Título: A Soma de Todos os Medos
Capa: no profile
Sinopse: Quando o inferno é a sua alma, seu inimigo é a sua salvação.
Ship: Harry Potter/Draco Malfoy
Orientação: Slash
Classificação: M
Gênero: Angst/Horror/Romance/Drama
Spoilers: 7 – mas SEM o Epílogo.
Formato: Longfic
Status: Incompleta
Idioma: Português

Disclaimer: nada me pertence e eu não ganho dinheiro com isso.

Mais um capítulo para vocês. Quase láááá, galera, vou tentar manter fixo um por semana a partir de agora, ok? Estou tentando, vamos lá \o\

A todos vocês que ainda acompanham esta saga, MUITO OBRIGADA pela paciência, pessoal. Mesmo, vocês não fazem ideia d que significa o fato de que vcs ainda estão acompanhando a Soma depois de sei lá, quase dois anos?

Oh, boy.

Well, chega de falação, vamos ao que interessa!

Ah, so pra avisar: o mito de Avalon usado aqui é um mito... livremente inspirado em vários deles. Puxando talvez, um pouquinho, pro lado das Brumas, mas não muito. Mais será explicado ao longo da fic se e quando for necessário.


And So It Begins

Mais tarde, naquele dia, depois de uma conferência de emergência com os demais membros da Nova Ordem, Rodolphus, Draco, Hermione e Shadow estavam na cozinha de Grimmauld Place. Shadow tinha a cabeça entre as mãos, enquanto Hermione e, surpreendentemente, Rodolphus discutiam sobre a audácia do Ministro.

"Nada disso teria acontecido se Arthur não fosse tão imbecil.", resmungou Draco e a cozinha ficou em silêncio.

"Como assim?", perguntou Hermione, claramente curiosa.

"Arthur, treinado por Merlin, Granger. Ele é a causa da separação entre trouxas e bruxos."

Hermione franziu as sobrancelhas.

"Eu não conheço essa história. A Lei não foi passada pelo Congresso Bruxo..."

"E de onde você acha que já existia um Congresso Bruxo, Hermione, se não um já provocado por alguma forma de separação? A lei apenas reafirmou o que já havia acontecido. Arthur, treinado por Merlin, teve ciúmes de sua irmã, porque ela era uma bruxa e ele não tinha um único pingo de sangue mágico nele mesmo. Ele foi a causa da separação de Avalon do nosso mundo, o que é um simbolismo da divisão entre trouxas e bruxos. A partir da caça que ele fez às bruxas e bruxos em geral foi que um Congresso Bruxo se formou, instituindo nossa forma de governo até hoje. Ciúme e ignorância. Foi dali que surgiu nosso governo."

Shadow fez um barulho de desdém quando a história terminou.

"Depois de falar com o Ministro deles hoje, eu não posso culpar os sangue-puros que nunca quiseram ter nada a ver com os trouxas."

"Eu fiquei com vergonha de um dia ter pertencido àquele povo.", declarou Hermione, suspirando, "Qual o próximo passo?", ela continuou e Shadow assumiu um ar pensativo.

"Não tenho certeza. O Ministério ainda está uma bagunça, as forças-tarefa dos aurores não são treinadas para lutar com trouxas, eu não sei qual o efeito da tecnologia trouxa contra os feitiços. Nós precisamos nos certificar desses pequenos pontos antes de decidirmos como agir."

"O que você acha que King vai querer fazer agora? Ele não pode mais negar que tem uma guerra aqui."

Shadow deu de ombros, subitamente fechando os olhos, uma das mãos massageando a testa.

"Não tenho certeza. Só o que nós podemos fazer agora é esperar."

"Shadow? Você está bem?", perguntou Rodolphus.

Mas Shadow não respondeu. Seu rosto era uma máscara em branco durante alguns segundos, e toda a sua postura mudou em instantes, os ombros perdendo a segurança, os traços do rosto perdendo a firmeza, o olhar perdendo o frio.

