Disclaimer: Os direitos autorais, personagens e outras marcas registradas de Inu-Yasha pertencem à Rumiko Takahashi!!!!

-Agradecimento geral: fico feliz por gostarem dessa fic, em um universo alternativo é mais fácil viajar...mas não é por isso que os personagens vão perder algumas características básicas...como o Sesshoumaru, por exemplo. Ele está tranqüilo até agora pois só interagiu com amigos e conhecidos cordiais...e não teve nenhuma situação de maior gravidade...mas não se iludam! E sobre Bankotsu...acreditem, ele tem seus motivos p/ ser como é!!! Naraku ainda nos reservará algumas surpresas...é acompanhar a fic p/ ver! Ah, desculpem-me pela demora em postar, mas minha vida anda mt complicada no momento...mt coisa p/ fazer!!!

Bjs e boa leitura a tds!!!

Música de inspiração do capítulo:

-Us, da banda She Wants Revenge.

CAPÍTULO 3 – NOVAS REVELAÇÕES

Kagura esperava os camarões ficarem prontos, para que ela e Sesshoumaru pudessem petiscar em paz; uma calourada permite certos graus de aproximação, mas a presença em massa da turma dele não dava a ela as chances de que precisava para seduzi-lo como queria. Havia pedido a ajuda da irmã mais velha, Kanna, mas ela apenas negara; não queria ter parte no sofrimento da irmã mais nova quando Sesshoumaru a trocasse por outra...ou simplesmente a deixasse de molho, na reserva, para usufruir dela quando quisesse.

A verdade é que, desde que conhecera Taishou Sesshoumaru, ele tinha uma aura de beleza, seriedade e mistério que a intrigava; ele freqüentava o loft da família Uchida juntamente com os outros amigos de Kanna, e com o passar do tempo, percebeu que ele era uma pessoa que prezava as boas amizades, sendo prestativo e confiável. Ao comparar o comportamento do rapaz em um ambiente comum, estando só ou com desconhecidos, e sua conduta em momentos como as horas passadas em sua casa, ela havia percebido uma grande diferença ali.

Sempre tivera vontade de saber mais sobre ele, desvendar o mistério dos olhos cor-de mel, praticamente dourados, emoldurados pelos óculos de armação metálica (N/A: sim, na minha fic o Sesshy usa óculos!!!), que lhe traziam mais charme e masculinidade. Os cabelos negros, compridos até quase a altura da cintura, ora estavam soltos ou presos, mas uma vez ouvira ele comentando com Bankotsu que preferia usar os cabelos presos em um rabo-de-cavalo baixo, acentuando a moldura da franja sobre seu rosto.

Kagura suspirou. "Tão lindo, gostoso, inteligente, e inatingível...será que a Kanna tem razão, afinal? Estou apenas me iludindo em imaginar que poderia chamar a atenção de um homem como esse?"

Ela retirou um estojo de pó compacto da bolsa que carregava, deu uma olhada no espelho; era uma bonita moça, vestia-se bem, por que não ficaria à altura de um Taishou? Kanna havia respondido isso também. Kagura era de boa família, mas seu comportamento não era dos melhores, ela simplesmente não conseguia deixar de ser o centro das atenções. Talvez pelo fato de ter sido a filha caçula, mimada pelos pais e pelo primo favorito, Naraku.

"Se Naraku-kun não fosse meu primo, eu já tinha tirado uma casquinha...como aquele garotinho metido ficou bonito...hihihihi...ah, Kagura, pára com isso..."

Seus pensamentos foram interrompidos quando levou um leve empurrão no balcão da lanchonete; virou-se decidida a acabar com a raça do infeliz que a havia empurrado:

- Mas que falta de educação! Por acaso... – teve a boca silenciada pela forte mão do rapaz á sua frente.

- Shhhh...quietinha, Srta. Confusão. Você é a Uchida Kagura, né? Pode deixar que foi um acidente. Eu não ia querer causar com alguém como você.

- Ora, tire essa mão de cima de mim! Como se atreve! – ela deu um tapa na mão do rapaz que lhe sorria. – Eu conheço você, para lhe dar esse tipo de intimidade?

O moreno a sua frente sorriu, com dentes perfeitos e um quê irônico:

- Bem, sou o instrutor de seu primo Naraku na academia, de Bankotsu também...e já vi você por lá, algumas vezes.

