Olá! Há quanto tempo! Primeiramente, Feliz 2010 a todos que lêem esta fic, e muito obrigada por ainda acreditarem nela!
Agradecimentos especiais às reviews de: Pequena Rin, Meyllin e Rukia-hime. Arigatou gozaimasu, minna-san!
Abraços, e boa leitura.
Música de inspiração do capítulo:
- Leave Out All the Rest, Linkin Park.
CAPÍTULO 6 – O REENCONTRO
Três dias haviam se passado desde sua saída do hospital; considerando que ficara lá durante dois dias, em observação, já havia perdido cinco dias de aula. Tratando-se de Taishou Sesshoumaru, um tempo relativamente grande; ele encontrava-se em seu quarto, olhando pela janela que dava para o grande jardim da mansão Taishou. Sobre a escrivaninha, vários livros nos quais fazia anotações.
"Não é porque ainda não devo ir à universidade que não irei estudar. Ainda bem que tenho alguém como o Hakudoushi para me ajudar com a matéria perdida..."
Entretanto, além dos estudos, o primogênito dos Taishou preocupava-se em lembrar do que houvera há alguns dias atrás; lembrara-se de Sara e da conversa que tiveram, da imensa decepção em constatar a total falta de consideração que ela tivera com ele em todo aquele tempo. E pensar que, enquanto estavam juntos, haviam jurado amor eterno, chegando ao ponto de... hum. Melhor não pensar naquilo, era passado; ela havia sido sua primeira mulher, mas faria questão de esquecê-la e, como diria Bankotsu, sempre existiriam outros peixes no mar.
Sesshoumaru deu um pequeno sorriso ao lembrar-se do Sakai; não, não chegaria àquele ponto nunca, ainda mais depis do que Abi revelara sobre seu amigo. Talvez algumas coisas simplesmente não deveriam ser, e outras simplesmente deveriam acontecer, para forçar as pessoas a ver as coisas de outro modo. Muitas vezes, um modo que não era o ideal ou mais agradável, mas mesmo assim... era a vida.
Com os braços apoiados nos da confortável poltrona, quem olhasse a plácida figura de longos cabelos negros com o queixo apoiado nas mãos casualmente unidas, acreditaria que ele estava meditando. Mas tentava, a todo custo, lembrar de algo mais, e não menos importante: a pessoa que o teria ajudado naquela fatídica noite, cujo nome sua mãe revelara: Rin.
"Não lembro de nada...apenas de um cheiro muito bom... de camélias... e a maciez do cabelo tocando meu rosto..." – logo, o rapaz arregalou os olhos – "Será que fiz algo com aquela moça? Eu estava tão... será que fiz algum mal a ela?"
Absorto em seus pensamentos, virou a cadeira em direção da escrivaninha bem na hora em que alguém batia à porta:
- Sesshoumaru-sama? Trouxe seu chá da tarde. – disse a voz feminina – Posso entrar?
- Entre, Urasue. – o Taishou disse, com voz firme e grave.
- Sumimasen, Sesshoumaru-sama. – a senhora entrou com uma leve reverência, arrumando o serviço de chá em frente à escrivaninha – Hakudoushi-sama veio vê-lo. Gostaria de recebê-lo no escritório?
- Peça a ele que suba até aqui, Urasue. Com certeza ele não irá se demorar muito. – Sesshoumaru levantou-se de sua cadeira e, percebendo a ausência da governanta, foi até o espelho e subiu um pouco a manga comprida de sua blusa de gola alta, revelando a faixa e os curativos que recebera no braço esquerdo.
- Maldição... – balbuciou, a tempo de ver o amigo olhando para ele do batente da porta. Hakudoushi usava camisa social de mangas compridas, calça social clara e sapatos marrons; estava de braços cruzados, os cabelos louríssimos, praticamente brancos, soltos, dando um ar maroto ao semblante irônico que dirigia a Sesshoumaru.
- É assim que você está se recuperando? Deveria estar descansando. – o Ishida aproximou-se, relaxando a postura do corpo, o que não o deixava menos elegante – Aqui, trouxe a matéria de hoje para que possa estudar. Divirta-se.
