Título: A Soma de Todos os Medos
Capa: http : / / i161 . photobucket . com / albums / t233 / DarkAngelSly / nsom (underline) capa . jpg (tirem os espaços)
Sinopse: Quando o inferno é a sua alma, seu inimigo é a sua salvação.
Ship: Harry Potter/Draco Malfoy
Orientação: Slash
Classificação: M
Gênero: Angst/Horror/Romance/Drama
Spoilers: 7 – mas SEM o Epílogo.
Formato: Longfic
Status: Incompleta
Idioma: Português
Disclaimer: nada me pertence e eu não ganho dinheiro com isso.
Eu não sei se alguém conseguiu pegar as respostas das reviews depois do surto do éfeéfe. Se alguém ficou sem resposta, gente, DESCULPA! Qualquer coisa, gritem e eu repondo de novo, ok?
E DESCULPA 2 pela demora no capítulo, mas eu andei meio enrolada e panz, eleições e talz, mas aqui está o capítulo.
E, sim, eu tenho sérios problemas com o Dumbledore e eu não gosto dele, isso é fato. X)
Understanding
A verdade sobre as guerras é que ninguém as vence.
Elas vencem você. Destroem e corrompem e pessoas morrem. Morrem e não voltam mais.
nunca
mais
Talvez eu seja fraco. Talvez eu entenda todas as suas razões para me afastar quando uma nova guerra começa, talvez eu entenda porque você quer vencer a todo custo, talvez eu saiba exatamente suas motivações para não me querer com você quando as batalhas iniciarem.
Talvez não.
Mas eu sei que você, sozinho, nunca vai completamente vencer esta guerra. A sua guerra. Não contra os trouxas, não contra Voldemort, não contra qualquer que seja o próximo inimigo que você consiga encontrar.
Contra seus medos.
Contra você.
Você e eu, Shadow, somos um grande clichê. Você tem tanto medo da vida que leva que decidiu não sentir e apenas lutar. O que você quer, Shadow? Um mundo com o qual nós sonhamos? Para Hermione e Draco e os Lestrange e Malfoys, onde todos eles consigam viver em harmonia?
O quão utópico isso é?
Eu sei que isso não é possível. Eu sei que as batalhas que você quer lutar são justas, mas também sei que nunca vai haver fim. Hoje são os trouxas, amanhã serão as pessoas que se oporem ao sistema que você quer implantar e então o Ministério e os rebeldes e então será Tom Riddle, de novo e de novo e de novo, até que um novo Harry Potter ou um novo Dumbledore apareça e então o ciclo vai se repetir e repetir e repetir.
E eu não quero isso.
Você não quer isso.
Nós dois sabemos.
E eu não peço que você abandone esta causa, eu sei que ela é justa e que você é necessário, mas não abandone a si mesmo. Por nós e pelo mundo que eu passei a amar mesmo sem nunca ter vivido plenamente nele, apenas não nos abandone. Porque a idolatria que as pessoas sentem agora não é por Shadow, ou Harry, é pelo Eleito, e elas estão cegas pelo alívio, e burras pelo deslumbramento. Eles estão ali para serem pegos, comandados, tomados e dominados, mas não aceite a oferta.
O preço é alto demais.
Resgate-me. Quando você puder, me tome de volta.
E confie.
Eu confio em Draco, e repito o seu conselho para você mesmo.
Confie nele.
Porque ter alguém em quem confiar é sobre tudo que você sempre quis, Shadow, e nunca admitiu.
E eu me sinto idiota escrevendo para mim mesmo. E me sinto fraco por ter sido deixado para trás e simplesmente não entender, apesar de saber que é exatamente esta parte minha que diz que tudo isso está errado e que mais guerras é a última coisa de que nós precisamos é exatamente o que fez você nos separar. E eu não sou tolo, e sei que se algum de nós tem algum controle, esse alguém é você.
E eu não gosto disso, mas eu confio.
Porque se eu não puder confiar em mim mesmo, em quem eu confiaria?
