Olá! Para quem lia esta fic com frequência, sabe que eu sumi, mas nunca esqueci da fic e da minha intenção de terminá-la – tanto esta quanto minha outra fic de InuYasha, também publicada neste site. Bem, tive alguns problemas de saúde, outros de tempo mesmo, fora um bloqueio criativo tremendo que me assolou por 2 anos! Mas agora pretendo retomar a escrita, e me comprometo a escrever um capítulo por semana, para dar andamento à trama!

Disclaimer: Todos os personagens de InuYasha são da Takahashi-sensei, e sempre serão...

Música de inspiração do capítulo:

- Who's That Chick, David Guetta feat. Rihanna.

CAPÍTULO 7 – APROXIMAÇÕES

Ela dançava despreocupadamente, totalmente alheia da presença que a observava do batente da porta da sala de aula. Lentamente, ele foi se aproximando, quieto como um predador... e era assim mesmo que ele se considerava no momento, à caça de respostas, e não deixaria aquela menina escapar. De jeito nenhum.

Ali, ela flutuava como um pássaro, uma borboleta, tamanha a leveza e fluidez de seus movimentos; Sesshoumaru percebeu que ela estava de olhos fechados, por isso ainda não percebera sua presença. Resolveu revelar-se antes que assustasse a garota, já pressentia que deveria tê-la assustado o suficiente devido ao modo que ela o encontrara na fatídica noite em que fora assaltado, e terminara no hospital.

- Sumimasen, senhorita, você seria Hayashi-san? – ele assegurou que sua voz ecoasse em um volume mais alto que a música que ela dançava.

Em um movimento brusco, mas não menos gracioso, ela girou para encará-lo, alertada pela voz grave atrás de si. O Taishou, geralmente bom em ler as pessoas ao seu redor, não pôde discernir a torrente de emoções que parecia manifestar-se nos olhos dela. Reparou como ela era pequena, aparentemente frágil, inocente, mas havia algo nos olhos dela que ela não conseguia identificar... ainda.

- Hayashi-san? Meu nome é Taishou Sesshoumaru, prazer em conhecê-la – disse ele, fazendo uma reverência curta e sóbria – soube que a senhorita me ajudou há alguns dias atrás, gostaria de conversar um pouco sobre isso, caso seja possível.

Rin não podia acreditar que ele estava ali, na sua frente, todo educado, bem vestido, e sóbrio – sim, como ele tinha uma voz segura e suave quando estava sóbrio! Bem diferente do desespero e malícia que transparecia nas falas incoerentes dele naquela noite esquisita. Muita coisa passava pela mente dela, até parar na cena em que ele a enlaçava em seu colo, no modo que ele a tocara...

"Não, chega disso, Rin!" – ela balançou a cabeça de um lado para o outro, como se pudesse afastar o pensamento com tal ato.

- Algo errado, Hayashi-san? – ele parecia realmente intrigado pela falta de palavras dela no momento.

- Pra- Prazer em conhecê-lo, Sesshoumaru-sama. E, sim, sou Hayashi Rin, e o levei para o hospital há alguns dias atrás. Sente-se melhor? - ela perguntou, com um meio sorriso, mas com uma preocupação genuína pela saúde dele.

- Sim, estou muito melhor, domo arigatou. Se a senhorita me permitir, gostaria de lhe fazer algumas perguntas sobre aquela noite...

Rin arregalou os olhos. Será que ele se lembrara do que fizera a ela? Será que iria pedir desculpas? Ou simplesmente suborná-la para que não revelasse nada a ninguém? Sabia que ele era um homem de posição, provavelmente não queria ver sua reputação manchada por aí, por causa de uma simples caloura como ela...

Sesshoumaru notou a mudança no olhar dela, sim, algo havia acontecido naquela noite que ele não se lembrava, também, havia propositalmente se colocado em um papel ridículo, principalmente para um Taishou. Quer dizer, pelo menos para ele, no caso de Inu-Yasha, ele não se garantia!

- Cla-Claro, Sesshoumaru-sama gostaria de se sentar? Infelizmente esta é uma sala de aula prática e não existem cadeiras, sentamos nos tatames, mas posso buscar uma cadeira na sala ao lado...

- Eu estou bem, Rin-san – ele a interrompeu com cautela – não há necessidade de sentarmos, a não ser que a senhorita queira tomar um chá ou café comigo assim que terminar aqui?

- Bem, eu tenho que arrumar a sala, podemos conversar enquanto isso, tudo bem? – ela parecia meio tímida, mas estava disposta a conversar, o que ele considerava muito bom.

