Esta história é uma fan fiction sobre a obra de Charlaine Harris, Southern Vampire Mysteries. Algumas personagens e passagens têm direitos de autor pertencentes a CH.

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CAPITULO 2

EPOV

- Eric, a polícia quer ouvir o teu depoimento. – Disse a Pam com um ar extremamente enfadado. Só a ideia de que eu teria que ir responder a perguntas de humanos já a deixava irritada.

No meio da confusão que se criou, não reparei quando a humana saiu. Estava demasiado ocupado a guardar os trastes que tiveram a petulância de me tentar atacar. Quando olhei em volta, ela tinha desaparecido. Finalmente vi que já se encontrava na rua a fazer sinal a um táxi para parar. Tenho a certeza que ela tem o braço partido. Como ela conseguiu sair pelo próprio pé sem pedir ajuda? Aliás, pensando melhor, como foi que ela manteve a calma e apesar das dores não gritou e conseguiu avisar-me do ataque iminente? Eu sei que ela é apenas uma humana e essa não é uma capacidade dos humanos. Tola! Dois humanos com estacas e prata seriam apenas um divertimento. A sua acção custou-lhe um braço partido, pela fiel Pam.

- Eric? – Voltou Pam a chamar-me a atenção, afastando-me dos meus pensamentos.

- Sim.

- Que se passa? Porque estás aqui à beira do terraço a olhar para a rua? Viste algo?

- Não mas tenho uma tarefa para ti, Pam. Quero que descubras tudo sobre a humana que nos avisou do ataque.

- Porquê?

- Pamela! Não questiones as minhas ordens! Espero um relatório completo amanhã!

- Sim, amo!

Fui prestar as minhas declarações. Os polícias não requereram a minha presença na esquadra. È natural. Apesar de serem os responsáveis pela ordem publica tem noção que eu posso mata-los a todos em segundos e não se sentem à vontade na minha presença. Fizeram as perguntas da praxe ali mesmo. Se os conhecia, se sabia de alguém que me quisesse ver morto, ou melhor, realmente morto. Se estava disponível para prestar mais declarações caso fosse necessário. Um dos agentes, baixo e gordinho, com a farda quase a rebentar pelas costuras apontou tudo o que eu dizia num bloco preto com um ar nervoso.

Regressei ao Fangtasia. A noite ia já longa e não tardava a amanhecer. Para um vampiro só duas coisas nos podem levar a encontrar a verdadeira morte. O sol e se conseguirem separar-nos a cabeça do resto do corpo. Nem uma nem outra seriam tarefa fácil. Dada a minha idade, poucos me igualavam em força, resistência e velocidade. Claro que um vampiro como eu não se pode fiar apenas nas capacidades físicas. Há que usar a massa cinzenta e estar um passo sempre à frente dos nossos inimigos. Não confiar em ninguém e não levantar demasiada atenção sobre nós mesmos, era a chave de uma longa vida.

Sentei-me em frente ao computador para ver os meus e-mails quando o telefone tocou. Reconheci imediatamente o número.

- Vasile, companheiro, que honra receber uma chamada tua!

- Eric, companheiro de tantas batalhas, que bom ouvir-te.

Vasile Konrad é um vampiro quase tão antigo como eu. Originário da Roménia, sempre foi um solitário e um ''bon vivant''. Percorreu os quatros cantos do mundo e mesmo após a grande revelação nunca assentou arrais em nenhum reino. Por ele, esta revelação foi uma completa idiotice. Não está na nossa génese conviver abertamente com os humanos. Encontrámo-nos muitas vezes ao longo dos séculos e apesar de termos combatido lado a lado, em inúmeras batalhas, no fim Vacile sempre procurava o seu rumo errante.

- Que posso fazer por ti Vasile?

- Cheguei há uma semana e ainda não tinha tido oportunidade de ir falar contigo. No entanto ouvi há pouco notícias perturbadoras e tinha que saber se estavas bem.

As notícias correm rápido entre os vampiros.

- Vasile, companheiro, não pensarás certamente que dois humanos armados com uns pauzinhos e uns cordõezinhos de prata são adversários para mim?

Vasile riu alto.

- Claro que não Eric mas, estranhei que um vampiro como tu pudesse ser alvo sequer duma tentativa, por mais ridícula que seja.

Também eu - pensei. Mesmo sabendo que há um sem número de pequenos grupos de humanos que gostariam de nos erradicar da face da terra, eu não sou propriamente o alvo preferencial. É mais ou menos conhecido a minha idade, o meu poder e a minha influência económica e até politica na área. Qualquer um que quisesse escolher um alvo saberia que eu sou um dos mais difíceis e não viriam certamente armados com brinquedos.

- Vacile, não é caso para preocupação. Uma tentativa ridícula de alguns fanáticos com toda a certeza.

- É verdade que levavam estacas de madeira e prata? – Perguntou Vacile rindo como se estivesse agarrado à própria barriga.

- Sim. Só por aí se vê que não passam de uns fanáticos analfabetos. Se fosse uma real ameaça, saberiam que isso não passa de mitos e que não podemos ser eliminados dessa forma.

