... and back again
Escorado na pia, os braços cruzados e uma expressão interessada no rosto, estava Rodolphus Lestrange.
"Como vai, Harry?"
Há certas coisas na vida para as quais você jamais vai estar completamente preparado, mesmo que você tente com muito, muito afinco.
Levar choques é uma delas.
Harry não conseguiu pensar em nada para dizer durante um minuto inteiro ao ver Rodolphus Lestrange, lhe chamando pelo primeiro nome, na cozinha da sua casa. Era tão absurdo, tão surreal, que Harry concluiu que só poderia ser verdade, porque ele não tinha tanta imaginação assim.
Alguma parte – provavelmente uma parte grande – de seu espanto devia ter transparecido em seu rosto, porque Rodolphus riu de leve e caminhou até a mesa, sentando-se em frente ao garoto, que ainda lhe encarava de boca aberta, tentando se decidir se exigia saber como o homem havia entrado em sua cozinha sem ser percebido, ou se chamava por Draco.
Porque Draco saberia o que fazer, ele havia convivido com Shadow por tanto tempo que devia lhe conhecer bem. E então ele não faria nenhuma besteira. Mas Rodolphus não deixou com que ele tivesse que se decidir, tomando a decisão por ele. Lançou um feitiço silenciador na cozinha e sorriu, encarando o garoto, que começava a sentir um pouco de medo.
"Feitiços de Desilusão. Muito, muito úteis, tenho certeza de que você sabe disso."
Harry havia conseguido, finalmente, fechar a boca e agora pensava no que dizer. Não sabia como reagir. A última vez que havia visto aquele homem – ao menos que conseguisse se lembrar – ele estava tentando matá-lo. E agora ele estava ali, sentado calmamente na sua frente, tirando uma carteira de cigarros trouxas de seu bolso e lhe oferecendo um, com um gesto casual.
Harry encarou o objeto com uma certa dose de nojo.
"Eu não fumo.", ele respondeu. Sua resposta causou a reação mais inesperada em Rodolphus.
Ele riu. Atirando a cabeça para trás, num gesto descuidado e desguardado, divertido, ele riu.
"Eu nunca vou cansar de me surpreender com os trouxas. Que doença é essa que a sua amiga estava falando? Do que é que você sofre?"
Harry começava a se irritar com a maneira como o homem o estava tratando, seu tom de voz quase condescendente, como se ele fosse uma criança – o que ele era, mas isso não vinha ao caso.
"Antes de eu responder alguma coisa, acho melhor você me explicar como entrou na minha casa.", ele replicou de maneira entre irritada e nervosa, enquanto apertava a varinha em sua mão por baixo da mesa.
Rodolphus riu mais uma vez e respondeu com um sorriso ainda no rosto.
"Isso certamente esclarece mais alguns pontos. Bem, Harry, Shadow deu acesso livre à rede de Floo para mim e Rabastan. Foi assim que eu entrei. E então usei um feitiço de desilusão e esperei na cozinha, quando vi você e Malfoy aqui. E então escutei sua conversa, embora não tenha entendido muito bem. Que doença é essa que você tem?"
Vendo a hesitação de Harry, Rodolphus sorriu mais uma vez, sem maneiras cínicas, no entanto. Um sorriso de compreensão, que ele costumava dar apenas para Rabastan quando os dois eram pequenos e Rabastan corria para o irmão mais velho para pedir ajuda. Dias que haviam, definitivamente, acabado.
"Eu não quero te prejudicar, Harry. Eu já não acreditava mais na causa do Lorde muito tempo antes da guerra terminar. Eu o servia por medo pela vida de Rabastan, muito mais do que a minha. Eu sinto muito que tenhamos nos confrontado tantas vezes antes, mas Shadow me aceitou como parte de sua Nova Ordem. Talvez para que você possa agir como ele, você deva me aceitar também. Você vai precisar de algum dos membros mais velhos do seu lado essa noite se quiser se passar por Shadow, o que eu imagino que você queira. Você não parece muito feliz com uma nova guerra, mesmo que tenha concordado em lutá-la.", ele fez uma pausa e encarou o garoto, que parecia estar se decidindo, "E então? Vai me contar que doença é essa, para que eu possa te ajudar?"