A moça arregalou os olhos, para depois estreitá-los em um ar desconfiado e um pouco superior:

- Você andou me perseguindo com os olhos? Olha que isso pode ser considerado assédio, eu posso até te processar. – deu um risinho sarcástico.

- Bem, pelo que sei, não há lei que nos proíba de apreciar a vista de vez em quando. – ele devolveu sedutoramente, olhando fixamente para ela enquanto bebia um gole de água da garrafa que trazia consigo.

Kagura o admirou por um momento. Ele tinha um belo corpo, cabelos compridos, negros, presos em um rabo-de-cavalo alto. A faixa em sua testa dava a ele um jeito de bad boy. Então ela se recordou dele, mas não conseguia lembrar do seu nome.

- Bem, por enquanto, sr...? – ela inquiriu o rapaz.

- Kouga. Nakayama Kouga, Uchida-san. Não tem como não saber quem é você.

Ela sorriu e pensou: "De certa forma, com esse corpo e esses olhos azuis, você também não passaria despercebido...uh, ele tem jeito de ser selvagem...pára Kagura, você tem que focar no Sesshoumaru!"

- Muito bem, Nakayama-san. Vejo que você é bem atrevidinho. Cuidado com essa sua língua, por não sucumbir por ela. Todo cuidado é pouco, sabia?

- Hum, obrigado por me esclarecer, mas sou um homem que gosta de correr alguns riscos. – ele foi se aproximando dela vagarosamente – E um pouco de atrevimento pode ser a chave para algo...muito bom...acontecer...

Kagura perdeu a noção de espaço e tempo ao vê-lo ali, diante de si, perigosamente perto. O perfume dele era almiscarado, bem diferente da colônia sóbria e suave de Sesshoumaru, mas o aroma era igualmente agradável, apenas reforçava a crueza da imagem masculina de Kouga. Kagura sentiu-se fraquejar, ao reparar que estava prendendo sua respiração. Uma voz interrompeu o momento:

- Seus camarões para viagem, senhorita, tenha um bom apetite! – desejou o atendente de forma cortês.

- Arigatou...bem, Kouga-san – ela se dirigiu ao moreno - adeus, até um dia quem sabe! – ela pegou um par de hashi e deixou o rapaz admirando-a enquanto saía:

- Não está muito distante esse dia, Uchida Kagura...pode acreditar... – ele sorriu.

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- Hahahahaha, Inu-Yasha, realmente essa história foi muito engraçada! Lembra da cara do Miroku? – ria Kagome.

- Hehehehehe, eu lembro sim, mas a sua cara depois, quando eu a joguei na piscina lá de casa, foi pior! – Inu-Yasha provocava a garota.

- Que nada! Eu revidei muito bem te puxando para a água depois! Nem vem que não tem!

- Pois é...eu peguei um baita resfriado depois...se eu tivesse ido direto para o chuveiro quente ao invés de ficar te esperando... – ele suspirou.

- Esperou porque quis – Kagome ruborizou – poderia ter usado algum banheiro dentro da casa, e não da sauna, como eu fiz.

- Eu não ia deixar você sozinha ali...havia muita gente na festa da piscina, e se alguém resolvesse se aproveitar de você? Eu ficaria muito mal, sabia?

"Se você soubesse, Inu-Yasha, que eu pensei que você poderia se "aproveitar" de mim ali...e que "alegre" como eu estava, poderia ter consentido...mas isso você nunca vai saber..." – pensou Kagome.

Um silêncio pesado se abateu sobre os dois; estavam ambos se lembrando do que acontecera há um pouco mais de um ano atrás...

- FLASHBACK –

- Isso não foi justo, Kagome! Eu estava distraído! – Inu-Yasha dizia, indignado com a amiga.

- Hahahahaha...bem-feito para você, Inu-Yasha, quis dar uma de engraçadinho e nisso, o feitiço se voltou contra o feiticeiro...hahahaha... – ela ria, estava zonza, havia bebido um pouco a mais na festa que o irmão de Inu-Yasha, Sesshoumaru, havia organizado na piscina da casa deles.

O caçula dos Taishou havia abusado da benevolência de seus amigos, aproveitara que Miroku estava também "alegre" para incitá-lo a passar a mão em uma sóbria Sango, que furiosa, desferiu um tapa – o qual fora ouvido em alto e bom som – no rosto do Miyamoto. Com a força do golpe, ele escorregara e caíra com tudo na piscina.