E Draco sorriu para o rosto confuso de Harry o encarando.

"Draco?"

Hermione e Draco trocaram um olhar, enquanto Harry olhava em volta da cozinha, vendo apenas pessoas que sabiam do seu pequeno problema ali. Com um suspiro, colocou a cabeça sobre os braços dobrados na mesa.

"Tudo bem, Harry?", Hermione perguntou com a voz baixa, como quem fala com uma criança, e o garoto balançou a cabeça em negação.

"Vocês deviam tirá-lo daqui.", disse Rodolphus, parecendo preocupado, "Qualquer um dos outros pode aparecer a qualquer momento e eu não acho que Harry esteja em condições de fingir ser Shadow."

"Granger fica, eu vou levar Harry para minha casa."

"Mas Harry podia vir comig..."

"Eu quero ir com Draco.", interrompeu Harry, segurando uma das mãos do outro rapaz com força, os olhos verdes brilhando com lágrimas não derramadas e Hermione apenas concordou com a cabeça.

"Tudo bem."

Draco despediu-se dos outros dois com um aceno de cabeça, conduzindo Harry até o lado de fora da casa.

Hermione deu um suspiro cansado e copiou a pose do amigo de segundos antes, colocando os braços dobrados na mesa e deitando a cabeça sobre eles.

"Deveria ir descansar srta Granger. Foi um longo dia."

Hermione deu uma risada seca, levantando um pouco a cabeça para poder encarar o homem.

"Eu não vou conseguir dormir sabendo que é Malfoy quem está cuidando de Harry."

"Harry confia nele."

"Mas eu não."

"Por que não?", ele perguntou, curiosidade, apenas, em seu tom.

"Porque eu não entendo como Malfoy fez para ganhar a confiança de Harry tão rapidamente."

"Certas coisas não tem explicação. Certas coisas apenas têm de acontecer. Certas coisas só acontecem.", ele replicou com simplicidade, deixando a cozinha cair no silêncio mais uma vez.

Mais uma longa noite à frente.

.#.

A mansão Malfoy era fria.

Talvez fosse sua percepção levemente alterada por se lembrar dos gritos de Hermione sofrendo tortura, ou talvez por só ter tido tempo de realmente ver as masmorras do lugar, ou quem sabe ainda o fato de que Dobby havia morrido ali, por causa dele. Não importavam muito os porquês, importava que era um lugar frio.

Sem quase se dar conta da sua ação, Harry buscou a mão de Draco e fechou os olhos, parando em meio ao hall de entrada do lugar, sem conseguir dar mais um passo.

"Harry? Harry, o que houve?"

O outro rapaz, no entanto, não respondeu, apenas apertando os olhos com ainda mais força, sua mão pressionando a de Draco com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos, um gemido de dor escapando entre seus lábios pressionados com força um contra o outro.

"Harry? HARRY?", Draco chamou o outro rapaz gritando, sentindo uma onda de desespero o invadir ao ver o moreno escorregar aos poucos para o chão, claramente com dor, mas sem saber como ajudá-lo, ou o que estava errado, "Por favor, Potter, me diz o que está errado, ou eu não vou poder te ajudar.", ele pediu em um tom desesperado, ajoelhando-se junto com Harry no mármore frio, como o resto da mansão, vendo os olhos verdes se abrirem brevemente, as pupilas dilatadas pela óbvia dor.

"Eu não... Eu não quero... Eu não quero ficar...", Harry sussurrou de volta, seus dedos se fechando em torno dos pulsos do loiro.

Draco sentiu um frio gelado correr pela sua espinha, sem saber como agir ou o que fazer.

"Onde você não quer ficar, Harry? Aqui? Eu posso te levar de volta para Grimmauld Place..."

"Não! Eu não quero ficar, eu não quero... aqui.", ele terminou quase em um sibilo, sua mão que não estava ocupada esfacelando o pulso de Draco pressionando seu peito, "Eu quero que ele volte... dói... Ah...", ele choramingou, seus olhos se fechando novamente, a mão subindo do peito até sua fronte, que ele apertava com força.

