Título: A Soma de Todos os Medos
Capa: http : / / i161 . photobucket . com / albums / t233 / DarkAngelSly / nsom (underline) capa . jpg (tirem os espaços)
Sinopse: Quando o inferno é a sua alma, seu inimigo é a sua salvação.
Ship: Harry Potter/Draco Malfoy
Orientação: Slash
Classificação: M
Gênero: Angst/Horror/Romance/Drama
Spoilers: 7 – mas SEM o Epílogo.
Formato: Longfic
Status: Incompleta
Idioma: Português

Disclaimer: nada me pertence e eu não ganho dinheiro com isso.

Para os revisadores FANTÁSTICOS que vcs são, MUITO OBRIGADA!!

Vocês passaram das 200 reviews (lindos, amo vcs), então, conforme o prometido, aqui está, capítulo no Domingo!

(voz solene)

Este capítulo é dedicado a Sin e Armand, por razões épicas, e ao pessoal que posta no tpc da Soma no 6V!

E ao Leo James Potter, pq aí de repente ele me conta o que é que ele faz. X)

Twin! É tudo teu, como sempre.

Para quem tem o FANMIX, The Unforgiven I e II, pq Metallica é a luz. \o

Beijos e vamos ao capítulo!


Perdas

Cada segundo que passa é um segundo que nunca mais vai voltar.

É um fato. É simples, você sabe disso desde o dia em que nasce, porque o tempo é a única coisa que jamais pára para nada, guerras, nascimentos, casamentos, mortes e pestes e alegrias.

Não pára.

E cada segundo que passa jamais volta. É um segundo morto, é um instante pronto, é uma decisão tomada, ou repudiada, ou adiada, mas que nunca mais vai ser a mesma decisão – nunca mais será o mesmo momento – porque aquele que passou... aquele jamais volta.

E por mais idiota que fosse, essa noção atingiu Harry na sala de espera do psiquiatra com a força de dez toneladas caindo sobre ele, o atingiu com a mesma força que a Profecia o havia atingido na sala de Dumbledore, com a mesma força que saber que teria de morrer o atingiu. O mesmo peso de se ver deparado com o inexorável, com o inevitável, o fatal: cada segundo que passa jamais volta, é um passo na direção do fim. Não importa se você está mais perto do começo, o fim é a seu destino.

E enquanto esperava Draco sair da sala do médico – e enquanto sabia que falavam dele, enquanto sabia que havia algo errado que eles não iriam lhe contar – ele pensava que ele estava perdendo tempo. Muito mais do que um ser humano qualquer perde tempo. Ele estava perdendo tempo porque seus segundos contados poderiam desaparecer para sempre dali a dois segundo, um segundo, naquele instante. Porque Shadow era a sombra do tempo dele, uma sombra particular, que eclipsava seus dias, e seus segundos já contados tornavam-se imprevisíveis, pois não sabia.

Não sabia quando ele voltaria, quando ele apareceria, quais decisões tomaria. E também não sabia as conseqüências das decisões dele, que o atingiriam, pois eram um. E o relógio não parava, e mesmo que quebrasse todos os relógios do mundo, o tempo não pararia, pois não tem pena ou compaixão.

Ele estava condenado a jamais saber seus segundos.

E se morresse? Morreria como Shadow? Sem saber as últimas cores que veria? Seria cada vez que desaparecia uma morte e um renascimento – pelo qual deveria ser eternamente grato – a cada chance que tinha de voltar?

E pensou.

Sentou-se na sala de espera, a cabeça entre as mãos, os cotovelos apoiados nos joelhos e tentou... respirar. Concentrou-se em contar seus segundos enquanto ainda os tinha.

E não pensar. Queria – sentia uma necessidade extrema – de viver.

Porque seus segundos passavam e ele não queria perdê-los com guerras e preocupações que não eram suas.

Pois se Shadow havia decidido separá-lo de tal forma que ele nunca soubesse o que acontecia com ele, Harry também começava a reconsiderar sua decisão de querer fazer parte dele. Contaria seus segundos como seus, pois jamais saberia se seriam seus últimos.

Viu Draco abrir a porta e tentar sorrir para ele. E viu algo tão falho naquela tentativa de sorriso que sentiu seu coração apertar, mas mesmo assim não quis saber.