- Como andam as aulas? E a empresa júnior? O imbecil do Suikotsu está fazendo as coisas como se deve? – Sesshoumaru atirou as anotações do amigo na escrivaninha, recostando-se na mesma.
- Hai, Sesshoumaru, como foi passar a chefia da empresa júnior para o Suikotsu se não confia nele?
- Estudantes do último ano não podem continuar na empresa júnior, só por isso saí de lá... e também porque as responsabilidades na Cia. Taishou estão aumentando consideravelmente. Essa será uma temporada de grandes contratos. Pode falar com seu chefe para tornar o crédito da minha empresa um pouco mais... graúdo. – Sesshoumaru deu um meio sorriso malicioso.
- Pensarei na sua proposta, contanto que seja algo posto em papel, formalizado, e assinado pelo meu chefe, e por seu pai. Vai mesmo fazer isso? – Hakudoushi serviu-se de chá, estava acostumado abaixar a guarda no domínio dos Taishou, um dos poucos lugares onde se sentia à vontade.
- Encaminhei a proposta ao velho ontem mesmo. Quero voltar a trabalhar logo, não suporto resolver as coisas à distância. – Sesshoumaru começou a mexer em uma papelada.
- E o clube? Não vai lá desde que saiu do hospital, né?
- Não, mas Inu-Yasha e Miroku são os seguintes em comando e estão tomando conta do negócio. Parece que preciso voltar logo, uma de minhas colaboradoras está de partida para sua cidade natal, pois vai se casar, e tenho que encontrar alguém para substitui-la.
- Mesmo? Quem? – Hakudoushi, subitamente, interessou-se pelo assunto.
- Ishida, você não tem jeito mesmo... - debochou Sesshoumaru – Para seu governo, é a Eri, aquela que você achava "bonitinha", mas nunca chegou perto por causa da...
- Que pena! – interrompeu Hakudoushi – Um grande desfalque na sua equipe, Sesshoumaru. De fato!
Sesshoumaru olhou para o amigo, que terminava o chá, e agora ajeitava a gola da camisa no espelho.
- Bem, se você diz que Inu-Yasha e Miroku estão se virando, tudo bem. Ao que me parece, Kagome-san também está fazendo a parte dela, segundo o que me disse Bankotsu. Acredita que ele aproveitou sua ausência para dar em cima da menina, só para provocar a Midoriko-chan? – o Ishida deu um sorriso travesso.
- Não tenho nada a ver com isso... se bem conheço Inu-Yasha, é ele quem vai cobrar satisfações do safado do Bankotsu. Ou o Houjo, na melhor das hipóteses.
- Certo. Tenho que ir, o serviço me espera... ah, antes que me esqueça, Abi-chan e Kanna-chan mandaram lembranças. Quando você estará liberado?
- Mais dois dias de molho, e terão que me aturar novamente. Todos vocês. – enfatizou o Taishou.
- Não vemos a hora. – debochou Hakudoushi – Ja ne, Sesshoumaru.
- Vou acompanhá-lo até a porta. Urasue deve estar ajudando a Izayoi com alguma coisa.
Ao chegar a porta, os amigos despediram-se novamente, e então Hakudoushi reparou na expressão de preocupação do amigo. Mas já estava abrindo a porta de seu carro, portanto, não iria perturbar Sesshoumaru. Nisso, eram muito parecidos; o que quer que fosse, se precisasse dizer algo a alguém simplesmente o faria... caso não...
"Melhor deixar isso para lá." – pensou o Ishida, dando partida em seu Aston Martin, e dirigindo-se para o trabalho.
Na Universidade de Tokyo, três pessoas aproveitavam o horário após o trabalho matutino para terminar uma série de alongamentos antes de almoçar e, então, irem para suas respectivas aulas.
- Kagome-chan, aposto que perdeu a forma nessas semanas que tivemos de folga, antes do início do ano letivo! – observou Sango, diante do cansaço da amiga.
- Eu não sou como vocês, que ficam fazendo exercício todos os dias! – reclamou Kagome, enquanto deixava o que fazia e esticava o braço em direção à sua garrafa d'água.
