Disclaimer: Os direitos autorais e personagens de Inu-Yasha, mangá e anime, pertencem à Rumiko Takahashi!
Agradecimentos:
- Lah-chan, que bom que vc gostou, espero que continue apreciando a história!
- Jeh-chan, o casal principal dessa fic será Sesshy e Rin sim, adoro os dois! Mas isso não quer dizer que as coisas vão acontecer no rush...portanto, se eles não ficarem juntos de supetão, não me mate! Também quis desenvolver alguns personagens a mais que geralmente não têm nenhuma (ou pouca) participação na maioria das fics. Espero que vc e os outros leitores curtam.
- E queenrj, valeu pelos comentários e pelo apoio, nessa e na minha outra fic, da Era Feudal.
Boa leitura a todos!
Música de inspiração do capítulo:
- Watch Out, Alex Gaudino.
CAPÍTULO 2 - CALOURADA E REVELAÇÕES
Rin estava no seu novo dormitório, não era muito grande, mas acomodava bem duas pessoas, o número que era permitido em cada pequeno apartamento. Cada uma tinha uma cama que, ela pôde perceber, possuía um colchão confortável. Havia um banheiro, uma sala comum e os quartos em si, separados por portas de correr; além disso, uma pequena área de serviço, com um tanque embutido à parede. Pelo que observara, aquele apartamento ainda não havia sido ocupado por ninguém, pos não haviam vestígios de ocupação prévia do mesmo.
Ela ainda não sabia quem era sua colega de quarto, nem quando ela chegaria, mesmo assim tomou a liberdade de escolher um dos quartos e ir arrumando suas coisas da maneira que desejava, naquele que seria o seu espaço pessoal dali em diante.
"Espero que ela não se incomode, acho que não, afinal os dois quartos são idênticos. E a sala comum nós poderemos ajeitar juntas, entrar em um acordo em relação a ela." – pensava a jovem, entusiasmada.
A música que vinha do gramado principal da universidade ecoava pelo campus, e Rin, à medida que ia arrumando as coisas nas gavetas do armário e escrivaninha, ia balançando o corpo no ritmo da música, quase irresistível. Se bem que para ela, quase toda música era irresistível.
"Menos as vulgares, é claro." – ela pensava. Rin dançava desde criança, e como apreciadora dessa atividade, sabia que como forma de expressão corporal, a dança poderia agir como uma armadilha. A linha entre o gracioso, sensual, e o vulgar e ridículo era tênue, muito tênue. E ela sempre se esforçou muito para formar uma disciplina que a ajudasse a nunca atravessar essa linha, ao longo dos anos.
Terminou de arrumar a roupa de cama, olhou para o relógio e resolveu tomar uma ducha, afinal, chegara de viagem e fora direto para a universidade, um banho cairia muito bem agora. Enfiou-se embaixo do chuveiro e aproveitou a música que atingia seus ouvidos para cantar e dançar enquanto tomava banho. Saiu enrolada na toalha e, nesse instante, ouviu alguém batendo na porta do pequeno apartamento; assustou-se, e resolveu espiar pelo olho mágico. Pôde distinguir a figura de Ayame do lado de fora.
- Puxa, que susto que você me deu! – sorriu Rin, ao abrir a porta para Ayame, que entrou logo para não comprometer a imagem da outra. A moça não parecia nada feliz:
- Hunf, tomara que a minha colega de quarto desenvolva esse medo em relação a mim! Que mulher intragável, argh! Mais folgada impossível!
- Nossa, o que ela fez? Pelo visto foi sério...
- Bem, eu cheguei e ela já estava lá, arrumando as coisas dela; até aí tudo bem, afinal ela chegou primeiro e não tem diferença entre os quartos. Fui me acomodar também, e ao longo da conversa percebi que vou ter que tomar cuidado, senão ela vai deixar todas as tarefas de limpeza, compras e essas coisas para cima de mim!
- É, mas você pode sugerir uma lista de tarefas para cada uma, com uma escala e um rodízio de tarefas por mês, que acha? – Rin penteava os longos cabelos castanho-escuros, e tentava escolher uma roupa para se vestir.
- Hum, parece uma boa idéia – disse a ruiva – e acho que será bom definir um horário limite para banhos, também. Eu fiquei pensando que não conseguiria ficar pronta a tempo, já que ela entrou primeiro no banheiro e o monopolizou geral!
- Fica calma, Ayame...vocês entram em acordo com o tempo, você vai ver...
- Ei, você ainda não sabe o que vestir? – Ayame entrou no quarto, até aí estava sentada no pequeno sofá da sala comum – Deixa que eu te ajudo, qual o seu estilo?
