Esta história é uma fan fiction sobre a obra de Charlaine Harris, Southern Vampire Mysteries. Algumas personagens e passagens têm direitos de autor pertencentes a CH.
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CAPÍTULO 7
EPOV
O Ryan e o Gerald indicaram-me o caminho em silêncio para a sala de reuniões. Não é a primeira vez que aqui venho, pelo que os liderei até lá e sentei-me à cabeceira da mesa. Na primeira vez que o fiz vi o ar surpreendido deles. Sei bem que entre os humanos a cabeceira da mesa está reservada para o dono da empresa ou da casa mas, quando fazem negócios comigo e com a quantidade de dinheiro que lhes vou dar a ganhar, é bom que entendam desde sempre, quem é que dá as cartas neste jogo.
Eles continuavam nervosos e eu começava a sentir-me aborrecido. É verdade que espero que me respeitem e que entendam que só estão vivos porque eu assim desejo mas esta constante cobardia mete-me nojo. Os humanos são uma perda de tempo. O Gerald torcia as mãos.
Reclinei-me na cadeira em posição perpendicular à mesa para poder esticar as minhas pernas. A maioria das mesas não foi feita para albergar debaixo do tampo umas pernas com o comprimento das minhas. Fiz-lhes sinal para que me pusessem a par de tudo.
O Ryan bebeu um copo de água, clareou a garganta e começou a mostrar-me os relatórios e as escrituras. Todos os edifícios tenham sido comprados em nome da ''EN Development'', uma empresa que criei propositadamente para o efeito. Com a celeridade com que eles fizeram as transacções e a cláusula de confidencialidade que todos os vendedores assinaram não houve oportunidade para especulação imobiliária.
Não havia dúvidas que eram competentes no que faziam. Compraram todos os edifícios e pouparam 15% do orçamento inicial que eu lhes tinha indicado.
Eles esperavam que eu dissesse algo mas se o trabalho foi bem feito, nada há a dizer. Na realidade, gosto de me manter sério e silencioso para manter o respeito. Quando os nossos parceiros sabem que falhar pode significar a morte, há menos hipóteses de roubos ou traições.
O resto da reunião foi dedicada a decidir o que fazer aos edifícios. Corremos a lista, um a um e eu fui indicando quais seriam dedicados ao meio empresarial diurno e quais seriam para os negócios da noite. Quais eram para reabilitar, quais pretendia que fossem demolidos e que me fosse apresentando um projecto arquitectónico do novo edifício.
Havia agora muito a fazer. Nesta fase o projecto deveria ser entregue a uma pessoa só, para evitar demasiados interlocutores e alguém com os conhecimentos necessários para fazer toda a gestão do empreendimento. Decretei que doravante o nome da minha empresa devia constar em todos os contactos mas que o meu nome como proprietário deveria continuar incógnito. Até à inauguração apenas Gerald, Ryan e o novo director de projecto saberiam quem era o proprietário.
- A quem pretendem entregar a direcção do projecto? – Perguntei
O Gerald e o Ryan entreolharam-se em dúvida. Não gostei. Esta situação deveria há muito estar equacionada e resolvida. Não haver ainda uma decisão era uma falha grave. Agora sim estava irritado. Não é assim que eu faço negócios. Exijo respostas rápidas e decisões assertivas.
- Não decidiram ainda? Isso não é admissível – Encarei-os com irritação.
O Ryan passou as mãos pelos cabelos e gaguejou mostrando-me a pouca fibra que tinha. Pelo jeito, por muitos anos que tenham no mundo dos negócios ninguém os preparou para negociar comigo.
- Não, não é isso. Já tínhamos alguém em mente mas.. mas..
Irra! Não tenho tempo para isto! Se fosse possível morria aqui de velhice à espera que ele falasse.
- Qual é o problema? – Perguntei enquanto controlava o meu humor
- Não sabemos bem. – Disse o Gerald
A vontade de saltar por cima da mesa e rasgar a garganta a um e a outro crescia em mim. Pensariam certamente que eu cheguei onde cheguei a passar a mão pelo ombro de humanos indecisos?
Cravei os dedos nos braços da cadeira enquanto esperava pelo bendito nome da pessoa que seria o director de projecto.
O Ryan bebeu mais água e por fim falou:
- Nós íamos indicar a pessoa mais competente para o projecto em questão, já que a sua experiência abrange todo o tipo de edifícios e será certamente a pessoa certa para o lugar mas…reparamos que o Eric já a conhece e não sabemos se será a favor.
- Quem? – Perguntei e jurei para mim mesmo que era a última vez que fazia a pergunta. Se tivesse que voltar a perguntar, alguém ia perder pelo menos alguns dentes.
- Catherine Jenkins! – Disse o Gerald
Mantive-me em silêncio, só para os torturar mais um pouco pois tanta indecisão merece um castigo e entretanto equacionava todas as variáveis da questão.
Catherine! Se é a mais competente, nada mais há a dizer. Eu não tomo decisões baseadas em emoções positivas ou negativas.