Isso foi motivo de riso, o jovem parecia confuso ao voltar á tona, para aparentar tontura em seguida; Sango, apesar de tudo, ficou preocupada e pulou na água para resgatar o amigo pervertido - o qual simplesmente ficou esfregando sua bochecha na dela depois, a deixando morta de vergonha, ainda mais porque na época, ela estava começando a se interessar por seu colega de curso e veterano, Kouga.

Com a confusão, Kagome olhava apreensiva para o que acontecia na piscina, não percebendo o amigo que se aproximava silenciosamente; quando percebeu, estava na água também, desnorteada e com vontade de revidar o ato.

Ao perceber que Inu-Yasha fora o culpado, até porque ele não fazia questão de esconder isso, ela se aproximou dele fazendo charminho, sem demonstrar raiva, mas sim uma certa mágoa. Inu-Yasha estranhou a atitude manhosa de Kagome, mas talvez fosse essa a personalidade dela quando sob o efeito do álcool...quem diria...

Então, quando menos esperava, ela o agarrou pelo tornozelo e o puxou para a água, o que causou muito riso por parte dos espectadores da festa, especialmente Sesshoumaru, seus amigos, e sua namorada desde o final do primeiro ano de faculdade, Sara.

Assim, os dois saíram em busca de toalhas, e se dirigiram para a casa da sauna, onde haveriam chuveiros e toalhas limpas e secas; Sango e Miroku não foram junto, pois resolveram jogar "Marco Polo" na piscina. Havia apenas um chuveiro, e Inu-Yasha decidiu ser cavalheiro:

- Pode ir, Kagome, eu vou me secando por aqui.

- Tem certeza, você está tremendo de frio.

- Você também. E nada mais justo do que você se banhar primeiro, eu a joguei na piscina antes!

- Verdade. Francamente, Inu-Yasha, não esperava essa atitude infantil da sua parte. – ela provocou, em tom sério.

Nisso, ela se despia, uma divisória japonesa típica, de papel revestido e madeira, separava os dois; a ducha já havia sido ligada, e o vapor começava a aquecer o local. Uma lanterna no estilo da Sengoku Jidai lançava uma meia-luz que criava um clima interessante, e ele podia ver a sombra dela refletida no papel; não pôde evitar reparar nas curvas da moça que se banhava, no modo em que ela deslizava as mãos pelo próprio corpo. Engoliu em seco e disse:

- Pode ser, mas eu sou capaz de atitudes bem adultas, se você quiser, Kagome.

Ela ficou surpresa, não com a frase dele, mas com o tom com o qual ela fora proferida. Sentiu uma certa tensão no ar, podia ver ele tirando a camiseta pelo reflexo da sombra, ele era tão bonito...ela podia cair em tentação com alguém assim. Na verdade, já caíra nessa armadilha que lhe era, mais uma vez apresentada. Mas tinha que ser forte, havia os sentimentos de outra pessoa em jogo.

- Assim espero, Inu-Yasha, que você tome atitudes mais maduras daqui para a frente. Não seja egoísta...não machuque mais ninguém... – ela falava em um genuíno tom de mágoa.

- Kagome, eu não sabia...quantas vezes vou ter que dizer que eu não sabia... – ele se aproximava da divisória, como se pudesse chegar mais perto dela, fazê-la compreender o que ele sentia.

- Tudo bem, essa história acabou. – Ela desligou o chuveiro – Pode tomar sua ducha, você deve estar congelando.

Quando ela saiu, enrolada no roupão, secando os cabelos com uma toalha, ele esperava por ela; Inu-Yasha estava sem camisa, as calças ensopadas, o cabelo negro e comprido já estava sem o excesso de água. Ele a segurou pelo pulso, suavemente, e a abraçou. Ela hesitou em corresponder, mas o fez. Era tão bom sentir o calor dele de novo...

- Eu não te esqueci, Kagome. Foi tudo um grande mal-entendido. Me perdoe.

- Eu...já te perdoei, Inu-Yasha...somos amigos...mas agora você está com Kikyou, e ela gosta muito de você, está empolgada...eu não vou tirar isso dela...

- Mas e nós, Kagome? E o que aconteceu nessas férias? - ele parecia desolado.

