The Beginning of the Final Hope
A primeira coisa que Shadow notou ao abrir os olhos naquela manhã quente e ensolarada de agosto foi o seu diário sobre a cama. Fechou os olhos mais uma vez, tentando ordenar seus pensamentos, as coisas que deveria fazer naquele dia, o que tinha que planejar, quem precisava chamar, em que ordem faria tudo o que tinha que fazer.
Ignorando solenemente o diário, que estava aberto, marcando claramente que havia sido escrito em algum ponto durante aquela noite, levantou-se, tomou banho e colocou vestes bruxas discretas.
A batalha da noite anterior havia sido um sucesso. Claro, ela teve suas... repercussões negativas, mas seu povo estava em guerra, ele precisava encontrar a solução perfeita para resolvê-la, e o... acidente da noite anterior não iria pará-lo – se fosse causar algum efeito seria a sua obstinação maior do que nunca em acabar com as batalhas e a guerra o mais rápido possível.
Antes de deixar o quarto, aproximou-se com hesitação da cama e virou o diário para poder vê-lo. Palavras escritas em tinta manchada por lágrimas. O nome Hermione claro a cada poucas linhas. Seu coração se contraindo, como se não aguentasse mais estar em seu peito e precisasse sair dali.
Shadow fechou o diário, e trancou-o na gaveta da mesa de cabeceira. Ele não tinha tempo para sofrer agora, mesmo se pudesse fazê-lo, e ele não podia.
Descendo as escadas, encontrou Draco já na cozinha, uma xícara de chá à sua frente.
"Bom dia, Draco.", disse com calma, vendo o loiro levantar a cabeça rapidamente.
"Bom dia, Shadow.", o rapaz respondeu, observando Shadow veladamente, fazendo o homem sorrir.
"Eu não vou desaparecer e te deixar sozinho para lidar com o que tem que ser feito nesta manhã, Draco, não se preocupe.", disse em tom leve, sorrindo de canto.
"Eu sei.", Draco disse com simplicidade, esperando até que Shadow tivesse uma xícara de café à sua frente, para então continuar, "O que vai ser feito hoje? Quando Harry desaparatou ontem, eu disse aos membros da Nova Ordem que entraríamos em contato com eles hoje pela manhã.", disse em tom prático, tentando não pensar no fato de que Shadow estava sofrendo menos do que ele com a morte de Granger, e, por Salazar, isso era errado, mas era o que estava acontecendo, e ele teria de encontrar uma maneira para lidar com o acontecido.
Shadow tomou um gole demorado de café, considerando suas opções.
"Vamos chamar Rodolphus, Rabastan, Zabini e Bill Weasley antes de qualquer outra pessoa. A nossa defesa de ontem foi boa, mas apenas porque os números deles não ultrapassavam em muito os nossos, e porque eles jamais haviam lutado com bruxos antes. Agora eles já têm uma ideia do que esperar, assim como nós, mas os ataques deles com certeza serão mais certeiros – os nossos também tem de ser."
"Por que eles quatro?", perguntou Draco, intrigado.
"Os Lestrange por razões óbvias. Eles têm experiência em batalha e não têm medo de lutar sujo se for necessário. Bill Weasley é um desfazedor de Feitiços, ele com certeza pode ajudar nos aspectos de segurança contra as balas, já que nossos escudos certamente não nos ajudam nesse departamento. Blaise, pelo que eu ouvi comentários, está estudando para ser um Medibruxo. Esse tipo de conhecimento é indispensável no campo de batalha, principalmente para tratar o tipo de ferimentos que as armas dos trouxas causam. Eu sei que ele mal começou o treinamento, mas ele é de confiança, e pode indicar outras pessoas para ajudar. Além do mais, ele liderou o grupo neutro ontem, e pareceu ser firme como líder. Ele tem potencial."
Draco concordou com um aceno de cabeça.
"E depois deles?"
"Depois, chamaremos seu pai e Daniel Everlast. Eu preciso que a opinião pública se mantenha ao nosso lado, e ninguém entende de manobras políticas melhor do que seu pai."
