maneira como Harry o tratasse, que o rapaz loiro deixasse que as lembranças de infância entrassem no caminho da sua relação com Shadow, que ele não conseguisse separá-los, mas, ainda mais, tinha medo de que Draco não fosse o suficiente para uni-los.

E tinha medo de que Draco preferisse Harry. E tinha medo de ser desprezado por si mesmo e rejeitado pela pessoa que confiava. E tinha medo de ser descoberto e mais medo de não ser, porque isso significava que Harry jamais apareceria novamente, e ele precisava de Harry, exatamente como Harry precisava dele.

E tinha medo e estava confuso e sua cabeça doía, e por Salazar, ele queria apenas um único maldito segundo de paz.

E sabia que não teria.

Com os olhos ainda fechados, suspirou pesadamente, movendo os ombros em movimentos circulares, tentando aliviar a tensão. Estava fazendo isso há alguns segundos, quando sentiu mãos geladas pousarem em seus ombros e tentou virar para ver quem era, mas ouviu uma risada rouca atrás de si.

"Seus ombros estão tão tensos que eu estou admirado de você ainda conseguir se mexer. Isso ajuda.", disse Rabastan, pressionando os ombros de Shadow com força, massageando de maneira ritmada, fazendo com que Shadow sentisse alívio.

"Onde está Rodolphus?", perguntou o rapaz, depois de alguns minutos, sua voz já mais relaxada e quase um sussurro pelo alívio que a massagem proporcionava.

"Na sala de estar. Eu imaginei que estaria aqui.", Rabastan riu, "Nunca pensei que você fosse um rato de biblioteca, Harry. Pelo que Snape relatava nos encontros, você estava mais para preguiçoso e indolente."

Subitamente tenso à menção do nome de Harry, Shadow desvencilhou-se das mãos frias de Rabastan e levantou, encarando o outro homem com um sorriso frio.

"As pessoas mudam."

Rabastan devolveu o sorriso de uma maneira lenta, charmosa, que prendeu a atenção de Shadow de maneira significativa, porque ele só havia visto aquele sorriso para uma pessoa antes: Rodolphus.

"É o que parece.", respondeu o ex-Comensal, ainda sorrindo, prendendo o olhar de Shadow no dele.

Um leve pigarrear chamou a atenção de ambos e Shadow viu, atrás de Rabastan, Draco parado à porta da biblioteca.

Sorriu para o outro rapaz, e Rabastan se afastou, murmurando algo sobre estar à espera deles na sala.

Murmurando um rápido feitiço silenciador, Draco se aproximou cautelosamente de Shadow.

"Interrompi algo?", a voz de Draco pingava sarcasmo e Shadow suspirou novamente, decidindo ignorar o tom de Draco, passando a mão pelos olhos mais uma vez. Subitamente, toda a tensão aliviada com a massagem havia voltado para os seus ombros.

"Rabastan sabe."

Draco ponderou sobre o que Shadow havia dito.

"Não há como ele saber. Os bruxos nem conhecem essa doença, Shadow. Ele não sabe o que está acontecendo."

"Mas ele sabe que tem algo errado aqui. Ele não faria o que fez agora se não achasse que havia algo errado."

"Ele faria.", respondeu Draco em um tom seco.

"Como assim, Draco, do que é que você está falando?"

"Shadow, Rodolphus é meu tio. Meu pai tem me contado... histórias sobre ele e Rabastan. Eu... eu não acho que seja meu dever dizer isso, mas você confia em mim e eu confio em você e eu me sinto na obrigação de avisar: Rabastan, Shadow, é perigoso. Muito mais do que Rodolphus. Tome cuidado com ele, principalmente se você acha que ele desconfia de algo. Embora eu ainda não ache que essa seja a razão do que ele estava fazendo agora. Apenas... tome cuidado com ele. Em todos os aspectos."

Shadow acenou com a cabeça, ainda sem compreender completamente onde Draco queria chegar.