- Teremos que esquecer isso, Inu-Yasha. Eu... – ela se segurava para não chorar – eu já esqueci.

- Você está brincando, não é? Você não pode ter me esquecido assim...

- Por que não? Assim como você ficou com Kikyou na calourada, eu não posso conhecer alguém interessante também? – ela começou a se sentir mal.

- Não é isso...mas...Kagome... – ele estava desnorteado, confuso, chateado.

- Pois então, vamos ser amigos, vai ser melhor assim. Agora vá tomar banho, antes que se resfrie. – ela o empurrou até o chuveiro.

- Tudo bem, mas...eu...eu posso? – ele levou a mão até o rosto dela, acariciando-o.

- Eu acho melhor n... – mas antes que pudesse responder, foi surpreendida pelos lábios do rapaz. Ele estava beijando a ponta de seu nariz, coisa que fizera durante o tempo que passaram juntos no acampamento, antes da confusão toda. Logo em seguida, ele se afastou:

- Tem umas roupas na bancada para você. São da Sara, ela disse que você pode usar, sem problemas.

Ela se vestiu, enquanto ele tomava seu banho. Sabia que aquela fora uma despedida. Ainda podia ouvir o barulho do chuveiro quando saiu pela porta, para retornar à àrea da piscina.

- FIM DO FLASHBACK –

Kagome suspirou, Inu-Yasha abaixou a cabeça. Aquela história ainda mexia com ambos...

"Foi naquela noite que conheci o Houjo-kun" – pensou Kagome – "e um mês e meio depois, estávamos namorando...duas semanas depois de Kikyou e Inu-Yasha assumirem seu namoro para as duas famílias, Taishou e Higurashi..."

Inu-Yasha ia falar algo, quando foi interrompido pela chegada de Houjo; este vinha acompanhado de um jovem ruivo, de cabelos compridos, que passavam um pouco dos ombros, presos em um pequeno rabo-de-cavalo. Foi logo apresentando o rapaz:

-Minna, este é Yoshida Shippou, calouro da Medicina... estou encarregado de ciceroniá-lo por aqui...Shippou, esta é Higurashi Kagome, minha namorada, e este é Taishou Inu-Yasha, grande amigo nosso!

Shippou deu um passo a frente, fez uma reverência aos novos conhecidos e se pronunciou:

- É um prazer conhecê-los. Houjo-senpai me falou muito bem de vocês, espero que possamos ser todos amigos.

- Com certeza, Shippou! – disse Kagome – Sente-se conosco, seja bem-vindo à Universidade de Tokyo! Se precisar de ajuda para algo, pode contar com a gente, não é, Inu-Yasha?

- Absolutamente. – respondeu o rapaz – Mas me diga, Shippou, de onde você é?

Shippou começou a falar, um pouco sem-graça, mas depois que Houjo chegou com uma latinha de cerveja e a conversa se estabilizou, o rapaz ficou mais à vontade diante de seus três espectadores, sendo que dois deles evitavam se olhar diretamente nos olhos, propositadamente.

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Sesshoumaru ria casualmente das falas de seus amigos, estava relaxado, devido ao ambiente, à companhia e ao álcool também, embora não estivesse bêbado; ele agora desfrutava de um pequeno lanche composto por camarões temperados e empanados à moda japonesa, e bebia sake - acompanhado de Kagura. Ela era uma bela moça, se não fosse pelo seu comportamento espivetado e encrenqueiro, ele já teria dado uma chance a ela...suspeitava que, fosse lá o que ela sentia por ele, acabaria quando ela resolvesse o mistério, ou seja, visse como ele era em sua essência.

"Eu poderia ter algo sem compromisso com ela...mas é bem provável que ela não conseguiria se conter e espalharia para meio mundo o que fizemos...nesse ponto, não dá para confiar muito na Kagura...e ela trabalha em um jornal!" – pensou o Taishou.

Riu internamente de seu pensamento, e olhava discretamente para o perfil de Kagura; estatura mediana, cintura esguia, um belo colo, cabelos escuros presos em um coque – marca registrada dela, juntamente com os acessórios e motivos de penas de aves raras. Ela usava uma calça cor de vinho, com um par de scarpin de bico fino na cor "gelo", e uma blusa de tecido mole, que deixava seus ombros á mostra, de forma elegante. Como acessórios, um bracelete em prata envelhecida e apenas um brinco, o qual consistia em uma grande pena vermelha com algumas nuances de preto e branco.

