Título: A Soma de Todos os Medos
Capa: NOVA! http : / / i161 . photobucket . com / albums / t233 / DarkAngelSly / nsom (underline) capa . jpg (tirem os espaços)
Sinopse: Quando o inferno é a sua alma, seu inimigo é a sua salvação.
Ship: Harry Potter/Draco Malfoy
Orientação: Slash
Classificação: M
Gênero: Angst/Horror/Romance/Drama
Spoilers: 7 – mas SEM o Epílogo.
Formato: Longfic
Status: Incompleta
Idioma: Português

Disclaimer: nada me pertence e eu não ganho dinheiro com isso.

Para o povo do fanmix: Farewell na veia, o capítulo inteiro. Foi o que me fez escrever. X)

Capítulo para:

Twin!! Porque ela trabalha e trabalha, mas sempre tem tempinho pra sominha xD e para a Tsuki pela semana difícil na facul!

E ao Thanatos e a Celeste pelas reviews lindas e, principalmente a Celeste que tentou me ajudar, mas não rolou pq eu sou chata. X)

Espero que gostem.

Bjs!


Negação X Aceitação

A paz, no entanto, durou pouco, pois Kreacher apareceu em um estalido, torcendo as mãos nervosamente.

"Mestre Shadow tem visita."

Shadow e Draco encaram o elfo, intrigados.

"E quem é, Kreacher?"

Antes que o elfo pudesse responder, uma voz foi ouvida na porta.

"Eu, Harry. E nós precisamos conversar."

Shadow sorriu e cumprimentou a pessoa com um aceno de cabeça, indicando para que entrasse e se sentasse na poltrona ainda vazia, em frente à lareira.

"É uma honra tê-lo em minha casa, Ministro."

King o observou alguns instantes antes de falar, seu ar calmo sempre presente mesmo na situação mais do que desconfortável.

"Kingsley, Harry. Esqueça o título de Ministro por um instante."

Draco arqueou a sobrancelha àquele comentário e o ministro o encarou enquanto falava.

"Podemos conversar a sós?"

"Draco é meu braço direito. Qualquer coisa que eu souber, ele pode saber também."

King tinha um ar levemente surpreso.

"Tem certeza de que eu posso confiar? Nele? Em você, Harry?"

"Eu não sei, Ministro. Podemos nós confiar em vocês?"

"E como quem você pergunta, Harry? Como o garoto que sobreviveu? Como o salvador? Como alguém que anda com comensais?"

"Como cidadão, Ministro."

Ambos encararam-se durante longos instantes, como que medindo forças, e Kingsley foi o primeiro a baixar o olhar.

"Não se engane, ministro, pensando que pode simplesmente me confundir, usando os títulos que você sabe que eu desprezo. Você pede para que eu esqueça o título que você tem, mas usa os meus. Pede que eu desconsidere seu cargo, mas fala como o político que governa o mundo bruxo, e que, na minha opinião civil de cidadão, não está fazendo um trabalho melhor do que Fudge fez, ignorando o perigo imediato, apenas para se manter no poder.", ele fez mais uma pausa e encarou o homem à sua frente, "Não me peça para ser Harry, ministro, se você não age como King."

"Parece justo. Então que seja King, Harry, e esqueça que eu sou o ministro. Pense apenas que eu sou o homem que trabalhou pela ordem, que acreditou que você poderia terminar aquela guerra e que agora, neste instante, tem dúvidas. O que você quer, Harry? Onde pretende chegar? Eu me sinto no direito de saber, depois de ter feito tudo o que fiz."

Shadow riu, cínico, e Draco quase fechou os olhos, apenas aguardando a reação que viria àquela resposta.

"Tudo o que você fez, King? Tudo? Defina 'tudo', por favor. Programas de rádio? Esconder Sirius? Me escoltar até aqui? Arriscar sua vida para defender o 'menino-que-sobreviveu'? Eu não nego que você ajudou, King, tanto quanto todos os outros membros da Ordem. Eu sei disso, você sabe disso, até mesmo Draco sabe disso. Mas não use suas ações como argumentos, porque então, eu terei que usar as minhas. E aí eu acho que você estará em desvantagem. Por que onde você estava, King, quando eu estava fugindo de Godric's Hallow com Hermione? Onde você estava quando Ron teve de destruir uma horcrux e me salvar de um lago congelado? Onde você estava quando eu estava saindo de Gringotts em um dragão?"

"Você nunca pediu ajuda, Harry. Se você tivesse pedido, nós teríamos ajudado! Você não pode nos cobrar por algo que não fizemos, quando você não pediu que fizéssemos."

Shadow apenas sorriu, como alguém que, jogando xadrez, sabe que tem o xeque-mate.

"Exatamente. Então não peça que eu lhe dê alguma resposta com base no que você fez, King, porque eu aprecio tudo, mas nunca pedi por nada."