Não era a sua dor para carregar, então ele não a carregaria.

Deixou-se levar com Draco até Grimmauld Place, onde o rapaz o levou até a biblioteca e o encarava como se fosse a primeira – ou última – vez que o visse. E ele se aproximava a passos lentos, calculados, e Harry se descobriu querendo que ele estivesse mais próximo, porque seus segundos corriam, e ele sentia medo de perder todos eles para sempre.

E quando Draco o abraçou era simplesmente certo, a coisa exata que queria sentir, contato e cor, e vida, porque Draco era algo tão real como nada jamais seria para ele, ao menos naquele instante.

E sentiu o loiro cheirar seu cabelo, e levantar o olhar para seus lábios, e traçá-los com os dedos, lentamente aproximando a boca da sua, e ele descobriu que queria. Que era desorientador, e que ele levou algum tempo para se desfazer da impressão de que tudo poderia sumir naquele instante, e Shadow poderia voltar, mas não conseguiu mais pensar quando sentiu Draco o levar até a parede, e apoiou-se nela tanto quanto se apoiava em Draco, correspondendo ao beijo hesitante, sentindo vontade de tocar os cabelos finos, de sentir sua textura assim como agora lhe sabia o gosto.

E beijar Draco Malfoy era bom e certo e o fazia tornar-se mais real.

E seus segundos passavam mais lentos, pois estava simplesmente fazendo o que queria fazer, com a certeza de que, naquele instante, estava no completo controle do que queria.

E quando atingiu a certeza de que Draco estava com Harry, Draco quebrou o beijo, e se afastou. E aquilo doeu. Porque quase podia ver os pensamentos do outro se voltando para Shadow, e temeu que ele o comparasse e achasse o outro infinitamente superior.

Mas então Draco sorriu, e o beijou mais uma vez, e a tensão daqueles segundos se dissipou, e ele conseguiu rir quando Draco o abraçou mais uma vez, alívio tão grande que era quase palpável correndo por seu corpo.

"Está tudo bem?", Draco perguntou, e Harry apenas concordou com a cabeça, sentindo-se leve.

"Está. Foi... inesperado. Mas está tudo bem."

Sorriu e recebeu um sorriso em resposta.

E fechou os olhos e pensou que aqueles segundos que havia vivido haviam valido a pena.

E deixou-se abraçar, pois sabia que não tinha muito tempo – ninguém tem muito tempo – mas ele tinha ainda menos do que a maioria.

E encostou a cabeça no ombro de Draco e sentiu o cheiro da colônia cara que o outro usava e sorriu.

E não se importava que seus segundos estivessem terminando, ao menos aqueles haviam valido a pena.

X.X

Rodolphus Lestrange era um homem estranho, disso ele mesmo jamais teve dúvidas. Por exemplo, ele mesmo sempre havia acreditado na pregação do Lord das Trevas – de que sangue-ruins deveriam ser eliminados, de que trouxas eram uma ameaça. Mas quando seu antigo Lord começara sua perseguição sem sentido a um bebê – e depois uma mera criança – muito do respeito que ele sentia pelo homem se desfez, e junto com esse respeito, suas crenças também fraquejaram.

E foi assim que Rodolphus conseguiu se abrir a novas idéias.

Quando foi preso em Hogwarts, tinha a certeza mais do que absoluta de que ficaria em Azkaban por todo o resto de sua existência e, honestamente, não sabia quanto tempo mais agüentaria naquele lugar – com ou sem dementadores. E, assim, quando Harry Potter em pessoa apareceu em seu julgamento, e deu o depoimento de que ele e Rabastan mantiveram-se afastados da luta – a menos que fossem atacados – ele conseguiu sentir sua antiga lealdade para com o Lord ressurgir, direcionada desta vez para o rapaz magro, um tanto apagado, mas com os olhos firmes, e que havia, no fim das contas, derrotado o Lord.

Pois Rodolphus Lestrange era um homem leal.

Não burro. Não cego. Não deixaria que sua lealdade acabasse com sua vida mais uma vez, mas certamente não trairia alguém que não o tivesse traído primeiro.

Rodolphus também era um estrategista.

Certamente não tão bom quanto os Malfoy, ou jamais teria ido para Azkaban, mas um bom estrategista.