Draco não sabia como agir ou o que fazer. Harry não queria ficar... consciente? Dominante do corpo que, de certa forma, partilhava com Shadow? O que ele iria fazer?

"Você não pode fazer... Shadow aparecer?", Harry negou com a cabeça, lágrimas escapando lentas pelos seus olhos fechados.

"Ele não quer voltar."

Quando Draco já estava entrando em estado de choque, sem saber como agir, ouviu passos atrás de si, e sua mãe parada junto ao arco que dava acesso ao corredor principal da casam seus olhos cinza presos ao menino no chão.

"O que aconteceu, Draco?", ela perguntou, sua voz mostrando uma preocupação que não seria notada por ninguém que já não a tivesse ouvido antes.

"Mãe, por favor, chame Granger pelo Floo, diga que é urgente. Diga para ela trazer o endereço do médico que nós fomos ver."

"Mas, Draco..."

"AGORA! Por favor...", ele acrescentou em um sussurro, enquanto se voltava para Harry mais uma vez, que agora estava curvado sobre si mesmo, como que se escondendo da luz do hall bem iluminado e claro.

Os minutos pareceram congelar, e Draco ajoelhou-se ao lado de Harry, balançando-o levemente, como se faz com uma criança. Sentiu como se não conseguisse respirar, até ouvir a voz frenética de Granger ao seu lado.

"O que houve? Eu estava saindo de Grimmauld, quando a Sra Malfoy chamou."

"Tem o endereço do médico?"

"Aqui.", ela disse rápido, entregando um pedaço de pergaminho para o loiro, "Mas Draco, o que...", mas ela não conseguiu terminar a frase, pois Draco havia segurado seu pulso com firmeza, e trazido Harry para mais junto do seu corpo, aparatando-os para a clínica do tal psiquiatra, rezando para que o homem ainda estivesse lá.

Um grito abafado foi resposta mais do que suficiente, quando se viu no mesmo consultório de algumas semanas antes.

"O quê?!", exclamou o médico, sentado atrás da mesa, alguns papéis espalhados.

"Desculpe aparecermos assim, Dr. Alton, mas Harry... eu não sei o que está acontecendo.", Draco disse rapidamente, fazendo o homem sair de trás da mesa e ajoelhar-se atrás do rapaz, fazendo perguntas rápidas sobre onde ele sentia dor e porquê. Deixando a sala por alguns momentos, voltou instantes depois com uma assistente, ela e Draco ajudando Harry a deitar em uma maca e então ser conduzido até um quarto, onde a assistente colocou soro intravenoso em seu braço, e o médico introduziu uma seringa na ligação entre o tubo e a veia de Harry. Rapidamente, o moreno pareceu perder a consciência, seu rosto relaxando, deixando claro que a dor havia sido superada.

Com um aceno de cabeça como agradecimento à assistente, o médico a dispensou, e então voltou o olhar para Granger e Draco, ambos com os olhos fixos em Harry.

O médico suspirou pesadamente e encarou os dois jovens à sua frente. Ele precisava de explicações, e precisava delas logo se fosse ajudar o outro rapaz naquele quarto.

"Sr Malfoy? Pode me explicar o que aconteceu?"

Draco pareceu sair de um transe e olhou para o médico, que percebeu que o rapaz segurava a sua varinha quase em posição de ataque.

"Antes eu quero saber o que o senhor fez.", ele declarou com a voz dura.

Granger suspirou e colocou a mão no braço de Draco, tentando acalmá-lo.