O homem apenas encarou Shadow, enquanto ele chamava o elfo da casa logo em seguida, e pedia mais um copo de whisky, que estendeu para King, em uma posição mais relaxada no sofá quando o fez.

"Mas se você pergunta por medo, King, se você duvida das minhas intenções, aí, sim, eu posso responder. Eu quero exatamente o que eu disse hoje. Eu quero igualdade. Eu quero um mundo justo. E não pense que eu usaria isso como desculpa para dominação, ou morte. Eu jamais faria isso. Você me conhece o suficiente para saber disso. Eu só acho que nós não podemos mais nos esconder. E, no fundo, você sabe que eu estou certo."

O homem concordou com um aceno de cabeça, enquanto parecia estar considerando a questão, e Shadow e Draco trocaram um olhar, aguardando.

"Eu entendo."

Olhos negros fixaram os verdes, e King falou em um tom de voz mais baixo.

"Eu confio, Harry. E o pior, eu sei que você está certo. Nossos segredos estão apenas envoltos em brumas, qualquer vento forte as afastaria. Voldemort foi o que fez com que tudo caísse. Mas ninguém quer isso agora. A política não quer isso agora. E você está fazendo algo perigoso, Harry. Você está mexendo com o tipo de poder que continuou pleno até mesmo durante Voldemort. O poder burocrático, o poder dos políticos, o poder das pessoas para quem tudo que importa é apenas o poder. Alguns deles, Harry, são piores que Voldemort, porque ele tinha uma causa. Eles só têm interesses. Eu vim até aqui apenas para confirmar o que eu já sabia. Você está certo, Harry. Mas tome cuidado."

Shadow encarou o homem seriamente, avaliando suas palavras e tudo que ele havia dito.

"E eu posso contar com seu apoio, King?"

O homem sorriu de maneira gentil, levantando-se e largando o copo na mesinha de centro.

"Comigo, sim, Harry. Com o Ministro, não.", e Shadow entendeu que aquele 'não' era apenas abertamente, e que King, no fundo, o ajudaria.

"Eu entendo."

King estendeu a mão para Shadow, e em seguida a Draco, e já estava saindo, quando se virou para os dois jovens.

"O Ministério é feito de política, e a política não pode perder o prestígio. Eu estou lá porque eu acho que posso fazer algo melhor da bagunça em que estamos agora. Mas eu sou apenas uma pessoa. E como pessoa, eu confio em vocês. Mas como político, eu não aprovo o que fazem."

E com isso ele saiu.

"Ele tem razão. Nós estamos mexendo com pessoas que não perderam o cargo nem quando ele estava no poder.", comentou Draco, retomando seu whisky e encarando a lareira.

"Pessoas como Umbridge?", perguntou Shadow friamente, a mão direita fechada em punho, as cicatrizes refletindo com a luz fraca.

"Exatamente."

"Então lidaremos com elas quando a hora chegar. Um maníaco não me parou, não vão ser alguns burocratas que irão me parar.", ele respondeu, a voz como que feita de aço, e Draco o encarou, sorrindo.

"Eu nunca achei que iriam."

E Shadow correspondeu o sorriso. Compreendiam-se, ao menos naquele segundo, perfeitamente. E ele não precisava de mais ninguém em sua vida.

X.X

Observar alguém é uma arte.

É mais do que fixar o olhar, é entender os padrões, os gestos, é a aprendizagem da leitura do corpo, dos olhos, de cada gesto – da alma.

Observar é ler em gestos o que jamais será dito em palavras. É entender em silêncio o que nunca será pronunciado. É compreender o que cada brilho no olhar quer dizer, ver cada gesto como um sinal.

É antecipar quais serão as reações de determinada pessoa a determinadas situações.

E observando, Draco soube que se Shadow descobrisse sobre a ida de Harry ao psiquiatra por qualquer outra pessoa que não ele, jamais o perdoaria.

Confiança.

Ele a tinha agora e a perderia logo, se não fizesse o que deveria ser feito.

Honestidade.

E deveria abrir-se. E contar as razões pelas quais havia feito o que fez. E, quem sabe, apenas explicar sua motivação, calma e friamente, e como um adulto e aí, poderia ter tudo esclarecido ainda àquela noite.

Parecera uma idéia tão certa simplesmente não contar a ele àquela manhã, e com toda a organização necessária para a conferência ao cair da noite, e tantas coisas nas quais precisava pensar – e ficar remoendo o que fora que Rabastan fizera a ponto de trazer Harry – não lhe ocorrera que seria algo tão sério. Agora via que era.

E precisava contar, antes que fosse tarde demais.

Tomou um gole de seu whisky e desejou saber fumar, porque isso parecia acalmar até mesmo os Lestrange. E então respirou fundo e contou até dez, e olhou para Shadow, que o encarava, como um predador à espreita da presa.