- Mas é importante manter o condicionamento. – interferiu Kouga – Kagome-chan não deu nem uma voltinha lá no templo Higurashi?
- Ah, eu caminhei, sabe como é... – diante dos olhares de pavor dos amigos, Kagome resolveu se defender – E também, claro, dei as minhas aulas de arqueria... parece que não, mas requer muita força e energia!
Nisso, ela arregaçou as mangas curtas da blusa que usava, exibindo os braços moldados pelo esporte que praticava desde criança, junto com a prima, Kikyou. No entanto, só ela ainda dedicava-se ao arco e flecha, por prazer e por dever, já que dava aulas da modalidade no templo da família.
- Sei, Kagome-chan... nisso você tem crédito, mas não adianta nada ter braços perfeitos e um pneuzinho que não combina nada com isso...lembro da última vez em que apostamos quem subia as escadas do templo primeiro! – provocou Sango.
- E eu fui o juiz... que fiasco, hein, Kagome-chan?– riu Kouga, bebendo um gole de seu isotônico.
- Hunf! Vamos logo nos trocar, ainda temos que almoçar, e antes de ir para a aula, tenho que pegar uma pasta de documentos com Inu-Yasha...
- Problemas, Kagome-chan? – perguntou Sango.
- Não, agora que Sesshoumaru está convalescendo, Inu-Yasha cuida da direção do clube, Miroku do marketing, como sempre, e eu estou cuidando dos fornecedores, cuidando das compras, além do RP. Tem algumas notas e mais algumas coisas que eu e Inu-Yasha precisamos organizar e conferir... coisas da administração.
- Hum, contanto que ninguém mexa nos CD's... Kagome-chan, sabe quando Sesshoumaru volta? Houjo e eu queremos mostrar os novos remixes que andamos criando. – disse Kouga, com um certo tom de orgulho na voz.
- Parece que ele volta em dois dias. Mostre ao Inu-Yasha, Kouga-kun! – incentivou Kagome – Hoje chegaremos mais cedo ao clube, para cuidar da papelada... acho que só iremos passar na casa dele antes.
- Certo, Kagome-chan. Eu e o cara de cachorro não nos damos muito bem, mas... irei mais cedo sim, e levarei o Houjo também, certo? – Kouga deu um sorriso malicioso para Kagome.
Ela apenas sorriu, antes de ser puxada por Sango para dentro do vestiário feminino.
Já embaixo do chuveiro, Kagome lavava os cabelos, quando ouviu a voz de Sango, no chuveiro ao lado:
- Kagome-chan... você não disse que ia se afastar um pouco do Inu-Yasha?
A garota suspirou. Não era tão fácil. Ela bem que queria, ainda lembrava-se da cara de desgosto de Kikyou ao chegar com Midoriko ao hospital, indo falar direto com Inu-Yasha, só olhando para ela para dizer que não se preocupasse, que daquele momento em diante, ela ficaria ao lado do namorado dela. Inu-Yasha tentara retrucar, mas ela, Kagome, não quis problemas com a prima, e muito menos causar problemas entre o casal.
"Sorte que Houjo-kun e Shippou-kun chegaram logo depois com os cafés! Nem o Houjo-kun é tão ciumento quanto Kikyou, kami-sama! Será que eu estava fazendo algo errado?" – pensou a Higurashi, antes de dirigir-se à amiga:
- Sango-chan, eu realmente gostaria que fosse mais simples, mas não posso abdicar das minhas responsabilidades, ainda mais agora que Sesshoumaru está impedido de cumprir suas obrigações. Eu tenho que ajudar, como posso.
- Mas e a Kikyou, ela está aceitando a situação? – Sango apanhou a toalha para secar-se.
- Ah, naquelas, ela agora está tentando se fazer mais presente. Eu acho isso bom, afinal, ela é de fato a namorada do Inu-Yasha, e deve ficar ao lado dele, como deve ser...
- Ela pode ser a namorada de Inu-Yasha, mas companheira dele, Kagome-chan, desculpe, mas isso ela não é.