- Não te entendo, venerável companheiro como podes viver no meio dessa escória. Os humanos são alimento, não merecem que partilhemos o nosso tempo com eles.

- Vacile, Vacile, continuas o mesmo nómada de sempre. Alguns de nós vivem bem entre os humanos. Sim, são idiotas, fanáticos, intolerantes, pretensiosos e iludidos mas com alguma diplomacia podemos conviver e fazer bons negócios. Quando terei o prazer da tua visita?

- Amanhã, companheiro. Ao cair da noite estarei nesse teu bar repleto de sacos de sangue acéfalos.

Vasile é um vampiro de outra época, preso no tempo. A sua constituição física não engana. Alto, pele morena, cabelo e olhos muito pretos. Se há um vampiro que personifique a imagem que os humanos têm de Drácula, esse vampiro é Vacile Konrad. Sempre o vi vestido da mesma forma, fato e gravata preta, camisa branca e a sua famosa capa preta até ao chão. Vasile carrega a honra dos vampiros romenos e nunca se adaptou às novas modas. Sejam elas em termos de roupa, convivência com os humanos ou até no meio de transporte. Se bem o conheço, continua a não guiar um carro e a deslocar-se pelos próprios meios. Correndo e voando conforme a ocasião. Vasile tal como eu, tem o poder de voar o que em certos séculos deu imenso jeito. Apesar de pensar que Vacile condena-se a si mesmo à extinção pelo seu modo de vida, pela sua incapacidade de se adaptar, vou gostar de o rever. É um vampiro antiquado mas sempre bem-humorado.

CPOV

- Como lhe aconteceu isto? Entalou o braço numa máquina? – Perguntou-me o médico que me assistia.

Apesar das dores o bom humor não me abandonou.

- Sim, doutor, entalei o braço na mão de uma vampira!

- Foi atacada?

- Não! Nada disso. Foi um equívoco!

- Catherine Jenkins! Se foi atacada não deve proteger o atacante!

Isto realmente parece o discurso das mulheres vítimas de violência doméstica que quando chegam ao hospital dizem que caíram sozinhas.

- Dr. Jones, a sério. Não foi um ataque. Foi um equívoco! Aproximei-me demasiado rápido e ela pensou que eu era uma ameaça. Sabe como é, não devemos correr na frente de um leão! Ela só me agarrou, o problema foi obviamente a diferença de força física.

- Catherine, você é uma mulher muito tolerante. Tem aí várias fracturas e ainda consegue encontrar forma de desculpar a criatura que as provocou. Isso não será bondade a mais?

- Doutor não sou uma santa! Não acredito nisso de dar a outra face. Nesta situação em concreto, acho que a culpa foi mais minha do que dela. Não vamos dramatizar.

- Se você assim deseja. Prepare-se no entanto para andar um mês com o braço imobilizado e vamos ver se os ossos recuperam. Há aí algumas fracturas muito feias. Alguns pedaços de osso estão quase esmagados. Escreve com a mão esquerda ou a direita?

- Com a direita.

- Menos mal, menos mal.

Não sei se será ''menos mal''. Apesar de ser o braço esquerdo que ficou danificado, trabalho na Portman Inc., uma empresa que compra, recupera e vende edifícios antigos e trabalho fundamentalmente ao computador. Usar apenas uma mão vai-me atrapalhar o trabalho certamente mas enfim, nada a fazer.

O meu telemóvel vibrava insistentemente na minha mala. Tinha já uma dezena de chamadas não atendidas do André. Sabia que ele estava preocupado. Somos amigos há muitos anos e além da amizade que nos une, trabalhamos muitas vezes juntos. Trabalhamos em departamentos diferentes e temos chefes diferentes mas acabamos normalmente por colaborar nos mesmos projectos principalmente quando são projectos de vários milhões de dólares. Já perdemos a conta às noitadas que fizemos entre plantas de arquitectura, orçamentos, planos estratégicos para compra e venda e muito, mas muito café!

Não me apetecia atender, enviei-lhe uma mensagem rápida. ''Está tudo bem, falamos amanhã, não te preocupes.'' Sei que ele vai continuar preocupado mas pelo menos sabe que estou consciente para responder. O André é um bom homem, muito bem-parecido, cabelo aloirado e olhos verdes. Se não fosse meu amigo e colega acho que já o teria convidado para um encontro de carácter mais romântico ou mais sexual!

Finalmente consegui chegar a casa. Eram já seis da manhã. Ainda bem que é sábado e não tenho que trabalhar. O meu braço está completamente engessado. Nunca tive uma fractura e não sei como vou conseguir dormir com o braço assim. Consegui despir o vestido e descalçar os sapatos e atirei-me para a cama. Estou de rastos e preciso dormir umas boas horas. Tapei-me com o cobertor e adormeci de imediato.

EPOV

Mal o sol se pôs acordei. Estava curioso de rever o Vacile. Tinha acabado de me vestir quando a Pam entrou na minha casa.

- Tenho aqui o relatório sobre a humana, Eric.

- Bom trabalho, Pam.