"O Sr Potter estava com uma enxaqueca grave, causada, aparentemente, por algum stress indevido aplicado sobre a condição presente de que ele sofre. De alguma maneira, as duas personalidades dele estavam em conflito, e foi ótimo vocês terem vindo para cá rápido, porque se o conflito tivesse durado mais algum tempo, inconscientemente o Sr Potter poderia ter criado uma terceira personalidade para lidar com ele.", os olhos dos dois jovens se arregalaram impossivelmente, e o doutor tentou acalmá-los, "A crise foi evitada, e quem quer que acorde depois que o efeito dos sedativos passar vai ter de lidar apenas com uma certa dose de letargia, que é o efeito da maioria dos remédios contra enxaqueca. Mas agora eu preciso que me respondam duas coisas: a primeira é por que vocês não voltaram no dia marcado para a consulta, e a segunda é o que estava acontecendo antes da crise?"

Draco olhou para Granger e arqueou uma sobrancelha, como que esperando que ela começasse a responder, e a garota suspirou irritadiça, antes de virar para o médico.

"Nós ainda não abordamos o assunto com Shadow. E no dia marcado para a consulta, Harry não... estava conosco. E, para ser honesta, dr Alton, com tudo que vem acontecendo, nós... esquecemos do senhor.", ela replicou, com um sorriso de desculpas.

O homem acenou com a cabeça, parecendo pensativo.

"E a crise de hoje?"

"Eu não sei... Quando nós voltamos da reunião com o ministro, Shadow desapareceu e Harry disse que queria ir para casa com Draco e então...", ela olhou para Draco, que agora estava sentado ao lado da cama de Harry, e o loiro levantou o olhar.

"Nós chegamos à Mansão e ele fechou os olhos e parecia sentir dor. Então ele disse que não queria ficar, mas que Shadow não queria voltar e então eu chamei Granger e aqui estamos nós."

"Eu entendo que a opinião de vocês é de que Sr Potter não pode ficar internado, mas com os recentes acontecimentos do caso dele, a maneira mais prática..."

"De fazer com que nós três fôssemos mortos é ficarmos aqui. Alton, você realmente não entendeu ainda com quem está lidando, ou o que o nome Harry Potter representa para o nosso mundo."

Hermione franziu o cenho com o desrespeito de Malfoy para com o médico, mas não podia deixar de concordar com partes do que ele havia dito.

"Realmente, doutor, nós não podemos ficar. Shadow não vai querer ficar, e se por acaso vazasse para nossa imprensa que Harry Potter está internado por sofrer de uma doença trouxa agora, com as notícias que recebemos hoje... eu não sei o que poderia acontecer."

"Para ser honesto, doutor,", Draco começou, impondo uma quantidade gigantesca de sarcasmo em uma única palavra, "eu não tenho nem mesmo certeza se o senhor vai querer que Harry ou Shadow, ou um de nós dois continue aqui amanhã pela manhã."

O médico suspirou. Por motivos que nem ele mesmo queria analisar naquele momento, ele queria tratar o caso daquele jovem. Era uma doença tão rara, tão pouco vista quando em casos reais, tão intrigante! Mas para ajudar, ele precisava entender o que estava acontecendo.

"Muito bem. Quem sabe nós três sentamos enquanto Sr Potter não acorda, e vocês me explicam exatamente porque Sr Potter não pode ficar e receber o tratamento adequado, e então eu posso tentar divisar meios de tratá-lo sob as circunstâncias que vocês me descreverem?"

Draco e Hermione trocaram um olhar ansioso, pelo menos da parte da garota. O rapaz loiro, percebeu o médico, mantinha suas expressões guardadas, como se desacostumado a demonstrar preocupação perante pessoas que não conhecia.

Inesperadamente, com um suspiro, Hermione apontou um fino objeto de madeira para a porta e o médico pôde ver uma fina camada de... alguma coisa se espalhar pelas paredes do quarto.

"Feitiço silenciador. O que nós vamos falar aqui não pode sair deste quarto."

O médico concordou com a cabeça.

"Nós estamos discutindo um paciente, meu sigilo é garantido até mesmo perante a lei."

"Bom, Granger, é melhor explicar tudo.", disse Draco com um sorriso maldoso, e Hermione lhe lançou um olhar irritado.

