Título: A Soma de Todos os Medos
Capa: NOVA! http : / / i161 . photobucket . com / albums / t233 / DarkAngelSly / nsom (underline) capa . jpg (tirem os espaços)
Sinopse: Quando o inferno é a sua alma, seu inimigo é a sua salvação.
Ship: Harry Potter/Draco Malfoy
Orientação: Slash
Classificação: M
Gênero: Angst/Horror/Romance/Drama
Spoilers: 7 – mas SEM o Epílogo.
Formato: Longfic
Status: Incompleta
Idioma: Português

Disclaimer: nada me pertence e eu não ganho dinheiro com isso.


Capítulo de quem??

Da TSUKI! Porque ela descobriu o plot-interno-escondido de um determinado personagem da fic, que eu achei que só eu ia perceber. Huahauhauhauahuahuahuahu

E da AGY! Porque ela escreve fics lindas e phodas e eu amo! E se não fosse ela, esse capítulo NÃO tinha saído.

E do Thanatos, pq eu encontrei alguém que delira com conceitos. (adooouro)

Beijos e curtam o capítulo!


Lies

Há certos momentos na vida quando você percebe, sem nenhum aviso prévio, sem nenhum momento em que você tenha parado e refletido, você simplesmente percebe que a sua vida mudou.

Você é outro.

Uma hora, você simplesmente vê que já não anda com as mesmas pessoas e não tem os mesmos interesses que os seus antigos conhecidos, e todas as pessoas das quais você jurava desgostar, de repente lhe são importantes. E confiáveis.

E você vê que mudou tanto que você quase pode dizer que é uma outra pessoa e você não viu quando você se tornou essa outra pessoa, você simplesmente sabe que já não é quem era.

Mas também não está muito certo a respeito de quem é agora.

Foi essa exata sensação que Draco teve ao parar na frente da casa trouxa, de uma nascida trouxa, em um bairro trouxa de Londres, para falar com Granger, porque, por mais incrível que soasse aos seus ouvidos, ele sabia que poderia contar com Granger para ajudá-lo naquele assunto. Ele ainda sabia que, na verdade, Granger consideraria que era ele quem a estava ajudando, se dispondo a ajudar Shadow, porque Granger queria ajudar Harry.

E, pro inferno com cautela e crenças antigas, ele queria ajudar Harry.

Foi quando esperava que alguém respondesse à porta, depois de ter tocado a tal campainha, que Draco percebeu o quão surreal todo aquele momento parecia e como aquilo jamais pareceria certo três meses atrás, mas agora era a coisa simplesmente exata a ser feita.

Draco ouviu o barulho da porta e aguardou enquanto uma mulher a abriu.

"Posso ajudá-lo?", ela indagou, um tanto desconfiada.

"Sim. Eu gostaria de falar com Gran... ahn, Hermione Granger, por favor. Eu sou um... conhecido da escola."

A mulher acenou com a cabeça, parecendo um tanto mais calma com a referência à escola. Ela desapareceu dentro da casa, enquanto Draco aguardava do lado de fora. Chamar Granger pelo primeiro nome era uma experiência que ele não pretendia repetir no futuro próximo.

"Malfoy?", a voz de Granger soava incerta, enquanto ela abria a porta e indicava para que ele entrasse numa sala de estar bem mobiliada e agradável. Sem classe, mas confortável.

"Nós precisamos conversar, Granger."

A garota fez sinal para que ele se sentasse, enquanto ela mesma tomava o lugar em uma poltrona ao lado da dele.

"Mas... Harry, é prudente deixá-lo..."

"Harry não está mais lá. Shadow voltou.", ele a interrompeu, "Granger, nós precisamos convencer Shadow a ir até aquele médico trouxa de quem você me falou. O que pode ajudá-lo a voltar ao... normal. Nós precisamos convencer Shadow de que isso é o certo a ser feito."

"Eu não acho que isso vá ser um problema, Draco. Quer dizer, Harry vai querer voltar ao normal, não vai? Ele quer, ele sempre quis ser apenas normal.", ela disse, um olhar de desconforto em seu rosto, quando viu Draco balançando a cabeça em negação.

