Capítulo 1 ---- Ataque
Ao entrar no quarto, Roxas abriu bem os olhos. Estava tudo muito escuro.
Havia uma estante cheia de livros. Em todos eles, haviam histórias de vampiros, lobisomens, demônios. Sua vítima era um fã de histórias de terror.
Havia também uma pequena televisão, e ao lado, um abajur, que não parecia ter sido desligado há muito tempo.
Olhou para a cama de sua presa, coberta até a cabeça, e farejou o ar. Sentiu o cheiro do medo. A presa estava acordada.
"Treze vampiros são o suficiente para uma cidade." Ele sussurrou. "Sugarei todo o seu sangue para ter certeza de que não se tornará um."
Arrancou o cobertor de cima da vítima, apenas para se surpreender. Ele tinha olhos amarelos e brilhantes, arregalados de medo.
Anti tapou a boca para não gritar. Ele havia deixado a janela aberta! Numa cidade como essa! "Menino burro" - ele pensava para si mesmo.
Ele correu para o outro lado do quarto. Roxas contemplou sua vítima por um tempo. Ele era jovem e saudável. Olhos amarelos e brilhantes, dos quais nunca havia visto antes. Isso apenas aumentava seu desejo de sugar seu sangue e estraçalhar seu corpo...Membro por membro.
Quando Roxas finalmente avançou, Anti fez um movimento brusco de medo e dor ao acertar a parede próxima a janela. O vampiro o encarou. Sabia o que o garoto tinha em mente.
"N-Não me machuque...!" Disse Anti, se contendo para não gritar. Mas não seria o certo gritar para alertar a cidade? Por algum motivo, tinha medo de alertar é os outros vampiros.
"Eu pretendo te matar antes de te desmembrar, não se preocupe." Disse Roxas, se preparando para atacar novamente.
Num ato impulsivo de medo, Anti se jogou da janela. Roxas achou isso muito previsível.
"Ora...Se você morrer não tem graça." Roxas disse, descendo pela janela, e contemplava o corpo inconsciente do jovem. Sua cabeça estava sangrando...
O cheiro do sangue apenas atiçava mais a sede de Roxas.
"Pois é..." Roxas pulou para dentro do quarto novamente. Deixou sua vítima na cama. O sangue de Anti estava em uma de suas mãos. Aquilo o enlouquecia. "Esse cheiro está me deixando faminto, mas eu quero me divertir."
Ele escreveu algo em uma folha de um livro que estava jogado, com o sangue que estava em seus dedos.
Então pulou janela afora e fechou-a. Não queria que os outros vampiros o pegassem. Ele era, agora, sua presa. E o perseguiria até o fim.
Afastou-se da casa, a procura de mais vítimas, ainda pensando nos olhos brilhantes do rapaz.
Na manhã seguinte, Anti acordou com uma tremenda dor de cabeça.
Percebeu que tinha perdido a hora e não dava mais pra ir pra escola.
Então ele se lembrou. O vampiro. "Foi um sonho?" –Se perguntou. Ele sempre teve pavor de vampiros, por mais que lesse suas histórias.
Mas ele havia sido poupado. Por que?
Ele desceu para a sala de jantar, e encontrou um bilhete de Sora: "Não te acordei porque você estava desmaiado."
Não foi um sonho...
Sobre a mesa, estava o jornal do dia. A manchete principal:
"Madrugada Assombrada
Esta noite, dezenas de pessoas foram atacadas pelos vampiros, mesmo as que obedeceram ao toque de recolher. Muitos foram esquartejados ou queimados. Mulheres e garotas foram estupradas e, em seguida, desmembradas e desfiguradas.
"Ele tinha uns olhos amarelos e profundos" disse uma garota, que não quis ser identificada. "Ele tentou me atacar, mas só quebrou meu braço."
Ansem diz não saber nada a respeito dos ataques. O máximo que podemos fazer é nos proteger e fechar as janelas."
De fato...Não foi um sonho...
Voltou para o quarto, procurando algo. Uma evidência, talvez?