Sesshoumaru resolveu seguir os conselhos de seus amigos, Hakudoushi e Bankotsu, e relaxar um pouco, "deixar rolar", como disseram; fechou os olhos por um instante e quando os abriu, viu Kagura brincando com a extremidade de uma mecha dos cabelos compridos dele. Ficou surpreso com a atitude dela, que olhou para ele de modo maroto:

- Você se incomoda se eu mexer no seu cabelo? É tão macio, brilhante. A vontade de tocar é irresistível. – ela olhou firme para ele na parte final da frase.

"Essa é a Kagura da qual eu sempre ouvi falar, mas nunca tive chance de ver com meus próprios olhos." – ele continuou sério, mas pouco a pouco deu um perigoso sorriso de lado.

- Eu entendi perfeitamente o que você quis dizer com isso – Sesshoumaru disse, bem baixinho, próximo da moça. – e não sei se seria bom para você.

- O que, tocar seu cabelo? – ela se fez de desentendida.

- Não...tocar em mim...não apenas no cabelo. – ele deixou a lateral de seu corpo alinhado ao tronco dela, deixando seus ombros se encostarem; Kagura sentiu um arrepio descer pela sua espinha, e ele pôde sentir isso vindo dela.

- Mas...p – por quê? – ela perguntou.

Ele apenas sorriu, e foi chegando perto do ouvido dela. Ela sentiu os lábios dele próximos do lóbulo de sua orelha, a respiração dele calma, lenta.

- Por causa dela. – ele falou calma e gravamente, fazendo Kagura abrir os olhos e olhar para onde ele havia se voltado. Ficou profundamente aborrecida ao ver a figura de Sara, a ex-namorada de Sesshoumaru, se aproximando deles. Ela não havia saído da universidade?

- Sesshy-kun! Como vai? – Sara acenou para os dois – Espero não estar atrapalhando.

- Não está atrapalhando nada, não é, Kagura? – Sesshoumaru encarou Kagura.

A referida moça ficou embasbacada, não podia acreditar nisso! Sara havia ido embora há quase um ano, quando fora fazer intercâmbio com uma universidade nos Estados Unidos; quando ela havia voltado?

"Agora entendo o que a Kanna queria me dizer! A Abi provavelmente ficou sabendo e deve ter contado para ela, ou algo assim! Como sou idiota! Como ele é idiota! Não é justo!" – pensava Kagura, quase explodindo de raiva por dentro.

- Pois é... – Kagura tentava reprimir a raiva, mas não era muito boa nisso - ...fique á vontade, eu já estou saindo, sei quando estou sobrando... – disse de forma irônica, para constranger a outra moça.

- Kagura... – começou Sesshoumaru.

- Tudo bem, Sesshy – disse, sarcasticamente – você tem coisas a acertar e atualizar com ela, afinal ela ficou quase um ano fora do país, e sumiu nos últimos quatro meses e meio, não é?

Kagura estava perdendo a luta contra a raiva; Kanna percebeu isso e tirou a irmã de lá, pedindo desculpas a Sara e Sesshoumaru. Hakudoushi se adiantou, indo ao encontro das irmãs Uchida:

- Posso ajudar com algo, Kanna-chan? – o rapaz disse, preocupado.

- Arigatou, Haku-kun, mas essa tem que ser uma conversa de mulher para mulher, entre irmãs... de qualquer forma eu agradeço... – ela apertou a mão de Hakudoushi carinhosamente, e ele acenou com a cabeça, sorrindo para a amiga.

Hakudoushi ficou observando Kanna e Kagura se afastando para conversar; por sua vez, ele era observado por Sesshoumaru e Sara. A moça iniciou o diálogo:

- Ele continua protegendo a Kanna, não é? – ela sorriu.

- Sempre. Já avisei a ele mais de mil vezes que a Kanna já sabe se cuidar sozinha, não é mais o nosso primeiro ano de faculdade.

- Mas o fato se repetiu no começo do ano passado, no meu bota-fora. – Sara olhou de esguelha para o ex-namorado – Você está muito bem, Sesshoumaru.