Draco sorriu, um tanto triste, ao ler as palavras escritas com a letra espalhada e quase infantil de Harry, que agora dormia, o rosto finalmente em paz. Assustou-se quando abriu seus olhos depois do quase beijo e encontrou Harry o encarando e não mais Shadow.
Um beijo era demais para alguém que não podia sentir.
E pensou, durante longos minutos, se quando eles dormiam alguma das personalidades se manifestava. Algum deles sonharia mais, ou teria mais pesadelos? Qual deles dois lembraria a guerra, qual tentaria esquecer?
O quão complexas aquelas duas almas que residiam dentro de um mesmo corpo iriam ainda se mostrar, quando, ao ler as palavras de Harry, Draco se deu conta de que Shadow, em seu plano de igualdade até mesmo com os trouxas, tornava-se ainda mais idealista que até mesmo Dumbledore? Que através da guerra, ele tentava realizar o sonho de toda criança nascida trouxa daquele mundo, todo homem ou mulher que se apaixonava por alguém do outro povo e que teria de decidir a qual dos dois seria fiel?
O quão infantil era o homem com olhar de gelo, ao imaginar que realmente conseguiria aquele feito?
O quão infantis eram ele, seus pais e os Lestrange e Granger e todos aqueles que o apoiavam, que pensavam que ele realmente conseguiria fazer o que estava se propondo a fazer?
O quão pesado era o fardo que colocavam sobre as costas de um rapaz de dezoito anos por acreditarem que ele realmente faria o que prometia?
O quão forte era esse mesmo rapaz por tentar, e o quão ainda mais forte ele se mostraria para conseguir?
Era insanidade.
Pura.
E o quão sábio era Harry, tão inocente e aberto? Tão pé no chão, enquanto sorria, e fingia que tudo estava bem, e não suportava a mais vaga referência à guerra, mas que sabia que Shadow era, na realidade, muito mais fraco que ele? O quanto doeria em Harry saber-se excluído de si mesmo, e o quão forte ao mesmo tempo, para entender a necessidade de tal ato?
Correu a mão pálida e bem cuidada sobre os cabelos espalhados do outro rapaz, e traçou os contornos de seu rosto sem tocá-los. E o admirou como beleza pura e inigualável, que vem da alma, acima de cor, religião, crença, povo, raça, ou qualquer outra coisa.
Harry, Shadow, Potter, Eleito... tantos títulos para alguém tão além de qualquer rótulo, qualquer classificação.
E sentiu, pela primeira vez desde que ouvira o nome "Harry Potter", a idolatria fácil que o povo mágico tinha pelo garoto que os salvara e os salvara novamente. E entendeu porque tantos o seguiriam se ele pedisse.
E teve medo.
De perder o garoto que dormia tranqüilo, de vê-lo transformado em muito mais do que Harry ou Shadow.
Teve medo de ver um Lorde Potter. Teve medo do que o passado de Tom Riddle e Gellert Grindenwald havia sido.
Porque, de repente, conseguia ver que eles não deveriam ter sido sempre tão sem humanidade. Que, em algum ponto, eles se perderam por não terem alguém em quem confiar, alguém ao lado deles que tivesse coragem suficiente para pará-los. Para dizer quando ele estava errado.
E lembrou do que havia lido nos jornais antigos sobre Gellert e Albus.
Grindenwald e Dumbledore.
E considerou o quão diferente a história do mundo não teria sido se o antigo diretor não tivesse abandonado o amigo e seguido seus passos, sendo a parte sensível e racional. Talvez tivesse havido um Lord das Trevas a menos na história. Talvez não tivesse havido nenhum, pois Voldemort freqüentara a escola na época da primeira guerra, seus ideais eram os mesmos.
Cabia a ele e Harry serem a consciência de Shadow.
E teve de rir ao pensar que ele estava se comportando como Dumbledore, de todas as pessoas.
Mas jurou para si mesmo que não falharia Shadow como Albus falhara Gellert.