Encontrou seu livro favorito na escrivaninha, aberto. Na página aberta, haviam garranchos, que pareciam ter sido escritos com sangue.
"Eu volto essa noite pra te pegar.
PS: Não use nada com gola, quero o caminho livre para seu pescoço.
PPS: Se você não estiver em casa,eu como o seu irmão dos pés à cabeça."
Era um pesadelo, e nenhum filtro dos sonhos podia se livrar dele.
"NÃÃÃÃÃO!" Ele berrou, apesar de ninguém ouvi-lo.
Aquele seria mesmo seu último dia? Mas por que o vampiro não tinha se livrado dele antes?
Anti ficou o resto da manhã na cama, olhando para o teto. Não queria que aquele dia acabasse...Ou que fosse seu último.
Quando deu o horário do fim de aula, Anti ficou na entrada do colégio, esperando seus amigos.
Fujin, Wakka e Olette o recepcionaram.
"ATAQUE." Fujin foi a primeira a falar.
"Sim, eu sei do ataque de ontem, só que--" Ele começou, mas foi interrompido.
"Yuffie foi atacada e quase perdeu um braço." Disse Olette.
"É, eu também, mas..." Anti parou por alguns milésimos. "Espera, o que disse? A Yuffie se machucou!?"
"Estávamos indo pro hospital agora." Disse Wakka.
"Pérai...Eu fui o único que saiu dessa inteiro?" Anti disse para si mesmo.
"Você ESTÁ, de fato, inteiro! Não teve nenhum pesadelo à noite?" Perguntou Olette.
"Claro que não! Isso É um pesadelo!" Anti botou a mão no bolso da calça, e mostrou a página onde estava a mensagem do vampiro.
"SORTE." Fujin foi a primeira a se pronunciar.
"MUITA, muita sorte, cara!" Wakka basicamente gemeu.
"Mas por que ele não te matou?" Perguntou Olette.
"É o que estou me perguntando desde que acordei." Anti respondeu.
"MERLIN." Fujin disse novamente. Era raro ela falar mais de uma palavra em 20 segundos.
"Isso aí!" Wakka gritou.
"O Merlin sabe de coisas que não estão em nenhum livro, não é?" Olette acompanhou.
"Será que ele sabe o que aconteceu?" Anti questionou.
"Não custa perguntar!" Wakka disse.
"Então, mudança de planos! Vamos primeiro falar com o Merlin!" Disse Olette, e logo depois seguindo o caminho para a casa do feiticeiro-de-araque-contador-de-histórias-que-não-estão-em-livros. (esse apelido ocupou uma linha inteira!)
"Dois!?" Merlin perguntou assim que as crianças entraram.
"...O que?" Wakka perguntou.
"A Yuffie sumiu e o Anti está cheirando à sangue." Ele disse. "Dois atacados."
"Depois do massacre de ontem... É provável que algum grupo da escola tenha sido completamente dizimado." Disse Olette.
"Sim, sim... Tem razão." Merlin ainda não tinha virado para eles, estava mexendo na estante de livros.
"Merlin, eu só quero perguntar uma coisa." Anti disse. "Por que eu não morri?"
"Porque o jovem Roxas gosta de diversão." Ele respondeu, sem olhar para eles. "Ele quer se divertir, não simplesmente matar um corpo inconsciente. Ele gosta de ver a dor nos olhos da presa."
"Mas hein?" Perguntou Anti novamente. "Primeiro... Esse Roxas é o vampiro que me atacou? Segundo...Como sabe de tudo isso?"
"Primeiro... Sim, ele é o vampiro que te atacou." Merlin finalmente virou para eles. "Segundo... Eu sei disso porque o Roxas tentou ser meu pupilo uma vez. Mas ele falhou no teste, fugiu de casa e como conseqüência, foi mordido."
"Oh...E isso faz quanto tempo?" Perguntou.
"Você disse que só ia perguntar uma coisa." Merlin disse.
"Certo..."
"Mas... Fazem...Dois anos...Ele teria 15 anos agora, como vocês."
"Ele é bem jovem..." Olette disse, enquanto colocava as mãos no rosto. "Ai ai...Em que cidade cruel nós vivemos."