Kagome sentiu as bochechas corarem. Não podia e nem queria falar mal da prima. Kikyou tinha direito de reagir como fez? Ela agiria da mesma forma se passasse por algo semelhante com Houjo-kun... não é? No entanto, sabia que eram situações diferentes; apesar de trabalharem na mesma empresa, Kikyou e Inu-Yasha ficavam em áreas distintas, vendo-se muito pouco no horário de trabalho. O oposto do que acontecia entre ela e Houjo, a RP e um dos DJ's do clube, respectivamente. E de certa forma, entre ela e o próprio Inu-Yasha, que também trabalhava na administração do clube, que ele ajudava o irmão mais velho a tocar.
Aquilo tudo a deixava mais confusa. A crise de ciúme da prima não fora normal, e apesar de não haver briga, a Higurashi do meio andava evitando falar com a mais nova do trio, alegando muito trabalho, ou simplesmente porque resolvera fazer mais companhia a Inu-Yasha.
- Você viu que o Kouga-kun está todo alegre ultimamente? Para mim aí tem coisa! E pelo visto, deve ser com a Uchida Kagura, aquela menina da academia de quem ele vivia falando... – a voz de Sango fez a outra parar de pensar.
- Bem, Sango-chan, eu não sei... vamos terminar aqui? Temos que almoçar ainda e...
- Hihihihihi! – riu Sango – Eu estou quase pronta! Quem ainda nem tirou essa espuma do cabelo é você!
Voltando à realidade, Kagome olhou para o relógio na parede do vestiário, e ao ver o horário, assustou-se. Estava atrasada, muito atrasada!
- Para variar... – reclamou a Higurashi, enrolando-se em uma toalha e tratando de se arrumar.
No centro comercial da cidade, Ootsuka Naraku esperava, ansioso, em um café de estilo ocidental que ficava ao lado de um grande banco de investimentos da cidade.
"Que ela não ouse chegar atrasada...muito do que eu pretendo fazer depende da informação que eu preciso..." – pensava o rapaz, olhando novamente no relógio.
Ele sentia-se particularmente bem, parecia que seus planos de ascensão estavam prestes a tomar forma, pelo menos todas as condições para tal eram vísiveis.
"Essa calourada me rendeu frutos! Com o afastamento de Sesshoumaru, e a consequente sobrecarga de trabalho de Inu-Yasha, houve um adiamento das resoluções para a conclusão e assinatura do contrato da Cia. Taishou com os chineses...é a minha chance de agir! Mas primeiro, preciso saber o montante do budget com que a empresa está contando..."
Ele fizera algumas estimativas, mas não tinha real ideia do valor o qual a Cia. Taishou estava disposta a investir no contrato de colaboração com os chineses. Em tempos de crise, tudo era possível, e ele não podia errar.
"O velho Onigumo conta comigo...senão, nunca poderá ir para o túmulo em paz..."
Nisso, uma bonita jovem, vestida em um tailleur escuro, cabelos parcialmente presos, passou pela porta do estabelecimento, localizando a mesa onde Naraku se encontrava. Ele cortou sua linha de raciocínio ao ouvir o conhecido barulho dos escarpins no chão do local; logo, ela sentava-se diante dele, retirando os óculos escuros.
- Ora, ora, Kikyou, para que isso? Por acaso está sentindo-se como uma daquelas espiãs de filmes americanos? – ele debochou.
- Cale a boca, Naraku, sabe muito bem que não posso me expor...meu horário de almoço está acabando, não tenho como ficar por muito tempo...tome, trouxe o que pediu. – ela colocou uma pasta sobre a mesa.
- Hum....kukukuku...muito bem, Higurashi, está fazendo tudo direitinho! Esse papel aqui vai me ajudar muito!
- Certo, isso indica que já fiz minha parte, portanto... ja ne, Naraku. – ela tencionou levantar-se, mas ele segurou-a pelo pulso.
- Nada disso, vamos com calma. – Ele levantou-se vagarosamente, e soltou o pulso dela – Eu realmente espero que você me acompanhe nessa empreitada. Sabe como é, podem haver... imprevistos.
