Disclaimer: Inu-Yasha (mangá e anime), seus personagens e direitos são de Rumiko Takahashi!

Agradecimentos: Lah-chan e queenrj (ei, qdo vc vai continuar sua história?), obrigada pelos comentários, e pela atenção. Bjs!

E agora, o capítulo que estavam tds esperando...boa leitura!

Música de inspiração do capítulo:

Natural Blues, Moby.

CAPÍTULO 4 – ENCRENCAS E SOLUÇÕES

- Rin!! Isso aqui tá demais!! Iuhu! – Ayame pulava, empolgada, no balanço da música que tocava.

Sua interlocutora apenas sorriu, e continuou dançando discretamente, com movimentos graciosos e fluidos. Rin estava de olhos fechados agora, e imaginou-se sendo observada. Sim, ela gostaria disso, não custava devanear um pouco...sabia que se algum rapaz viesse falar com ela, logo entraria na defensiva. Mas seus instintos de mulher vinham aflorando, e ela se sentia livre, como se pudesse fazer qualquer coisa.

- Ei Rin, vamos lá tomar algo? Uma cerveja talvez? – perguntou Ayame, tirando a amiga de seus devaneios.

- Está doida, Ayame? Nós não somos maiores de idade! Não podemos beber coisas...alcoólicas... – Rin estava chocada.

- Ah, tem tante gente menor de 20 aqui, que está bebendo...por que não podemos? N/A: No Japão, a maioridade é aos 20 anos...

- E quem vai comprar a bebida para nós, Ayame?

- Hum...boa pergunta...mas nós podemos pedir alguém maior de idade, que tal? – Ayame arregalou os olhos diante de sua própria idéia. Era perfeita!

- Não sei não, Ayame...e se nos pegarem...o que vão achar de nós...e...

Rin foi interrompida pela amiga, que lhe puxava em direção ao estande das bebidas; Ayame observava cada um que passava, tentando deduzir a idade das pessoas, e quem parecia legal o bastante para encobrir as coisas:

- Homem ou mulher, Rin? No nosso caso, convencer um cara é mais fácil, hehehe...mas conversar com uma mulher pode ser menos problemático...

- Hum, que tal falarmos com aquele casal ali? – Rin apontou para dois jovens que acabavam de se afastar de dois amigos, em direção ao estande de bebidas.

- Boa idéia! Grande, Rin! Eles parecem ser legais! – nisso, a ruiva foi puxando Rin até o casal.

- Mas vamos abordá-los assim, sem mais nem menos? – Rin começava a ruborizar, só de imaginar a vergonha da situação.

Ayame apenas sorriu, de forma marota, e após voltar a olhar o caminho, disse:

- Apenas me acompanhe. Eu converso com eles, se for o caso.

Rin xingou-se mentalmente; por que ela não era capaz de uma atitude mais ousada, ainda mais tratando-se de algo que ela queria fazer? Ela até gostaria de beber um pouco, desfrutar daquela pequena liberdade, mesmo que não fosse permitido. Mas ela tinha coragem de quebrar regras, ou pensar em burlá-las? Até que sim, o difícil era colocar em prática.

O casal se aproximava; Ayame deixou a pequena bolsa que carregava cair no chão, ao seu lado. Logo um rapaz de cabelos castanhos, curtos, e com um sorriso gentil se dirigiu a ela:

- Com licença, senhorita, creio que isto deve ser seu. – apresentou a bolsa à garota, que agradeceu e reverenciou-se para o rapaz:

- Domo arigatou gozaimasu...se eu perdesse minha bolsa, estaria perdida...ainda mais por ser novata...

A moça que acompanhava o rapaz se manifestou:

- Vocês são novatas? De que curso? – sorria a moça – Perdão...meu nome é Higurashi Kagome, muito prazer... e este é Wada Houjo...

- Yamaguchi Ayame, e esta é Hayashi Rin, minha amiga. Ingressamos no curso de Dança.

Os quatro fizeram as reverências, e logo Kagome chamou as meninas para acompanhar a ela e Houjo:

- Tem muitos novatos esse ano, e olha que é difícil passar aqui na Todai...estão felizes de estar aqui?

- Hai! – as duas responderam em uníssono.