Draco riu secamente ao ouvir aquilo, e sorriu fraco em seguida, tendo seu sorriso retribuído por Shadow.
"Por fim... Sua mãe."
"Minha mãe?", repetiu Draco, erguendo uma sobrancelha e parecendo incrédulo, "O que minha mãe pode fazer para ajudar?"
Shadow sorriu misteriosamente por alguns segundos, antes de se levantar e colocar sua xícara agora vazia na pia.
"Você vai descobrir junto com ela.", ele respondeu sorrindo, e indo até a sala de estar, para chamar os quatro primeiros aliados daquela manhã.
Finalmente, as coisas estavam acontecendo.
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Minerva McGonagall não sabia bem o que pensar quando abriu o jornal na manhã do dia 18 de agosto. A matéria de primeira página não fez sentido nas primeiras cinco vezes em que a leu, e a foto que a acompanhava a encarava cheia de uma morbidez fria, insensível e cruel.
Hermione Granger, de olhos abertos, cabelos sujos de sangue. Harry Potter, abraçando o corpo da amiga contra si. Ronald Weasley, de joelhos ao lado dos dois, sendo apoiado pelo irmão.
Hermione Granger, sua aluna favorita em muitas décadas, a menina mais brilhante que ela jamais havia conhecido – morta.
Por trouxas.
Há muitas décadas, quando ela ainda era uma estudante, e Tom Riddle era apenas um monitor que abusava do seu poder, Minerva achava que ele sempre seria preconceituoso. Ela achava que ele odiava os trouxas porque não os conhecia de verdade.
Quando ela compreendeu que o bonito e abusivo monitor se tornara Lord Voldemort, ela pensou que ele odiava os trouxas porque eles eram diferentes.
Vendo aquela manchete de jornal, ela pensou que talvez ele os odiasse por conhecê-los bem demais.
Harry mais uma vez tomara a dianteira de tudo. Dumbledore tinha tanto orgulho daquele menino, mais do que jamais tivera de qualquer outro aluno, ela sabia. E vendo-o ali, na cena de batalha que metade do mundo mágico só soubera que acontecera depois de ter terminado, ela percebeu o quanto havia falhado aquela criança. O quanto nunca dera apoio o suficiente, o quanto não ouvira sua palavra quando ele precisava.
O quanto ela devia a ele, e o quanto ela precisava, desesperadamente, pagar.
Olhando a foto mais uma vez, cuidadosamente evitando olhar o corpo de sua ex-aluna, Minerva viu Bill Weasley ali, ao lado de Harry. Bill, com quem ela mantinha certa forma de contato, mesmo depois da guerra.
Levantando-se da mesa com ar determinado, Minerva decidiu que tinha uma visita a fazer.
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Shadow deixou a sala por alguns minutos, enquanto mandava que Kreacher chamasse Bill Weasley, os irmãos Lestrange e Blaise Zabini até Grimmauld Place. Quando retornou, Draco já estava sentado na poltrona à direita da sua, os outros quatro sentados à frente deles dois – Rabastan e Rodolphus próximos, calmos, compostos e parecendo estranhamente... centrados. Zabini ao lado deles, com um exterior calmo, mas Shadow podia dizer que ele estava curioso pelo que estava fazendo ali. E por fim Bill Weasley, olhando em volta para tentar esconder o nervosismo, as cicatrizes em seu rosto evidentes em contraste com as vestes negras que estava usando.
Sentando-se ao lado de Draco, e aceitando a xícara de café que Kreacher lhe entregava, ele acenou um cumprimento para os quatro homens, antes de encará-los um a um.
"Eu os chamei aqui porque vocês quatro têm qualidades indispensáveis para as batalhas que ainda estão por vir. Nossa defesa de Hogsmeade ontem só foi tão boa quanto o nosso elemento surpresa – nossos feitiços não param balas, nossos escudos não previnem granadas de explodirem, e esses erros precisam ser retificados com urgência, preferencialmente antes do nossos próximo encontro com os trouxas."
