Segunda fanfic – Lyring.
SITUAÇÃO:
Primeiro contato íntimo.
FRASE:
When they asked me what I loved most about life,
I smiled and said you. (Tina)
A Electric Twist
"Você não acha que está trabalhando demais nisto?"
A voz de Harry a descentrou de suas atividades. Hermione levantou o rosto do grosso livro que estava lendo para encará-lo. Ela possuía profundas bolsas roxas em baixo de seus olhos e parecia estar mais magra e pálida do que jamais estivera antes.
"Eu sei," ela sussurrou cansadamente em resposta para ele. "Mas eles são os meus pais, Harry. Eu tenho que encontrar uma maneira de recuperar as suas memórias."
Ele andou até a cama onde ela se encontrava, rodeada por incontáveis pergaminhos e os mais diversos livros e sentou ao lado dela. "O que você descobriu?"
"A magia para recobrar a memória é extremamente poderosa e não existe uma maneira de fazê-la que seja citada nos livros," Hermione começou a explicar. "Entretanto, estou analisando um livro de magia das trevas e encontrei uma poção para este fim. A própria deverá ser feita usando meu próprio sangue, já que são meus progenitores."
"Você está realmente considerando usar magia das trevas, Hermione?"
Ela encolheu os ombros consideravelmente antes de respondê-lo. "Não é uma opção que realmente me agrada — os riscos da poção são máximos e podem levar ao coma."
"Eu entendo que você queira recuperá-los, mas não é a melhor maneira de se fazer isto." A preocupação era evidente na voz de Harry e a fez encolher-se mais.
"Estou ciente de que não é a melhor maneira," Hermione sussurrou de volta. "Às vezes, eu penso que estou insistindo em algo que não me trará nada. Os casos em que o retorno da memória é feito com sucesso são raros, principalmente quando se trata de memórias que foram retiradas completamente."
"Eu sei que você conseguirá fazer isto," ele segurou a mão dela entre as suas, olhando-a no fundo de seus olhos. "E eu estarei aqui para ajudá-la."
"Mas existe muito para você se preocupar agora, Harry. Não é necessário que você—"
"Sendo necessário ou não, eu quero ajudá-la e você não me impedirá de fazer isto." Ele a interrompeu, fazendo-a lançar-lhe um sorriso pequeno.
"Obrigada."
Hermione esticou-se até que conseguisse envolver completamente os braços em Harry. Ela estava realmente grata por tê-lo ao seu lado e, se pensasse melhor, admitira que não conseguiria ver-se sem ele naquele instante. Ou em qualquer outro.
"Não há nada para agradecer," Harry sorriu para ela quando os dois soltaram-se. "Você gostaria de comer algo? Eu creio que ainda tenho habilidades culinárias."
"Habilidades culinárias?" exasperou-se Hermione. "Eu realmente gostaria de vê-las."
"Pois você verá."
Os dois dirigiram-se a cozinha da casa, com Hermione tropeçando em seus próprios pés uma vez ou duas, para a qual Harry estava a segurando. Ela sentou-se em uma cadeira e observou enquanto ele começava a cozinhar.
"O que você está tentando fazer?" ela indagou, vendo-o procurar algo nos armários.
"Bem, eu estou tentando buscar por algo que me ajude." Harry olhou ao redor. "Então, você costuma cozinhar pelo método normal ou pelo bruxo?"
Hermione rolou os olhos, apesar de sorrir. "Deixe-me fazer isto."
Toda a determinação de Harry partiu-se no instante em que Hermione se levantou. Ele aceitou a sua derrota, caminhou para o lugar onde ela estava e sentou-se.
Ela começou a retirar os mantimentos dos armários e, após fazê-lo, virou-se para Harry. "O que você gostaria de comer?"
Harry deu de ombros. "O que você preferir."
Após pensar por alguns segundos, Hermione virou-se e começou a cozinhar, utilizando de uma habilidade que Harry nunca havia tido chance de ver antes. Ele fascinou-se pela habilidade, mas preocupou-se ao notar que ela havia emagrecido consideravelmente nas últimas semanas em que passara sozinha. Hermione provavelmente se esquecera até de comer durante sua busca incansável por uma solução. Era típico.
O maravilhoso cheiro que invadira o ambiente, entretanto, interrompeu toda a sua linha de pensamento. Harry sentiu o seu estômago roncar com óbvia fome, e sua boca salivar. Hermione virara-se para ele segurando duas tigelas em suas mãos; em uma, continha o que ele julgou ser rosbife, rodeado por vegetais. Na outra, havia purê de batatas.
Ela colocou as duas tigelas no centro da mesa, virando-se mais uma vez para pegar dois pratos e colocá-los na mesa, seguido pelos talheres. Depois, sentou-se.
"Rosbife?" Harry indagou.
Hermione sorriu ao ver a fome em seus olhos. "Rosbife ao molho, com alguns vegetais e purê de batatas. Eu julguei que você gostaria disto."
"Obrigado," ele agradeceu envergonhadamente por ela ter feito sua comida predileta.
"Isto não é nada próximo ao que você está fazendo por mim, Harry." Hermione disse e, em seguida, estendeu os braços para começar a destruir a comida nos pratos.