- É uma honra estar aqui. Um sonho realizado. – disse Rin, com os olhos brilhando de emoção.

Chegaram até o estande de bebidas, e logo Houjo pediu sake morno para quatro; virou-se para as meninas e disse:

- Vocês vão querer? Ou querem outra coisa?

- Hum, eu vou querer o mesmo, Houjo-san, onegai. – disse Ayame.

- Eu também. – a voz de Rin saiu incrédula, elas nem precisaram pedir nada!!

Assim, Houjo pediu mais dois copos de sake, e foram os quatro andando até o local onde o casal se encontrava anteriormente:

- Kagome, Houjo, vocês demoraram...eu acho que terei que dar uma saída...- disse Inu-Yasha, com um semblante preocupado.

- O que houve, Inu-Yasha? – Kagome perguntou. Sabia que devia ter algo errado, pela cara do amigo.

- Feh! Você não sabe quem passou por aqui agora.

- Quem, cara? Não me diga que a Kikyou chegou para cortar seu barato...hehehe...- Houjo brincou, mas ficou quieto depois de ver o olhar da namorada sobre si.

- Não fale assim da minha prima, Houjo-kun! Ah, à propósito...Inu-Yasha, Shippou, essas são Ayame-san e Rin-san! Elas também são calouras!

- Legal! – vibrou Shippou – É muito bom conhecer o pessoal que é novato como eu.

Reverências foram trocadas, e logo Inu-Yasha se desculpou:

- Desculpe não poder ficar para conhecê-las melhor, meninas...mas fiquem tranqüilas, o nosso pessoal é o melhor! – ele deu um bonito sorriso, e dirigiu-se para Kagome e Houjo, enquanto Rin, Shippou e Ayame iniciavam uma conversa:

- Feh...eu encontrei a Sara, ela veio me cumprimentar...

- A Sara? – interrompeu Kagome – Ela voltou ao Japão? Desde quando? Seu irmão já sabe disso?

- Calma, Kagome, deixe o Inu-Yasha terminar de falar... – disse Houjo – prossiga, por favor, Inu-Yasha...

- Obrigado, Houjo. Como dizia, ela veio falar comigo, disse que estava preocupada com o Sesshoumaru, pois havia conversado com ele, e ele foi embora sem dizer nada...pelo que conheço do meu irmão, ele deve estar furioso...

- Você sabe se ele foi embora? – perguntou Kagome.

- O carro dele continua no estacionamento, eu liguei para casa e okaa-san disse que lá ele não está. Inventei uma desculpa qualquer para que ela não se preocupasse, mas preciso saber onde ele está logo!

- Bem, acho que Izayoi-san não dirá nada a seu pai...ainda... – disse Kagome, apreensiva.

- O celular de Sesshoumaru está desligado, por isso peço que fiquem atentos, por favor. Vou atrás dele.

- Pode deixar, Inu-Yasha! Vou recrutar o pessoal para ajudar! – disse Houjo.

O rapaz de cabelos compridos olhou para o rival e fez um gesto afirmativo com a cabeça. Kagome os observou e ficou quieta, imersa em seus pensamentos:

"Houjo-kun, sempre tão prestativo...tenho tanto medo de magoá-lo...mas não sei até quando vou suportar..."

Nisso, Shippou, Ayame e Rin se aproximaram; Houjo chamou Kagome para perto, explicou a situação, de modo breve, aos novos amigos, para que ajudassem. Logo chegaram Sango e Miroku, que se surpreenderam com a situação, e se prontificaram a colaborar na busca de Taishou Sesshoumaru.


Kagura estava quieta em um canto, havia pedido à irmã Kanna um tempo para si mesma; a conversa das duas havia acalmado a mais nova das Uchida, mas a fizera ver que ela não podia ter tudo o que queria:

"Não é justo...mas que droga...aquela idiota da Sara! O Sesshoumaru nunca mais vai me dar uma chance!"

Segundo Kanna, mesmo que o mais velho dos irmãos Taishou considerasse a possibilidade de ficar com ela, não seria algo sério, por causa de Sara, a eterna sombra que viria para atormentá-lo.