"Por que não explica você, Malfoy?"

"Porque eu não fazia parte do trio dourado, Granger, e é de lá que você vai ter que começar.", ele determinou e deu as costas para o médico e a garota, fixando o olhar no rosto do rapaz adormecido.

"Bom, doutor, eu vou contar um pouco da história de Harry para que o senhor entenda o impacto que a doença dele poderia ter sobre nosso mundo primeiro.", ela suspirou e pareceu organizar os pensamentos antes de falar, o médico aguardando pacientemente, "Há quase vinte anos, o Mundo Bruxo estava em guerra contra um Lorde das Trevas. Esse homem não só era poderoso, como também tinha seguidores poderosos. A melhor maneira que eu posso explicar o caos que o nosso mundo estava é compara a situação da Inglaterra bruxa à Alemanha nazista. Ninguém conseguia parar este bruxo, nem mesmo os bruxos mais poderosos daquela época. Uma vidente fez uma profecia, que, por algum motivo, levou este bruxo a acreditar que um bebê poderia ser seu fim. Ele atacou a casa deste bebê, mas quando tentou matá-lo, com uma maldição da qual ninguém jamais escapou, ele acabou sendo parcialmente destruído, e o mundo, salvo por este bebê.", ela parou e olhou para o homem, tentando ver se ele estava prestes a interná-la também. Quando não viu nenhum sinal claro de hostilidade, ela continuou, "Por anos imaginaram que este bruxo estava, realmente, morto, mas há quatro anos ele retornou, tão ou mais poderoso do que antes. Cabia ao mesmo bebê, agora um jovem, destruí-lo. Por quatro anos esse jovem lutou, e os resultados desta guerra ainda devem estar na sua memória, doutor, se o senhor assistiu os noticiários, ultimamente.", ele assentiu e fez um gesto para que ela continuasse, "Muitos foram mortos. Muitas pessoas lutaram. Mas quem tomou todas as ações para que a guerra pudesse ser acabada, quem realmente destruiu este Lorde das Trevas, foi o mesmo bebê que o havia destruído tantos anos antes.", ela pareceu tomar fôlego, e seus olhos estavam marejados de lágrimas, enquanto voltava o rosto para o rapaz na cama, "Este bebê se chamava Harry Potter, o Menino-que-Sobreviveu, o Eleito, e como estão chamando-o agora, o Salvador. Aparecer nos jornais, doutor, que Harry Potter está doente, é como dizer aos cristãos que Jesus Cristo voltou à Terra, mas está com câncer terminal. Ele salvou o nosso mundo. E se tudo caminhar conforme está caminhando, vai nos salvar mais uma vez, na nova guerra."

O médico absorveu a informação aos poucos, pausando sobre cada ponto para tentar compreendê-lo antes de falar.

"Mas certamente é um pouco de exagero, Srta Granger? Não há nenhuma guerra."

"Ainda não.", respondeu Draco, seu tom seco, "Mas antes de virmos para cá, nós estávamos com o seu Ministro, e ele quer que os bruxos se registrem, que saiam para 'o claro', e nós não vamos fazer isso. A tal Lei entra em vigor amanhã, e só Salazar sabe o que vai acontecer depois disso. E Shadow não pode estar aqui. O nosso Ministério está um caos, a Nova Ordem está com os Lestrange, e não interessa muito o que dizem por aí, eu não confio em nenhum dos dois."

Alton respirou fundo, ponderando sobre as novas informações.

Parecia tão... fora da realidade, tudo que eles estavam dizendo. Adolescentes de dezoito anos não iam a encontros com Ministros, crianças de catorze anos não lutam com homens tão poderosos que adultos têm medo dele, e, no entanto, ele não podia deixar de notar os olhos tão mais antigos que as idades, as cicatrizes, a seriedade em cada palavra, a postura rígida, a convicção firme, a maneira casual como falavam em 'guerra', como se fosse algo que eles iriam enfrentar e, sem sombra de dúvida, vencer.