No entanto outras ideias afloraram na minha mente. Ela trataria directamente comigo e pelo que pude perceber, mais que não fosse gaguejaria menos na minha presença. Não é uma cobarde como estes dois. A ideia de passar mais tempo com ela, a sós, aumentou a minha sede. Recordei o seu corpo e o meu baixo-ventre vibrou em antecipação. Além disso, eu devia-lhe um favor, como ela fez questão de me informar. Haveria sem dúvida oportunidade de a recompensar pelo seu trabalho e dedicação. Afinal colaborar na defesa de um cliente, mesmo sendo desnecessária, é motivo para pelo menos uma promoção.
- Muito bem. Digam-lhe para me procurar para definirmos tudo o que será necessário.
Levantei-me e saí. O Gerald e o Ryan ficaram de olhos muito abertos, esperavam sem dúvida que eu explicasse algo sobre a conversa que ouviram. Não tenho que prestar qualquer tipo de informação. Pelo jeito ela também não informou por aqui que eu era um dos alvos, senão eles não estariam tão surpresos.
Isso é bom. Um humano discreto e que não passa mais informações do que as estritamente necessárias é um potencial bom aliado. Se é que podemos considerar um humano como aliado.
Não sou, nem nunca fui um fan de humanos. São demasiado falíveis e possuem uma dose de ignorância que quase me mata de tédio. Força de expressão obviamente.
Em quase toda a minha existência os vi apenas como fonte de alimentação e sexo fácil. Basta olhar fixamente e ficam imediatamente sobre o meu poder de encantamento. Depois é só fazer com eles o que bem eu entender.
Catherine, no entanto resistiu à força do meu encantamento. Como? Como é possível? Desde que sou um vampiro adulto, isso nunca me aconteceu. Falhei algumas vezes ao longo do meu primeiro século de existência até aperfeiçoar as minhas capacidades. Daí para cá, nunca ninguém resistiu.
Bom, não me faltarão oportunidades para testa-la e ver até onde ela consegue resistir.
Bem sei que não se misturam negócios com prazer mas agora é tarde. Eu vou possuir aquele corpo, quer ela queira quer não e no fim ela vai adorar e implorar por mais!
Entrei no carro e dirigi-me para o Fangtasia.
CPOV
Eu costumo pensar que já nada me surpreende mas afinal estava redondamente enganada. Ao chegar ao trabalho pela manhã fui recebida por um Ryan e um Gerald muito nervosos mas também muito excitados. Vinha preparada mentalmente para ouvir uma reprimenda pela situação incómoda de ontem e não esperava nada disto. Enquanto eles me mostravam animados o novo projecto que me iria calhar em mãos eu só me apetecia praguejar em alto e bom som. Assim a cada nova novidade que o projecto envolvia, eu sorria cordialmente e imaginava-me a bater com a cabeça na secretária para aliviar a vontade de rir.
Só perdi essa vontade, quando após trancarem a porta do gabinete para evitarem serem ouvidos me informaram, em sussurro, o nome do cliente.
Fiquei sem palavras. Precisei de uns segundos para recuperar o mínimo de compostura, facto que não lhes passou despercebido.
- Há algum problema?
- Nenhum! Disse segura e rapidamente.
Passaram-me todos os documentos necessários, as escrituras, as plantas da área, a lista prévia do que seria necessário fazer, o contacto da empresa de publicidade já escolhida para criar a campanha de vendas, para quando houvesse já definições e se pudesse criar uma imagem virtual em 3D de todo o empreendimento e finalmente o contacto pessoal do Eric Northman. Não saíram do gabinete sem antes me lembrarem que o seu nome era assunto completamente confidencial e nunca poderia ser mencionado antes de autorização prévia do mesmo.
Quando saíram eu recostei-me na cadeira e fechei os olhos. Tinha uma vontade de rir descomunal.
Desde sexta-feira passada que a minha vida gira à volta de Eric Northman. Percebo agora que acabaria por o conhecer de qualquer forma. A minha atitude estupidamente heróica foi apenas o prefácio de uma história que já estava escrita.
Eu não acredito em destino mas há situações que parecem escritas e das quais por muito que tentemos fugir acabamos sempre por esbarrar nelas. Não que me apetece-se fugir de Eric e a ideia de esbarrar nele não era nada desagradável.
O Ryan apareceu de novo na minha frente, como quem se lembrou de algo muito importante:
- Catherine, percebo agora que deves estar apreensiva pois além do teu trabalho diurno terás que trabalhar também em período nocturno por causa das particularidades inerentes à condição do nosso cliente mas isso será tudo contemplado na tua folha de pagamentos e o teu horário será ajustado. Obviamente que não espero que estejas numa reunião sabe-se lá até que horas e que estejas no teu gabinete às oito da manhã.
Nem me tinha ocorrido nada disso. Estava demasiado ocupada a pensar em assuntos mais levianos mas não perdi a pose.
Agradeci a compreensão como que dando a entender que era exactamente por isso que tinha ficado momentaneamente apreensiva.
Ele saiu, fechando a porta atrás de si e eu agarrei no cartão do Eric com o seu contacto. Fiquei com ele na mão imenso tempo a tentar pensar o que fazer a seguir.
A que horas acorda um vampiro?
Para quem está a adormecer com a história, peço só mais um pouco de paciência. Em breve a história vai avançar e aquecer. Quis perder algum tempo a criar as personagens e o contexto da história antes de começar a complicar tudo!