- Ah, nunca pensei nisso...eu gosto de roupas confortáveis!
- Isso é essencial para quem dança – Ayame comentou, com a cabeça enfiada no armário de Rin – mas definir um estilo próprio é crucial, também.
- E isso é possível, Ayame? – riu a morena – Hoje em dia tudo mundo se copia ou segue um padrão preestabelecido. Ou senão, reformulam a moda do século retrasado e apresentam como nova.
- Ah, sim...mas é bom que algo diga quem você é, ou quem quer ser, pelo menos é o que penso. Por isso criei meu próprio estilo...que mostra o que eu quero, quando eu quero, para quem esteja em volta.
Rin observou bem a garota; ela vestia uma saia de pregas curta preta, com estampas de caligrafia em branco, sapatilhas pretas, quase cobertas pelas polainas em xadrez preto e branco, que iam até os joelhos. Usava uma blusa branca básica, de mangas curtas, sem decote, de algodão, que não mostrava a barriga mas delineava bem as formas da moça. O cabelo ruivo, comprido e cacheado estava semi-úmido e solto. No pulso direito, Ayame levava um elástico de cabelo preto com um detalhe em strass; usava brincos de argola dourados e pequenos, um anel dourado no dedão esquerdo e tinha um piercing transversal na orelha direita. Como maquiagem, lápis preto delineando os grandes olhos verdes, e gloss.
- Você lembra uma bonequinha, Ayame. – comentou Rin – Sem ofensas!
- Tudo bem, - disse Ayame, retirando do armário uma saia azul clara com rendinhas na barra e uma regata branca – eu gosto de fazer o gênero lolita. Eu sempre surpreendo os outros com isso...e também, acho que me sempre me vesti assim. Me sinto bem, confortável e sem neuras.
Rin arregalou os olhos ao ver que ela era confiante, parecia ser daquelas pessoas determinadas, seguras de si. Sim, seria bom ter uma amiga como Ayame.
- Pronto, pode se vestir. Separei a maquiagem também. Se apresse, por que estou doida para conhecer mais gente...quem sabe até dar uma paquerada? – Ayame piscou para Rin, que apenas sorriu.
- Pena que não somos colegas de quarto – disse a morena, por fim – seria muito divertido, não acha?
- Pelo menos você aparenta ser mais organizada e responsável que a Kaguya, com certeza! Eu acho que ainda vou ter muuuuito trabalho com ela.
- Só espero não me decepcionar com minha colega de quarto, como você. Seria uma situação realmente desagradável.
- É, Rin, a esperança é a última que morre, não é mesmo?
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Enquanto isso, na festa, Inu-Yasha e Miroku haviam se reunido aos amigos, estavam todos bebendo e conversando, descontraídos. Inu-Yasha não tirava os olhos de Kagome, e isso estava começando a incomodar o seu amigo:
- Meu, seja mais discreto. Ainda bem que a Kagome e o Houjo estão distraídos conversando com o Kohaku e a menina nova, a Kirara, senão pegaria muito mal para você, Inu-Yasha. – alertava Miroku, depois de tomar um gole de sua cerveja.
Inu-Yasha arregalou os olhos:
- Olha quem fala, o senhor-discrição-em-pessoa-na-hora-de-paquerar! Não sou eu quem está há um tempo vigiando a Sango e o Kouga enquanto eles dançam. Qual é a sua com ela, afinal? – Inu-Yasha também sorvia um gole de cerveja.
Miroku pensou um pouco, franzindo a testa e mudando a posição das pernas:
- Bem, ela é minha amiga, eu quero o bem dela, a estimo, e também... – observava a moça a dançar, envolvida no ritmo da música – acho ela muito, mas muito gostosa. Não dá para evitar, admirar aquela obra de arte.
- Sei! E desde quando você se preocupa com o que acontece entre ela e Kouga?
- Quando eles se separaram no ano passado, ele volta e meia vinha importuná-la para que os dois ficassem de vez em quando. Pelo que a Sango me contou, não rolou mais nada depois do término deles, mas mesmo assim, resolvi ficar de olho nele. Afinal, ele não desgruda dela, já reparou?
- Miroku, os dois fazem o mesmo curso, foi assim que se conheceram. Como se não bastasse, eles trabalham no mesmo programa de condicionamento físico lá no templo Higurashi. Não dá para simplesmente cortarem relações. Pelo menos o namoro deles acabou de forma pacífica, sem barracos ou mágoas. – Inu-Yasha suspirou.
