Esta história é uma fan fiction sobre a obra de Charlaine Harris, Southern Vampire Mysteries. Algumas personagens e passagens têm direitos de autor pertencentes a CH.

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CAPÍTULO 8

EPOV

Senti-me anormalmente ansioso. Um sentimento quase próximo ao que sentia quando me preparava para uma grande batalha, enquanto ainda era humano e era um guerreiro Viking. Nunca sentia medo, nem receio, era uma ansiedade de quem mal podia esperar pela inicio da batalha.

É quase assim que me sinto hoje. O meu novo projecto vai finalmente começar. Mal posso esperar por circular por estas ruas e vê-las iluminadas e cheias de humanos, gastando o seu dinheiro.

De dentro do meu carro, observava as construções antigas a caminho do Fangtasia. Após a revelação, pareceu lógico abrir aqui o Fangtasia, um bairro não muito recomendável para afastar alguns humanos mais fanáticos pela nossa extinção. Agora que tudo está calmo e praticamente não há problemas entre humanos e vampiros, está na hora de nos mostrarmos em pleno. Com cautela, é certo, mas deixar de vez as sombras e passar para a brilhante luz da Lua.

Parei o carro nas traseiras do Fangtasia. Quando o estaciono perto da porta de entrada dos clientes sou sempre muito solicitado e não ando com vontade de ceder o meu tempo às ridículas fangbangers.

Recebi uma mensagem de texto no telemóvel. Sorri ao lê-la. Catherine queria encontrar-se comigo e solicitava que entrasse em contacto com ela quando o meu dia iniciasse. Ela não sabe a que horas os vampiros se levantam mas foi polida ao indica-lo.

Respondi-lhe: ''Fangtasia. Estarei à tua espera. E''

A noite adivinha-se excitante e as minhas presas acompanharam a minha mudança de humor.

Entrei e encontrei a Pam, sentada ao balcão com um ar inquisidor. A sua sobrancelha esquerda arqueada era sobejamente conhecida. Ela podia sentir as minhas mudanças de humor e nos últimos tempos não terá sentido nenhuma. Um desinteresse em relação a coisas mundanas tem-me perseguido ultimamente. Sentei-me ao lado dela e abri uma garrafa de True-Blood.

- Eric, a que se deve a animação?

Não lhe quis contar, não ainda. Havia outro assunto pendente.

- Pam, tens controlado o Vasile?

Pam fez cara de nojo.

- Sim, Eric. Esteve aqui a noite passada. Bebeu duas garrafas de True-Blood e não causou problemas. O Bubba tem seguido os seus passos e aparentemente está a cumprir o que prometeu. Descansa no cemitério e não há suspeitas que tenha tentado atacar um humano.

- Mantêm-me informado. Esta noite, a humana a quem esmagaste o braço a semana passada, passará por aí, para falar comigo. Quando ela chegar encaminha-a directamente para o meu escritório.

A Pam voltou a arquear a sobrancelha e ficou obviamente irritada.

- Esse saco de sangue loiro! Precisa que lhe componha o outro braço?

- PAM! Estás proibida de a atacares.

Pam sentiu-se ofendida com a minha ordem.

- Eric! Só queria saber o que ela pretende!

É natural que ela queira saber se o teor da conversa tem algo a ver com ela. A minha criança é mimada e tem tolerância zero à maior parte dos assuntos que envolvam humanos mas neste caso a sua curiosidade tem razão de ser. Tranquilizei-a.

- Não és o assunto de conversa Pam. Quando ela chegar encaminha-a para o meu escritório.

CPOV

Eu tenho mesmo que organizar este closet. Estou há mais de vinte minutos perdida aqui dentro, entre calças, t-shirts e botas e não encontro nada que faça conjunto! Acho que nunca tive tanto problema para escolher uma roupa para uma reunião com um cliente. Nunca fui ao Fangtasia mas parece-me não ser o sítio indicado para ir com roupa formal. Por outro lado ele é um cliente. Um cliente muito ''sui generis'' mas um cliente. Oh que diabo! Se fosse uma reunião formal não seria naquele espaço.