E, naquela manhã, quando viu o jornal, soube que era a hora exata de atacar o Ministério com Shadow e tudo que ele tivesse para oferecer.

Foi para Grimmauld Place sem avisar Rabastan de que estava saindo, visto que o irmão ainda dormia. Chegou no lugar e o encontrou vazio, e sentou na cozinha, em seu lugar habitual, para esperar.

Quando ouviu barulho na biblioteca, foi até lá.

E quando se deparou com a cena de Draco Malfoy beijando Harry – pois não havia dúvidas de que era Harry – não conseguiu evitar o pensamento de que era um fato inevitável.

E então, o mais estranho dos pensamentos se instalou em seu peito. O desejo quase irracional de que não precisassem de Shadow para vencer aquela guerra, de que o poder – e a paz, e a Nova Ordem - pudesse ser trazido até eles por aquele rapaz que se entregava aos braços de outro sem medo, que tinha os olhos fechados, a expressão confiante de quem se doa, e que não precisassem de Shadow, a ameaça a ele e Rabastan, a pessoa a quem Rabastan estava dedicando sua lealdade apenas por se ver espelhado nele.

E então desejou, por meros instantes, poder ser a pessoa a quem alguém se entregava daquela maneira abandonada, sem medo, confiante. E que alguém confiasse tanto nele, e o quisesse tanto quanto Harry parecia querer Draco.

E retirou-se para a cozinha desejando poder fazer parte de algo mais, além dos jogos de poder.

E sentiu-se sozinho, pela primeira vez desde que Rabastan havia nascido.

E descobriu que a solidão doía.

X.X

Draco encarou o homem sentado na cozinha com um ar levemente surpreso, enquanto Harry sorria de maneira quase tímida para Rodolphus Lestrange.

"Já viram os jornais de hoje?", ele indagou, ao que os dois rapazes responderam negativamente, já que Draco arrastara Harry para o psiquiatra assim que ele havia acordado, "Então leiam. Acho que temos a melhor oportunidade para angariar seguidores e mostrar nossos pontos de vista."

Ele colocou o jornal sobre a mesa, e os dois jovens o leram juntos.

A manchete provocou revolta em Draco e espanto em Harry, que não imaginava que a situação estivesse se deteriorando tão rapidamente.

MINISTRO TROUXA DECLARA GUERRA AOS BRUXOS

Aprovada no Congresso Trouxa a lei de controle ao uso de aparatos mágicos.

Comunidade Mágica revoltada

Na manhã do dia 31 de agosto, o corrente Ministro dos Trouxas aprovou uma lei que restringiria o uso de artefatos mágicos - tais como varinhas, caldeirões, etc – por qualquer pessoa, bruxo ou trouxa.

Tal medida visaria impedir atos como as simulações de assalto, seqüestro e intimidação que têm sido feitas pelos próprios trouxas, fazendo-se passar por bruxos. Em sua defesa, o Ministro trouxa alega que qualquer 'bruxo de bem' jamais usaria 'tão vis artefatos' para intimidar a comunidade trouxa e, portanto, manteriam suas atividades dentro das áreas restritas 'previstas em lei'.

Esta declaração provocou as mais diversas reações na comunidade bruxa, sendo a maior delas a revolta do público em geral. Durante séculos é sabido que o governo trouxa não tem ligação com – muito menos poder sobre – a população bruxa, que responde somente ao Ministro da Magia. Uma lei trouxa coibindo – ou mesmo permitindo – qualquer coisa a qualquer cidadão bruxo é, primeiramente, inconstitucional, pois vai contra as nossas próprias leis.

Quando questionado sobre este fato, o Ministro da Magia – Kingsley Shacklebolt, notório membro da Ordem da Fênix, defensor veemente dos direitos dos trouxas – declarou que um anúncio público será feito hoje à noite, no salão de atos do plenário do Wizengamot. Tal anúncio visa clarificar como, exatamente, trouxas pretendem fazer como que sua leis sejam cumpridas por nós, bruxos, mas, principalmente, visa acalmar os ânimos da Comunidade Mágica, que se mostra inquieta.

