Título: A Soma de Todos os Medos
Capa: http : / / i161 . photobucket . com / albums / t233 / DarkAngelSly / soma (underline) final . jpg (tirem os espaços e substituam o 'underline' pelo símbolo de 'underline')
Sinopse: Quando o inferno é a sua alma, seu inimigo é a sua salvação.
Ship: Harry Potter/Draco Malfoy
Orientação: Slash
Classificação: M
Gênero: Angst/Horror/Romance/Drama
Spoilers: 7 – mas SEM o Epílogo.
Formato: Longfic
Status: Incompleta
Idioma: Português

Disclaimer: nada me pertence e eu não ganho dinheiro com isso.

AVISO! A cena em que terminou o capítulo 22 é anterior a este aqui, e também à penúltima cena do 22 (que, para quem não lembra, é o Draco e o Rabastan conversando). Eu realmente não acredito na linearidade. X)

Para trilha: Tear, Red Hot Chilli Peppers \o

Eu não vou pôr dedicatórias ou agradecimentos especiais, pq me sentiria injusta, já que todos vcs são muito importantes pra mim, até quem nem deixa review e só lê a fic.

Só vou desejar um Feliz Natal atrasado e um ÓTIMO 2009 pra todo mundo!

Beijos, galera, e espero que curtam o capítulo!


Sides

Acordar.

Era um hábito que estava se tornando irritante, na verdade, não lembrar de ir dormir e... acordar.

Mas era ainda mais desconcertante, talvez, ir dormir e acordar e, surpreendentemente, ainda ser você. Ainda estar ali, ainda ter consciência – plena, lembranças perfeitas – de ter ido dormir e então... acordar.

Sorriu, leve, talvez leve até demais para um feito tão simplório, – saber que havia ido dormir – mas ficou estranhamente satisfeito. Olhou para o lado e viu Draco ainda adormecido, os cabelos loiros caídos sobre os olhos, as duas mãos embaixo do travesseiro, e levantou devagar, não querendo perturbá-lo.

Pela luz que não entrava na sua janela, deveria ser um pouco antes do amanhecer. Vestiu uma camiseta qualquer e saiu do quarto tentando não fazer barulho, e seguiu até a cozinha. Não lembrava quando havia sido a última vez que tinha comido, mas seu estômago lembrava e ele estava com fome.

Parou na porta, quando notou luz saindo pela fresta embaixo dela, e a abriu cauteloso, espiando pela fresta mínima, como uma criança espiando algo que não devia.

Um par de olhos castanhos encontrou o verde e Harry engoliu em seco.

Rabastan Lestrange e uma garrafa de whisky estavam à sua frente.

E não havia nada que pudesse fazer senão entrar na cozinha e torcer pelo melhor.

.#.

"Eu não posso fazer isso, Rabastan."

Uma batida. Duas, três.

"Você sabe que não quer que eu faça isso."

Outra batida. Cinco, seis.

"Não de novo, meu irmão. Não para acabar por destruí-lo mais uma vez."

Mais outra. Oito, nove.

"Perdoe-me, Rabastan."

Um sussurro, mais baixo que a própria batida de seu coração.

Dez, onze.

"Mas você precisa fazer isso sozinho."

Silêncio.

Ecoavam as batidas dos sapatos de Rodolphus pelo chão da sala, o ritmo exato das batidas do seu coração que aos poucos descompassava, consumido pelo desespero de, simplesmente, não saber. As lágrimas não caíam mais, ou talvez caíssem e ele não percebia. O que importava?

Fechou os olhos, respirando fundo e sentindo o cheiro empoeirado da solidão que o cercava. Estava sozinho para se encontrar e entender o que era, do que queria fazer parte, quem era. Reconstruir a si mesmo dos fragmentos que ainda tinha, ou derrubar todos os seus ícones e moldar-se novo?

Não sabia nem ao menos por onde começar, só o que sabia é que queria poder. Como nunca quisera antes. Queria poder fazer a diferença por ser quem era, e não seguir crenças que não fossem suas. Queria seguir as regras, porque seria ele a fazê-las.