Kikyou olhou para ele, nervosa. Não gostava de colaborar com ele, mas tinha medo que arruinasse seu relacionamento com Inu-Yasha, denunciando-a; isso seria muito prejudicial, principalmente nas atuais circunstâncias, nas quais parecia que o jovem Taishou estava cada vez mais distante dela.
- Naraku, eu não posso voltar tarde do almoço! Entenda! E ir àquele banco com você não faz sentido! – ela tentava convencê-lo.
- Bem, você é uma das advogadas juniores da Cia. Taishou, o que pode tornar minha atuação mais convincente, já que sou um dos consultores financeiros. Então, pronta para uma visita um pouco mais formal?
- Naraku, eu não quero ir! Preciso voltar! – a Higurashi continuava tentando.
No entanto, após colocar algumas notas sobre a mesa que ocupavam, saiu tranquilamente, mas com passos decididos, levando Kikyou consigo. Logo chegaram no maior banco de investimentos privados do país, liderado pela família Sasaki. Aproximaram-se da recepção:
- Pessoa jurídica, onegai shimatsu. – disse Naraku.
Após a indicação dada pelo recepcionista, foi falar com a gerente de pessoa jurídica, explicando a qual empresa pertencia, e apresentou o papel que Kikyou lhe trouxe mais cedo:
- Pois então, gostaria de saber se esta autorização me dá acesso aos dados da conta destinada ao contrato Taishou – Huang pleiteado pela empresa em que trabalho. Como consultor financeiro, preciso dos mesmos.
- Certo, Ootsuka-san...mas creio que Taishou-sama já havia deixado todos os seus consultores de sobreaviso sobre as quantias destinadas ao fechamento deste contrato, não? – perguntou a gerente, olhando para o rapaz e sua acompanhante.
"Kuso! Sabia que iam desconfiar de algo...eu deveria ter voltado para a empresa e denunciado o Naraku!" – pensava Kikyou. No entanto, seu semblante não exteriorizava seus pensamentos.
O rapaz logo deu um cínico sorriso, e chegando perto da gernte, disse:
- Escute, estou apenas tentando fazer o meu trabalho. Vim até acompanhado de uma das advogadas-junior da empresa. Trouxe a autorização. Então, poderia ajudar-me a fazer o que Taishou-sama me ordenou, e logo? – ele encarou a moça com olhos oblíquos e cheios de magnetismo.
"Se ele usasse esse poder para fazer algo que preste, talvez não precisasse recorrer a meios sórdidos para vencer na vida...preciso dar um jeito de sair dessa..." – Kikyou observava tudo, imaginando como poderia se safar daquela situação.
Logo, seus olhos caíram sobre uma pessoa que, ela sabia, não se contentaria em apenas observar o interlúdio entre Naraku e a gerente de pessoa jurídica. Não sabia se poderia sentir-se mal ou totalmente aliviada com aquilo. Mas pelo menos, alguém saberia o que estava ocorrendo. Se isso seria bom ou ruim, descobriria mais tarde.
- Muito bem, muito obrigado pelas fotocópias, Miyaki-san. – Naraku agradecia à gerente – Elas serão realmente úteis.
- Ora, não foi nada, Ootsuka-san. Minhas lembranças a Taishou-sama.
"Sim, o velho logo se lembrará de coisas...que acho que nunca poderia realmente esquecer..."– pensava o moreno.
Assim, ele e Kikyou logo se dirigiam à saída do banco, e ele reparou que a Higurashi olhava insistentemente para trás, o que o deixou irritado:
- Ora vamos, Kikyou, está com medo? Agora já foi. E eu tenho as informações que precisava. Kukukukukuku...se quer logo voltar para a Cia. Taishou, apresse-se, vamos! – ele aumentava o ritmo de seus passos.
A gerente voltou ao seu trabalho, mas mal pôde acreditar quando determinada pessoa veio direto à sua mesa. Definitivamente, isso não era do feitio da herdeira daquele banco.
- Posso ajudá-la, Sasaki-hime? – perguntou a moça, levantando-se.
- Na verdade, Miyaki-san, pode sim. E muito. – disse Abi, com seu costumeiro olhar inquisidor.
- Sesshoumaru, filho, vai sair? – perguntou Izayoi, preocupada.
