Esta história é uma fan fiction sobre a obra de Charlaine Harris, Southern Vampire Mysteries. Algumas personagens e passagens têm direitos de autor pertencentes a CH.

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CAPÍTULO 5

EPOV

Pela hora marcada cheguei à sede da Portman Inc. Os portões do parque de estacionamento estavam abertos e lá dentro apenas os carros do Gerald e do Ryan restavam.

Estacionei e encaminhei-me para o elevador. Quando as portas do elevador abriram ouvi alguém dentro do parque. Entrei rapidamente. Não queria ainda ser visto apesar da parte mais sensível do negócio estar concluída.

Para meu espanto a pessoa correu e conseguiu entrar no elevador. Para maior espanto ainda, tinha agora na minha frente, uma ofegante Catherine Jenkins de braço engessado.

Ela reconheceu-me de imediato e não evitou praguejar. O seu descontrolo fez-me sorrir mentalmente. As portas fecharam e eu podia sentir como ela estava nervosa e a tentar manter a compostura. Não disse mais nada e eu estava curioso. Queria falar com ela, de preferência sem testemunhas e pressionei o botão de stop do elevador enquanto a olhava directamente nos olhos.

Ela saltou e encostou-se à parede do elevador. Podia ouvir daqui o batimento irregular do seu coração.

Não estava com pressa em começar a falar. O seu nervosismo estava a dar-me prazer.

Ela não gritou mas estava apreensiva e eu podia ser melhor do que sou. Para que tortura-la só para o meu prazer? Por outro lado eu sou um vampiro e nós tiramos prazer do sofrimento humano. A ideia de fazê-la sofrer de outras formas aflorou na minha mente e a sede de sangue queimou a minha garganta e outras sedes queimaram em outras partes do meu corpo.

- Posso saber porque paraste o elevador? – Perguntou ela com ar altivo, como saindo subitamente de um transe e ganhando controlo sobre o seu corpo. Corajosa!

- Quero falar contigo. – Respondi-lhe secamente. No entanto estava divertidíssimo.

- Sobre? - Respondeu-me ela da mesma forma e empinando o nariz. Temos lutadora!

Encostei-me na parede contrária à dela, cruzei as pernas e pus as mãos nos bolsos para lhe mostrar que não pretendia ataca-la. Na realidade ainda não me tinha decidido sobre isso.

Fixei o olhar no seu braço. Ela saiu mal tratada da festa.

- Catherine, como soubeste que alguém pretendia atacar-me e aos meus pares?

Ela abriu muito os seus belos olhos castanhos e gaguejou.

- Como sabes o meu nome?

Não lhe respondi. Fiz-lhe uma pergunta e espero por uma resposta, sem lhe fornecer qualquer expressão. Ela pareceu desistir de esperar por uma resposta.

- Os homens estavam a falar na casa de banho e eu não evitei ouvir. Tinham estacas de madeira na mão e falavam de um ''loiro''. Não é preciso ser-se muito inteligente para ligar os pontos.

- Porque me avisaste? – Esta resposta interessava-me. Que leva um humano a tentar proteger um vampiro?

- Isso não é óbvio? – Respondeu ela em jeito de pergunta – Porque não o faria? Que lógica haveria nisso? Em que estado estaria eu para saber que alguém pretendia atacar outrem e não faria nada para o evitar? – Iria jurar que ela acredita mesmo que no que me está a dizer.

- Pareço assim tão indefeso, que necessitaria da ajuda de uma humana? – Provoquei-a, mostrando-lhe as minhas presas.

Ela engoliu em seco e tremeu por um instante mas pareceu recuperar o controlo rapidamente.

- Não! Não te acho indefeso e provavelmente não precisaste do meu aviso. Isso não significa que eu me envergonhe da minha atitude ou que esteja arrependida.

Que diabo! Ela não verga com facilidade.

- Bom, seja como for, quero pagar pela tua acção, os tratamentos médicos e pelos inconvenientes que te causou o ferimento.

- Como? Ela afastou-se da parede e aproximou-se de mim. – Queres pagar-me por te ter avisado? - E desatou a rir na minha cara.

Apeteceu bater-lhe até lhe arrancar o sorriso da cara! Insolente! Estendi as presas completamente e aproximei-me da cara dela.