Não importa o que, ele estaria ao lado dele, em cada passo do caminho.
E nada, nem ninguém, o impediriam de fazer isso.
X.X
Já era tão tarde da noite que Draco começava a achar que era cedo da manhã quando saiu do quarto de Shadow, indo até a cozinha tomar um café. Não valia a pena dormir. Estava cansado, estava apreensivo e estava nervoso, mas não queria ir até a sua casa enquanto o outro garoto não acordasse.
E sentiu um alívio imenso por não ter saído quando chegou à cozinha e encontrou Rabastan Lestrange lá, sentado à mesa, um copo de whisky e um cigarro na mão.
O homem o encarou com óbvia surpresa, e a garrafa quase vazia fez Draco perceber que ele deveria estar bebendo já há algum tempo.
E sentiu uma vontade súbita de sentar no chão e chorar de cansaço. Exaustão pura.
Não queria ter de lidar com um Lestrange bêbado àquela hora da madrugada.
"Você está morando aqui?", indagou Rabastan, a voz levemente sarcástica, exatamente como o sorriso que adornava seu rosto.
"Se eu estivesse, isso não lhe diria respeito, não é mesmo?", respondeu Draco no mesmo tom.
"Por que não?"
Draco arqueou uma sobrancelha ao ouvir a resposta tão pronta do outro.
"E por que teria?"
"Porque eu quero conhecê-lo. E entendê-lo."
Draco encarou o homem mais velho, que tinha escorado o corpo nas costas da cadeira, fazendo-a se apoiar apenas nas pernas traseiras, uma pose descontraída, seus olhos sendo a única marca de que ele estava nervoso e levemente irritado. E não precisava ser nenhum gênio para saber a quem ele estava se referindo.
"Por quê?"
"Isso não lhe diz respeito, não é mesmo?", retorquiu o homem, o sorriso mais sarcástico, enquanto tomava mais um gole de whisky.
E Draco se sentiu tão mais velho, naquele momento. E, olhando o homem à sua frente, viu um pouco de si, tentando encontrar qualquer crença, qualquer coisa para se agarrar, durante a guerra e seus últimos dois anos na escola.
E com uma surpresa quase doída, percebeu que Rabastan não deveria ter sido muito mais velho do que ele era quando fora preso. E que como ele, deveria ter perdido a fé em tudo... Em seu pai por ter seguido um tolo, talvez? Em seu irmão por tê-lo posto neste caminho absolutamente sem volta, como Lucius havia feito com ele? Não impondo, mas falando de tal forma que tudo que o lunático pregava soava como a coisa certa a se fazer? Teria Rabastan perdido todas as crenças e todos os heróis, teria se tornado tão desesperado por alguém certo, que já não se importava em não ver mais a pessoa por trás da idéia?
E não era assim tão difícil de entender porquê o homem estava tão fascinado com Shadow, mas isso certamente não significava que ele encorajaria aquele comportamento.
Shadow já estava tendo trabalho demais para salvar a si mesmo, e certamente não tinha como salvar um homem perdido como Rabastan Lestrange.
"Ele não gosta de ser tratado assim. Você fala dele como se ele fosse um título e isso é tudo que ele não é. Não o idealize, Rabastan. Nunca idealize ninguém. As idéias são muito mais fortes que as pessoas e nenhuma espécie de sentimento, por mais forte que seja, sobrevive à realidade quando as idealizações já não são suficientes."
Rabastan olhou para o garoto à sua frente com óbvio desprezo.
"E quem você é para saber do que está falando, garoto?"
Draco sorriu e virou-se para sair da cozinha, cansado além de seus anos.
"Alguém que conhece Potter, e que sobreviveu uma guerra. Alguém que Shadow escolheu para estar com ele.", o loiro se virou, e encarou o homem nos olhos, sem permitir que o olhar castanho o intimidasse, "Fique longe dele, Lestrange. É um aviso."
E com isso saiu, decidido a ir dormir, mesmo que perdessem metade do próximo dia, deixando Rabastan sozinho.