Depois da conversa com a irmã, Kagura voltara para ver se os dois ainda estavam ali, e viu Sesshoumaru se afastar, enquanto Sara chorava; procurou seguir o rapaz, ele socara o tronco de uma árvore com tudo, mas não emitira nem um som de dor depois de fazer isso. Kagura pôde ver que a mão dele sangrava, mas não podia se manifestar, podia sentir que ele estava possesso, por dentro.

"Ele estava com uma cara...nunca o vi tão sério, tão frio. Mas não vi nenhuma lágrima, nada. Pensando bem, talvez seja melhor que eu não tenha conseguido o que eu queria."

Antes de se retirar, ainda o viu conversando com Bankotsu, que já estava atracado com uma garota em um canto escuro de um dos prédios mais próximos; ele entregara algo a Sesshoumaru, um objeto pequeno, que ela não foi capaz de distinguir na penumbra. Bankotsu ainda deu um cordial tapinha no ombro do amigo, que se afastou novamente, para deixar o Sakai com a sua "diversão" anterior.

"Eu deveria tê-lo acompanhado, mas para quê? Tentar algo? Remediar meu comportamento anterior? Nada faria sentido. E eu não preciso disso para me sentir melhor."

Kagura era orgulhosa, sim, ela admitia isso. E por isso mesmo, ela não tinha que se justificar ao Taishou, à sua irmã ou quem quer que fosse. Nesse ponto, ela pensava como uma ocidental, quase.

"Queria que Naraku-kun estivesse por aqui...ele saberia fazer com que eu me sentisse melhor...com certeza as piadas de humor negro rolariam soltas..."

A moça massageou as têmporas, deu um sorriso conformado e estava prestes a levantar-se, quando ouviu uma voz:

- Ora ora, se não nos encontramos de novo!

- Pois é, Nakayama-san, mais cedo do que eu esperava...

- O que houve, está tudo bem?

- Mas é claro que está tudo bem – ela retomou um pouco da postura altiva – por que não estaria?

- É uma boa pergunta. Quer conversar?

Kagura deu um sorriso irônico; desde quando ela precisava da pena dos outros?

- Não, obrigada. Já estava me retirando, não preciso de conselhos, sermões, ou da pena de ninguém, sabia?

Nisso, ela foi saindo, mas seu pulso estava seguro na mão do Nakayama em questão de segundos. Kouga aproximou-se dela e disse, baixo:

- Eu não sou de sentir pena de ninguém. Apenas estava procurando ser simpático, mas parece que você se recusa a ter a cordialidade das pessoas, não é?

Ele a olhava, sério. Os dois se encararam por um bom tempo, para depois ela abaixar a cabeça, ponderando sobre algo. Ao ver a falta de reação dela, Kouga resolveu ir embora.

- Espere. – disse a moça, ainda de cabeça baixa.

Ele ficou de costas, esperando pela fala dela. Ela continuou:

- Não foi um bom dia para mim. Estou cansada. Inclusive dos meus próprios caprichos, eu só me dou mal por causa deles... – ela deu um riso forçado – desculpe-me por ter sido grossa com você.

- Tudo bem. – ele virou o pescoço para vê-la. – Só não quero ser inconveniente, às vezes precisamos de paz para entender certas coisas.

Kagura sorriu, dessa vez, de verdade, e caminhou até o rapaz:

- Eu já tive meu momento de lamentações...agora quero me diverir, esquecer...você me ajuda?

Ele a encarou, aquela era a mesma Uchida Kagura que ele conhecia, mesmo de longe? Estava surpreso, mas viu que a garota estava sendo sincera. Resolveu ajudar:

- Muito bem. Aceita dançar? – ele sorriu.

- Aceito. Por acaso você sabe dançar?

- Pode acreditar.

Assim, os dois foram para o gramado; uma música animada rolava no ambiente, e começaram a dançar. Um pouco sem jeito no início, por pudor, mas logo se soltaram. Kagura sentia-se feliz, em paz, pelo menos ria com as observações do rapaz, que falava enquanto dançavam; ela própria começou a fazer piadas, e logo os dois riam, desfrutando da companhia um do outro.

Kouga sentia-se satisfeito, conseguira animar a garota que, apesar de ter sido tão estúpida com ele no início, era uma pessoa legal, quando tirava aquela pose arrogante. E ela era bonita também, não podia negar.