Queria encontrar um caminho, qualquer que fosse, que o levasse a si mesmo.

E precisava sair, porque todos têm limites, e o dele estava já há quilômetros de distância.

Grimmauld Place foi o local escolhido, com seu cheiro antigo e esterilidade. Seus corredores sombrios e o ar do lugar onde as pessoas dormem e comem e passam seu tempo, mas jamais vivem.

Já estava há horas na sua própria companhia, ele e sua garrafa de whisky, quando Draco Malfoy entrou na cozinha. Tão jovem, tão cheio de si apesar de seus fracassos, tão decidido e certo do que queria.

Odiava-o naquele momento como odiava poucas pessoas no universo. E tudo que o jovem lhe disse fez com que, ao menos, pensasse um pouco, não em si, mas em Shadow. Nas sombras que se escondiam atrás do verde, na proteção que um Malfoy lhe dava, e na lealdade quase cega que tinha de alguns de seus amigos. E em quais seriam as verdadeiras ambições, o que sentia, quem era de verdade. Sentia vontade de dissecá-lo pela sua força, de saber e conhecer cada milímetro da alma dele, apenas para entender o que o motivava a não ter fraquezas aparentes, e sempre ter o controle, a desejar o poder e mantê-lo.

O que tornava Shadow tão forte, se ele era tão fraco?

Qual era a grande diferença entre eles, enfim?

Não sabia por quanto tempo tinha estado sozinho, perdido em suas considerações quando ouviu a porta da cozinha se abrir e um garoto – um garoto, nada mais que um garoto – espiar pela fresta que havia aberto, e entrar no lugar parecendo absolutamente apavorado, mesmo que tentasse manter a calma.

E o sorriso que tinha pronto para dar a Shadow se perdeu em algum ponto dos olhos verdes inocentes que o encaravam. Um par de pura e simples inocência, temeridade e coragem. Calor. Vida. Apreensão. E nem ao menos conseguiu encontrar a voz para responder ao bom dia quase sussurrado do... menino que tinha o mesmo rosto que Shadow, e tinha suas roupas e sua fisionomia, mas que não era ele.

Porque Shadow, Rabastan acabava de perceber, não mostrava emoções e aquela pessoa agradecendo a xícara de chá que recebia do elfo com um sorriso calmo - quase doce – tinha uma emoção para cada segundo.

E Rabastan não achava palavras para falar, ou para querer falar. E teve medo, por alguns segundos de que aquela pessoa que estava à sua frente fosse a verdadeira face de Shadow, e tudo mais que ele mostrasse fosse uma mera máscara.

Mas não poderia ser.

Você não o conhece, Rabastan.

E não o conhecia. Não aquela pessoa à sua frente naquele instante. Não fazia idéia de quem era Harry Potter, porque tudo que havia visto até então era Shadow.

Sombras desfeitas de um jovem que não sabia quem era.

Seu castelo de espelhos desfeito mais uma vez, com muito menos dor e muito mais perdas. Seu último porto seguro que afundava em meio ao sorriso nervoso que recebeu quando foi pego observando o garoto sentado do outro lado da mesa.

"Acordou cedo,... Harry."

O garoto meramente deu de ombros, com um sorriso um tanto envergonhado, enquanto mordia o lábio inferior, olhando diretamente para sua xícara de chá.

"Perdi o sono."

"Um mal em comum.", respondeu Rabastan, levantando o copo de whisky como num brinde, o que fez o garoto franzir o cenho.

"Não é muito cedo para beber?"

"Tarde talvez fosse o termo apropriado, uma vez que eu não dormi ainda, Harry."

Os olhos verdes fixaram-se nos seus, um leve ar de repreensão passou pelo rosto do rapaz, sendo substituído por preocupação logo em seguida.

"Aconteceu alguma coisa com Rodolphus?"

Rabastan sorriu em resposta. E conseguiu fazer com que seu sorriso fosse apenas um pouco amargurado.

Porque era ele quem queria respostas, e era ele quem queria fazer com que Shadow se interessasse por ele, mas era por Rodolphus que aquele garoto mostrava preocupação.

Mas aquele não parecia ser Shadow, parecia?