- Igualmente em relação a você, Sara. Mas não é com elogios que você vai me explicar o seu sumiço de quase cinco meses, e o fato de terminar o nosso namoro por telefone, pura e simplesmente. Você desligou antes que eu pudesse dizer algo, e não atendeu às minhas ligações. Pelo menos leu os e-mails? – ele perguntou, irônico, com frieza no olhar, e uma agressividade velada.

- Sim, eu li, mas não tive coragem de responder. Me perdoe, um dos motivos da minha volta para cá foi para pedir o seu perdão... – a voz dela estava repleta de remorso.

- Eu achava que era melhor que isso para você, Sara. Pensei em viajar até os Estados Unidos tirar tudo a limpo, mas vi que não valia a pena. Você não vale a pena, Sara. – ele falava, sem alterar a voz, apenas o tom sério mais acentuado.

- Sesshy, eu... – ela abaixou a cabeça – nós ficamos separados por muito tempo; eu pensei que podia agüentar um ano...senti tantas saudades...ainda mais depois do que aconteceu depois da minha festa de bota-fora...

- A festa da piscina...eu queria esquecer esse dia – ele disse, passando a mão sobre o rosto – eu pensei que era sério, nós dois.

- Mas era, Sesshy, era! Eu fui fraca, admito! Eu queria que você tomasse alguma atitude...estávamos tão distantes! Eu tinha um parceiro de projetos, ele é japonês mas mora na América desde criança...nós nos tornamos amigos...depois confidentes, e... – ela colocou a mão sobre os olhos, para conter o choro.

Sesshoumaru estava sentado com a coluna reta, a postura altiva, séria, impenetrável. Sabia o que Sara ia dizer. Ele não queria, mas seu espírito só ficaria sossegado se fizesse o que seu instinto pedia. Ela continuou a falar:

- Nós acabamos nos envolvendo...era algo platônico no início, nenhum dos dois tinha coragem, e eu não achei que algo realmente ia acontecer, mas houve uma festa de fraternidade, organizada por uma colegas minhas, e eu e ele nos beijamos...eu sabia que era errado, mas não consegui parar. – ela fez uma pausa.

Vendo que Sesshoumaru não se pronunciava, ela voltou ao relato:

- No dia seguinte eu estava cheia de culpa, foi quando liguei terminando, não achei justo com você, estava morta de vergonha e por isso não entrei mais em contato. Com o tempo, você não se manifestou mais, então concluí que você tinha seguido em frente...

- Mas esse tempo todo! Por causa de um maldito beijo! – ele levantou um pouco a voz.

- Ahn...não foi só isso – ela desviou o olhar do dele, envergonhada – eu passei a pensar nele, a querê-lo para mim. Boa parte do sumiço foi por isso, precisava pôr a cabeça no lugar. Precisava de um tempo.

- E conseguiu? Por acaso pensa que as coisas serão como antes? – a fala dele era fria e agressiva, quase sarcástica.

- As coisas não são mais como antes. Sesshy, eu...estou noiva do Mukotsu-kun.

Ele prendeu a respiração. O mundo parou. O que ela havia dito? O que ela havia feito?

- Primeiro, é Sesshoumaru para você. Depois, você teve coragem de me fazer de palhaço esse tempo todo?

- Mas eu te deixei livre! – ela já chorava, sem se importar se os dois estavam sendo vistos ou não.

- Você me deixou na incerteza, Sara! Devia ter sido honesta e digna o suficiente ao menos para justificar o término do namoro, eu fiquei muito tempo me sentindo culpado! Pensei que a havia magoado de algum modo! E você ficando noiva de outro!

- Eu , eu... – ela não sabia o que dizer.

- Não interessa, eu nao me importo mais. Você se mostrou indigna da minha confiança, da minha amizade, do meu...amor – ele falou a palavra com certo asco – foi muito bom isso tudo ter acontecido, eu poderia ter persistido em um grande erro.

- Erro? – ela conseguiu proferir, entre as lágrimas.

- Sim. O erro de continuar gostando de você, de estar com você. Muito obrigado, Sara. Ficarei mais grato ainda...se você nunca mais cruzar o meu caminho de novo. – ele disse, sério, pronto para sair dali.

- Isso não vai ser problema – ela disse antes que ele se afastasse – também vim para a minha festa de noivado, para comemorar com minha família, e depois voltarei para os Estados Unidos. Vou terminar a faculdade lá, e então casar com Mukotsu-kun.