- Hum, verdade. E você, quando vai resolver esse seu dilema? Demorou, hein?
- Você sabe que não é assim. Eu pisei na bola com a Kagome. Até hoje acho que foi uma pegadinha do destino para cima de mim.
- Relaxa, cara, você tem que pesar as coisas...ver se você gosta mesmo da Kikyou como esperava...e a posição da Ka-chan nessa história também.
- A posição dela...é aquela ali, abraçada à cintura de Houjo, enquanto eu fico aqui olhando para ela.
Miroku deu uma risada irônica:
- Pois é, cara, pelo visto esse é nosso dia de apenas observar – olhava para Sango – e de cuidar de quem prezamos.
- Quem é você e o que fez com meu amigo! – Inu-Yasha deu um passo a frente, colocando a mão sobre a testa de Miroku – Saia desse corpo que não lhe pertence!
Miroku riu, afastando a mão do amigo. Na parte do gramado que servia como pista de dança, uma morena com rabo-de-cavalo fazia um sinal para ele, convidando-o para dançar, visto que sua companhia anterior estava ausente. Miroku encarou o amigo, pedindo permissão com os olhos. Inu-Yasha fez uma cara de enfado:
- Vai lá logo, antes que o Kouga resolva voltar – ele deu um "pedala" na parte de trás da cabeça do amigo – e boa sorte ao proteger a nossa amiga!
A resposta de Miroku foi mostrar o dedo do meio para Inu-Yasha, com um sorriso maroto nos lábios, antes de se dirigir até Sango. O mais novo dos Taishou resolveu se aproximar dos outros, a tempo de ouvir Houjo se despedindo da namorada, pois era hora dele buscar uma pessoa que aparentemente, estaria ingressando na universidade. Viu quando trocaram um discreto selinho, e esperou o momento certo para se manifestar.
Nisso, Kagome foi sentar-se no banco mais próximo, estava gostando da calourada, embora lamentasse um pouco a falta de liberdade que tinha; ela gostava de Houjo, mas o rapaz sempre a prendia um pouco, mesmo sem querer. Observou Sango e Miroku, que dançavam animadamente, Kouga estava conversando com um outro rapaz, Kohaku estava no celular, e Kirara estava pagando um trote com o pessoal da Medicina; de repente, tudo pareceu tão distante, e ela tão solitária...até que sentiu uma presença ao seu lado, no banco. Qual não foi sua surpresa ao vê-lo, estendendo uma lata de cerveja para ela, com um bonito sorriso:
- Oi, Kagome-chan! Aceita minha companhia?
- Ah, oi, Inu-Yasha! Mas é claro!
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Não muito longe dali, um grupo de amigos conversava e ria muito, estavam todos sentados sobre o grande tablado que geralmente era usado para os discursos ou solenidades feitas na Universidade de Tokyo. Daquele ponto, podiam observar o movimento todo, para evitar ou acabar com uma possível baderna. Um deles levantava um copo de sake que ele mesmo levara, para um brinde com o seleto grupo de veteranos do qual fazia parte:
- Então, meus caros, ao nosso último ano de graduação, para que seja repleto de sucesso e boas surpresas, principalmente no aspecto pervertido do assunto. – Bankotsu sorria maliciosamente, enquanto todos erguiam seus copos.
- Mais ainda, Bankotsu-kun? – riu Kanna - Quer atingir algum recorde ou algo do gênero?
- Bankotsu quer provar que é o maior garanhão de todo Japão – riu Hakudoushi – ou senão, que nunca terá chances de sofrer de impotência no futuro. Hehehehe.
- Bah, como você agüentou namorar esse aí por tanto tempo, Abi? – perguntou Sesshoumaru, curioso.
- Ahn... – começou a moça – eu e Bankotsu-kun nos conhecemos desde crianças, ele não era assim não. Nem durante o um ano e meio que estivemos juntos no colegial. Ele me respeitava bastante, até.
- E olhe que Abi era uma das garotas mais cobiçadas da turma – ressaltou Kanna – pelo que sabemos, Bankotsu nunca a traiu enquanto estiveram juntos.
- Isso é verdade? – perguntou uma incrédula Midoriko. – Eu não ponho nem o dedinho da minha mão no fogo por esse daí.
- Afff, Midoriko, eu te amo também – desdenhou Bankotsu – mas é verdade sim, eu nunca traí a Abi-chan. E nessa época, não era como sou agora.