"Como você tem tanta certeza de que vai haver um próximo encontro com os trouxas?", Zabini perguntou, tentando manter o tom firme e desdenhoso que sempre usara durante a escola, como se pensasse que Shadow – ou Harry Potter – estivessem abaixo dele.
"Se você não achasse que haveria outro encontro, Zabini, você não teria vindo até aqui agora, ou mesmo ontem à noite. Não me obrigue a apagar a sua memória e mandá-lo embora. Eu supus que você fosse um adulto agora, não se comporte como um adolescente e faça eu me arrepender de tê-lo incluído em meus planos. Você não é essencial, eu posso substituí-lo em um instante.", Shadow disse em voz baixa e fria, fazendo Zabini baixar o olhar e balbuciar um pedido de desculpas, "Agora que as infantilidades estão fora do caminho, eu tenho certeza de que vocês estão curiosos do porquê vocês quatro estão aqui."
Os quatro homens concordaram polidamente, esperando que Shadow falasse, embora Bill Weasley estivesse claramente desconfortável com a sua companhia.
"Apesar do relativo sucesso da batalha de ontem, nossas defesas não são boas o suficiente. A maior causa para isso é que nenhuma das pessoas que estava lá ontem sabia como trabalhar como um time. Havia três grupos distintamente separados, e embora aqueles que jamais foram Comensais ou membros da Ordem da Fênix estivessem em clara desvantagem, nós não podemos nos permitir ter três grupos separados dentro de um único grupo: nós precisamos de unidade. Do sentimento de pertencer a um só grupo, e nada mais. Por isso eu os chamei. Porque como bruxos poderosos que são, Rabastan, Rodolphus e William, vocês três têm a capacidade de unir nosso exército. De fazer com que cada bruxo e bruxa que estava aqui ontem, e cada novo membro que se alistar conforme o tempo passar e a guerra progredir – e acreditem em mim, depois do jornal desta manhã, haverá muitos novos membros – trabalhem juntos, sob o seu comando. Nada mais de divisão entre ex-Comensais da Morte, ex-Membros da Ordem da Fênix, ex-isso, ou ex-aquilo: apenas um exército, uma luta, uma vitória.", Shadow encarou os três homens calmamente, para só então prosseguir, "Vocês acham que conseguirão? Trabalharem juntos, de agora em diante, deixando suas crenças e disposições antigas para trás?"
Os Lestrange já estavam concordando antes mesmo que Shadow terminasse de falar – eles, juntos como estavam agora – conseguiriam trabalhar com Dumbledore em pessoa se a necessidade surgisse. Bill tomou um minuto para analisar os Lestrange, e então Zabini, depois Draco e, por fim, Shadow. Respirando fundo, ele também acenou afirmativamente com a cabeça.
"Muito bem. Agora, já podemos começar a pensar na solução para o maior problema que temos: um local para treinarmos nosso exército. Grimmauld Place serve como base de operações, mas não há espaço físico para treinamento de manobras aqui. Minha sugestão até ontem era Hogsmeade, mas...", ele não precisou terminar para que os outros entendessem do que falava.
Bill foi quem trouxe a solução para o problema, e da maneira mais surpreendente.
"Harry, Minerva McGonagall me visitou hoje cedo, antes de você chamar."
Shadow olhou para Bill com surpresa. A última vez que vira McGonagall, ela estava profundamente desapontada e irritada com ele, naquele encontro entre ex-membros da Ordem e seus novos aliados. Fazendo um sinal para que prosseguisse, Bill pareceu se fortalecer, antes de continuar.
"Ela... viu a matéria no jornal hoje pela manhã. A... O que aconteceu com... Bem, mexeu muito com ela. Ela me procurou porque viu, na foto de capa, que eu estava lá com você e, bem, ela ofereceu toda e qualquer ajuda que puder dar, inclusive acesso à Hogwarts."