"Primeiramente eles tentam regulamentar os usos dos nossos artefatos, e em seguida, eles estarão tentando reviver a Inquisição. Não temos que nos preocupar apenas conosco, membros já fixos da Comunidade Mágica, mas também com as crianças nascidas trouxas, que podem sofrer represálias.", declara o Sr Lucius Malfoy, "É quase como se eles estivessem nos declarando guerra!", complementa.

"Uma criança bruxa deveria ser considerada sob as leis Bruxas a partir do nascimento," acrescenta Hermione Granger, colaboradora notória de Harry Potter, com participação efetiva na derrota de Voldemort, "Não pensava que isto era uma necessidade até algumas semanas atrás, mas esta lei beira o ridículo.", termina a nascida trouxa.

A reunião desta noite será aberta ao público, mas o número de lugares é limitado. Resta-nos saber se a declaração do Ministro será suficiente para conter o clamor público revoltado com as ações do mundo trouxa.

Como começou a Inquisição? Págs 7, 8, 9 e 10.

Harry engoliu em seco ao terminar de ler a notícia, o semblante de Draco estava fechado e ilegível.

"Everlast já conseguiu lugares para nós, ele contatou Granger esta manhã. Nós precisaremos estar lá, e precisaremos ir prontos para mostrar o nosso melhor, é a nossa melhor chance de angariar seguidores.", ele fez uma pausa e encarou Harry com um sorriso quase de desculpas no rosto, "Nós precisaremos de Shadow."

Harry baixou a cabeça e suspirou.

"Eu sei. Eu... Eu não sei lidar com nada disso.", ele levantou o olhar e encarou Rodolphus brevemente, antes dos olhos verdes prenderem-se nos cinza, "Eu não quero lidar com nada disso."

Draco sentiu seu coração apertar por um instante, enquanto encarava Harry e entendeu o que ele quis dizer: que ele sabia que aquela guerra era de Shadow, que ele sabia que eles precisavam de Shadow para vencer, que ele sabia que, naquele instante, para o mundo, num geral, ele era desnecessário. E Draco quis gritar com ele, com a dor, e a aceitação, e a resignação que viu em seus olhos, e descobriu que não podia, porque até certo ponto, era verdade.

Sentimentos são desnecessários na guerra, e era disso que Harry era feito.

Rodolphus podia ver a conversa silenciosa entre os dois rapazes e sentiu a inveja corrosiva o consumir um pouco mais. Saindo da cozinha em silêncio, para dar-lhes privacidade, refugiou-se na sala, enviando o elfo da casa até Lucius, para poderem fazer uma reunião.

Na cozinha, havia silêncio e apenas isso, até Harry suspirar.

"Eu não sei como fazer para ele voltar."

"Talvez, ele não..."

"Ele precisa, Draco.", disse o moreno, a voz um tanto quebrada, enquanto se levantava e andava pela cozinha a esmo, "Você sabe que ele precisa."

O loiro se levantou e parou o outro, fazendo-o encará-lo, com as mãos nos ombros dele.

"O mundo precisa dele, mas eu... Eu preciso de você. Sempre. Está bem?"

E Harry concordou com a cabeça para em seguida colocar a testa contra a de Draco e suspirar, e sentir uma vontade imensa de chorar. Ele entendia. Entendia que Draco gostava dele, mas o mundo precisava de reformas, e só Shadow podia fazê-las.

E levantou a cabeça, encarando o rapaz que tinha um olhar intenso e atribulado. E colocou as mãos em seu rosto, tentando memorizar todos os seus detalhes, para os segundos vazios, e sabendo que se aquele era o fim daquele segundo, ele iria com a melhor imagem que poderia ter. E o beijou delicadamente, com doçura e desespero, e foi beijado da mesma forma, querendo que aquele segundo durasse a eternidade.

E se afastou com pesar e sorriu com tristeza. E pensou que precisavam de Shadow, e ele não sabia como lidar com aquela situação, e tentou convocar o pânico que sempre precedia a volta do outro.

E já não sabia mais.


Nossa, mais um? O.O

Esses capítulos voam. X)

Então, continuemos com a campanha, "revisem e ganhem um capítulo".

Façam eu pirar com as reviews que nem vocês fizeram nesse último e eu prometo o próximo para... quinta?

Beijos, galerenha e

R E V I E W !