Harry suspirou e colocou a cabeça entre as mãos novamente, deixando sua guarda baixa porque, naquele momento, parecia tão certo confiar em Rodolphus Lestrange quanto parecia ser confiar em Draco Malfoy – absolutamente certo.
"Distúrbio de Personalidade Múltipla. Eu nunca tinha ouvido falar nisso até... até ler o diário que... bem, que eu deixei para mim mesmo.", ele levantou a cabeça e sorriu para Rodolphus, um sorriso triste, "Belo herói que o mundo bruxo foi arranjar, não é?"
Rodolphus desconsiderou o último comentário, curioso por saber o que exatamente era a tal doença.
"O que essa doença faz?", perguntou, com uma sobrancelha erguida.
"Pelo que eu entendi,", Harry começou, com um suspiro, "eu... me dividi. Alguma coisa aconteceu, e eu não consigo lembrar o que foi, embora Shadow saiba, e eu... não aguentei. Eu acabei dividindo minha personalidade em duas, como se eu fosse duas pessoas diferentes, porque eu não consegui lidar com o que quer que tenha acontecido, na noite em que Voldemort me matou."
"Você dividiu sua alma em duas?", perguntou Rodolphus e, pela primeira vez, viu raiva pura nos olhos do garoto que parecia tão mais novo do que Shadow.
"Não.", ele respondeu, seco, "Eu não sou como aquele... monstro, se é isso que você está pensando."
As palavras saíram com tanta raiva que Rodolphus levantou as duas mãos, como que se rendendo, embora um sorriso estivesse presente em seu rosto.
"Eu nunca pensaria nisso, Harry. Eu sei que você não é como ele. Eu vi a última batalha, eu lembro tudo o que você disse para ele. Mas eu ainda estou curioso... O que causou essa reação? Como foi que você conseguiu se dividir em dois?", o tom de voz era tão neutro, como se fosse curiosidade apenas, realmente, que Harry deu de ombros, de maneira descuidada, e acabou se surpreendendo consigo mesmo por conseguir conversar tão calma e racionalmente com Rodolphus Lestrange.
"Eu não sei. É exatamente isso que eu não consigo lembrar. Se eu lembrasse o que foi que causou o meu estado, eu estaria curado, porque aí eu lembraria tudo que me fez ficar assim, o que significa que eu teria aceitado aquela parte de mim, entende?"
"Quer dizer então, que você, na verdade, é Shadow e você? Não um ou outro?"
Harry sorriu, concordando com a cabeça.
"Se o pouco que Draco me contou antes e o que eu li no diário for tudo verdade, sim, eu sou os dois. Eu não era assim, desse jeito... dócil.", ele disse, com um ar contemplativo. "Se você estava aqui, você ouviu Hermione dizer que ela pensa que ano passado eu fui muito mais ele do que eu."
Rodolphus concordou com a cabeça, um ar pensativo, enquanto tragava a fumaça do seu cigarro.
"Isso é um problema a menos, então, já que quando você ficar bem Shadow não vai simplesmente desaparecer. Essa guerra precisa dele."
Harry deixou a cabeça entre as mãos mais uma vez.
"Eu acho que eu preciso dele também.", disse, num sussurro tão baixo que Rodolphus mal ouviu.
"Não se preocupe, Harry. Tudo vai dar certo no fim."