Era assustador.

"Eu entendo.", ele declarou calmamente, obtendo a atenção dos dois jovens, "Mas ainda assim insisto que sem tratamento, o Sr Potter não vai estar estável o suficiente para poder liderar nenhum grupo. Eu sugiro que fiquemos aqui até ele acordar e então, tentemos falar com ele. O que me dizem?"

E simplesmente porque já não sabiam o que fazer, os dois concordaram.

.#.

Piscando os olhos lentamente, sentindo como se estivesse em câmera lenta, Shadow abriu os olhos e deu de cara com um teto imaculadamente branco, em uma cama também imaculadamente branca.

Virando o rosto lentamente, viu Hermione sentada não muito longe, conversando com um homem que era obviamente um trouxa; e Draco ao seu lado, um leve sorriso quase imperceptível em seus lábios.

"Bem vindo de volta ao mundo dos vivos.", disse o loiro.

"Por algum motivo, eu tenho a impressão que madame Pomfrey deveria estar aqui em algum lugar.", ele devolveu, e ouviu uma risada baixa em resposta.

"Ato reflexo seu.", Hermione disse.

Ele deu um sorriso imperceptível em resposta, e sentou lentamente na cama, seus olhos verdes escaneando o quarto e pousando no trouxa que conversava com Hermione.

"Devo supor que vocês dois me trouxeram para um hospital trouxa?", ele perguntou impassivelmente, mas mesmo assim, doutor Alton sentiu como se um balde de água gelada descesse pela sua espinha.

A dupla personalidade era tão real que ele sentiu um pouco de apreensão. Se a Shadow faltava tudo o que Harry tinha... ele simplesmente não tinha sentimentos. Nenhum sentimento positivo, pelo menos.

"Eu sei que você é contra a idéia, Shadow, e, por favor, não se zangue, mas a maneira como Harry estava agindo, quando vocês chegaram à Mansão Malfoy não nos deixou outra opção.", disse Hermione rapidamente, e o médico deixou-se apenas observar a interação entre os três, antes de falar com seu supostamente paciente. Granger havia dito a ele que Shadow não sabia da consulta que Harry tivera, então agiria como se o estivesse conhecendo agora.

Shadow ficou em silêncio, verde lentamente buscando cinza, que se manteve impassível, apenas arqueando uma sobrancelha em resposta, antes de falar em uma voz deliberadamente calma e um tanto arrogante.

"Saber a hora de pedir ajuda é prova de força, não de fraqueza."

Shadow deu uma risada de descrença.

"Como você fez no sexto ano, Draco?", ele perguntou, com um tom de voz sarcástico, e o médico viu o garoto loiro empalidecer um pouco mais e respirar fundo.

"Como eu deveria ter feito para não fracassar. A menos que fracassar como eu seja o que você quer?", ele devolveu, tão sarcasticamente quanto o outro.

Shadow respirou fundo mais uma vez, e balançou a cabeça.

"Eu sinto muito.", disse baixo, fazendo Draco girar os olhos.

"Certo.", disse curtamente, seus olhos se encontrando e vendo que não havia rancores ali, "Este é doutor Alton. Ele é um psiquiatra e está a par da sua condição com Harry. Pelo que ele nos contou, você quase se dividiu novamente hoje, e acho que nós já discutimos o suficiente sobre isso para saber que você não quer que isso aconteça. Então é bom ouvir o que ele tem a dizer."

Shadow encarou o médico diretamente desta vez, seu olhar penetrante parecendo tão mais forte do que o ar de inocência que Harry tinha.

"Muito bem, doutor. E o que o senhor tem a me dizer?", ele perguntou, a voz sarcástica e os olhos brilhando de falso interesse.


HA! Morram de curiosidade até quarta que vem, .

Capítulos regulares, a guerra começando, Harry e Draco todos miguxos, vaaaai, eu mereço uma review. Então sejam amores e

R E V I E W !