Agarrei nas primeiras peças que me vieram à mão. O costume portanto. Calças de ganga meio desbotadas, botas castanhas até ao joelho, blusa preta decotada e blusão de pele castanha.

É apenas mais um cliente. Um cliente que me pode partir o outro braço, que me pode rasgar a garganta e com o qual eu tenho alguma dificuldade de manter o meu ar profissional. Nada demais, portanto!

Chamei um táxi e pus-me a caminho com o meu portátil debaixo do braço. Tive o cuidado de encriptar toda a informação contida no mesmo. Há que tomar todas as precauções necessárias. Na eventualidade de levar descaminho, não posso correr o risco de haver fugas de informação.

O táxi parou à porta do Fangtasia e o taxista recebeu o pagamento com um olhar de crítica na minha direcção. Bonito! Agora sou confundida com uma fangbanger!

Não havia pessoas à espera para entrar, pelo que me encaminhei para a porta e senti uma dor no braço quando a vi na minha frente, barrando-me o acesso.

A vampira loira da festa! Não a reconheci imediatamente, pois hoje está vestida para matar ou pelo menos tenho a certeza que qualquer homem não se importará de morrer nas suas mãos e até ficará feliz!

Ela arqueou uma sobrancelha e fez um sorriso de esguelha ao olhar para o gesso do meu braço. Bom, não esperava que ela me pedisse desculpa mas daí a gozar com a situação também já é exagero.

Tive vontade de lhe bater com o gesso nas presas mas não ia perder a minha pose profissional.

- Boa noite, tenho uma reunião marcada com…

Ela não me deixou acabar. Saiu da frente e com uma vénia exagerada indicou-me que entrasse.

Segui atrás dela. O bar não estava completamente cheio. Vi humanos e vampiros. Um deles chamou-me a atenção. Estava com uma longa capa preta até ao chão, como o famoso Conde Drácula da ficção. Até parecia que o reconhecia de qualquer lado. Provavelmente fizeram algum filme do género com um actor com feições parecidas.

O ambiente era pesado, aquilo que eu costumo chamar de ''casa de engate''. A mesma sensação que se sente numa discoteca às quatro e meia da manhã, quando os clientes começam a ficar ansiosos por encontrar uma companhia sexual para as próximas horas. É sempre nessa altura que resolvo sair. Odeio aquela sensação no ar que parece dizer: ''Quero comer alguém, não importa quem!''

A loira indicou-me uma porta e eu passei por ela na direcção indicada. Ouvia-a falar nas minhas costas:

- Lamento pelo ferimento. Foi um mal-entendido.

Virei-me para ela. Continuava com um ar desafiador e provocador mas eu tenho a certeza que ela pediu desculpa ou pelo menos disse que lamentava.

- Não tem qualquer problema. Eu não devia ter corrido na vossa direcção daquela forma e aos gritos.

Ela não respondeu e eu estava a sentir-me cordial.

- Catherine Jenkins! – E estiquei-lhe a mão direita para a cumprimentar.

- Nós não cumprimentamos com apertos de mão! – Disse com ar altivo.

- Pois não, esmagam logo o braço! - Não resisti a dar uma gargalhada.

Ela fez um ar sério, voltou a arquear a sobrancelha. Como será que ela consegue fazer aquilo? Adorava fazer aquela expressão. Por fim sorriu para mim:

- Pamela! Podes tratar-me por Pam.

Consegui fazer uma vampira sorrir, já não foi mau. Agora falta enfrentar o Alpha!

Quando ia bater na porta ouvi a voz dele do outro lado a dizer: ''Entra''

Os vampiros têm visão raio-X?