Harry, surpreso pela doçura que ouviu nas palavras de Rodolphus, levantou o olhar, apenas para se surpreender ainda mais quando sentiu o homem correr a mão pelos seus cabelos, num gesto de afeição, sorrir e sair da cozinha, casualmente usando o mesmo feitiço para que não o vissem. O que quer que ele houvesse pensado sobre como seria Rodolphus Lestrange, com toda a certeza não era o que havia visto ali.
Tomando coragem, levantou da sua cadeira e saiu da cozinha, em busca de Hermione e Draco. Precisava saber como agir àquela noite, ao menos, para não cometer nenhum erro.
Havia coisas demais em jogo para que ele jogasse tudo fora agora por descuido.
-x-
Depois de ter passado o resto do dia ouvindo conselhos de Hermione e Draco sobre como se comportar para que ninguém – principalmente Rabastan Lestrange – desconfiasse de que havia lago errado, Harry estava no banheiro do seu quarto, em frente ao espelho, tentando se acalmar.
Inspire, expire.
Não é difícil fazer isso, e eu, com toda a certeza, já fiz coisas mais difíceis, pensava ele.
Inspire, expire.
O ar parecia escasso, tudo o sufocava, a insegurança a respeito do que teria que enfrentar dali a poucos minutos estava o induzindo a um estado de quase pânico.
Draco estava do outro lado da porta. Ele precisava se concentrar, tentar agir friamente, e sair dali. Eram apenas algumas horas, era fácil, ele nem precisaria falar muito, era apenas seguir com o que quer que Hermione ou Draco sugerissem, não discordar se alguém mencionasse batalhas, não falar nenhuma bobagem e aí ele não seria morto.
Não era como se fosse difícil, era?
Respirou fundo mais uma vez.
Inspire, expire.
Uma ação que ficava mais difícil a cada segundo.
"Potter!", ouviu Draco chamar do lado de fora, seguido de algumas batidas impacientes na porta, "Potter, anda logo, eles já estão chegando, nós não podemos nos atrasar!"
Com um último suspiro, Harry abriu a porta e encarou o outro rapaz, que estava vestido todo de preto, e Harry sentiu um nó no seu estômago. Draco parecia estar vestido para um velório – o seu velório.
"Por Salazar! Pensei que nunca mais fosse sair dali...", Draco começou, impaciente, mas então viu a expressão quase assustada nos olhos de Harry e suspirou, tentando manter a calma, enquanto uma onda de afeição pelo garoto corria por ele.
"Harry, você está bem?"
Harry apenas balançou a cabeça em negação, os olhos já cheio de lágrimas, e Draco poderia ter gritado de frustração. O outro já estava à beira de um ataque de nervos e ele ainda gritava com ele. Ótimo, Draco, maravilhoso plano para deixar Harry calmo, ele se censurava mentalmente.
"Olha, não vai ser tão difícil, ok? É só uma reunião para decidirmos o que divulgar para a imprensa. Não vai ser difícil, é mais para mostrar aos outros aliados que nós não desistimos do que verdadeiramente alguma espécie de encontro, ok?"
Harry respirou fundo.
"Eu só não sei se eu consigo agir como ele. Eu me sinto um idiota, Draco.", ele falou, com a voz baixa, e um meio sorriso nos lábios, "Realmente um idiota, porque eu estou com medo. É como se a parte corajosa de mim tivesse me abandonado."
Draco olhou para Harry de maneira especulativa, pensando que teria que conversar com Granger mais tarde sobre isso.
Talvez devesse sugerir para Harry o que Granger havia mencionado mais cedo? Harry deveria ver um dos médicos trouxas que tratavam esse tipo de doença?
Mais tarde, pensou ele, mais tarde conversaria sobre isso com Harry.
Desceram as escadas em silêncio, e Harry percebeu que, assim que eles dois haviam entrado na sala de estar, todos os presentes fizeram silêncio como que esperando que ele falasse algo realmente importante.
Por Merlin e Godric, onde havia se metido?
Cumprimentou-os com um aceno de cabeça, como Draco havia dito para que fizesse, já que ele não conhecia grande parte dos que estavam ali.