À medida que dançavam, sentiam-se mais à vontade um com o outro; um clima começou a se formar, gradualmente, entre os dois jovens. Kagura imaginava qual seria a força dos braços dele em um abraço, e ele tentava deduzir qual a maciez dos lábios da Uchida. Ao fim de uma música, os dois se entreolharam, e ambos viram seus desejos refletidos nos olhos um do outro.

- Kagura-san...gostaria de ir para um local mais discreto? – ele propôs.

- Para quê? – ela perguntou. Podia estar atraída por ele, mas não queria que ele entendesse algo errado em suas intenções.

- Não se preocupe, só quero conhecê-la melhor, e pode ter certeza que eu não faria nada além do que me fosse permitido.

Com isso, ela se sentiu mais segura. Os dois seguiram para um dos prédios mais próximos - coincidentemente, o mesmo no qual Sakai Bankotsu agora estava muito "ocupado" – e ficaram conversando, tranquilamente, sentados em um dos bancos que haviam por lá. Quando viu uma brecha, Kouga segurou a mão de Kagura levemente, e a levou aos seus lábios.

A garota estremeceu, os lábios dele eram quentes e macios. Logo sentiu as pontas dos dedos dele passeando pelo seu rosto; seu toque era áspero, talvez pelo contato com aparelhos de ginástica, mas não deixava de ser bom.

- Kouga-san... por favor, eu não quero me machucar...eu preciso de um tempo...eu... – mas Kagura não teve tempo de terminar sua frase, pois Kouga a estava beijando.

O beijo foi um selinho mais prolongado, mas ela gostara, e estava se sentindo tão...segura, desejada, querida. Mesmo alguém como ela sentia falta disso, afinal, era humana. Assim sendo, resolveu-se de vez.

E com muito cuidado, se aproximou do belo moreno de olhos azuis, segurou sua nuca e lhe deu um beijo mais profundo.


Rin e Shippou haviam voltado ao ponto de partida, de onde todos haviam saído para procurar Taishou Sesshoumaru. Enquanto procuravam pelo rapaz, haviam conversado muito e descoberto algumas coisas em comum; resumindo, haviam se dado bem. Rin estava muito feliz por ter encontrado mais amigos, inclusive um tão bonito quanto o ruivo que se sentava ao seu lado.

"Que é isso, Rin, mal conheceu o rapaz e já está pensando no quanto ele é bonito? Não! Você está se deixando influenciar pela Ayame rápido demais..."

- Então, Rin-san, acha que conseguirão achar o irmão de Inu-Yasha-san logo? Estamos perto das dez horas da noite, o único estande aberto é o das bebidas, e a aparelhagem de som já está sendo recolhida...

- Realmente, a festa está para acabar, Shippou-san. Estou preocupada com Ayame, ela e Kagome foram procurar em um lado, e aquele outro casal foi para o lado oposto...perto dos dormitórios ele não estava, procuramos em tudo!

- Sim. Fico pensando no que levou esse rapaz a fazer isso. Ele não deve estar nada bem.

- Talvez Houjo-san tenha mais sorte. Ele ia procurar ao redor do campus da universidade, no carro dele. Assim, se aconteceu algo ruim com Sesshoumaru-sama, o que espero que não seja verdade, ele poderá socorrê-lo melhor.

- Vai dar tudo certo, Rin-san, pode acreditar. Se não o encontrarmos, Inu-Yasha-san chamará a polícia. De qualquer modo, aconteça o que acontecer, pelo menos não ficamos de braços cruzados.

Rin notou que o tom de voz de Shippou era amargo, ao dizer sua última frase; teria algo semelhante acontecido ao rapaz? Rin estava curiosa, mas não perguntaria. Não tinha intimidade o suficiente com o ruivo, para isso.

- Bem, Shippou-san, se não se incomoda, eu vou até o toalete, com licença, sim? – ela se levantou.

- Eu vou com você, é perigoso para uma moça andar sozinha nesse horário.

- Está tudo bem, eu vou sozinha... alguém precisa ficar aqui para falar com os outros, quando chegarem.

- Está certo, mas se demorar, vou atrás de você. Está bem? – ele sorriu.