"Não pense nele como Harry, Granger. Não o Harry que você conheceu. Shadow não está assim tão interessado em ser normal, ele está interessado em ter poder. Você já percebeu isso, portanto não use essa carinha de Gryffindor ofendida quando o que eu estou falando é verdade.", acrescentou, com a voz ríspida, ao ver que Granger tentava negar o que ele havia dito, com um ar de ultrage no rosto, "Nós vamos precisar de bons argumentos para convencê-lo. Os Lestrange estarão lá hoje à noite. Nós deveríamos ir para lá ainda à tarde e tentar falar com ele. Você tem como entrar em contato com esse médico? Alguém que, pelo amor de Salazar, não vá entrar em pânico quando descobrir que nós somos bruxos?"

"Nós não precisamos contar que nós somos..."

"Por favor, Granger, e eu pensava que a inteligente era você.", Draco disse, com uma risada de escárnio, "Como você vai explicar para o médico o estado em que Potter está se nós não contarmos toda a história para ele?"

"Alguém andou lendo sobre o assunto.", replicou Hermione, com um leve sorriso no rosto. Draco deu de ombros, um ar desinteressado, enquanto se levantava.

"Não gosto de lidar com o desconhecido. Você pode entrar em contato com algum médico? Eu preciso ir para casa, então poderíamos nos encontrar em algum lugar, irmos até o médico e voltarmos para Grimmauld Place, de preferência antes dos Lestrange chegarem lá."

Hermione acenou com a cabeça, enquanto o leva a até a porta.

"Encontre-me aqui, às três horas. Aí nós podemos ir."

Draco despediu-se com um aceno de cabeça e foi para casa, já se sentindo cansado.

E por Merlin, não eram nem dez horas da manhã ainda.

X.X

Encontrar um psiquiatra disposto a tratar um bruxo com Distúrbio de Personalidade Múltipla não era uma tarefa fácil. O medo que os trouxas estavam sentindo à simples menção da palavra 'mágica' estava atingindo um nível ridículo, na opinião de Hermione.

Foi apenas quase no horário já marcado com Draco, e muitos obliviates mais tarde, que Hermione conseguiu encontrar um médico competente e disposto a tratar qualquer pessoa, independente de suas habilidades com um graveto na mão.

Sentindo-se segura – porque, na opinião de Hermione, Harry concordaria com o tratamento, obviamente – ela encontrou Draco e partiram juntos para Grimmauld Place.

Mas chegando lá, ela perdeu quase toda a segurança que sentia. Porque olhar para o homem de roupa negra e cabelo preso frouxamente na nuca, vê-lo caminhando com uma certa graça que Harry não tinha, com um brilho mais cruel no olhar, a fez perceber o que Draco queria dizer com 'ele não é Harry'. Porque não era. E ela não queria acreditar nisso, mas Hermione Granger sempre conseguira acreditar em fatos. E o homem parado à sua frente não era Harry.

Fato.

"Pensei que só os veria à noite", disse ele, sorrindo friamente e conjurando café a chá, enquanto sinalizava para que sentassem, "A que devo o prazer da visita?"

Shadow analisava os dois à sua frente e conseguia sentir que havia algo errado. Não se passa a vida toda sobrevivendo graças a puro instinto e não se percebe quando há algo errado à sua volta.

Encarou Draco, porque sabia que Draco seria mais honesto que Granger, naquele momento. Granger estava acostumada com Harry, com suas explosões, mas suas crises de remorso, suas palavras cruéis, mas seus pedidos de desculpa, suas brigas, mas o perdão completo e fácil.

Aquilo já não existia mais.

Draco devolveu o olhar sem desviá-lo. Limpou a garganta e pousou a xícara sobre a mesinha de centro, pensando no que dizer. Em como expor seu caso de uma maneira que Shadow fosse concordar. Para assuntos como aquele, sutileza era a palavra de ordem.

Era uma pena que a sua 'ajuda' fosse uma Gryffindor e 'sutileza' não existisse no seu vocabulário.

"Nós achamos que você devia ver um psiquiatra, Harry."