Olhando em volta, percebeu a semelhança física de vários deles com ex-Slytherins, de Hogwarts. Um homem com o rosto que lembrava muito um pug, deveria ser o pai de Pansy Parkinson. Uma mulher alta, pele escura, uma certa beleza feroz e exótica – a mãe de Zabini, que também estava na sala. Harry viu Draco cumprimentá-lo com um discreto aceno de cabeça.
Hermione estava discretamente sentada em um canto da sala, onde havia duas poltronas vazias. Harry e Draco seguiram para lá, percebendo que do outro lado sentavam-se Rodolphus e Rabastan. Agradeceu mentalmente quando Draco pegou a cadeira da direita, ficando ao lado de Rabastan, deixando-o entre Draco e Hermione.
Percebendo que todos os olhos estavam fixos nele, Harry começou a entrar em estado de pânico mais uma vez. O que é que ele devia dizer?
Mas Rodolphus parecia ter sentido seu nervosismo, inclinou-se na sua cadeira, sorrindo discretamente para Harry, e então chamou a atenção de todos para ele, fazendo Harry soltar um breve suspiro de alívio.
Se ele pudesse ficar calado a noite toda, tudo ficaria bem.
Mas ele sabia que não teria tanta sorte assim.
A conversa sobre o que – e quando – divulgar algo para imprensa rapidamente tornou-se uma discussão com vozes alteradas, e Harry sentia seu nervosismo aumentar. De alguma forma imaginava que se fosse Shadow ali, eles não estariam discutindo e sentiu uma pontada de ciúme do outro. E em seguida sentiu vontade de bater em si mesmo por sentir ciúmes de si próprio.
Certamente havia clínicas psiquiátricas no mundo bruxo?
"Não é uma questão do o que, mas de quando, Malfoy!", argumentava o Sr Parkinson com o pai de Draco, sua voz mais alta que a dos outros, chamando a atenção dos demais, e provocando uma certa ordem no ambiente, "Se nós não nos manifestarmos logo, eles pensarão que nós nos acovardamos ou que concordamos com o que o Ministério está fazendo! Eles estão aumentando as leis do Sigilo a cada dia, daqui a algumas semanas não poderemos mais sair de nossas casas com nossas vestes! O estatuto do sigilo está rapidamente se tornando o maior artigo de lei da nossa sociedade! Isto não está certo!"
"Mas se nós não pensarmos muito bem sobre o quedivulgarmos, Parkinson, o povo vai se voltar contra nós. Não podemos esquecer de quem estamos falando aqui! Uma ação ofensiva demais vai acabar fazendo o povo perder a fé na nossa causa, que ainda nem começou a ser divulgada! Boa parte de nós teve ligações com ele no passado recente. Mesmo quem não era seguidor ativo era simpatizante da causa! E Harry Potter nenhum vai salvar nosso pescoço se qualquer um de nós fizer algo contra um trouxa, não com as leis que foram aprovadas hoje! Qual é a sua opinião, Potter?", terminou Lucius, encarando Harry de maneira fria, mas um tanto temerosa.
Harry ponderou a questão, tentando manter a calma. Draco havia lhe contado antes sobre as leis que estavam sendo discutidas hoje, e que, aparentemente, haviam sido aprovadas. Todo e qualquer bruxo que fosse pego demonstrando ou dando evidências de pertencer à comunidade mágica seria punido com até seis meses de sentença em Azkaban. Todo bruxo que deixasse um trouxa entrever sua varinha seria punido com multa, ou uma sentença em Azkaban. Qualquer ação mágica tomada contra um trouxa – segurança pessoal envolvida ou não – seria enviado para Azkaban por um ano.