- Tudo bem. Com licença. – Rin se afastou com um sorriso no rosto, que estava totalmente ruborizado de vergonha.

Assim, ela começou a andar em direção ao prédio principal, onde sabia que havia um toalete feminino; chegando lá, teve que dar meia-volta, pois estava tudo fechado. Perguntou ao segurança onde poderia ir, ele indicou um toalete próximo a um dos prédios da área de Exatas, e lá se foi Rin em busca do mesmo.

Andou até o prédio indicado, mas percebeu que estava na parte de trás da construção. Teria que dar a volta pelo estacionamento, para chegar na parte da frente; ela já estava perdendo a vontade de usar o banheiro, mas conseguiu chegar lá. Aliviada, resolveu seguir o mesmo caminho para voltar ao seu ponto de origem.

Foi então que viu um rapaz sair de um dos carros mais afastados, ele segurava uma garrafa, da qual bebia diretamente do gargalo; a figura masculina tentava trancar a porta com a chave, mas devia estar muito bêbado, pois se atrapalhava todo para acertar a fechadura. Logo o fez, e começou a se dirigir para o lado oposto do estacionamento, aonde Rin se encontrava.

"Droga, ele está vindo justamente por onde eu deveria passar...ele está bêbado, pode tentar fazer algo comigo...já sei, vou ficar bem quieta aqui, vou esperar ele ir embora..." – pensava a garota.

Rin escondeu-se atrás de um arbusto, como ela era pequena, foi fácil ocultar-se ali. O rapaz continuava a andar em direção a ela, aparentava estar meio alheio, devido à bebida. A garota pôde perceber que ele bebia sake, pois vira na garrafa o logotipo da indústria que fornecera o sake para a festa, a marca da Sakai Bebidas.

"Que pena, um rapaz tão bonito, nessas condições...coitado..." – pensava ela.

De fato, ele era alto, usava uma camisa social que agora estava meio desabotoada na parte de cima, e tinha longos cabelos negros que atingiam a esguia cintura. Rin percebeu que ele tinha ombros fortes, costas largas e pernas torneadas. Rin deduziu isso, apesar do tecido da calça social não ser justo...afinal, era o que ela inevitavelmente reparava nas pessoas – principalmente nos homens.

A garota pôde sentir o seu rosto queimar, e não era de vergonha. Mas logo isso ia mudar, pois o rapaz, ao chegar perto de um dos carros, dirigiu-se para um canteiro e, vendo que não havia ninguém por ali, resolveu se aliviar.

O rosto de Rin começou a pegar fogo; ela sentiu ímpetos de cobrir os olhos com as mãos, mas não o fez, não conseguiu, apenas ficou observando...os "atributos" do rapaz. E percebeu que estes combinavam com o conjunto da estrutura do corpo dele...quando menos percebeu, um calor veio se instalar entre as pernas da moça.

"Não acredito! Que vergonha, Rin...o que é isso? Não, eu não posso olhar...ah..." – ela tentava se recompor, em sua mente.

Mas um barulho fez com que ela voltasse à realidade. O rapaz estava destravando a porta do carro ao qual chegara, e estava prestes a entrar, quando dois rapazes chegaram, do nada, e apontaram uma faca para ele!

- E aí, riquinho, pode passar a grana para a gente...ou vai virar sashimi... – ameaçou um dos rapazes.

- Aproveita e passa a chave do carro também! – disse o outro, que carregava somente uma mochila, para levar o que fosse roubado embora.

O rapaz se fez de desentendido, levou uma das mãos à cabeça, e levantou a outra que segurava a garrafa para mostrar que se rendia...o da faca foi se aproximando, e nisso o rapaz alto levantou a garrafa, rapidamente, e atingiu o ombro do outro com força, estilhaçando o vidro. A faca foi parar no chão, mas logo o garoto da mochila partiu para cima do rapaz alto, socando seu estômago.

Rin estava escandalizada com o que via, mas não tinha coragem de intervir; o rapaz da faca incitava o da mochila a continuar batendo no rapaz alto, pois "ninguém se atrevia a fazer aquilo com eles", "o ombro estava muito machucado" e "o riquinho tinha que pagar".