Draco notou duas reações a essa declaração. A primeira foi um leve estreitar de olhos, uma reação negativa a ser chamado de Harry. Draco já havia percebido que Shadow não gostava que o chamassem de Harry. A segunda foi o sorriso frio, e o levantar de uma sobrancelha, enquanto ele se dirigia a Hermione.

"Oh, é mesmo? Vocês acham? Desde quando você e Draco se tornaram uma entidade que toma decisões conjuntas sobre a minha vida, Hermione?"

"O que Granger quis dizer, Shadow, é que seria beneficial para todos se você fosse. Então nós não teríamos que nos preocupar sobre quando e se Harry vai voltar a aparecer. Você seria apenas um mais uma vez. Granger conseguiu arrumar um médico trouxa que não se importa em tratar um bruxo e ele parece ser competente. Você poderia simplesmente ir vê-lo, ao menos uma vez."

Shadow ficou em silêncio, e Draco conseguia ver os músculos de seus ombros tensionando embaixo da camisa preta.

"Eu consigo entender que vocês tenham feito isso para ajudar. Eu agradeço. Mas a resposta é não."

Draco inclinou a cabeça, assentindo com a decisão, sabendo muito bem que, naquele momento, não conseguiriam convencer Shadow de nada. Levaria tempo, talvez meses, mas eles continuariam tentando. De preferência, da próxima vez, sem burrice da parte de Granger.

"Mas Harry, isso é o que pode te curar! Você não pode simplesmente se recusar a ir!", insistiu Granger e Draco fechou os olhos momentaneamente, subitamente recordando porquê, exatamente, detestava Gryffindors.

"Eu posso e já recusei, Hermione. A resposta é não!"

"Mas, Harry..."

"SHADOW!", o rapaz gritou, espantando Granger ao silêncio, baixando a voz em seguida, para um sussurro quase inaudível, "Eu-não-sou Harry, Granger. Quantas vezes eu vou precisar repetir isso? Meu nome é SHADOW. Já está na hora de você perceber isso. Eu aprecio que queira me ajudar, mas nunca presuma que você pode me dar ordens, porque ninguém pode.", ele encarou a garota que pareceu se acovardar diante do olhar cheio de raiva dirigido a ela, "A resposta é não. E se me dão licença, eu tenho assuntos a tratar antes da reunião à noite. Vejo vocês mais tarde."

Sem um olhar na direção de Draco, Shadow saiu da sala, onde Kreacher apareceu segundos depois para levar os dois até a porta. Draco se recusou a abrir a boca para falar com Granger, porque isso certamente resultaria num fluxo enorme de verdades que aquela garota precisava ouvir, mas ele não estava com vontade de brigar naquele momento.

Porque, naquele instante, lembrou-se de todas as vezes que Shadow havia dito que uma vez que se perdesse a sua confiança ela nunca mais era retomada.

E ele tinha o estranho sentimento que, de alguma forma, ele havia traído a confiança de Shadow.

X.X

Rabastan se sentia num jogo de xadrez, como se cada movimento fosse calculado e planejado e obtinha resultados exatos para o que ele queria.

Rabastan gostava de xadrez. E era um bom jogador. Observava e calculava cada olhar, cada gesto, cada cigarro que fumava e notava as diferentes nuances da voz, do comportamento, dos sorrisos contidos, da linguagem corporal de Shadow. Notou a maneira rígida com que ele falou com a nascida trouxa, e a maneira fria como cumprimentou Malfoy. Notou como ele parecia absorto na leitura do pouco e escasso material que haviam conseguido sobre Dumbledore, percebeu que Shadow queria vencer a qualquer custo.

Notou tanto, tão absorto em Shadow, em suas maneiras, que mal notou a reunião que passava corrida, o olhar quase de desculpas que a garota lançou a Shadow, o sorriso discreto em resposta. Notava, sim, o brilho decidido que Shadow tinha.

Notou, mesmo sem querer, o olhar de quase pena que Rodolphus lhe lançava, e teve certeza que ele sabia o que estava acontecendo ali. O que havia de errado com Harry Potter, ou Shadow, e mais uma vez, decidiu que precisava descobrir qual era o mistério. Mas depois. Porque naquele exato momento, ele precisava provar – para si mesmo, ao menos – que era livre, que era ele, que teria poder e seria sua própria pessoa, sem ninguém no seu caminho.