"Estou pensando seriamente em me mudar depois dessa notícia do ataque." Disse Wakka.
"IDIOTA." Disse Fujin, inexpressiva como sempre.
"Digo o mesmo." Disse Wakka.
"Não deviam estar indo ver a Yuffie no hospital?" Perguntou Merlin.
"Sim, é mesmo!" Olette disse. E foi embora, junto dos outros, menos Anti.
"O senhor é esquisito..." Anti começou. "...Vou indo..."
"Cuidado com o escuro, crianças." Merlin disse, enquanto eles passavam pela porta. "Não que você vá ter problema, com essas lanternas no lugar de olhos..."
"Odeio o dia."
"Calado, Roxas!"
Pelo visto seria uma manhã agitada no castelo.
Após terem descoberto que Roxas poupou uma vítima de morrer, e ainda mais, que a vítima o tinha visto, todos ficaram enfurecidos com o jovem vampiro.
"Roxas, você sabe as nossas regras!" Disse Xigbar, enfurecido.
"Se o Superior descobrir..." Disse Zexion, mais preocupado do que bravo.
"Descobrir o que? Eu só não o matei!" Disse Roxas.
"Pior!" Xaldin urrou. "Você não o mordeu!"
"Ou morde, ou mata, ou os dois!" Axel disse. "Não pode não fazer nenhum!"
"Eu disse que o mataria hoje, não estão satisfeitos!?" Roxas tentava se defender.
Sem sucesso.
"PIOR AINDA! Se comunicou com ele!" Xaldin urrou mais enfurecido. "Se eu o conheço bem, ele já foi falar com o Merlin, e então, você já era!"
"Qual é o--" Roxas parou. "Espera, você conhece ele?"
"Quem aqui nunca ouviu falar do 'olhos-de-lanterna'?" Xaldin respondeu.
"Sim, os olhos dele brilham muito, mas..."
"Ele é bem famoso entre os seres das trevas..." Zexion começou. "Ele nos adora e nos teme. Já tentamos atacá-lo, mas os olhos dele afastam qualquer um."
"Sério? Quer dizer...Eu fui o primeiro...!"
"Não, não foi. Você não o atacou." Disse Axel, cortando a felicidade de Roxas.
"Droga. Mas...Mas eu disse que vou matá-lo hoje, não disse?"
"Você não vai conseguir. Ninguém nunca vai." Xigbar disse.
"Vocês vão ver só." Roxas disse. "E façam o favor de não contar para os outros."
"Muito menos pro bebum do Luxord." Disse Axel, fazendo seu gesto de got-it-memorized.
"Então vai ficar sendo um segredo?" Perguntou Zexion.
"Até eu matar o garoto, sim."
"SE você matá-lo." Todos disseram.
"Vocês adoram me colocar pra baixo." Disse Roxas. "E VOCÊ também não matou a sua vítima."
"Droga." Disse Xigbar, chutando o chão.
O céu estava se alaranjando.Em breve os oficiais apareceriam para por em prática o toque de recolher...
"Yuffie, não...Não é seguro você ficar aqui sozinha!" Disse Olette, olhando para a amiga engessada.
"É, ele vai vir atrás de você de novo!" Disse Wakka.
"Assim como outro vai vir atrás de mim..." Disse Anti, cabisbaixo.
"Você pode dormir com a gente hoje se quiser." Olette disse.
"Mas...Meu irmão..."
"Vai ser devorado do dedinho do pé até a espinha da testa." Disse Wakka.
"AAAHHHHH O QUE EU FAÇOOOO!?!?" Anti gritou. Mentalmente porque em hospitais deve-se fazer silêncio. "O-que-eu-façooo...!" Dessa vez disse de verdade.
"Morre em paz, amigo." Disse Olette, batendo a mão nas costas de Anti.
"Valeu pelo apoio emocional..." Ele disse, dando as costas para seus amigos.
"Espera, Anti! Foi...Só uma brincadeira!" Disse Olette, mas Anti já estava longe.
Ele tinha saído do hospital...