"A maneira mais fácil é simplesmente falar, sabe? Contar até dez e encarar meus cigarros não vão fazer nada ficar mais fácil."

Suspirou e cobriu os olhos com um dos braços. Talvez se fosse honesto, se tentasse compreendê-lo, talvez se simplesmente pudesse ter em Shadow a confiança que Shadow tinha nele, pudesse fazer o que tinha de fazer.

"Por que você não quer ir ver o tal médico que Granger recomendou?", indagou em voz baixa, em uma meia esperança que o outro não o ouvisse.

"Porque eu já deixei claro que não quero."

"Mas por que não quer?", Draco levantou um pouco a voz, e descobriu os olhos, encarando o outro com a cabeça voltada na sua direção, ainda apoiada no sofá, "Você seria mais..."

"Forte?", completou Shadow, o sorriso gelado de volta aos lábios. Verde-gelo.

"É.", disse, sentindo seu único argumento escapar por entre seus dedos.

Shadow deu uma risada baixa, enquanto levantava e ia até a parede coberta de livros, fingindo-se distraído por eles.

"Não fale do que não entende, Draco."

"Me faça entender.", ele pediu, a voz ainda baixa, a curiosidade e o medo dando lugar à intriga. O que era que Shadow escondia, qual era o verdadeiro problema, o obstáculo real que o impedia de sequer querer que Harry voltasse?

"Você nunca conseguiria."

O rosto de Draco adquiriu um tom mais pálido, sua voz mais baixa, mais fria, lembrando involuntariamente o rosto do menino de escola que odiava o garoto grifinório.

"Não? Você acha que a guerra também não foi difícil para mim? Que não doeu ver meus pais perdendo tudo, da dignidade à varinha, ver que eu estou os perdendo porque eles estão me perdendo? Perder o mundo em que eu vivia, as verdades que eu acreditava? Que eu me diverti sendo o torturador dele?", ele levantou e avançou lentamente até o rapaz mais baixo que agora o encarava, impassível, "Você acha que foi tudo brincadeira, que eu não entendo de dor, e de ódio, e de medo?"

"Pense bem com quem você está falando, Draco.", disse Shadow, em um tom quase de ameaça.

"Há certas coisas, Potter, pelas quais eu jamais vou passar novamente. Eu não vou baixar a cabeça porque você fala mais baixo, ou grita mais alto. É uma guerra que eu estou disposto a vencer, essa nossa, mas não se o preço for estar abaixo de alguém novamente. Não julgue que você sabe o que eu passei, seja por mais ou menos do que a realidade. Não julgue que você me conhece, ou que pode algum dia me entender, sem tentar. Porque você está dividido em dois, mas eu ainda sou um só. Não me subestime."

"Então não pressuponha que pode entender as minhas razões."

"Eu não estou pressupondo, eu estou pedindo para que você me explique. Porque eu sinto muito ser eu a dizer isso, Shadow, mas ser como é, como você age, agora pode ser beneficial. Mas não pense que ele também não agiu assim no começo."

Os olhos de Shadow brilharam em fúria por um segundo, antes de ele empurrar Draco contra a estante da biblioteca, a varinha já no pescoço do rapaz mais alto.

"Não ouse me comprar a ele. Nunca."

Sua voz era um mero sussurro, mas Draco se recusou a demonstrar medo.

Já tivera medo o suficiente por toda uma vida.

Medo fizera-o perder a dignidade e o status. Medo fizera-o perder o respeito que tinha pelo pai. Medo fizera ele enxergar sua mãe como a pessoa forte da família. Medo fizera com que ele considerasse matar.

Medo seria seu fim, e o do resto do mundo, se fosse estar lado a lado com Shadow.

"Então me prove.", ele respondeu, a voz tão baixa quanto a do outro, "Me prove que você é diferente. Me explique porque a recusa do seu lado humano, Shadow."

"Não peça para ver o que você não quer, Malfoy.", ele disse, a voz mais alta, se afastando do outro, "Não peça para entender o que vai considerar uma fraqueza depois."

"Eu só posso dizer se é uma fraqueza ou não depois de saber do que se trata. Eu estou do seu lado, Potter. Ou você vai realmente achar que ninguém no mundo é digno da sua confiança?", ele retomou o tom agressivo, enquanto Shadow andava a passos rápidos pela sala, a varinha girando entre os dedos e apertada na mão, "Ninguém consegue entendê-lo! Você – está – sozinho! Já percebeu isso? Que tipo de confiança é essa, Potter, que você tem em mim, se eu não sei nada a seu respeito! O médico trouxa disse que você é a parte principal. Você instigou que Harry surgisse! Me explique porquê!"