Levantou e espreguiçou-se, esticando os braços preguiçosamente, sentindo a tensão abandoná-lo mais uma vez. Ter Draco ao seu lado o acalmava, mesmo que pouco.

Seguiram juntos para a sala, onde esperaram, com os Lestrange, pelos outros convidados chegarem. Rabastan, ocasionalmente, observava Shadow por trás do copo de firewhisky que tomava, analisando cada passo e cada movimento. A maneira confortável com que o rapaz se comportava com Draco. Eram uma boa dupla.

Se apenas ele pudesse descobrir o que estava errado com Shadow, porque ele ficava tenso quando o nome 'Harry' era mencionado...

Mas isso não eram pensamentos para agora. Embora ele pretendesse descobrir, em breve, o que estava acontecendo ali.

Não demorou a que os Malfoy chegassem, em seguida os Parkinson e mais alguns outros que decidiram vir e conversar para saber quais as próximas decisões a serem tomadas.

Muitos dos homens e mulheres ali presentes foram simpatizantes de Lorde Voldemort, outros tantos eram apenas neutros e, olhando em volta, Shadow percebeu que, para completar todas as facções, ele precisava de gente do lado da luz. E no mesmo instante percebeu que ele era o maior símbolo que a luz tinha. Assim como o braço direito do lado das trevas. E pessoas que eram neutras e que haviam vindo e decidido ouvi-lo.

E ali ele percebeu que poderia, sim, vencer aquela guerra que precisava iniciar para ser ganha. Que precisava de uma causa para ser lutada. Que precisava de gente forte e jovem e inteligente para assumir o poder e mudar.

E então sorriu.

Porque aquela ela a guerra dele e ele iria vencer.

Estavam sentados em círculos, ou espalhados pela sala espaçosa, copos de firewhisky, água e café sendo distribuídos por um solícito Kreacher, e a cada poucos minutos, alguns dos convidados se perguntava pelo que estavam esperando.

Passava um pouco das nove horas quando a campainha soou pelo que seria a última vez àquela noite e, segundos depois, Hermione Granger entrava na sala, cabeça erguida, cabelos presos numa tentativa clara de parecer mais adulta, pose segura e um sorriso pequeno, mas sincero na direção de Shadow.

E Hermione Granger vinha sozinha.

Um silêncio incômodo dominou a sala, enquanto Shadow e Draco trocavam um olhar que relatava que a ausência de Weasley não era inesperada.

"O que uma sangue ruim está fazendo aqui?", indagou um bruxo desconhecido, claramente um apoiador de Voldemort e novato na causa de Shadow.

"E o que você está?", devolveu Shadow, em voz baixa, mas que todos ouviram. O olhar verde brilhava de raiva reprimida e a temperatura na sala parecia haver caído alguns graus subitamente, "Nós não estamos aqui para fundarmos novos Comensais da Morte, nem para difundirmos a crença ridícula que o mestiço que se intitulava Lorde apoiava. Nós estamos aqui por nós. Nós estamos aqui por direitos iguais para os bruxos. Nós estamos aqui para mudarmos o fato de que temos nos escondidos por séculos porque os trouxas nos temem. E se mais alguém aqui acha que eu, eu, faria diferença entre um sangue puro e um nascido trouxa, por favor, retirem-se."

Tudo foi dito no mesmo tom baixo e casual, mas poderia ter sido gritado tal o impacto das palavras. Ninguém se moveu enquanto o olhar verde de Shadow percorreu o rosto de cada um dos presentes, como que se certificando de que todos haviam entendido a mensagem.

"Hermione Granger", ele recomeçou, "esteve comigo em cada passo que eu percorri para derrotar o mestiço que muitos chamavam de Lorde. Ela vale mais do que metade dos sangue puros que eu conheci na vida. Draco Malfoy está comigo agora, nesta nova etapa desta nova batalha, e ele vale tanto quanto Hermione. Eu realmente espero que esta seja a última discussão desse gênero que nós vamos ter."