- Hai. Irei à universidade, preciso tirar algumas dúvidas. – o rapaz vestia um leve casaco.
- Hum, não exagere, está bem? Pensei que Hakudoushi estava o ajudando com as coisas da faculdade.
Sesshoumaru deu um leve sorriso. Não importava o quanto amadurecesse ou crescesse, sua mãe sempre o veria como um garoto. Aproximou-se de Izayoi e deu um leve beijo na testa dela; não era sua verdadeira mãe, mas sempre fora a única mãe que conhecera. Sim, tivera sorte por tê-la em sua vida, depois que sua mãe morrera no parto que o trouxe ao mundo.
- Bem, Izayoi, voltarei assim que resolver as minhas pendências. Ah, só mais uma coisa...o que mais sabe sobre a moça que me ajudou, a Rin?
- Ah filho, somente o seu nome... a Kagome-chan que parece conhecê-la melhor... eu gostaria tanto de agradecer à essa moça pessoalmente, Sesshoumaru! Você vai tentar encontrá-la? – a senhora Taishou tinha os olhos brilhantes de esperança.
- Hai. Ja ne, okaa-san.
Assim, Sesshoumaru entrou em seu carro, um sedã prateado, e deu a partida, gostando de sentir a potência do motor de seu Porsche. Logo, pegou seu celular; a voz saiu estóica e grave, como sempre:
- Kagome, é você? Sim, estou bem...escute, estou indo para a universidade, acha que pode demorar um pouco para voltar do seu intervalo? Sim, é importante, você sabe que nunca pediria isso se não fosse necessário. Claro. Nos vemos logo, então. Ja ne.
Desligou e acelerou o carro. Hoje, resolveria de uma vez por todas o que o afligia.
"Hayashi Rin... não importa onde você estiver, eu vou achá-la. Pode esperar."
- Caramba, Rin-chan, foi tão ruim assim? – perguntou Ayame à amiga, enquanto andavam pelo corredor do prédio da Faculdade de Artes e Ciências.
- Mais do que eu imaginava, Ayame-chan...a Yura é horrível! Eu cheguei aquele dia, ainda mal, e ela estava... estava... – a Hayashi enrubesceu.
- Não me diga que... – os olhos da Yamaguchi arregalaram em surpresa – Caramba, nem a Kaguya, aquela insuportável, foi capaz de fazer isso! O que você fez? Sabe que pode delatá-la, não?
- Eu sei que essas coisas não são permitidas nos alojamentos... mas depois que peguei ela com o cara lá no sofá, fazendo... argh! Me tranquei no quarto, e ainda tive que dormir com o fone de ouvido do MP3 no último volume... porque ela fazia questão de ficar gemendo alto! Eca! – Rin torcia o rosto, enojada.
- Pois então, delate a gótica pervertida que tudo fica certo. – reforçou Ayame.
- Não dá, ela me ameaçou... disse que vai tornar a minha vida acadêmica um inferno se eu me meter nos "assuntos" dela. Aquela nojenta!
Logo, as duas entraram em uma das salas para aulas práticas, que consistia em um amplo salão com barras para dança e espelhos em todas as paredes, além de um potente aparelho de som e um telão. As duas já haviam passado pelo vestiário e estavam bem confortáveis para a aula, na qual teriam que mostrar o que sabiam em matéria de balé, para avaliação da professora.
- Bem, chegamos cedo, acho bom começar com os alongamentos... – disse Rin, dirigindo-se a uma das barras para se exercitar – Enfim, é melhor me concentrar nas aulas e esquecer a Yura, uma hora ela vai ter que parar.
- Sei não, espero que você esteja certa... – Ayame estava pensativa.
As duas passaram a falar de assuntos amenos, Rin comentando o quanto estava adorando as aulas de História da Dança, e Ayame reclamando que dança tradicional japonesa não era seu forte. A Hayashi prometeu ajudá-la com isso, visto que teve que se apresentar muito nesse estilo, em sua antiga escola de dança; em contrapartida, a Yamaguchi disse:
- Se um dia precisar de aulas de dança de salão, Rin-chan, pode falar comigo, eu praticava várias modalidades, paralelas ao balé.