A reunião acabou surpreendentemente cedo, Granger foi encarregada de levar os documentos que haviam encontrado até o jornalista, que os publicaria, assim que encontrasse alguma maneira de tudo parecer bom, quando, na verdade, soava mais como um plano para dominação mundial. O garoto Malfoy pediu para que Shadow o acompanhasse até a porta e Rabastan sorriu. Em breve estaria sozinho com Shadow e estaria um passo mais próximo de descobrir qual o grande segredo do Eleito.

Quando os dois saíram da sala, sorriu para Rodolphus. Sentia, ainda, a antiga cumplicidade com ele, e tentou não ver a nota triste que o sorriso lento do irmão tinha, quando lhe devolveu o gesto. Sentou-se com um copo de whisky e um cigarro e esperou.

Porque bons jogadores sempre são pacientes, e ele também seria.

X.X

"Obrigado por vir.", disse Shadow fria e calmamente, enquanto ele e Draco saíam da casa, parados no vento noturno da praça em frente à casa.

"Eu sempre venho, Shadow. Eu prometi que sempre estaria aqui."

Shadow não respondeu o comentário, apenas encarou o outro garoto com um ar dúbio, como se tentasse decidir se ainda confiava nele ou não.

"Olha, Shadow, eu sei que você ainda deve estar... desconfiado, com o que aconteceu hoje à tarde, mas nem eu, nem Granger fizemos nada para te prejudicar. O tal médico não sabe seu nome. Nenhum deles. Nós realmente só queríamos ajudar."

"O problema, Draco, é o quão entusiástica Granger é quando tenta ajudar alguém."

"Eu sei e, honestamente, me arrependi de ter procurado por ela, ou de tê-la deixado ajudar. Mas eu realmente acho que seria uma boa opção. Você inteiro seria mais forte, essa foi a minha única motivação. Eu não quero que você pense que eu fiz algo pelas suas costas, porque eu não fiz."

Shadow continuou sério, mas Draco podia ver a hostilidade sumir de sua postura.

"Eu sei, Draco, e eu acredito. Eu apenas perdi o controle hoje à tarde.", ele ficou em silêncio alguns segundos, encarando os olhos de Draco, o vento soprando e fazendo seu cabelo cair em seu rosto, "Você não faz idéia do quanto dói sequer falar sobre mim ou Harry. Eu realmente não quero ver um médico agora."

"Eu entendo.", respondeu o rapaz loiro, "Você quer que eu fique hoje?", indagou, a voz um tanto incerta.

Shadow respondeu negativamente com um aceno de cabeça.

"Obrigado pela oferta, mais não vai ser necessário. Rabastan vai ficar para o jantar, vamos continuar discutindo as matérias no jornal. Espero você de manhã."

Draco concordou em silêncio e Shadow já estava se virando para entrar na casa, quando Draco pôs a mão sem eu ombro.

"Só não esqueça o que eu lhe disse, Shadow. Rabastan é perigoso em maneiras que você nem imagina."

Shadow percebeu o tom quase urgente das palavras de Draco e assentiu em silêncio, vendo o loiro desaparatar para casa.

Talvez algum dia ele compreendesse o que Draco queria dizer com 'perigoso'.

Ele só não imaginava que seria tão cedo.

X.X

Horas mais tarde, Shadow se encontrou em uma situação muito curiosa.

O que havia começado com um jantar para discutirem os futuros planos de guerra, havia se tornado um jantar onde Rodolphus não falou e Rabastan se provara tão sedento por vencer quanto ele. Compartilhavam tantos gostos e tantas opiniões que Shadow não via o tempo passar.

Era diferente do companheirismo que sentia com Draco, era algo diferente. Era como se Rabastan o atraísse para algo novo e estranho, que ele desconhecia, mas queria saber do que se tratava.

Talvez fosse esse o risco do qual Draco falava, que Rabastan o envolvesse tanto que acabasse por se tornar a cabeça da guerra, e não mais ele.

Bem, Shadow poderia ser jovem, mas não era tolo, e isso certamente não aconteceria.