Murmúrios de concordância se fizeram ouvir na sala e após alguns segundos, Shadow voltou a falar, a atenção de todos presa nele mais uma vez, sem esforço.

"Mas vocês devem estar se perguntando... por que vocês estão aqui? Por que nós estamos aqui? E enquanto vocês se questionam isso, eu me questiono: por que nós estamos nos escondendo? Por que nós? Mais do que isso, por que crianças como eu, como Hermione, como tantos dos melhores bruxos, até mesmo Voldemort, por que nós todos tivemos que descobrir sobre o nosso mundo através de uma carta, de algo que poderia ser falso? E eu me indago, quantos bruxos existem lá fora que não sabem sobre o verdadeiro mundo ao qual pertencem? Eu me pergunto quantas crianças são humilhadas e discriminadas e proibidas de vir até nós, de ingressarem em Hogwarts e Beauxbatons e Durmstrang e tantas outras escolas? E quantas delas não acreditam nas cartas? E quantos pais temem os filhos e não os deixam partir? E quanto o nosso mundo está perdendo por não ter contato com esses bruxos esquecidos, renegados? E o quanto eu perdi, e Hermione perdeu, e Tom Riddle perdeu, por não termos sido criados aqui? E por que, eu lhes pergunto mais uma vez, por que nós nos escondemos?"

Os bruxos permaneceram em silêncio e foi Hermione quem o quebrou, atraindo atenção mais pela surpresa do que por respeito como Shadow havia feito.

"Nós nos escondemos pelo medo. Não nosso - deles. Nem todos os trouxas são ruins. Nem todos vão nos temer. Nem todos vão nos tratar diferente se souberem o que nós somos. Mas enquanto uma pessoa sempre é inteligente, o povo, num geral, é ignorante. A coletividade é. Nós precisamos, antes de qualquer outra coisa, convencer a comunidade não-mágica de que nós não somos perigosos. Porque esse, agora, é o meu mundo, exatamente como sempre foi o de vocês. E eu estou disposta a lutar por ele, não importa o preço. Eu lutei por anos, desde que eu era uma criança, pelo direito de viver neste mundo. E eu escolho, agora, lutar pelo direito de ter orgulho de pertencer a ele. Para que as crianças que descobrirem seus poderes no futuro não fiquem assustadas, não tenham medo, saibam para onde vão e saibam que não são anormais ou estranhas por serem diferentes. Eu estou disposta a lutar, eu luto pela causa que Harry lutar. Porque ele é o líder que Voldemort sonhou em ser e jamais foi. E não importa a causa, eu ainda estaria aqui. Porque se Harry acredita, então nós podemos vencer."

Shadow sorriu amplamente para Hermione, que tinha lágrimas nos olhos, e ele soube que grande parte daquele discurso encobria a dor que ela devia estar sentido por não ter Ron ali com eles. Mais murmúrios se seguiram àquela declaração, até que Rabastan, com sua voz baixa e fria, se manifestou, fazendo com que os demais se calassem.

"E pelo que lutamos, então?"

Shadow dirigiu o olhar para Rabastan agora, cujos olhos castanhos brilhavam. Estavam chegando onde queriam. Era este o momento de conseguir aliados e dar início à sua guerra.

"Nós lutamos para nos livrar do segredo. E vai ser mais uma guerra, e pessoas vão sofrer, mas nós, nós, que vamos estar no centro de tudo, poderemos mudar. Nós lutamos pelo nosso mundo sem medo e sem segredos. Nós lutamos pela magia às claras, sem um Ministério corrupto tentando nos esconder. Nós,", ele disse, percorrendo cada um dos presentes com o olhar, incluindo a todos no seu discurso, "nós lutamos pela união. Nós lutamos por nós. Nós lutamos pela Nova Ordem. Sem segredos e sem medo. Uma Nova Ordem com bruxos e trouxas convivendo sem que NÓS tenhamos que temer sermos descobertos. Uma Nova Ordem. Nossa Nova Ordem. Que vai iniciar agora, porque nós temos o poder e o direito de mudar!"