X.X
Encarava o espelho.
E tentava ver sua alma.
E não conseguia.
Tentava entender onde foi que ele havia se perdido de tal forma que já não sabia mais o que esperar de si mesmo. Onde foi que havia deixado de estar contente em ser o irmão de Rodolphus, de onde viera a necessidade de ser apenas Rabastan, de onde viera a sede por liberdade quando já não estava mais preso.
De onde viera aquela vontade imensa por uma vida e um poder que não tinha.
Deu as costas para o espelho e encheu mais um copo de firewhisky.
Nunca havia bebido daquela forma. Nunca havia feito algo apenas pelo prazer de fazê-lo. Nunca havia, no sentido pleno da palavra, vivido. E dava-se conta, apenas naquele instante, apenas quando o tempo corria como areia entre seus dedos, de que tinha quase quarenta anos. De que não era um garoto. De que não vira sua juventude passar, porque ela estava sendo sugada por dementadores.
E não sabia dizer quem o havia posto lá.
Ele mesmo, por ser tolo e seguir idéias que não eram suas? De Bella, por estar sempre tão próxima de Rodolphus mesmo que não o amasse, que inspirava nele ciúme a tal ponto que colocara sua vida em risco, sua juventude fora por ser tolo?
De Rodolphus?
Talvez fosse.
Quem o havia feito fora Rodolphus. Era para seu irmão que havia vivido todos aqueles anos, eram dele os passos que seguira e quando se tornara um Comensal, por mais que tivesse, aparentemente, se deixado convencer por Bella, quando vira a marca no braço do irmão, soube que era aquele o caminho que seguiria.
E sentiu raiva.
Virou-se, com o copo na mão e encarou o espelho na parede oposta.
E sua imagem quase se ria dele. E por alguns instantes, seu reflexo tinha tão mais vida do que ele mesmo. Sorria mais e era mais jovem.
Certamente aqueles olhos de cor viva não eram seus? Nem tampouco o sorriso sarcástico, ou os cabelos em desalinho?
Sentiu raiva.
Dele, do mundo, de tudo.
Havia perdido sua vida, havia perdido tudo, havia perdido Rodolphus.
Tudo que não havia perdido era a si mesmo, pois não se perde algo que jamais teve.
E sua imagem riu dele naquele momento, uma risada alta e vazia, despida de emoção, risada de raiva, frustração e dor.
Dor.
E raiva.
Atirou o copo contra si mesmo, e viu-o partir-se em pedaços contra a superfície do espelho, estilhaçando-o também, e encarando sua imagem partida, olhou para suas mãos e tocou seu tosto, esperando que sangrasse.
E não sangrava.
Já não era real o suficiente para sangrar.
E gritou.
Doía tanto, era tão vazio, tinha tanto medo naquele momento, de não ter nada, de não possuir nada e não pertencer a ninguém.
E nunca tivera vida.
E não tinha mais nada.
E seu grito ecoou pela casa, e ouviu o estrondo da porta de seu quarto sendo aberta por Rodolphus, que estava parado na porta, encarando a cena no quarto com espanto e medo e dor.
Rodolphus tinha dor por causa dele. Rodolphus sentia, e era real, e ele queria apenas ser também.
E continuou a gritar, até que sua garganta ardesse.
E, pela primeira vez, desde que era uma criança, deixou que Rodolphus o abraçasse, caído no chão.
E chorou.
Por tudo que não tinha e jamais tivera.
Por tudo que nem mesmo sabia se queria ou não ter.
E chorou, agarrando-se a Rodolphus, pois ele era tudo o que não podia perder, mesmo que não o tivesse.
Rodolphus era sua realidade.
E isso era tudo o que ele queria naquele momento.
Esse foi rápido até!
Hauhauahuahuahuahua
Então, mais uma vez, desculpas pela demora, prometo tentar não fazer mais isso.
Muito obrigada pelas reviews, keep'em coming \o
Beijos e
R E V I E W !