"Hogwarts?", Draco indagou surpreso, trocando um olhar espantado com Shadow.
"Sim. O Ministério ia reabrir a escola no próximo semestre, mas com os ataques, e não saber se os nascidos-trouxa estarão lá para aprender ou para espionar, eles decidiram manter a escola fechada. Minerva, como vice-diretora antes da morte de Snape, e diretora interina até que uma diretoria permanente seja escolhida, tem acesso a todas as redes de proteção da escola, e ela ofereceu o lugar, caso fosse necessário. Eu suponho que ela tenha percebido a necessidade de um local maior para... bom, para um exército."
"Você acha que é seguro, Bill?", Shadow perguntou, um tanto quanto cético. Não era do feitio de McGonagall simplesmente decidir apoiá-lo - a mulher nunca havia lhe dado um conselho útil na vida. A última vez que ele precisara de sua ajuda em algo, ela o mandara ficar com a cabeça baixa e mais nada, "Não apenas a veracidade da oferta de McGonagall, mas também a escola em si? Hogsmeade foi atacada, Hogwarts pode muito bem ser a próxima da lista."
"A morte de Hermione foi mais do que choque necessário para que Minerva saísse debaixo da pedra onde ela estava tentando se esconder, Harry.", Bill disse com simplicidade, dando de ombros, "Ela percebe agora que não há outra saída: somos eles ou nós. E Hogwarts continua perfeitamente segura, nenhum trouxa pode ser ligado às redes de proteção, como acontece com Hogsmeade, ou o Beco Diagonal. E a segurança nas defesas do castelo pode ser reforçada para que somente pessoal autorizado possa entrar ou sair, e que para adicionar mais alguém à segurança, seja necessário a assinatura mágica de três ou quatro pessoas diferentes, de maneira que se algum dos nossos fosse capturado, ele ainda assim não poderia levar o inimigo até lá."
Shadow ponderou sobre a questão alguns momentos, seus olhos encontrando os de Draco, até que o loiro deu um aceno imperceptível de aprovação, e Shadow pareceu se decidir com aquilo.
"Muito bem, nós temos um lugar para treinarmos, então. Bill, por favor, peça à Minerva que venha até aqui hoje à noite, depois do funeral de Hermione, sim? Para acertarmos os detalhes. Vocês três também, se isso não for incômodo?", ele indagou, olhando para Bill e os Lestrange, que apenas disseram que não era incômodo algum. Dispensando os três homens calmamente, Shadow esperou até que Bill tivesse desaparecido pelo Floo e Rodolphus e Rabastan tivessem ido para a cozinha, para então encarar Zabini.
"Eu ouvi dizer que vocês está estudando para ser um Medibruxo, correto, Zabini?"
Blaise apenas acenou afirmativamente com a cabeça, se mostrando claramente desconfortável com a observação severa de Shadow.
"Nós precisamos de uma pesquisa imediata sobre tratamentos de ferimentos à bala, granada ou qualquer outro tipo de ferimento casado por meios trouxas. Podemos confiar em você para encontrar profissionais competentes e iniciar esta pesquisa, ou é pedir demais?"
"St. Mungus já está com um projeto desse feitio em andamento. Vários dos meus professores estão envolvidos, e eu com certeza tenho acesso à pesquisa, e a mais Medibruxos, curandeiros e enfermeiros e enfermeiras que podem estar interessados na causa.", ele ficou em silêncio alguns momentos, e então deu de ombros, "Não há mais muita gente que não apóie as suas decisões nesse momento, Potter. Você acabou de livrar o Mundo Mágico de um psicopata, e está tomando a frente voluntariamente para nos livrar de um mal muito maior. Encontrar apoio não vai ser difícil, o que vai ser difícil é sair dos Votos Perpétuos, e Contratos Mágicos que o governo com certeza vai nos fazer assinar para não compartilharmos esse conhecimento com alguém de fora, mas eu tenho certeza de que com o jeito certo, esse obstáculo vai ser vencido."