EPOV

Mantive os olhos no ecrã do meu computador mas pela fracção de segundo que olhei para ela, o meu corpo morto, ganhou vida espontaneamente. Ela avançou na direcção da minha secretária e eu podia saborear o seu odor. Apeteceu-me come-la. Literalmente!

Fiz-lhe sinal para que se sentasse. Reclinei-me na cadeira, entrelacei as mãos no meu colo e olhei para ela.

Ela sorriu para mim. O mesmo sorriso do elevador. Provocadora! Estão abertos os jogos, pensei, que o melhor vença, que serei eu como é óbvio.

- Devemos apresentar-nos formalmente? – Perguntou rindo.

- Acho que podemos passar esse passo. Como está o teu braço?

Ela olhou para o gesso.

- Contente por não ter o irmão direito no mesmo estado!

Não evitei rir. A mulher tem sentido de humor.

- Agora não pode ser, há muito trabalho a fazer.

- Combinado! Fica para depois então!

Ela tem noção que está a brincar com o fogo?

- A Pam, pareceu-me muito disponível para me ajudar nisso!

- Ela não pode atacar-te!

- Não pode? Como não pode?

Ela tem razão. Poder, pode. Apenas não tem autorização para isso.

- Ela tem ordens para se manter longe de ti.

- E ela cumpre sempre as tuas ordens?

- Sempre!

- Isso é que é rédea curta!

Não entendi o que ela queria dizer com isso.

- É assim entre amo e criança.

- Criança? Que criança? – Agora era ela que estava perdida, obviamente.

- A Pam é a minha criança e eu sou o seu amo.

- Lamento a minha ignorância no léxico vampírico Eric mas desconheço em absoluto o que isso significa.

Era obvio que nós éramos os primeiros vampiros que ela conhecia e que não era muito interessada na nossa espécie. Hoje em dia é fácil encontrar todas estas informações na internet. Os fanáticos pró e contra a nossa existência publicitam tudo o que descobrem de nós.

- Eu sou o seu criador.

- Isso significa que pelos padrões humanos és assim como um pai para ela?

- Conheces alguma filha que respeite escrupulosamente as ordens do pai?

- Touché! – Disse ela e voltou a rir

Esta mulher dá cabo de mim. Esta sua forma descontraída está a virar o jogo a seu favor.

Olhei fixamente para ela para a encantar e disse-lhe:

- Tens ideia que não deverias rir dessa forma para mim?

- Devo parar de rir? – Disse ela com um sorriso

Nada. Ela voltou a faze-lo. Aproximei-me da secretária e concentrei-me ao máximo. O meu olhar fixo no dela, libertando todo o meu poder.

Ela ficou séria por uns segundos e depois voltou a abrir aquele sorriso.

- Posso perguntar o que tanto olhas? Tenho algo escrito na testa?

Raios! Como é que ela faz isto? Além de não ceder ainda me arrasta com ela neste humor contagiante.

Resolvi rapidamente mudar de estratégia que esta só me está a fazer perder pontos. Ela brinca comigo quando o que eu pretendo é exactamente o contrário.

Voltei a reclinar-me na cadeira e falar de negócios.

Ela vinha extraordinariamente bem preparada, para quem tinha tido apenas umas horas para olhar para o assunto.

Apresentou-me uma lista de gabinetes de arquitectura que ia contactar para solicitar ideias para os edifícios a construir. Os empreiteiros que tinha em mente para as recuperações, conforme o tipo de edifício em causa e que ia solicitar também a ajuda de arquitectos paisagistas para as zonas envolventes. Bons edifícios tinham que ter um bom enquadramento disse ela. Falou ainda sobre os contactos que ia realizar com a câmara para que os arruamentos fossem recuperados e as ideias que tinha para condensar determinados negócios em determinados grupos de edifícios para que os clientes não tivessem que andar para cá e para lá e encontrar tudo mais facilmente.