Eram medidas absurdas e Harry se perguntavao que havia acontecido com Kingsley para tomar tais atitudes. Mas ao mesmo tempo, Malfoy tinha razão. Ação ofensiva, mesmo que apenas na imprensa, ia causar a impressão de que eles queriam retornar o terror de Voldemort, e isso simplesmente não era a verdade.
E então Harry sorriu, porque ele sabia exatamente que direção tomar.
"Vocês já leram A Vida e as Mentiras de Albus Dumbledore?", vários pares de olhos o encararam, espantados, como que claramente dizendo que ele estava maluco, ou no mínimo, mentalmente instável – o que ele estava, mas não naquele sentido, "Eu tenho certeza que tudo que foi dito sobre Dumbledore ano passado foi tomado como mentira, ou má propaganda, por boa parte da população bruxa. Nós sabemos que isso não é verdade. Ele fez, sim, coisas terríveis no seu passado, ele e Gellert eram sim amigos, melhores amigos, e Albus acreditava na causa do "Bem Maior", durante a sua juventude. E Albus Dumbledore tinha as idéias certas. São essas idéias que devem ser divulgadas. Remexidas, consideradas. Postas na imprensa de maneira a fazê-los ver que o mentor do seu herói sabia o que estava fazendo, exatamente como nós sabemos o que estamos fazendo agora. Nada contra o Ministério, nada contra as novas leis... Tudo a nosso favor."
Os presentes consideraram a questão por alguns minutos e Draco e Rodolphus exibiam idênticos sorrisos de orgulho no rosto, enquanto Hermione franzia o rosto, como se desaprovasse do que Harry havia dito, mas soubesse que era a coisa certa a se fazer.
"É a atitude certa a ser tomada, Sr Potter.", disse um homem que Harry – obviamente – não reconheceu. "Eu vou pesquisar o livro da Skeeter hoje à noite, talvez para a edição matutina eu já consiga fazer uma matéria. Se isso era tudo, senhores?", o mesmo homem, claramente um jornalista, indagou. Entre murmúrios de aprovação e concordância, os presentes foram saindo, alguns apertando a mão de Harry, alguns o cumprimentando por Shadow, outros apenas acenando a cabeça à distância.
Finalmente, sobravam Draco, Rodolphus e Rabastan na sala com ele, Hermione se retirando rapidamente, falando sobre pesquisas. A sensação de pânico retornando aos poucos para Harry quando viu o sorriso malicioso que Rabastan lhe dirigia.
"Muito bem falado, Shadow."
"Obrigado, Rabastan."
O silêncio dominou a sala, até que Rodolphus decidiu intervir, prevendo que Harry não estava muito longe de um ataque de pânico.
"Vamos, Rabastan. Eu acho que devemos ter algo sobre Grindenwald na nossa casa, dos tempos do nosso pai. Talvez ainda possamos contatar o jornalista hoje à noite ainda."
Rabastan acenou com a cabeça e saiu pelo Floo, antes de Rodolphus, que sorriu para Harry brevemente antes de desaparecer.
"Ele sabe.", sussurrou Harry, "Rabastan, ele sabe, não sabe?"
"Ele desconfia.", respondeu Draco, "Mas apenas Rodolphus sabe, pelo que você me contou mais cedo."
Harry confirmou com a cabeça e suspirou, cobrindo os olhos com as mãos.
"Draco...", ele disse baixinho, depois de alguns instantes em silêncio, "Você pode... ficar aqui hoje? Eu não queria ficar sozinho."
Draco sorriu ao perceber quão pequeno Harry parecia na poltrona onde estava sentado e confirmou com um aceno de cabeça, recebendo um sorriso em resposta. Estendeu a mão para o outro e o ajudou a levantar-se da poltrona, e seguiram até seus respectivos quartos, Harry lhe oferecendo um sorriso de boa noite.
E Draco percebeu que, por mais que admirasse Shadow, com toda a certeza sentiria falta desse Harry quando o outro retornasse.
R E V I E W !
Revisado em: 16/04/2011