E quando os presentes ergueram seus copos, fazendo um brinde à sua Nova Ordem, e discutiram sua tática para as próximas semanas, Shadow sorriu e se sentiu seguro pela primeira vez em meses.

Porque naquele instante, pela primeira vez, ele realmente acreditou que podia vencer.

-x-

Horas mais tarde, apenas Draco e Hermione faziam companhia para Shadow. Os três estavam sentados em poltronas confortáveis na sala de estar, quando Draco disse que precisava procurar um livro na biblioteca.

Shadow sorriu, vendo que Draco queria deixar os dois a sós para que pudessem conversar, e se sentiu agradecido.

"Obrigado pelo que você falou, Hermione. Eu sei que não foi exatamente por mim que você fez o que fez, mas eu aprecio o gesto."

Hermione ficou alguns segundos em silêncio, antes de responder.

"De certa forma, Har... Shadow, foi. Eu vejo o Harry em você. Ou talvez eu tenha visto você nele, antes. Quando ele estava obcecado pelo Draco. Quando ele estava certo que as Relíquias existiam. Quando ele estava furioso pelo nosso silêncio, quando ele duvidou de Dumbledore. Eu vejo em você esses momentos dele. E em cada um desses momentos, eu o neguei, de certa forma. Eu não admiti que os instintos dele estavam certos e que eu estava errada. E mesmo que eu saiba, racionalmente, que uma parte do Harry sempre precisou de alguém que o fizesse ter os pés no chão, que pudesse lhe apontar seus erros, isso não diminui o remorso que eu sinto, às vezes, por ter sido tão dura com ele nos momentos em que ele precisava, talvez, de ajuda, ou consolo. Foi por ele que eu disse o que disse. Foi por todas as vezes em que os instintos dele estavam certos e que eu discordei. Por todas as vezes que eu neguei a ele algo que ele queria fazer e que eu dizia não, só por achar que não era certo. Foi por ele, pelo meu amigo magricelo e despenteado que eu fiz... Mas foi por você também. Porque eu sei que sem essa parte de Harry nós não estaríamos aqui. E eu só quero que você saiba que eu espero que você e... bem, você, consigam se entender, Shadow. E que tudo dê certo na nossa batalha."

Shadow sorriu mais uma vez, e Hermione disse que precisava ir embora.

"Eu sinto muito que Ronald não tenha vindo.", ele disse, já na porta de Grimmauld Place.

Hermione sorriu, triste.

"Eu também."

E com aquilo ela sumiu no ar, desaparatando para casa.

"Correu tudo bem, não correu?", indagou Draco, com o casaco já na mão, pronto para ir embora.

Shadow sorriu.

"Melhor do que bem."

"Eu... eu vou indo."

Shadow acenou com a cabeça, um tanto distraído. Quando Draco já estava quase saindo da casa, ele segurou a capa do outro rapaz.

"Draco... Você poderia ficar aqui hoje?"

Olhos cinza se abriram em espanto, mas rapidamente se recuperaram, sorrindo de leve.

"Claro. Por que não?"

Shadow sorriu, agradecido, e pediu para que Kreacher arrumasse um dos quartos para Draco, enquanto ele mandava uma coruja para os pais, avisando que não voltaria àquela noite.

O rapaz moreno adormeceu assim que sua cabeça tocou o travesseiro, sentindo-se pleno, pela primeira vez em meses.

Dormiu sem pesadelos e profundamente.

Satisfeito, contente e feliz.

Seguro.

-x-

Reconhecia o lugar, porque reconhecia o tom das paredes e o ar frio.

Reconhecia Grimmauld Place porque era a casa de Sirius e agora a sua casa.

Mas não reconhecia o pijama que usava, ou a cama que dormia, nem tampouco o caderno de couro negro que repousava exatamente ao lado do travesseiro.

E pela segunda vez na vida, Harry Potter acordou em Grimmauld Place sem fazer idéia de como havia ido parar ali.


R E V I E W !


Revisado em: 16/04/2011