"Mas por que alguém não iria permitir que esse tipo de conhecimento seja passado?", perguntou Draco, com a testa franzida, "São as vidas de cidadãos que podem ser salvas."
"E se o governo for o único a saber dessas técnicas, são as vidas de cidadãos que apenas o governo pode salvar, Draco.", disse uma voz da porta, e, ao olhar, os três jovens viram Lucius Malfoy, aguardando para ser chamado, com Daniel Everlast alguns passos atrás dele.
"Exatamente.", concordou Shadow, "Então, Zabini, podemos contar com seu apoio?"
Zabini ficou em pé, andou até onde Shadow estava, e estendeu a mão para ele, num gesto muito similar ao de Draco, naquela primeira viagem no Expresso de Hogwarts. Shadow levantou-se e apertou a mão de Blaise.
"Conte comigo, Potter."
Com um aceno breve para os demais, Blaise saiu pelo Floo. Shadow fez um sinal para que Lucius e Daniel se sentassem, e, em seguida, mandou que Kreacher chamasse os Lestrange na cozinha.
Eles passaram as próximas duas horas em uma discussão profunda sobre a medida exata de caos e segurança que cada matéria publicada no Profeta Diário deveria ter.
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Quando os Lestrange, Lucius e Daniel finalmente saíram de Grimmauld Place, duas horas mais tarde, uma campanha de notas negativas sobre erros passados do governo e sobre a ausência de ação produtiva contra os trouxas estava programada e embasada em não apenas manipulação política, mas também na simpatia do povo como um todo.
Harry Potter era seu herói, tudo que o Mundo Mágico queria era que ele continuasse os salvando.
Shadow olhou para o relógio, e viu que já se aproximava das onze da manhã. Correndo as mãos cansadamente pelo cabelo, ele suspirou e pediu que Kreacher trouxesse mais café.
"Tem certeza de que quer terminar isso hoje, Shadow? Você poderia deixar o encontro com a minha mãe para amanhã, ou à tarde.", Draco sugeriu, aceitando o chá que o elfo doméstico depositara à sua frente.
"Não.", Shadow respondeu com firmeza, "Eu realmente preciso pôr em ação o que eu espero que a sua mãe faça, e hoje à tarde é o funeral de Hermione.", ele ergueu o olhar, e sorriu com tristeza para Draco, "E, honestamente, Draco, eu não sei por quanto tempo eu vou desaparecer depois desse funeral. Ela era...", ele fez uma pausa e pareceu tentar se controlar, "Ela era demais, representava demais. Eu preciso pôr tudo em ordem antes de me despedir.", ele terminou, e Draco apenas concordou com um aceno de cabeça.
Movendo o encontro para uma sala mais confortável, Draco e Shadow tiveram de esperar apenas alguns minutos até que Narcissa Malfoy aparecesse, suas vestes escuras contrastando com a pele pálida, a postura elegante de sempre no lugar, e um ar levemente intrigado no rosto. Depois dos cumprimentos habituais, Narcissa se sentou ao lado do filho, um serviço se chá à sua frente. Depois de servida, Narcissa encarou Shadow com curiosidade.
"Eu tenho de confessar, senhor Potter, que não esperava ser chamada até aqui. Eu sei que Draco e Lucius estão envolvidos no planejamento do que quer que seja que você tem em mente para nos livrar desse problema com os trouxas, mas eu?", ela disse em tom polido.
"Antes de mais nada, senhora Malfoy..."
"Narcissa, senhor Potter.", ela interrompeu, com um sorriso frio e polido.
"Muito bem. Antes de mais nada, Narcissa, eu preciso confessar que a senhora não era a minha primeira opção. O que eu tenho para pedir é desgastante, cansativo e, na verdade, é a parte crucial de todo o meu plano para nos livrarmos desse problema com os trouxas, como a senhora chama. Hermione Granger era a minha primeira opção, mas as atuais circunstâncias fizeram com que esse plano fosse mudado."