Ela não estava com um ar feliz. As informações que lhe pedi devem ter-lhe custado grande parte do resto da noite. Estava pálida e percebi que não devia ter tido tempo para se alimentar.

Abri uma garrafa de True Blood para ela. Ela fez cara feia mas engoliu o conteúdo de uma só vez. A Pam prefere obviamente alimentar-se de um humano, aliás como todos nós mas, nos tempos que correm isso é algo que deve ser feito com o acordo do humano para evitar problemas desnecessários. À falta de um humano cooperante por perto, temos sempre esta horrível bebida que nos vai mantendo fortes e concentrados.

- Eric, posso perguntar qual o interesse na humana?

- Podes e eu posso dizer-te que não tens nada a ver com isso.

- Sim, amo!

Não gosto muito de ser rígido com a Pam. Ela é muito leal e apoia-me sempre, mesmo que não concorde com as minhas escolhas o que normalmente acontece sempre que há um humano envolvido. Ela é nova e ainda há muita coisa que ela não entende.

Neste caso o que me move é a curiosidade. Conhecendo a Pam como a conheço, vai questionar se um humano tem algo de interessante que mereça a minha curiosidade e não me apetece discutir com ela antes de saber mais sobre a humana em questão. Talvez ela não mereça mesmo a minha curiosidade e é menos uma arma que dou à Pam para ela fazer piadinhas comigo. Bem sabemos como ela adora ter algo com que possa gozar comigo.

- Podes ir Pam, encontramo-nos no Fangtasia. Esta noite teremos uma visita de um grande companheiro!

- Quem Eric? – Os olhos de Pam estavam brilhantes de curiosidade.

- Vasile!

- Ah….esse! Pensei que era alguém interessante!

Ri. A Pam e o Vasile eram como azeite e água. Não tinham nada em comum excepto o facto de serem ambos vampiros. A Pam adapta-se à passagem do tempo, às novas tecnologias, tem um gosto muito apurado por moda e o Vacile não faz nada o género dela. Ela chama-o de dinossauro com presas!

Sentei-me num sofá, com uma garrafa de True Blood e com o relatório que ela me trouxe. Comecei a folheá-lo. Catherine Jenkins, 27 anos, solteira, sem familiares vivos. Trabalha na Portman Inc. para o Ryan Portman. Interessante. Era por isso que ela estava na inauguração. Trabalha para uma das empresas que fez a reabilitação do edifício e o chefe dela é um dos envolvidos no meu mais recente projecto. Um que ainda ninguém sabe, excepto eu, o Ryan e outro sócio da empresa, o Gerald Wynn.

Se tudo correr como previsto, dentro em breve, a cidade irá desfrutar em pleno de toda uma zona turística e empresarial mas para já, o segredo é a alma do negócio e tudo deve ser feito por debaixo do pano para evitar especulação financeira e concorrência desnecessária.

O meu plano é comprar todo o bairro envolvente ao Fangtasia e reabilita-lo. Tornando-o numa zona comercial, turística, segura, onde as empresas se possam fixar e abrir as suas filiais e em paralelo criar zonas de negócios nocturnos, bares, restaurantes, discotecas e um casino. Quero tornar este bairro a zona nobre para o meio empresarial e para a vida nocturna. Um sítio limpo, seguro, iluminado, chique onde os humanos queiram trabalhar e onde queiram divertir-se. Claro que precisava de sócios humanos para isto. Se um vampiro começasse a comprar todos os edifícios no bairro, levantaria suspeitas de todo o género. Assim procurei os humanos mais competentes, experientes e que soubessem guardar segredo para dar a cara neste projecto. O Gerald e o Ryan têm estado a trabalhar e para já não falharam em nada. As compras dos edifícios estão a correr sobre rodas, sem levantar suspeitas. Não há especulação financeira em que os proprietários desconfiando que há um interesse maior, aumentam o preço. Não há desconfianças que sou eu que estou por trás de tudo. Na realidade além do negócio em si, que se prevê muito lucrativo, estou a fazer um bem à sociedade, reabilitando uma zona degradada e transformando-a em algo atractivo e seguro mas os humanos desconfiariam certamente das minhas intenções.

O resto do relatório sobre a Catherine continha informações como os seus contactos, a sua morada, o carro que guiava, os amigos que possuía e até algumas características de personalidade pela qual era conhecida:

- Racional, pragmática, politica e socialmente interessada.

Li outra vez para ter a certeza. Não são propriamente as características que esperava ler de uma humana. Se não soubesse diria que isso são características de vampiros. Os humanos não são racionais nem pragmáticos. São emotivos e vivem no seu mundo de ilusões. No entanto eram essas as características que a definiam e isso deixou-me ainda mais curioso.

Planeie mentalmente falar com o Ryan nos próximos dias. Estou curioso acerca desta humana que se sentiu na obrigação de me ajudar, sem me conhecer e que dizem que é racional e pragmática. Para já a única coisa que posso dizer é que é muito sexy e que tem um corpo digno de ser drenado! Não evitei sorrir enquanto me dirigia para o carro ao imaginar sugar-lhe todo o sangue do seu curvilíneo corpo!