O rapaz da mochila agora chutava a lateral do corpo do rapaz alto, que estava no chão; a mão dele estava próxima à faca, e assim, ele surpreendeu o rapaz da mochila enfiando a faca na panturrilha dele!

Com isso, o rapaz que já estava com o ombro machucado disse ao colega para desistir, a perna deste sangrava, e ele amaldiçoava e xingava o rapaz alto. Cambaleou para perto dele e lhe deu um soco bem forte no rosto. O rapaz alto caiu, o da mochila retirou a faca de sua perna, se aproximou do rapaz alto e lhe fez um corte no braço esquerdo!

Assim, os dois ladrões se afastaram, feridos, e no prejuízo. Quando percebeu que estava fora de perigo, Rin saiu de trás do arbusto e andou até o bonito rapaz, que agora tinha seu rosto marcado e ferido, sangue escorria de sua boca. Ele caíra encostado em uma árvore, e o corte de seu braço jorrava sangue.

A garota estava chocada, mas não tinha medo. Chegou perto dele, retirou um lenço de seu bolso e passou a limpar o rosto machucado; logo levou um susto; o rapaz havia agarrado seu braço, e olhava ameaçadoramente para ela.

- Você... o que está fazendo aqui...vá embora...

- Mas está ferido, senhor, deixe-me pelo menos chamar ajuda... – ela tentava socorrê-lo.

- Não preciso de nada, ainda mais vindo de uma mulher! Vocês são todas traiçoeiras, mentirosas...você não veio me ajudar! – ele a trouxe para si, violentamente.

- P- Por favor...o que está fazendo...não... – ela começou a se assustar.

- Hehehehehe... – a risada dele era perigosa – Está preocupada, hein? Acha que eu vou ferí-la? Não mais do que você me feriu, Sara... – ele insinuava os lábios pelo decote dela, arranhando a pele com os dentes.

- Eu...não me chamo Sara, senhor, onegai...e-eu só queria ajudar...ah!

Ele havia a puxado para cima dele, mesmo com o braço cortado ele tinha uma força imensa. Rin estava nervosa, ele estava arranhando as coxas dela com as unhas...e ela não conseguia evitar, sentia-se nervosa, desesperadamente em apuros, mas também um pouco excitada. Decididamente, não era para isso estar acontecendo.

A moça então não viu outra solução. Fingindo entregar-se aos atos dele, conseguiu liberar uma mão, e alcançou dentro do bolso de sua saia. Afastou-se um pouco do rapaz, e enquanto ele estava distraído mordiscando o mamilo direito dela por cima da blusa, ela ergueu o rosto dele e espirrou o gás sonífero diretamente no nariz dele.

Rin pulou do colo do rapaz alto, recompondo-se, passando a mão por onde ele a havia tocado, na tentativa de limpar-se. Por que ele havia feito aquilo com ela? Só então pôde perceber seu próprio estado: arranhões nas coxas e colo, os joelhos esfolados de tentar sair de cima dele, e sua roupa estava manchada com o sangue do corte dele.

"Eu não acredito que ele fez isso...e não acredito no que vou fazer...Hayashi idiota!! Mas por pior que ele seja, não pode morrer aqui assim!"

Então, ela se aproximou, pegou o lenço e apertou forte sobre o corte dele, para estancar o sangue, que começava a coagular; ignorou sua próprias dores e o carregou até o carro, cuja porta estava aberta. Colocou o cinto de segurança do banco do passageiro nele, decidida a levá-lo para o hospital; fechou a porta e deu partida no carro, mas antes, viu uma carteira e uns óculos no console do automóvel. Talvez ali houvesse alguma identificação do rapaz alto.

"Assim eu fico sabendo quem é esse pervertido...e posso denunciá-lo também..." – ela pegou a carteira.

Ao abrir a mesma, teve um choque ao ver a identidade do rapaz ao seu lado; no documento, uma bonita foto na qual ele aparecia com o semblante sério, mas suave, os longos cabelos presos, e dava para ver os óculos em um bolso da camisa social que ele usava na fotografia. Abaixo desta, a assinatura de caligrafia sóbria, precisa e bem-feita.

"Taishou Sesshoumaru...o irmão de Inu-Yasha-san...oh, não..."