- Muito bem. Seja feliz. Agora, com sua licença, já perdi muito do meu tempo aqui. – e com isso, Sesshoumaru saiu dali, a postura ereta, altiva.

- Sesshy – kun... – Sara ainda suspirou, chorando, mas era tarde demais.

O rapaz já estava longe, e caminhava sempre com o rosto para a frente, sem olhar para trás uma vez sequer.

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Um pouco longe dali, dois jovens se esbaldavam no gramado, dançando animadamente. A garota puxou uma garrafa d´água de um dos vários bolsos de sua calça cargo cáqui, e levou-a à boca para beber, nisso alguém esbarrou nela, e ela acabou molhando um pouco a sua blusa branca, colada ao corpo, na qual se lia a frase "Look, But Don´tTouch"em rosa-choque.

O jovem ao seu lado, nessa hora, não pôde conter seu olhar, e observou primeiramente as gotas de água que ainda escorriam pelo queixo dela, viajando pela curva do pescoço e descendo para o colo feminino, para então deslizarem entre os seios dela. Ali, ele pôde ver onde a água deixou a blusa dela transparente. Uma área pequena, que nem ficou tão molhada assim, um pouco acima do seio direito dela.

"Buda, que eu estou fazendo?" – ele pensou, atordoado.

- Miroku? Miroku? – ela o chamava.

Não obtendo resposta ou sinal de vida da parte dele, ela chamou novamente, dessa vez reparando para onde ele dirigia o olhar:

- MIYAMOTO MIROKU! Acorda! – Sango chacoalhou o rapaz pelos ombros.

- Ah, desculpa, Sango...eu...fiquei distraído...

- Sei! Miroku, seu safado! – ela ruborizou, e desviou o rosto para que ele não percebesse.

- Ah, Sangozinha, gomen! Mas eu sou homem, procure entender...onegai... – ele tentava fazer com que seu olhar encontrasse o dela, mas ela o evitava.

- Hunf, eu sou sua amiga, você deveria me respeitar mais!

- E eu não respeito? Sinceramente, Sango, se eu não a respeitasse, já teria feito algo do qual eu com certeza não me orgulharia muito, mas teria feito sem nem pensar muito...

- O quê? – ela virou-se para ele e descruzou os braços, que até então estavam bloqueando a vista de seu torso.

- Eu teria...bem, sabe como é... – ele tentava desconversar, tinha receio de mostrar o seu lado mais atrevido para ela.

- Fala logo Miroku! Antes que eu perca a paciência! – ela se colocou bem à frente dele, com uma postura desafiadora.

"Ai ai, lá vai...ela não vai mais querer falar comigo...mas tenho que mostrar a ela que confio nela...afinal, ela me conta tudo..." – ele pensava.

- Bem, Sangozinha, não quero que você me veja com outros olhos depois disso, ou fique achando que eu sou um pervertido e...ei, que foi? – ele parou quando percebeu que a garota abaixara a cabeça, rindo.

- Hihihihihihihihi...desculpa, Miroku-kun, mas é que...hihihihihihi...eu já acho que você é um pervertido...todo mundo acha...hihihihihihihi...

- Poxa vida! Como anda a minha reputação! Sango, eu não consigo de deixar de reparar em garotas.

- Isso eu sei! Você está sempre de olho em alguém! – ela riu.

- Sim, mas existem níveis de observação...tem garotas que eu apenas admiro, seja pela beleza, atitude, postura, jeito, atributos físicos...mas...

- Hum. – nisso, a atenção de Sango era toda dele. E ela mesma não sabia o motivo disso.

- Também tem aquelas que eu desejo. Seja algo platônico, que apenas a minha imaginação sacia, sem maiores aproximações, ou algo mais direto.

- Como assim, Miroku? – ela ainda estava tentando ver onde ele queria chegar com aquela conversa.

- Hehehehe... – ele coçou a nuca, embaraçado - ...bem, tem garotas que eu preciso tocar, sentir, saber como é, entende?

- Miyamoto-sama constrangido? Essa é boa! Pode falar, é por isso que volta e meia você está atrás de alguma garota?

- Hai. – ele disse, sério – Eu gosto de sentir a textura da pele, o gosto da boca, o cheiro do cabelo. Não descanso até descobrir o que quero saber, ou até me tocar que ao invés de paquerar, estou perseguindo a garota.

- Nossa, Miroku- kun! Por isso você se deu mal várias vezes?