O Ryan tinha razão, ela era competente no que fazia. Se eu não fosse um vampiro e ela uma simples humana teria estado tentado a deixar-lhe tudo nas mãos e o que ela decidisse estava bem.

- Eric, queres que avance por fases?

Não entendi.

- Um empreendimento deste género implica muita liquidez. Os empréstimos bancários levam o seu tempo a ser aprovados.

- Podes avançar com o projecto por completo. A banca não está envolvida.

Ela levantou os olhos do PC.

- A sério? Como meu cliente tenho o dever de informar-te que para este tipo de projecto é melhor recorrer à banca. Ainda não tenho os orçamentos mas por experiência anterior sei que estamos perante algo que vai implicar um investimento de vários milhões de dólares.

Não será problema. Ela não tem como saber que o volume da minha liquidez económica cobre isso e muito mais mas apreciei a forma como me tratou como a qualquer outro cliente, dando todas as informações que poderiam ser necessárias no estrito interesse do cliente.

- Podes avançar. O dinheiro não é um problema. Não precisas fasear a obra nem atrasar o prazo de construção.

- Bom - Respondeu ela, voltando a teclar furiosamente no PC - Sendo assim, isto vai correr sobre rodas. Dentro de um mês terei os ante-projectos dos edifícios novos para a tua aprovação e vou avançar de imediato com a recuperação dos existentes. Sendo que este bairro é composto por edifícios de pequena envergadura e com os parceiros certos, calculo que dentro de seis meses poderemos começar a comercialização. Serei o mais célere que puder para que o retorno comece a entrar o mais rápido possível.

Isso já não me interessava. Estava fascinado como o trabalho dela. Não me lembro se alguma vez olhei com respeito para um humano. Ela quase que parece vampira.

Racional e pragmática eram assim que a caracterizavam. A isso junta-se um corpo feito para o pecado e um sentido de humor fora do comum.

Ela levantou-se da cadeira e esticou o corpo. Eu fiquei a admira-la por uns segundos e num ápice saltei da cadeira. Enquanto ela pestanejou eu estava em frente a ela, sentindo o perfume dela a invadir-me as narinas.

- Agora que falamos de negócios, apetece-me arrancar-te a roupa do corpo!

Ela sorriu outra vez.

- Isso não seria muito ético! – Respondeu.

Avancei mais e ela não recuou nem desviou o olhar.

Sentia o meu corpo gelado a incendiar. Num impulso agarrei-a pelas ancas e puxei-as para mim, tirando-lhe momentaneamente o ar dos pulmões.

Ela pôs a mão no meu peito numa tentativa ridícula de afastar a parte superior do seu corpo do meu mas não pareceu ter medo de mim.

As minhas presas furaram outra vez o interior da minha boca e a sede de sangue enlouqueceu-me momentaneamente.

As minhas mãos escorregaram das suas ancas para as suas nádegas.

Ela manteve-se imóvel.

Forcei-me contra a mão dela e encostei os meus lábios ao seu pescoço. O batimento cardíaco dela disparou e a artéria no seu pescoço pulsava violentamente.

Senti uma imensa raiva na Pam. Agora não, pensei. Era tarde! Ela entrou pelo escritório a velocidade de vampiro.

- Eric! Problema grave!

Respirei fundo apesar de não precisar. Libertei a Catherine das minhas mãos e olhei para a Pam com vontade de a castigar. O que poderia ser assim tão grave que justificasse esta intrusão? Percebi imediatamente que deveria ser grave pois se assim não fosse, a ver-me a agarrar a Catherine, estaria agora com um ar vitorioso de quem arranjou mais uma arma para me arreliar. Tinha os olhos parados e fixos em mim.

- Que se passa?

- A sós! – Vociferou ela.

- Fala! – Não pode ser assim tão grave que a Catherine não possa ouvir. Afinal dei-lhe autorização para gastar, em meu nome, vários milhões de dólares.

- Alguns humanos atacaram o Chow. Está verdadeiramente morto nas traseiras.