Midoriko reparou no olhar do rapaz nessa hora; era sério, rancoroso. Observou quando o rapaz ajeitou a camisa que havia tirado sobre o ombro, e se levantou, anunciando que ia ao banheiro. Depois de ter certeza que ele não ouviria a conversa, resolveu comentar:
- Meninos – dirigiu-se a Sesshoumaru e Hakudoushi – vocês sabem o motivo do Bankotsu ter se tornado essa máquina automática de sexo ambulante?
Depois de todos caírem na risada, Sesshoumaru, que antes conversava atentamente com Kagura, respondeu:
- Eu não sei exatamente o que aconteceu, mas sim quando. Ele começou com isso no final do ano retrasado, pouco depois do namoro dele com aquela garota terminar...qual mesmo o nome dela, Abi?
- Tsubaki. – respondeu prontamente a moça.
- Você sabe direitinho o que aconteceu, não é, Abi? – questionou Hakudoushi, enquanto abraçava Kanna pelos ombros, visto que a garota estava quase dormindo com a cabeça apoiada no ombro dele. Foi esta quem se manifestou:
- Ela sabe sim, mas nunca abriu a boca. Sabem como é o grande oráculo Sasaki Abi, né?
- Como vocês podem dizer isso com tanta certeza? – Abi retrucava, tentando ganhar tempo.
- Você sempre sabe de tudo, em relação a todos. Bankotsu foi seu namorado e é seu amigo de infância. Meio óbvio, não Abi? – cutucou Midoriko. – Ande logo com a história, daqui a pouco tenho que ir...
- OK...mas isso fica aqui entre nós. Modo pacto on. – ela disse, séria. – Considero o Bankotsu-kun pra caramba e não quero prejudicá-lo com isso.
Todos fizeram o "sinal secreto" do grupo, aproveitando que Kagura havia saído para pegar algo para ela e Sesshoumaru comerem. Midoriko não queria admitir, mas estava muito curiosa para saber o que transformou Bankotsu em um ser mais desprezível do que ele já era, anteriormente. Voltou sua atenção para Abi, e à medida que o relato prosseguia, seu queixo ia caindo mais e mais. Ao final, não sabia o que pensar. Ou melhor, não queria pensar, ou acabaria tomando partido de Bankotsu. Olhou para o relógio:
- Bem, gente, eu vou indo...tenho que pegar o ônibus para o templo Higurashi, sabe-se lá quando essa joça vai passar, não é? – sorriu.
- Aqui, leve meu carro, mas procure devolvê-lo para mim amanhã, na hora do almoço, pode ser? – Abi jogou as chaves do automóvel para a amiga.
Quando Midoriko ia se pronunciar, uma voz atropelou sua fala:
- Mas quem já vai? – virou-se para encarar o tórax desnudo de Bankotsu bem na sua frente, e lutou para não ruborizar.
- Eu. – a mais velha do trio Higurashi disse, seca. – Preciso trabalhar ainda hoje. As aulas de kenjutsu não podem ser dadas por qualquer um. E eu ainda sou a responsável por elas lá no templo.
- Por falar nisso, temos que marcar aquele treino, hein, Midoriko! – lembrou Sesshoumaru. – Depois combinamos.
- Certo, Sesshy-kun...tchau para todos...e sobre seu carro, Abi, como você irá trabalhar amanhã?
- Ah, isso? – a moça sorriu – O Hakudoushi vai me buscar amanhã para o trabalho, não vai, Haku-kun?
Ele encarou o sorriso da amiga e concordou, brincando:
- Fazer o quê, né? Não custa nada quebrar um galho para a Abi, ela já quebrou vários dos meus...
Midoriko concordou, se despediu de todos, e ia saindo, quando Bankotsu a segurou pelo pulso:
- Vai pela sombra, Higurashi. Sucesso em mostrar o quão boa você é com uma espada na mão. – sorriu maliciosamente.
- Sucesso para você também, em tentar mostrar o valor dessa sua espada, se é que há realmente algum. – com isso, foi embora, deixando um Bankotsu perplexo, sendo zoado pelos outros membros do grupo.
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- Mas que droga, Gatenmaru, você por acaso sabe fazer alguma coisa direito? – um rapaz estressado saía do elevador com um arquivo de papéis nas mãos. – Você por acaso esqueceu o que é uma cópia autenticada? Santa ignorância! Eu preciso disso já, para encaminhar para o departamento jurídico. Esqueça, eu mesmo faço isso.
O celular foi desligado com violência, e ele caminhou pelos corredores do departamento administrativo, cumprimentando algumas pessoas pelo caminho. Atravessou o departamento jurídico a procura de uma sala em especial, na qual entrou sem bater:
- Kikyou, tem como você saber se eu posso passar no cartório desse distrito mesmo, ou se tem que ser no cartório geral, lá no centro da cidade, para fazer a porcaria da cópia autenticada desse contrato? Ainda tem tempo?