Ela parou de rir mas não tirou aquele sorriso da cara, um sorriso irritante, incomodativo, um sorriso excitante, apetecível, delicioso… Que inferno! Quem é que controla quem aqui?

- Vais continuar a rosnar na minha cara ou vais pôr o elevador em andamento? - Ela não tinha medo de mim.

- Ainda não decidimos a forma como devo pagar pelos teus serviços! – Disse-lhe enquanto tentava encanta-la para que aceitasse a minha oferta.

Ela parou de sorrir. Está sob o meu poder, tenho a certeza.

- Vou enviar-te o teu devido pagamento.

- Não!

Como? Ela resistiu ao meu encantamento? Isso não é possível!

Ela desviou o olhar dos meus olhos, inclinou-se para o lado, encostando o seu corpo ao meu, estendeu o braço e pôs o elevador em funcionamento.

- Ficas a dever-me um favor! – Disse, quando voltou à posição inicial de novo com um sorriso nos lábios.

O elevador chegou ao último piso, as portas abriram e eu ainda não tinha conseguido deixar de olhar para ela. Se por um lado estava irritado porque não estou habituado a que se riam na minha cara, que me digam que não e que resistam ao meu encantamento, por outro estava divertidíssimo.

Uma novidade ao fim de mais de mil anos é motivo para deixar qualquer um mais eufórico. Até eu que não me deixo levar por emoções confesso que é bom encontrar algo novo no meio deste marasmo que se torna conhecer humanos todos iguais, previsíveis, assustados e submissos.

Podia sentir o Gerald e o Ryan a olharem para nós dentro do elevador com ar de imbecis. Imagino que não contassem com a presença de Catherine e se bem conheço os humanos estarão em pânico. Em outras circunstâncias este falhanço na segurança seria imperdoável.

A Catherine falou para mim, num tom que permitia ser ouvida pelos outros dois.

- Vou deixa-los a sós. É obvio que não querem ninguém no escritório para a vossa conversa, preciso apenas de ir buscar o meu telemóvel que me esqueci.

Passou por mim e eu segui atrás dela. Entrou rapidamente no gabinete dela, pegou o telemóvel e parou em frente a mim, ainda a sorrir, como se estivesse feliz com algo que tinha conseguido realizar.

- O que aconteceu com os três homens? – Perguntou ela arrancando-me aos meus pensamentos que já se centravam agora no seu corpo. A mulher tem um peito que merece ser venerado de joelhos!

- Eram apenas dois. – Respondi-lhe sem desviar os olhos do seu corpo, descendo ao longo do peito, da cintura, das ancas. A vontade de lhe arrancar a roupa do corpo e pô-la a suplicar por misericórdia, fazia as minhas presas furarem o interior da minha boca e sentir o sabor do meu próprio sangue.

Ela ficou séria de repente.

- Não! Eram três! Tenho a certeza!

Eu queria lá saber dos trastes de sexta-feira passada. Vermes inúteis que não valem o sangue que carregam nas artérias.

O Gerald e o Ryan tremiam de nervosismo atrás de nós.

- Algum cobarde que deixou os amigos entregues a eles mesmo.

Ela fez um ar inquisidor, como se não acreditasse nisso e eu não queria continuar esta conversa sobre humanos ridículos. Queria empurra-la para dentro do gabinete, tranca-la lá dentro, nem que para isso precisasse matar os dois palermas que não desviavam o olhar.

Ela sorriu de novo, como se entendesse os meus pensamentos. Desviou o olhar e passou por mim, em direcção ao elevador. Quem consegue ser tão sexy assim com um braço ao peito? O rabo da mulher, vincado nas calças de ganga fizeram-me cravar ainda mais as presas no interior da minha boca. Senti um novo fluxo de sangue a escorrer-me pela garganta.

- Prazer em falar contigo Eric. Até amanhã Ryan, Gerald.

As portas fecharam e eu saí rapidamente do transe que a imagem traseira de Catherine me tinha provocado e rodei sobre os calcanhares para encarar os dois humanos assustados na minha frente.

- Senhores vamos falar de negócios!

Eles respiraram fundo, como quem retira um imenso peso de cima dos ombros. Não pretendia falar sobre esta quebra de segurança com eles. Afinal foi um momento de muito entretenimento.