- Quem conhece dança de salão aqui? – uma voz irrompeu no salão, já com uma quantidade razoável de estudantes, chamando a atenção de todos.
Ayame ficou sem graça, observando o rapaz alto que se dirigia a ela. "Bonito, mas tem algo nele que..." – ela não pode completar seu pensamento.
- Querida, temos muito o que conversar depois...considere-se uma felizarda, porque eu não dou trela para garota nenhuma aqui, viu? Seu nome é...? – ele perguntou, olhando-a nos olhos.
- Yamaguchi... Ayame. – sentiu-se enrubescer, mas manteve a pose.
- Ora, prazer, eu sou Sakai Jakotsu. – trocaram reverências, mas logo ele deu dois beijinhos na garota, assustando-a – E essa gracinha aqui, quem é?
- É a minha parceira, Hayashi Rin.
- Oi, Rin-chan! – cumprimentou a moça do mesmo jeito com que havia feito com Ayame. Rin parecia um pimentão, de tão envergonhada.
- Você parece ser descolada! – ele olhou para Ayame – Gostei de vocês. Podemos ser grandes amigos, não acham?
Ayame ia abrir a boca para responder, quando a porta abriu e revelou a figura da professora de Técnicas de Dança para todos na sala. Hishodo Hatsuko era considerada e temida por todos os alunos que passavam por ela, tinha fama de difícil, exigente e perfeccionista ao extremo, mas todos ali sabiam que, se alguém tivesse sua aceitação e preferência, teria uma exímia mestra e conselheira. Mas não era fácil. A própria expressão da experiente bailarina mostrava o quão disposta estava em impor provações a seus alunos, principalmente os calouros. Pronunciou-se:
- Ora, ora, o filho pródigo à casa retorna! A que devemos vossa ilustre presença, Sakai-san? – ela encarava Jakotsu, com um meio sorriso na cara.
Logo, toda a atenção da sala estava sobre o jovem rapaz, que resolveu não deixar barato:
- Sim, Hishodo-sensei, voltei bem da minha viagem aos EUA, não se preocupe! Aprendi bastante por lá e estou disposto a aplicar meus novos conhecimentos em vossa aula, se assim permitir. – Jakotsu fez uma mesura exagerada.
- Hum, realmente aprendeu algo decente por lá, além daqueles ritmos americanos? Muito bem, Sakai-san, espero que aproveite o seu primeiro ano novamente. Mas deixem que me apresente – ela fez um movimento gracioso em sua reverência – meu nome é Hishodo Hatsuko, devem ter ouvido algumas coisas a meu respeito e já digo que a maioria é verdade, mas cabe a vocês descobrir isso neste semestre que temos pela frente. Agora, gostaria que se apresentassem, dizendo nome, idade e o que vieram fazer aqui.
Todos fitavam a mestra, assustados. Ela sabia ir direto ao ponto.
- E vamos começar logo com isso, porque depois... devo avaliar a dança de cada um. Individualmente. – ela disse isso com um sorriso maroto, antes de dirigir-se à sua bolsa, de onde retirou um caderno de fichas.
- Isso realmente será assustador... – comentou Rin com Ayame e Jakotsu.
A ruiva apenas assentiu com a cabeça. Do rapaz, pôde distinguir as seguintes palavras, cuidadosamente sussurradas:
- Você ainda não viu nada, meu bem.
Ele estava um pouco confuso, mas mesmo assim, andava a passos firmes pelos corredores do prédio que lhe fora indicado. Ela deveria estar em aula no momento, pelo que pôde checar no mural da secretaria dali; não fora difícil achar o nome dela entre tantos outros, afinal, as informações para os calouros estavam mais do que acessíveis – não apenas para eles, para sorte dele.
Considerava-se um homem seguro de si, observador, cujo poder de análise lhe dava todo o domínio da situação a enfrentar. Entretanto, o que vivera e fizera há alguns dias atrás surgiu como uma grande incógnita, uma grande exceção. Sara ainda mexia com ele, mesmo depois de tanto tempo de ausência? Não, não era ela quem o fizera sofrer, mas o tamanho de seu orgulho. Não aceitava ser passado para trás daquela maneira.
