Quarta fanfic - Lari Sigulo

SITUAÇÃO

Primeiro encontro

FRASE

Love... What is love? Love is to love someone
for who they are, who they were, and who they will be. (Chris Moore)


Tão Perto Agora

Era impossível não amá-lo. Eu, que o conhecia desde sempre, sabia que era impossível não reparar na sincronia, na cumplicidade, na amizade, no amor. Não era uma paixão a primeira vista, era um todo, era o conjunto. É uma dádiva amá-lo. É fácil.

De longe pude avistá-lo. Eu descia a rua e não consegui conter um sorriso enquanto me aproximava sem que ele me visse. Ele estava nervoso, isso era inegável, não ficava mais de dois segundos na mesma posição e suas mãos frequentemente tentavam domar seus negros fios rebeldes. Ri mais ainda, ele se comportava como se eu não fosse sua melhor amiga desde os onze anos de idade, aquela que passou por todas as fases estranhas do crescimento junto com ele.

Me aproximei, ele me viu. Das costas ele tirou um buquê de flores, sua intenção era me surpreender. Eu me surpreendi. E sorri. Eu não parava de sorrir naquele dia. Talvez fosse histeria, mas eu gostava de pensar que era simplesmente alegria.

"São lindas, eu amei Harry, obrigada". Ele apenas sorriu em resposta, e corou levemente.

Ele me guiou até um charmoso restaurante. Ele estava insuportavelmente inquieto. "Harry, quer parar de passar a mão no cabelo?". Acho que fui muito eu mesma por um segundo, me arrependi, mas ele não pareceu se importar, apenas conteve o impulso de se arrumar constantemente.

Poucas vezes o vi tão bonito. A verdade é que a beleza é realmente subjetiva. Eu agradeço a Deus por isso.

"Nós estamos loucos?" ele perguntou. Não acho que seja o caso. Apenas chegou o momento em que olhamos para a pessoa ao lado e não pensamos em outra coisa além do conforto e do amparo que sentimos com ela. Sim, seria cômodo demais ficar com Harry para sempre, sem precisar embarcar no jogo insano que é a procura por amor. Mas acho que não é mera conveniência. Não mais. Eu sorri para ele. Parece mesmo loucura. "Talvez seja apenas certo. Não se preocupe Harry, está tudo bem". Ou ficará.

O clima estava estranho entre nós. Acho que o rótulo de oficial que estávamos colocando no nosso relacionamento era o culpado. Enquanto éramos dois amigos que se descobriam interessados um pelo outro, o clima era perfeitamente tranquilo. O garçom nos ofereceu o cardápio. Mais tarde nos perguntou o que tomaríamos. Ele falava mais do que nós dois juntos. Aquilo realmente o incomodou.

"Você pode devolver a verdadeira Hermione, por favor?". Ele falou com um sorriso zombeteiro. Eu franzi a testa. "Porque a que eu conheço não passa mais de um minuto sem falar uma palavra". Eu relaxei finalmente.

"Se é o que você quer, lá vai. Já te contei do meu novo projeto?"

"Claro, sobre a Política de proteção a criaturas mágicas."

"Oh não, eu terminei esse na semana passada."

Desandei a falar, contei tudo o que acontecera nos últimos dias no trabalho, contei que encontrei Luna no Beco Diagonal e tudo o que falamos, contei ainda que Bichento andava muito estranho ultimamente, me perguntei se ele não sentia a falta de Ron.

"Talvez sinta. Eu sinto". Ele disse. "É, eu também". Não é como se ele tivesse nos deixado. Me deixado. Mas era triste saber que ele estava tão bem estabelecido no trabalho que mal tinha tempo de passar um bom tempo com os amigos, apesar de estar sempre presente como podia. Ron e eu poderíamos ter dado certo. Tinha tudo para ser. Acontece que às vezes nós simplesmente deixamos de lado. Talvez inconscientemente vamos deixando para lá e quando vamos ver, não existe mais. Éramos tão incompatíveis que chegávamos a ser exatos um para o outro. Não me interesso mais pela incompatibilidade. Estabilidade é a minha palavra agora.

A comida chegou. Estava deliciosa. Massa. Quem não ama? Harry havia escolhido aquela cantina italiana porque eu um dia comentei que há muito tempo havia ido com os meus pais e amei absolutamente tudo sobre ela. Às vezes tenho a impressão que ele não absorve toda a informação que eu despejo sobre ele, por isso me impressiono quando ele lembra de pequenos detalhes que um dia eu lhe confidenciei. "Está do jeito que você lembra?". Ohei ao redor. Não lembrava exatamente dos detalhes. "No geral sim. A música com certeza é a mesma". Era uma cantora trouxa italiana que soava nos alto-falantes, não muito alto, porém era fácil captar as notas da melodia.

"Ótimo!"

Eu sorri.

"Está querendo me impressionar?"

Ele pareceu sem graça por um segundo, mas se recuperou.

"É o que se deve fazer no primeiro encontro, não é?"

"É. Em casos normais, é sim. Mas o nosso caso é especial."

Ele segurou minha mão que estava repousada ao lado do prato.