Os dois começaram a comer silenciosamente.
"As suas habilidades culinárias são realmente admiráveis, Hermione." Ele disse, após terminar de devorar completamente a comida em seu prato.
Ela corou suavemente. "Obrigada, mas você está equivocado. Os meus talentos como cozinheira são questionáveis. Isto foi apenas uma raridade."
"Raridade ou não, a sua humildade ainda me agrada." Harry sorriu.
Quando a comida foi totalmente dissipada, Hermione retirou sua varinha das vestes e a apontou para os pratos, limpando-os completamente antes de guardá-los nos armários.
Eles retornaram para o quarto de Hermione e sentaram-se em sua cama mais uma vez.
"Apesar de ser dentista e abominar parcialmente qualquer tipo de comida com doce, a minha mãe era uma excelente cozinheira." Ela começou a dizer. "Ainda lembro-me de quando ela resolveu que eu estava velha o suficiente para que algo sobre isso fosse me ensinado. Não que cozinhar realmente me atraísse, é claro. Mas ela disse que, apesar de ter consciência das minhas iniciativas e apoiá-las, era algo necessário."
"E você aprendeu a cozinhar surpreendentemente bem," ele completou, fazendo-a lançar um pequeno sorriso, ainda que seus olhos estivessem cheios de lágrimas.
"Eles eram maravilhosos e eu—" Hermione se interrompeu; as lágrimas caíam de seus olhos em cascata. Ela limpou-as com as costas das mãos. "Eu não saberei o que fazer se perder isto. Se perdê-los para sempre."
Desta vez, foi Harry quem tomou a iniciativa de abraçá-la. Ele passou o braço ao redor dos ombros dela, trazendo-a mais para perto e fazendo com Hermione encostasse a sua cabeça no ombro dele. Ele podia sentir as lágrimas dela molharem a sua camisa, e todo o corpo dela tremer em soluços silenciosos. E tudo que Harry conseguia pensar era que odiava vê-la tão vulnerável. Faria qualquer coisa para tirá-la daquilo.
"Eu acho que você precisa descansar." Harry sussurrou no ouvido dela.
Hermione levantou o rosto para encará-lo, enxugando rapidamente as suas lágrimas. As suas bochechas estavam muito coradas quando ela esgueirou-se por dentro dos lençóis da cama, logo após de Harry levantar. Ela estava evidentemente cansada e sabia que um bom descanso seria necessário para retomar a sua busca no dia seguinte, portanto, não iria contestá-lo naquele instante.
Harry retirou rapidamente todos os livros e pergaminhos espalhados pela cama dela, os colocando em uma pilha organizada na estante, com a ajuda de sua varinha. Após isto, desligou as luzes do quarto e caminhou na direção da saída do mesmo, mas houve algo que o impediu de continuar:
"Não vá."
Ele estancou no instante em que ouviu o sussurro desesperado dela. A sua surpresa era evidente; ele acabara de ouvir o último pedido que esperava de Hermione. Entretanto, ao virar-se em sua direção mais uma vez, encontrou os seus olhos suplicantes e soube que seria incapaz de negá-la qualquer coisa que ela lhe pedisse naquele momento.
Os seus pés o levaram na direção da cama de Hermione, e ele deitou-se lentamente ao lado dela, passando os braços ao seu redor.
Hermione culpava-se mentalmente por ter feito tal pedido para Harry. Ela sabia que ele estava cansado o suficiente para ir para a sua própria casa e, no entanto, ela aproveitara-se descaradamente da situação para fazê-lo ficar. Os dois eram melhores amigos, e ela ficou grata quando a expressão dele não demonstrou nada que lhe dissesse que ele havia entendido errado seu pedido. Ela apenas precisava de alguém naquele instante, e já não poderia pensar em alguém melhor do que Harry para isto.
"Eu costumo ter pesadelos diariamente." Hermione sussurrou para ele. "Algumas vezes, eu sonho que Bellatrix está me torturando cruelmente durante horas. E dói tanto quanto da primeira vez que ela o fez. É real. Outras vezes, eu tenho quase o mesmo sonho, mas, agora, os meus pais estão olhando-me ao fundo da cena. Eles parecem horrorizados pela crueldade da situação, mas eles não sabem quem eu sou." Ela impediu-se de chorar, mas sua voz estava visivelmente abalada quando continuou a falar. "Eu tenho um estoque de poções para dormir sem sonhos, mas elas não funcionam mais comigo."
"Eu estarei aqui por você." Harry murmurou protetoramente em resposta para ela.
Hermione aconchegou-se no abraço dele, sentindo os seus olhos fecharem-se com uma facilidade que jamais vira antes. Ele a observou durante todo o processo, até ter certeza de que ela havia dormido completamente e permitir-se cair em seu próprio sono.
Os pesadelos não a assombraram naquela noite.
N/A: Eu sei que está uma tragédia e tudo o mais, mas dêem um desconto. hahahah E, aliás, se você conseguiu chegar até aqui, por que não manda uma review? Eu ficaria muito agradecida.
Beijos. -)
