Esta história é uma fan fiction sobre a obra de Charlaine Harris, Southern Vampire Mysteries. Algumas personagens e passagens têm direitos de autor pertencentes a CH.

Comentem!

CAPITULO 6

CPOV

As portas fecharam e o elevador iniciou o seu percurso descendente. Não conseguia retirar aquele sorriso estupidamente parvo da minha cara.

Não havia motivo nenhum para estar a sorrir a não ser que esteja a enlouquecer, coisa que não seria assim tão estranha. Sempre olhei à minha volta como se vivesse num mundo de loucos. Provavelmente a louca sou eu!

Racionalizando, o que me leva a sentir assim, quase feliz? O Eric não me partiu o pescoço como o poderia facilmente ter feito?

Foi por me ter sentido corajosa na sua presença e não me ter posto imediatamente de joelhos a pedir que ele me poupasse a vida?

Foi algum tipo de prazer feminista por dizer ''Não'' a um macho poderoso e forte? E se há macho que aparenta ser o Alfa, esse é decididamente o Eric!

Foi por tê-lo encontrado e poder perder-me no azul do seu olhar, naquele corpo alto e com músculos não demasiadamente pronunciados mas verdadeiramente rígidos? Imagino como será passar as mãos pelo seu corpo gelado e duro! Ai!

Não, não, não! Catherine! Comporta-te que já tens idade para isso! – Dei um sermão mental a mim mesma.

O Ryan deve estar irritadíssimo comigo e amanhã terei problemas sem dúvida. Seja qual for o negócio entre eles, não era para ser do meu conhecimento. Espero não ter causado nenhuma rotura entre eles. Não foi a minha intenção. No entanto que poderia fazer? Era tarde para evitar algo, quando entrei no elevador.

Cheguei à rua de novo e, agora com o telemóvel na mão chamei um táxi. Enquanto esperava, olhei algumas vezes para o topo do edifício atrás de mim, curiosa sobre o que se passaria na sala de reuniões do décimo andar. Nem eu o ângulo, nem a distância e até os vidros serem espelhados, me permitia ver o que quer que fosse pelo que parei de esticar o pescoço. O mais que vou conseguir é arranjar um torcicolo.

Recordei a forma fácil como o meu braço quebrou na mão da vampira loira que o acompanhava na festa. Será que encontrarei o meu chefe e sócio amanhã também com alguma parte do corpo destruída?

Não, claro que não! Porque ele o faria? Ele não parecia irritado, ou pelo menos, não muito irritado.

Até teve a peregrina ideia de me oferecer dinheiro pelos inconvenientes causados!

Não evitei rir sozinha! Dois namorados que, passavam na altura, olharam com espanto para mim. Ainda ri mais. Olha a imagem sã que eu estou a passar aos outros. Rindo sozinha no meio da rua.

Não era desprovido de lógica receber uma compensação pelos danos causados. É assim que as regras da sociedade o exigem. Quando causamos um dano, mesmo sem intenção, é natural que queiramos compensar pelos estragos e inconvenientes causados. Se fosse eu a causadora assim o teria feito. No entanto, quando a proposta foi feita a mim, achei tudo tão ridículo. É falha minha, é certo, mas quem disse que eu sou perfeita?

O táxi chegou e eu indiquei a minha morada e reclinei-me nos estofos já um pouco gastos do veículo.

Agora sim, começava a sentir-me cansada e estava ansiosa por chegar a casa. O braço voltou a doer-me ou talvez sempre me tenha doído, eu é que estava demasiado ocupada para notar.

Cheguei finalmente a casa. ''Ah, lar querido lar!''.

Vivo numa zona residencial a cidade a cerca de vinte quilómetros do centro da cidade, composta por edifícios de apartamentos bem altos. É um autêntico mar de betão, intercalado por algumas zonas verdes.

Comprei um T2 de construção recente num magnífico nono andar. A minha sala é grande e naturalmente iluminada por uma enorme janela dupla. Decorei-a com sofás brancos de pele e móveis pretos os quais mantenho sem muitos objectos decorativos. Apenas um LCD ao centro, livros de ambos os lados e velas aromáticas. Gosto muito de decorações monocromáticas e adoro acender velas e sentir-me envolvida para sua luz intermitente e pelo perfume que libertam. Se for de baunilha é ouro sobre azul.

Ao centro da sala coloquei um tapete branco, de pêlo alto e fofo, o qual nunca piso com sapatos calçados para não o sujar. Nas paredes tenho telas pintadas a tinta de acrílico, penduradas a alturas diferentes de propósito. É um dos meus hobby's. São apenas jogos de cores, que misturo directamente na tela, cujo único objectivo é que transmitam algo. Chego a deita-las fora quando o resultado final não me agrada.

Para não perturbar a entrada da luz do sol na sala, escolhi como cortinados, um jogo de tecidos translúcidos, os quais são apenas barras de tecido com certa de cinquenta centímetros de largura, intercalando a cor preta com a branca até preencher toda a largura da janela. Estão colocados em dois varões de metal, paralelos o que provoca a sensação de profundidade entre uma cor e a outra.

Quando se entra na minha casa, a entrada dá acesso directo à sala. Virando à esquerda temos acesso a um corredor onde ficam situados os dois quartos, o ''closet'' e a casa de banho.