"Não. Nada aconteceu com Rodolphus. Eu só precisava... pensar. Sozinho."

"Em Grimmauld Place?", devolveu o rapaz, claramente incrédulo.

"Sim. Aqui tudo parece ser tão...", ele parou, como que buscando a palavra certa para descrever o ar que aquele lugar tinha.

"Estéril.", completou o jovem, com um ar de compreensão e uma sombra no olhar que definitivamente não estava ali antes, "Como se ninguém pertencesse a esse lugar. Acho que entendo porque você viria aqui para pensar, embora eu jamais fosse escolher ficar aqui."

"Você não parecia ter problemas como ficar aqui antes."

Harry ficou em silêncio alguns segundos antes de responder, sua voz calma, e um tanto baixa, sem perder aquele leve tom infantil que havia guardado até então.

"Não. Não parecia. Mas nem tudo é o que parece."

Encararam-se por alguns minutos, o único som que se ouvia eram suas respirações.

E Rabastan percebeu que Shadow não era indestrutível, ou perfeito. E que ele tinha, sim, um lado fraco, que Rabastan sabia não conseguir nem ao menos começar a entender.

E que não queria entender. Porque como havia dito Malfoy mais cedo, idéias são mais fortes que pessoas, e aquela pessoa à sua frente era fraca, de certa maneira, porque não era Shadow, mas era parte dele, ou talvez meramente uma faceta dele que Rabastan sabia ainda não estar pronto para ver. E parecia tão claro agora tudo que Rodolphus havia lhe dito tantas vezes antes.

Precisava encontrar um espelho que refletisse a si mesmo, ou talvez parar de procurar por espelhos e enxergar sua própria imagem sem obstáculos. Porque estava perdido por depender dos outros, mas aquilo acabava naquele exato instante.

Ter alguém que dependesse dele, no entanto, não era uma perspectiva ruim ou desagradável. E aquela pessoa tão jovem, com tanto para carregar nos seus ombros, parecendo tão tenso e tão diferente de Shadow, mas ainda assim tão forte quanto ele parecia simplesmente a pessoa exata.

Força e fraqueza, frieza e calor, proteção e vulnerabilidade, em um só.

E conforme os raios do sol entravam aos poucos pelas vidraças sujas, Rabastan sorriu levemente para o rapazinho à sua frente. E aproximou sua mão do rosto dele com a mesma lentidão que teria se estivesse se aproximando de um animal assustado. E tocou o rosto dele com leveza, recendo um olhar surpreso e um tanto temeroso em resposta, mas o garoto não se afastou.

Mas Rabastan nunca soube o que aconteceria, pois Draco Malfoy decidira entrar na cozinha naquele exato instante.

.#.

Draco acordou subitamente, sem aquele estágio de sono leve e então despertar. Em um segundo ele estava dormindo, no próximo acordado e desperto.

E viu que Harry não estava ali.

Vestiu-se apressado e saiu para o corredor, imaginando quem encontraria ao chegar à cozinha, ou à biblioteca.

Ouviu movimento vindo da porta fechada da cozinha e foi até lá, tentando controlar a respiração, praticamente contando até dez. Harry estava sentado com os olhos ligeiramente espantados, enquanto Rabastan tinha a mão direita pousada no rosto do rapaz.

Olhos verdes encontraram os cinza e o coração de Draco deu um salto, notando o alívio e a confusão que estavam estampados ali.

Alívio, porque Harry confiava nele. E era isso que importava.

"Bom dia, Harry.", ele disse com um sorriso para o outro, que afastou a cadeira para o lado, indicando que Draco deveria se sentar ao lado dele. Só depois de já estar sentado ele voltou a olhar para Rabastan, que assistia a interação com impassividade, nenhuma emoção aparecendo sem eu rosto, "Passou a noite na cozinha, Lestrange?", perguntou, com uma falsa preocupação na voz.

"Ora, Malfoy, nunca imaginei que você se preocuparia com onde eu dormi."

Draco levantou uma sobrancelha em resposta ao tom levemente irônico e condescendente do outro, e aceitou a xícara de café que o elfo lhe oferecia.