A Higurashi, recuperando-se do susto que levara, apenas encarou o rapaz que desabara na poltrona diante da sua, do outro lado da mesa. "Por que raios ele tem que fazer isso toda vez, Kami-sama?"
- Bem, Naraku, você poderia ter ligado no meu ramal, da sua mesa, ou ao menos ter batido na minha porta antes de vir até aqui me perguntar isso. – a moça revidou.
Ootsuka Naraku deu o seu característico sorrisinho cínico, para depois debruçar-se levemente na mesa de Kikyou, olhando fixamente para ela:
- Vamos, Kikyou. Seja boazinha e me ajude a ser o funcionário mais aplicado daqui. Sabe que terá sua recompensa com isso, não sabe?
- Naraku, isso é errado! Você sabe muito bem que o contrato com essa empresa da China deve ser organizado pelo Sesshoumaru e o Inu-Yasha! O pai deles os incumbiu de realizar esse trabalho! Ninguém mais! – Kikyou segurava-se para não levantar a voz.
- Eu não me importo, quero provar ao velho Taishou que consigo ser melhor e mais eficiente que os filhinhos dele. Que aliás, ironicamente, nem estão nesse escritório hoje! Por causa de uma calourada idiota! – ele levantou-se de repente, com as mãos apoiadas na mesa.
Kikyou o observava, apreensiva. Desde que entrara nas empresas Taishou como estagiária, pôde perceber que Ootsuka Naraku era ambicioso; mas mais que isso, ele nutria uma certa inveja em relação aos irmãos Taishou. Era algo quase obsessivo, que a moça não conseguia compreender, por mais que usasse o seu bom senso.
- Você não pode. – disse ela, com a voz fria e calma. – Por mais que tente impressionar Inu-Taishou-sama, não pode contra aqueles dois.
- Ah é? – ele sorria e a olhava perigosamente. – Posso saber o motivo dessa sua afirmação, srta. Higurashi?
- Eles são os filhos dele. Ele os criou e pelo que sei, cuidou para que sempre tivessem educação e senso de responsabilidade. Procurou ajudá-los a desenvolver suas aptidões para negócios. Eles tiveram o melhor professor, que também é o maior exemplo. – ela bebeu um gole de água.
- Oh, e acha que isso é o suficiente? Eu tenho força de vontade, ambição e capacidade. Estou cansado de camelar tanto e nunca ser reconhecido. Logo você saberá do que estou falando, Kikyou.
- Então faça algo por você mesmo, Naraku, e pare de tentar estragar as oportunidades que são dadas a eles.
Naraku olhava a moça seriamente, para depois soltar uma sinistra gargalhada, enquanto dava a volta por trás da cadeira dela:
- Kukukukukuku...você não sabe de nada mesmo, não é, Higurashi? Depois de um ano, enquanto ainda estiver sentada aqui nesse cubículo onde você e sua papelada mal cabem, sem a atenção e reconhecimento de ninguém, quero ver qual a sua opinião. Se bem que até lá já terei conseguido o que almejo, e talvez o que você pensa...não interesse nem para mim. – ele falou essa última frase em um meio sussurro, na orelha da garota.
- Afaste-se de mim! – ela praticamente pulou da cadeira. – Eu vou contar tudo para Inu-Yasha!
Ele agarrou os braços dela e a prensou contra si, fazendo com que os olhos dela não tirassem seu foco dos dele. Falou pausadamente:
- Você não irá fazer isso, pelo seu próprio bem. Ou acha que Inu-Yasha aceitará o fato de que já me ajudou antes? Hein? Pense bem Kikyou. Você não quer fazer isso.
Ela quase não respirava, tamanha a tensão pela qual passava. Afastou-se dele, estava enjoada.
- Tudo bem, Ootsuka. Agora vá embora, me deixe em paz. Por favor.
- Boa menina. Recomponha-se e trate de verificar em que cartório devo ir. – ele ia saindo quando se voltou para ela novamente. – E faça isso rápido.
Depois que ele saiu, Kikyou sentou-se na beirada de sua mesa, buscou o telefone com as mãos; estava de olhos fechados, respirando fundo. Abriu sua agenda de contatos e enquanto discava o número do cartório, procurava se acalmar. No entanto, só conseguia pensar em uma coisa.
"Você vai me pagar, Ootsuka Naraku! Não perde por esperar!"