Num dos quartos criei um escritório onde coloquei uma secretária de tampo de vidro esverdeado, uma cadeira preta de pele do tipo executivo, um tapete idêntico ao da sala mas em tom bege e numa das paredes uma estante de cor castanho-escuro que neste momento está de tal modo carregada com livros, documentos e pastas que me parece que as prateleiras estão a começar a ficar bambas.

O ''closet'' é a pior divisão da casa. Como qualquer mulher que se preze, tenho imensa roupa e nunca nada para vestir. Não é inédito encontrar alguma peça que não me lembro sequer onde e para quê a comprei.

A casa de banho é relativamente espaçosa. Odeio casas de banho pequenas fazem sentir-me claustrofóbica. As loiças são brancas e os azulejos são num tom intermédio entre o bege e o amarelo. O mármore que rodeia o lavatório está completamente tapado de embalagens de maquilhagem, produtos para o cabelo e perfumes. Tenho que ter tudo à mão para evitar perder muito tempo a arranjar-me.

Para o meu quarto, virando a nascente, escolhi cores pastel entre o amarelo e o azul e móveis de cor faia, pois induzem ao relaxamento. Para ser verdadeira, podia passar sem quarto, pois são mais as vezes que adormeço na sala que as vezes que me deito na cama.

A cozinha era outra divisão da casa que podia dispensar. Sei cozinhar mas aborrece-me confeccionar elaborados pratos apenas para mim. Nunca sequer dei uso ao forno. Se não fizesse parte da casa, já o tinha oferecido a alguém que necessitasse. Compro comida já confeccionada ou acabo por fazer umas tostas.

É um dos problemas de viver sozinha e para o qual há solução. Os meus pais faleceram há muito, não tenho irmãos, primos ou avós. Verdade que já não teria idade para viver em casa de familiares.

Não gosto de partilhar casas com amigos, pois aprecio a minha privacidade e evito as famosas discussões sobre quem é que não arrumou o quê. Assim discuto sozinha. ''Ah malandra que parece que passou um furacão por aqui!''

Viver com um namorado, é algo que desconheço desde os tempos da universidade. Nessa altura tive uma relação que durou praticamente os cinco anos do curso e que eventualmente nos levou a viver juntos.

Quando acabámos os estudos e entrámos no mercado de trabalho, passado pouco tempo eu tive a oportunidade de vir trabalhar para a Portman e isso implicou mudar de cidade. Ele tinha ficado como professor assistente no campus e manter uma relação à distância é apenas uma ilusão. Na prática não funciona, pelo que ficamos por ali.

O Michael não era propriamente o meu tipo de homem mas estive verdadeiramente apaixonada por ele. Infelizmente tenho mais tendência para apreciar o género safado e desavergonhado. O Michael com o seu 1.70 m, cabelo castanho sempre muito bem penteado, cara de menino, barba quase inexistente e óculos de intelectual era a antítese do ''mau-carácter''.

Nunca tinha tido um namorado que se lembrasse do meu dia de aniversário mas ele nunca o esquecia. Nem hoje em dia. Sempre me telefona a desejar um dia feliz. O Michael foi e é o perfeito ''gentleman''.

Desde a nossa separação não se pode dizer que tenha voltado a ter uma relação. Houve uns casos, tudo muito inconsequente. Não que não pudesse ter mais, eu sei, mas sou um pouco despistada para isso. O mais provável é um homem me convidar para sair com a ideia de algo mais sério e eu pensar que é apenas uma situação de ''tudo-como-amigos''.

Da janela da minha sala, vejo um espaço verde com um pequeno lago, onde as famílias convivem predominantemente ao fim de semana. Tem algumas árvores de folha caduca, alguns bancos de madeira e num dos lados tem uma pista de bicicletas e um parque para crianças.

A água do lago é mantida bem limpa e podemos até admirar os peixes Koi que lá foram colocados de propósito. Quando está sol, perco-me sentada na relva à beira do lago, alimentando os peixes com pão que levo com esse objectivo e com o meu I-POD a debitar música.

Não tenho qualquer tipo de cultura musical. Sou um absoluto ''zero-à-esquerda'' nesse tema. Não conheço os nomes das músicas, nem os cantores. Não tenho um estilo próprio e não ligo muito ao tema da música. Se gosto da melodia, se sinto que me passa algum tipo de emoção, então vale o meu tempo a ouvi-la. Conforme estou mais animada ou se pretendo relaxar, assim vagueio pelo Hip-hop, pop, rock, metal, jazz.

Um exemplo desta minha completa ausência de cultura musical e como apenas a melodia me diz algo, é a musica dos Bodyrockers - I like the way you move. O tema não diz nada mas a melodia incendeia o meu corpo, aquece-me o sangue, aumenta-me o batimento cardíaco e invariavelmente me lembra de sexo!

Se a oiço enquanto conduzo, o mais provável é baixar uma velocidade ao meu amado Audi TT cor prata e acelerar a fundo, vendo o conta rotações a aumentar, arriscando-me a uma pesada multa por excesso de velocidade e a outra por condução perigosa. Mudo de faixa constantemente, ultrapasso por onde dá. Aumento o volume e acompanho o tema aos gritos. Aos gritos sim, porque eu não canto nada. N A D A!

Enquanto pensava nesta música lembrei-me do Eric e como a música lhe assenta como uma luva. Forte, poderosa, contagiante, sexy, emana sexo a cada acorde e a cada batida e decididamente eu gosto da forma como ele se move, como não se move, como me olha e até a forma como mostra as presas!

Oh merda! Vou tomar um banho gelado!