"Eu não me preocupo com onde você dorme, desde que não seja na cozinha dessa casa."

"Talvez eu encontre outro lugar dessa casa para dormir.", respondeu Rabastan, com um olhar e um sorriso rápidos para Harry, que simplesmente não entendia a conversa e estava encarando sua xícara de chá firmemente entre as mãos.

"Não se esse lugar já estiver ocupado.", respondeu o loiro, sorrindo amplamente ao ver a máscara de indiferença de Rabastan ruir por alguns instantes.

O silêncio que se seguiu era enervante e Harry estava claramente desconfortável ali. Draco, no entanto, não poderia simplesmente fazer o que tinha vontade – sair dali com Harry, abraçá-lo e dizer que estava tudo bem – porque isso não era uma possibilidade.

Para aquele homem a algumas cadeiras de distância, Harry e Shadow eram exatamente a mesma pessoa, e qualquer ação que Harry – ou ele – tomassem, e que não fosse condizente com o que Shadow faria – ou ainda mais não condizente - poderia ser o fim de seu segredo, que já tinha pessoas demais sabendo.

Concentrou-se na sua comida, notando que Harry não estava realmente comendo, mas empurrando a comida de um lado para o outro do prato, destruindo a torrada que Kreacher fizera.

Rabastan apenas observava os dois, um certo ar de compreensão em seu rosto, enquanto observava o garoto mais baixo – e repentinamente, mais novo – não comer.

Harry engolia em seco a cada poucos segundos e Draco acabou por se sentir desconfortável pelo outro.

Repentinamente, Harry apenas levantou da sua cadeira, balançando levemente a cabeça em negação quando Draco tentou segurar seu braço, e saiu, deixando os dois outros homens um tanto perplexos com sua ação. Draco acabou levantando e seguindo o outro, encontrando-o em seu quarto, andando de um lado para o outro, algumas lágrimas escorrendo pelo rosto a cada poucos minutos, que ele secava com impaciência.

"Harry?", Draco chamou suavemente, depois de ter silenciado o quarto, "Harry, você está bem?"

O garoto apenas balançou a cabeça novamente, parando em meio ao quarto, encarando Draco com as mãos nos cabelos, um sinal de quase desespero.

"O que é que está acontecendo?", ele sussurrou e Draco sentiu medo. Medo de perder Harry e medo de que ele se dividisse mais uma vez.

Medo do que Rabastan pudesse ter feito, medo por ele e medo por Shadow.

"O que Rabastan fez, Harry?"

Mas Harry não estava escutando. Harry tinha uma máscara impassível no rosto, um olhar vazio, durante alguns segundos, e então... frieza. Verde-gelo.

Shadow e Draco apenas se encaram por logos minutos, cada um sabendo que Harry estava sofrendo, os dois também conscientes de que não poderiam fazer nada para acalmar a dor. E Draco percebeu, pelo leve apelo que viu nos olhos frios, que Shadow não queria saber o que havia acontecido com Harry, para que ele tivesse voltado.

Era demais para ele. Ambos apenas se olhavam, compreensão e medo mistos e estampados nos olhos. Impotência pairando no ar entre eles, e uma apreensão tão densa que era quase visível.

E eles não podiam fazer nada.

E tudo que eles ouviram por um longo tempo foi o silêncio.


EU ACABEEEEEEEEEEEEEEEEEEEI E DESEMPAQUEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEI.

YYYYYYYYAAAAAAAAAAAAAHHHHHHOOOOOOOOOOOOOO

\o\ |o| /o/

Ai, que alegria.

Enfim, esse capítulo seria maior, mas eu queria postar de uma vez, então, ele ficou mais curto e dividido em dois.

A boa notícia é que desempaquei com a fic e agora ela volta ao passo normal, uma caps por semana.

Ai, que lindo isso!

Obrigada a vcs que não desistiram, e ao pessoal que começou a ler a fic agora!

Até o próximo, que, well, eu estou de férias, se tiver bastante reviews... quem sabe ele não vem mais rápido? /mercenária

Sejam amores e

R E V I E W !