Já passava das dez horas quando Rodolphus anunciou que iria se retirar, e Rabastan disse que ficaria mais um pouco.

"Você e Rodolphus são muito próximos, não são?", perguntou Shadow em voz baixa, observando o fogo baixo da lareira, a única fonte de luz da sala.

"Rodolphus é a única pessoa que eu conheço.", respondeu ele, acendendo um cigarro, enquanto Shadow levava o copo de whisky aos lábios, "Ele sempre esteve lá. Isso me torna próximo dele, porque só ele existia para que eu fosse próximo.", Rabastan fez uma pausa, encarando o rapaz que tinha o olhar fixo no seu rosto, "A vida é uma questão de alternativas, muito mais do que escolhas. Rodolphus foi a minha única alternativa.", ele fez uma pausa, aproximando-se do outro no sofá em que estavam sentados lado a lado, "Você entende o que eu quero dizer?"

"Não acho que eu entenda completamente. Eu não conheço ninguém.", respondeu Shadow, vendo Rabastan sorrir com a sua resposta, quase como se esperasse que ele dissesse o que disse.

Rabastan pousou o cigarro sobre a mesa, e tomou o copo da mão de Shadow, tomando um gole de whisky antes de continuar falando, aproximando-se cada vez mais do rapaz, que começava a ficar desconfortável com a proximidade.

"Rodolphus sabe cada um dos meus segredos. Conhece cada uma das minhas tonalidades de voz, entende cada um dos meus pedidos, mesmo que eu nunca os fale. Só a convivência e muita afinidade podem trazer isso. Nós, Shadow, temos a afinidade, nos falta apenas a convivência. Você precisa conhecer alguém, porque viver a vida sozinho é algo que induz à loucura, como eu já lhe disse, algumas semanas atrás."

Rabastan tinha uma perna dobrada embaixo do corpo, a outra, esticada no tapete. Sua mão direita estava sobre o encosto do sofá, exatamente acima da cabeça de Shadow, que estava com as duas pernas à sua frente, a cabeça indolentemente voltada na direção de Rabastan. Centímetros separavam seus rostos.

"Eu lembro disso. Eu escolhi alguém em quem eu confio, Rabastan."

Rabastan sorriu.

"Escolheu?", replicou ele, a voz um sussurro baixo, rouco, enquanto sua mão, antes no encosto do sofá entranhava-se no cabelo do rapaz mais novo. Shadow encarou Rabastan com um olhar entre reprovador e curioso, não entendendo a reação do homem às suas palavras.

"Eu, Shadow, conheço seus segredos.", ele continuou, no mesmo tom de voz, fazendo Shadow ficar mais pálido de susto, e tentar se afastar, gesto que Rabastan parou colocando uma mão na perna do outro. "Shh, Shadow.", ele sussurrou, mais uma vez, os olhos verdes abertos em espanto, a respiração acelerada. Rabastan estava dizendo que sabia de Harry e ele? Que sabia o que estava acontecendo? O que ele faria, caso soubesse da verdade?

"Eu conheço seus segredos, e pretendo guardá-los comigo. Ao menos até desvendar você por inteiro.", ele continuou, a mesma rouquidão na voz, os lábios a centímetros do de Shadow, "Porque nós, Shadow, nós podemos ser grandes. Você só precisa confiar."

Era como se o tempo tivesse parado. Shadow via os olhos castanhos de Rabastan refletirem o fogo da lareira e podia se ver refletido lá dentro, como se queimasse junto às chamas daquele reflexo. Podia ler nos olhos de Rabastan seu desejo por poder, por força e por ele. E ele entendeu o que Draco quis dizer com perigoso, e se arrependeu por ter sido tolo e mandado o loiro embora. E já não sabia mais o que fazer, porque, por alguns momentos, se descobriu sentindo o mesmo desejo que via nos olhos de Rabastan.

E quando os lábios dele desceram sobre os seus, a mão dele puxando seu cabelo para mantê-lo parado, a outra correndo por seu corpo, se descobriu correspondendo o beijo, ao mesmo tempo em que sentia que tudo, absolutamente tudo, estava errado.