"Não tente me intimidar, primeiros encontros já são cheio de tensão, em um caso especial então, nem se fale".

"Não se subestime, Harry, você é ótimo em agir sobre pressão".

Ele sorriu e se aproximou. Me deu um leve beijo nos lábios.

"Era o que eu queria dizer...".

Terminamos o jantar e saímos para a rua. Andamos uns bons metros antes que ele resolvesse pegar minha mão. Meu coração pulou uma batida, o que me deixou muito confusa, porque eu já esperava por isso e não era como se ele nunca tivesse me tocado antes.

"Isso torna as coisas mais oficiais, não é?" eu perguntei já sabendo a resposta.

"Achei que o jantar tornasse as coisas mais oficias".

Percebi que ele já estava mais relaxado com a situação. A crise dele ocorreu no restaurante e a minha estava para acontecer.

Soltei de repente a mão dele.

"Espera".

Ele me olhou se entender nada.

"Eu disse algo de errado?".

"Não, eu só preciso de um minuto".

Oh, meu Deus. Onde estava a coragem que eu tinha instantes antes. Cadê a alegria de estar tão próxima dele?

Afastei-me um pouco e me virei de costas para ele, eu precisava pensar.

Certo, eu estava namorando o meu melhor amigo, amigo de infância. Isso depois de ter terminado com o meu outro melhor amigo. Sem falar na Ginny, que o Harry deixou para ficar comigo. Isso é tão novela mexicana que eu fico até envergonhada.

Eu tenho mesmo esse direito?

Ah, por Deus, eu preciso parar de racionalizar as coisas. De analisar cada detalhe da minha vida. Eu estava perfeitamente bem antes de ter um surto de insegurança.

Se eu estava bem, é porque eu sentia que isso era certo, certo?

Eu só estava seguindo a corrente. Sendo toda coração, deixando a razão de lado.

Eu me virei e olhei para ele.

Como eu poderia não ser toda coração quando eu o tinha na minha frente, com aqueles olhos que ao mesmo tempo eram confusos e suplicantes.

"E aí?" ele perguntou hesitante.

"E ai que eu acho que estou mesmo com medo do compromisso, mas eu quero isso mais do que tudo".

Ele me olhou e balançou a cabeça como se concordasse.

"E você sente medo por qual razão, mesmo?".

"Razão? Ah francamente, Harry. Me deixa em paz com as minha emoçõess só por hoje".

"Só achei que você gostaria de dissertar sobre tudo isso, como de costume". Ele sorria.

Era piada. Ele estava fazendo uma piada. Ótimo.

"Engraçado você".Eu disse fechando a cara.

"Não faça assim, Hermione. Você me surpreendeu, só isso. Rir de você foi um mecanismo de defesa, você sabe".

"Surpreendi? Por que?"

"É que você parece tão confiante o tempo todo por já ter tudo muito bem pensado e planejado. Não esperava que você de repente tivesse dúvidas".

Eu levantei uma sobrancelha. Talvez eu estivesse exagerando no meu momento 'toda coração'. Ele tinha razão.

"Ok, então me leva para casa".

Continuei a caminhar e ele me seguiu.

Não foi com surpresa que senti a mão dele deslizar pelas minhas costas e estacionar na minha cintura me envolvendo num abraço.

Andamos uns seis quarteirões até avistarmos meu prédio.

Ele encostou seus lábios em minha orelha e sussurrou: "Eu não acho que eu o que eu sinto seja medo".

Parei e olhei para ele com as sobrancelhas erguidas.

"Eu tenho certeza que vai dar certo, só isso". Ele sorriu. "Como não daria certo com você? Você é maravilhosa, Hermione".

Eu estreitei os olhos e sorri maldosa.

"Se você disse isso só para eu te chamar para subir, talvez você deva fazer melhor que isso".

"Claro que não. Eu disse porque é verdade".

"Então tudo bem".

Voltamos andar até chegarmos à portaria do meu edifício.

"Nos vemos amanhã", disse e beijei-o nos lábios.

"Não vai mesmo me chamar para subir?" ele pareceu ofendido.

Eu ri com gosto.

"Eu sabia, vocês homens e suas segundas intenções".

"Não é como se eu nunca tivesse passado a noite no seu apartamento antes, se você não me deixar subir eu vou aparatar no meio da sua sala".

Eu revirei os olhos.

"Você sabe que isso é impossível".

"Vou aparar do lado de fora então, e bater até você abrir".

Eu suspirei.

"É diferente agora, significa outra coisa".

"Agora é oficial, eu sei. Mas eu não tenho medo do compromisso. Ainda mais com você. Com quem eu já tenho um compromisso há anos. Não sei se você parou ainda para pensar, mas eu não vou a lugar nenhum, não vou te deixar pela manhã, nem te trair com a vizinha".

"Eu sei".

"É para valer. Você e eu".

Eu senti meus olhos marejarem, mas não quis chorar, segurei firme.

"E então, posso subir?".

Sorri. Já que é para valer, por que não?


N.A.: Aqui está minha singela contribuição, espero que gostem. Muito amor pumpkin pra todos. Beijo.