Narcissa apenas tomou um gole de seu chá, aguardando para saber o que ela e uma adolescente nascida trouxa poderiam ter em comum.
"Nós precisamos de alguém para liderar um time de pesquisa, Narcissa. Alguém que não tenha medo de ir até onde for necessário para descobrir o que precisa ser descoberto e, principalmente, que não tenha medo de divulgar seus achados para aqueles que precisam deles. Hermione era uma ótima pesquisadora, mas a senhora, como uma cidadã mágica desde o nascimento, com conhecimento e estudo extensivo da nossa cultura, é a melhor opção para o que precisa ser feito."
"E do que você precisa, senhor Potter?"
"Narcissa, eu preciso que você descubra como Morgana fez Avalon.", ele declarou calmamente, como se fosse um pedido completamente natural.
Era pouco mais de duas da tarde quando Narcissa Malfoy saiu de Grimmauld Place, plenamente convencida de que Harry Potter não era apenas completamente instável mentalmente, mas também era um gênio.
Ela mal podia esperar para começar.
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Vestes negras e simples e um sentimento de que todo aquele sol do lado de fora da casa era simplesmente errado era o que Shadow vestia àquela tarde. O funeral de Hermione havia começado há alguns minutos, mas ele e Draco estavam atrasados, devido ao encontro com Narcissa.
O corpo da menina estava sendo velado n'A Toca, o lugar onde ela passara tantos verões alegres e despreocupados, e também momentos tensos e perigosos. Bastou um olhar para o corpo imóvel dentro do caixão para que Shadow ficasse pálido e tenso, e um olhar vago surgisse em seu rosto, lágrimas caindo livres e ele todo parecia... menor, mais frágil, mais triste, mais jovem, mais perdido.
Olhando para o lado, Harry viu Draco ali, pronto para pegá-lo caso ele caísse, e foi com olhares de espanto, surpresa e admiração que os Weasley e diversos antigos membros da Ordem viram Harry Potter atirar-se nos braços de Draco Malfoy, abraçando-o apertado contra si, com o loiro sussurrando confortos em seu ouvido, e abraçando-o de volta.
E se Draco estava espantado com a ausência total e completa do ódio que ele havia visto na noite anterior, ele não comentou sobre o fato, apenas confortando Harry.
Era só o que importava naquele momento.
Mais um! E mais cedo do que o combinado!
Antes de implorar por reviews como sempre, eu tenho um pedido a fazer. A Soma significa muito pra mim. Ela tem o plot mais complexo, e os personagens mais difíceis de escrever do que qualquer outra coisa que eu já tenha escrito em todos esses anos de fandom. Cada review representa MUITO pra mim, mas eu sinto que preciso pedir/avisar meus leitores de algo: essa fic não é sobre um casal (embora, honestamente, se depois de TRINTA E DOIS capítulos você ainda não tivesse entendido isso... well), ela é sobre um plot. Uma guerra. A destruição e aniquilação de tudo que o povo Mágico já entendeu e conheceu. Ela não é sobre lemons, pegação e cenas de NC-17.
Então eu peço encarecidamente que, se a sua review for consistir em um pedido desesperado por lemons, ou por quando Draco e Harry vão se pegar, por favor, não revise. Não só esse tipo de review me deixa triste (porque, honestamente, são HORAS de trabalho em conversas, cenários e situações pra fazer a trama crível, e aí alguém vem e simplesmente diz 'ai, cadê o lemon?' como se sexo fictício de dois personagens que não são meus fosse mais importante do que a história em si), mas também porque, bom, VAI HAVER cenas de lemon quando elas forem necessárias. Elas estão planejadas, você não precisar PEDIR por elas, então esse tipo de review se anula. Se o seu objetivo ao ler A Soma é ler pegação e lemon, sinto muito, mas essa fic não é pra você. Existem milhares de PWPs, algumas inclusive escritas por mim, que servem para isso, mas A Soma não é uma delas.
Muito obrigada pela compreensão.
E, agora sim,
R E V I E W !