- Sim. Tenho vergonha de falar sobre isso. Ainda mais com uma mulher. Você é a primeira garota com quem converso sobre isso.

Sango sorriu. No fundo, ficara feliz por ele se abrir com ela. Claro que ele sempre falara das paqueras, flertes ou casos que ele arranjava, mas nunca Miroku fora tão sincero com ela. De fato, valia a pena ser a confidente dele.

- Pense nisso como uma forma de retorno. – ela disse – Você sempre me escutou, quando me abri sobre Kouga ou qualquer outro...você pode confiar em mim, Miroku.

- Arigatou, Sangozinha! – ele sorriu largamente. – E desculpe...por ficar te olhando...

- Tudo bem, eu deveria ficar lisonjeada, não é? Mas acho que pelo fato de fazer Educação Física e ainda por cima, pelo meu emprego lá no bar, sempre sinto o olhar dos homens sobre mim como uma ameaça. É raro me sentir bem.

- Verdade? Mas não se sinta mal, é que você é muito bonita! – ele segurou a mão dela, levemente.

- Pode ser...- ela começou a ruborizar – mas sempre vejo olhares de cobiça, luxúria, ao invés de admiração. Esses, vejo mais quando estou dançando.

- Quer dizer que você nunca reparou? – ele parecia surpreso.

- Como assim, reparar no quê? – ela ficou alerta.

- Er, esquece, Sango, eu vou comprar outra água para você, OK?

- Não desconverse, nem fuja, Miroku! Sou eu, Sango, sua amiga! Oieeee... – ela fazia trejeitos na frente dele, que riu.

- Certo, você merece saber, mas me surpreende ter conhecimento que você nunca reparou no modo como eu olho para você.

Um estalo aconteceu na mente de Sango; então era isso! De fato, algumas vezes ela notou Miroku a observando, mas não fez conta, afinal eram colegas, depois, amigos. E pela camaradagem dos dois, nunca pensou que ele pudesse "vê-la" de algum modo; sabia que ela a achava bonita, mas até aí, isso não dizia muita coisa.

- E como você olha para mim, Miroku? – ela se aproximou dele, sem segundas intenções.

- Eu admiro você. Sua beleza, graça, sua força, seu sorriso. Por isso digo que a respeito; e...com todo respeito, Sango, você, você é... – ele estava parecendo um pimentão de tão vermelho.

- Fala, Miroku-kun... – ela apertou levemente a mão dele, se aproximando mais.

"O que pode deixá-lo tão constrangido? Nunca vi o Miroku assim!" – pensava Sango, curiosa.

- Você tem um corpaço, pronto, falei, você é gostosa e sabe que a maioria dos homens te vê assim...mas eu vejo beleza, perfeição, eu vejo o conjunto todo, você é linda por dentro e por fora, e é por isso que eu respeito você, porque não consigo, não posso, vê-la apenas como um corpo bonito, seria ridículo, idiota, seria...um crime... – ele olhava nos olhos dela, vermelho da cabeça aos pés.

"Eu nunca falei assim com uma garota, fosse paquera ou não...que deu em mim, Buda? Que é isso?" – pensava o rapaz.

- Miroku...eu... – a Takeda estava sem palavras, então resolveu agir.

Envergonhada, Sango envolveu os ombros do amigo com seus braços, e pouco a pouco, sentiu que ele ia abraçando a sua cintura desnuda, já que a blusa que ela usava era relativamente curta, deixando a barriga e parte das costas de fora.

Ele sentiu a proximidade dela, e decidiu envolver a cintura dela. Pôde sentir a maciez da pele dela, a graciosidade da curva da cintura, e sentiu-se bem; não cobiçava sua amiga, gostava muito dela para isso. E sentiu que ela poderia compreendê-lo.

Afastaram-se e sorriram um para o outro. Ele quebrou o gelo:

- Que tal aquela água? Estou com sede!

- Claro! Mas só se a gente puder pegar um aperitivo também... – ela fez cara de manha.

- O que você não pede com essa cara que eu não faço com gosto, Takeda Sango? – ele riu.

Eles foram andando em silêncio em direção à lanchonete, ele estava aliviado e ela estava feliz, muito feliz. Sango cutucou o braço do rapaz que lhe sorriu, e pôde apenas dizer:

- Miroku-kun...muito obrigada...