"Enfim, agora estou livre e solto, não preciso mais me preocupar com um fantasma... mas deveria ter me controlado. Ou será que, pelo menos uma vez... eu queria realmente me alterar?" – ele pensava. Nem mesmo seu próprio comportamento fugia de seu instinto analítico, racional.
O rapaz de semblante estóico sentou-se em um banco que ficava no meio do corredor, fitando a porta da sala onde a pessoa com quem queria falar supostamente estaria; retirou o jornal do dia de sua pasta de couro, ajeitou a armação dos finos óculos em seu rosto, e começou a ler. De tempos em tempos, podia ouvir uma voz firme ditando comandos entre as notas da música clássica, que invadia o recinto. Poderia até ser relaxante, se não estivesse, de certo modo...
"Ansioso? Por kami, o que está havendo comigo? Só vim para conhecer a tal Hayashi, agradecê-la e sumir de sua vida. Essa aula não acaba nunca?" – voltou a fitar a porta, cheio de intenção.
Qunado tencionou levantar-se, a porta dupla foi aberta, dando passagem a vários rostos novos, na maioria femininos, cujas feições demonstravam surpresa ao ver alguém como ele por ali. Resolveu deixar o fluxo de pessoas diminuir, para dirigir-se à sala. Logo uma mulher madura, que intuiu ser a professora, saiu da sala, seguida por seu assistente. Aproximou-se.
Parou próximo ao batente, e pôde ouvir as vozes lá de dentro:
- Mas Rin-chan, tem certeza que você vai arrumar a sala sozinha? É muita coisa! – dizia uma moça ruiva, com dois rabos-de-cavalo.
- Deixa, Ayame-chan, eu me ofereci, já que para mim essa aula foi um fiasco. Assim posso compensar um pouco meu desempenho. – uma moça morena retrucava, meio desanimada.
- Que é isso, querida, você foi muito bem! Não se deixe intimidar pela poderosa Hishodo, ela pega pesado com quem tem talento! Pode se considerar orgulhosa! – dizia um rapaz cuja voz ele reconhecia, mas ainda não tinha plena certeza de quem era.
- Arigatou, Jakotsu-kun... mas eu realmente quero fazer isso, onegai. – a garota pediu aos amigos.
- Pois bem, mas vamos te esperar para o almoço, tudo bem? – disse a ruiva, com convicção.
- Está certo, não demorarei muito. Vejo vocês no refeitório.
Assim, Sesshoumaru pôde ver melhor os dois que vinham em sua direção, e imediatamente reconheceu o irmão mais novo de Bankotsu; tratou de esconder-se em algum lugar, não queria que Sakai Jakotsu espalhasse rumores ao seu respeito. Como se o que acontecera há alguns dias atrás não fosse o bastante.
- Droga, mas só ficou esse CD aqui? E eu queria treinar mais um pouco... – ele ouvia a garota falar consigo mesma – Ah, vai esse mesmo...
Logo reconheceu a música, era da trilha de um filme de vampiros que andava fazendo muito sucesso... (N/A: sim, é a música do capítulo!) mas o que a garota estava fazendo? Decidiu entrar na sala, que mal poderia fazer?
Não esperava pela cena que o aguardava; ali, naquela sala, havia uma fada dançando pelo piso de madeira. Dançando? Não, ela flutuava; apesar da baixa estatura, ela tinha um corpo de talhe delicado, e parecia ser bem flexível, pois estendia as pernas e braços com leveza e graciosidade extremas, sem aparentar nenhum esforço. Ela vestia um collant de dança branco, com uma saia de tecido leve em tom rosado, meias três quartos brancas e sapatilhas de balé também na cor rosa. Seus cabelos castanhos estavam presos em um rabo-de-cavalo, e o efeito que as madeixas faziam quando ela se movimentava... ele não conseguia tirar os olhos dela, por mais que quisesse.
Encostou-se no batente da porta, e esperou que ela terminasse de dançar. Uma coisa era certa. Eles precisavam muito conversar.
E agora, gente???? Que vai rolar na tão esperada conversa? Quero a opinião de vocês! Bjs!