"Você acha que eu não quero, Draco?! Que não seria mais fácil? Mais simples?! Eu MORRI, Malfoy, pergunte a sua mãe! EU MORRI! ELE ME MATOU E EU ERA PARTE DELE! O QUE VOCÊ ACHA QUE EU SENTI? VER MEUS PAIS, SIRIUS, REMUS! TODOS ELES MORRERAM POR MINHA CULPA!", a voz de Shadow começava a ficar rouca, e ele se aproximava um passo a cada palavra, fagulhas vermelhas e negras saindo da ponta de sua varinha, enquanto ele gritava, e Draco apenas o encarava, tentando permanecer calmo.

Havia pedido por aquilo, agora iria levar até o fim.

"Você tem alguma idéia da dor que eu sentia a cada vez que ele se aproximava de mim? Você acha que consegue compreender o que é se sentir sujo, porque ele conseguia ver dentro da minha mente? Você acha que alguma tortura que você infligiu ano passado se compara a saber que eu, indiretamente, matei Cedric? E meus pais e Sirius e Snape, Remus e Tonks e Fred? Eu matei cada um deles com ele, Draco. Cada um deles."

A voz de Shadow era baixa e controlada, quase desprovida de emoção, enquanto os olhos verdes prendiam os cinza, e Draco podia ver tanta dor e tanta culpa que não entendeu, por um momento. Não entendeu como alguém poderia viver daquela maneira, aprisionado em si mesmo.

"E não só isso, eu tive de me deixar matar. Eu fui para aquela floresta, achando que seria meu fim. E eu fui.", a voz dele falhou na última palavra, e Draco podia ver as lágrimas que ele se recusava a deixar cair marejando seus olhos, "Eu tinha dezessete anos, Draco. E eu ia morrer porque eu achava que era certo. O que você diz de alguém assim? Fraco o suficiente para pensar tão pouco de si mesmo, ou nobre demais para seu próprio bem? Covarde, porque abandonaria a luta antes do fim, ou corajoso que não se importaria em morrer pela causa? Apenas morrer. Por alguns segundos eu quis não voltar. Eu quis ficar em qualquer lugar que não ali, porque eu sabia que mesmo que eu voltasse uma parte de mim morreria.", ele pegou a mão de Draco e colocou sobre o seu peito, onde seu coração batia rápido, quase que possível de se ouvir, "Isso, meu coração, minha alma, meus sentimentos, estavam no fim. Eu ia matar. Eu morri para matar. Eu sobrevivi para matar. Eu vivi para matar. Voldemort foi apenas o mais evidente, mas eu levei tantos comigo. E eu ainda sentia, eu ainda tinha alma, eu ainda sentia remorso, eu ainda tinha inocência, Draco. E eu não pude deixar isso morrer.", e Shadow teve de parar de falar, pois sua voz estava presa na garganta, e uma lágrima solitária traçou seu rosto, enquanto ele engolia em seco, "Mas um dia tudo isso vai acabar. E quando eu sentir, não vai ser somente dor. E aí eu vou poder voltar a ser quem eu era.", ele fez mais uma pausa e tentou sorrir para Draco, "É pedir demais?"

Draco apenas balançou cabeça, impossibilitado de falar.

Não sabia o que dizer.

E apenas encarou os olhos à sua frente, verdes e brilhantes e tão confusos e com tanta dor.

E quis apenas melhorar tudo, e fazê-lo entender que entendia.

Entendia seus motivos, suas razões e tudo que ele havia feito. Entendia que não quisesse que uma parte sua morresse. Entendia que ele lutasse por um mundo idealizado em que se sentisse seguro para voltar a sentir. E mais do que admiração pelo estrategista, compreendeu quem Shadow era, de onde vinha, porque era daquela maneira.

E conhecê-lo por completo só aumentou a sua vontade de tê-lo ainda mais perto. E eram um só – Harry e Shadow – e ambos eram pessoas que ele admirava e, de certa forma, amava.

E não teve de pensar para agir daquela vez, apenas aproximou os lábios do dele - não em um beijo: um roçar leve, um carinho, gosto de lágrimas, ombros tensos e poucos toques. Um apoio, uma concordância, um gesto que mostrasse que ele entendia, e, mais do que isso, aceitava.

E Shadow correspondeu, não pelo susto, como fora com Rabastan, mas porque quis. Porque precisava. Porque Draco compreendia e o aceitava e era mais do que ele poderia pedir.

E durante todo um segundo quis ser apenas um só mais uma vez.

Mas isso teria de esperar, porque ainda tinham uma guerra para vencer.


HAHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA, e todo mundo achando que era um cabeça vermelha. HOHOHO.

x)

FRAN!! Já peço desculpas antecipadas, tem Lestrange capítulo que vem, JURO!

Agora, sejam amores e

R E V I E W !