E Rabastan o beijava com força, sem carinho ou gentileza, como se quisesse provar para Shadow – como se precisasse provar para si mesmo – que estava no controle. E aquilo soava ainda mais errado, porque ninguém o controlava. E mesmo correspondendo, sentia raiva de si – e até de Rabastan – por ter feito o que estava fazendo.

Afastando-se bruscamente, encarou Rabastan com frieza.

"Eu não acho que isso seja algo apropriado, Rabastan."

E Rabastan podia ver as mãos de Shadow tremendo levemente, e o tom quase sem ar de suas palavras. E riu de leve, enquanto se levantava e ia até o rapaz, beijando-o mais uma vez, rapidamente, antes de pegar seu casaco e aprontar-se para sair.

"O que não é apropriado geralmente é divertido.", ele respondeu, sumindo nas chamas da lareira, deixando Shadow no meio da sala.

E sentia raiva. E vontade de matar Rabastan por tê-lo tocado sem o seu consentimento e usar uma chantagem barata como saber seus segredos para que Shadow, talvez, correspondesse. Via agora que Rabastan jamais saberia do que estava acontecendo, não era perceptivo, não o conhecia o suficiente para isso.

E sentiu necessidade de ter alguém que o conhecesse ali, com ele, naquele momento, e se sentia à beira de uma crise e já não sabia como agir. Servindo um copo de whisky, que bebeu de um gole só, chamou por Kreacher.

"Vá até a casa dos Malfoy, ache Draco e diga-o para vir aqui, agora, Kreacher. É urgente."

O elfo apenas concordou, sumindo com o estalido, enquanto Shadow continuava a beber.

Andava de um lado para o outro na sala, como um bicho enjaulado, e torcia para que Draco chegasse logo.

X.X

Draco chegou à Grimmauld Place com a sensação de que algo terrível havia acontecido. Encontrou Shadow andando de um lado a outro da sala, um copo de bebida em uma das mãos, que ele estava esvaziando com uma rapidez incrível, se a garrafa quase vazia sobre a mesa fosse algum indicativo.

"Shadow?", chamou Draco, fazendo com que Shadow olhasse para ele, e Draco podia ver a palidez da raiva no rosto do outro, os olhos um tanto desfocados pela bebida, a expressão uma máscara de raiva.

"Você estava certo.", ele disse, em voz baixa, "Você estava certo e eu-não-ouvi.", disse ele, quase gritando a última parte e jogando o copo agora vazio contra a lareira, onde ele bateu na pedra e desfez-se em dezenas de pedaços.

"Rabastan?", perguntou Draco, ao que Shadow apenas concordou em silêncio, ainda andando de um lado para o outro, "Ele sabe?", perguntou ele, mais uma vez, ao que Shadow respondeu negativamente de novo, "Não. Ele nunca vai saber."

A respiração de Shadow era acelerada e Draco sentiu medo de perguntar o que havia acontecido, conhecendo a fama que os irmãos Lestrange tinham.

"Você quer falar sobre isso?", perguntou, incerto, quando viu Shadow finalmente parar de andar e sentar-se no sofá, a cabeça apoiada nas mãos.

"Não. Eu só... não quero fica sozinho."

Draco ficou em silêncio e sentou-se ao lado de Shadow. O rapaz riu, amargamente.

"Parece que eu vou ter que revogar o que havia dito antes. Você pode ficar aqui comigo, Draco?"

Draco concordou.

"Eu deveria mudar para cá.", disse, rindo de leve e viu Shadow sorrir fracamente em resposta.

"Mas eu... Eu realmente não quero ficar sozinho.", Shadow acrescentou em voz baixa. "Você pode ficar comigo... no meu quarto?"

E Draco quase pôde entrever Harry, o Harry do dia anterior, espiando por entre as íris verdes de Shadow. E concordou sem ter que pensar duas vezes, porque faria qualquer coisa para ajudar o garoto.

E seguiu Shadow para o quarto em silêncio, pensando, seriamente, em como faria para afastar Rabastan de Harry.

Definitivamente.


Ufa!

Esse foi um parto, vou te contar uma história!

MUITO OBRIGADA aos revisadores AMOUR que vcs são.

Continuem assim, façam a autora feliz e

R E V I E W !