Ele concordou com um breve aceno de cabeça, e percebendo que ela começara sua tarefa, resolveu ajudá-la enquanto puxava assunto:

- Rin-san, além de agradecê-la por sua ajuda, gostaria de dizer que sei que não fui encontrado em meu estado normal. Portanto, também agradeço pela sua discrição, minha família tem uma reputação a zelar, e eu, como o primogênito, também a tenho... – ele começou, mas foi interrompido por ela.

- Sim, eu conheci seu irmão, o Inu-Yasha-san... e também Kagome-san e todos os outros que o senhor conhece – ela sorriu – todos o consideram muito, Sesshoumaru-sama. Quando perceberam que estava desaparecido, nos dividimos para procurá-lo. Na realidade eu o encontrei por acaso, estava voltando do toalete para prosseguir na busca, quando vi o momento em que foi assaltado. E esfaqueado. Mas não havia um policial ou segurança por perto... – ela abaixou a cabeça, apreensiva.

- Me disseram que haviam marcas de luta em mim e na cena do crime. Eu lutei com os bandidos, Rin-san? – ele foi direto.

- Si-Sim... – Rin não queria revelar que além dos bandidos, os dois haviam lutado um pouco, mas sabia que mais cedo ou mais tarde, ele iria desconfiar. Ele poderia parecer tudo, menos burro ou desatento.

- Foram eles que me bateram e esfaquearem, estou certo disso, mas Rin-san, o médico me disse que eu estava sob efeito de algum sonífero, ou sedativo. Eles me drogaram? A senhorita poderia me esclarecer os fatos daquela noite?

Pronto! O que ela faria agora? Revelaria o acontecido e nunca mais teria coragem de encará-lo? Ou contava tudo e deixava que ele tirasse suas próprias conclusões?

"Kami-sama, protegei-me... que eu faço agora?" – pensava Rin.

- B-Bem, eu estava passando quando vi que o senhor estava sendo abordado por eles – não quis revelar que ficara com medo dele quando passara pelo estacionamento – vi quando se defendeu com a garrafa, e a luta com os assaltantes. O senhor esfaqueou um deles primeiro, em legítima defesa, e depois foi rendido e esfaqueado também...

Sesshoumaru surpreendeu-se; sabia que não tinha sangue de barata, mas enfrentar dois ladrões dessa maneira? Onde estava com a cabeça? Poderia ter morrido!

- Eles então me drogaram para que eu parasse, Rin-san? Por que não levaram o carro e o resto então? – ele estava cada mais mais perplexo com sua própria falta de decoro. Aquela maldita Sara...

- Na verdade, fui eu que o sedei, Sesshoumaru-sama. E-Eu tenho um chaveiro com um dispositivo de defesa... que usa gás sonífero...

- Foi você? Mas por quê? Não me diga que...

Ele então se lembrou do cheiro que sentira, um cabelo macio. Era ela, só poderia ser! Mas, que fizera para ser sedado pela menina?

- Hayashi-san, eu a machuquei? Fiz alguma coisa que a ofendesse? – ele foi direto, sua expressão mais estóica, impossível.

- NÃO! – ela arregalou os olhos, sobressaltada – Di-Digo, o senhor estava ferido, e muito agitado depois que foram embora, eu tentei me aproximar e ajudá-lo, mas o senhor estava muito arredio, tive que usar o sedativo para acalmá-lo!

"Porque estou mentindo? Ele poderia pedir desculpas e todo o meu embaraço iria embora... ou não, acho que seria pior se ele soubesse! Pode pensar que eu sou uma dessas moças fáceis por aí... ou que quis me aproveitar dele, mesmo sendo o contrário! Vou manter essa versão, provavelmente não irei vê-lo mais, então, não faz diferença... além do mais, ele é tão sério... também irei... protegê-lo... de si mesmo..." – Rin não sabia porque, mas conversando com o rapaz a sua frente, sentiu o quão mortificado ele ficaria se soubesse de seu comportamento naquela noite.

- Então, a senhorita teve que me sedar? Eu estava tão bêbado assim? – ele pensava no papelão que causara.

- Hai, bêbado, ferido, e... o senhor parecia estar profundamente magoado...

- Como assim? – o rosto dele se transformou – Este Sesshoumaru disse algo à senhorita?

Ele a encarava e estava cada vez mais próximo, como um predador nato. A frieza nos olhos dele a assustou, e ela resolveu dizer o que sabia:

- O senhor falava de uma moça. Não sei o nome dela, e com todo respeito, não quero saber, deve ser algo pessoal. Não sei porque o senhor estava lá naquele estado e sinceramente, não queria me envolver, mas quem disse que eu consigo? - ela deu uma risadinha nervosa.

Ele simplesmente passou a encarar a parede, pensativo. Depois disso, aprumou o paletó e pegou sua valise, apoiando-a na mesa mais próxima e passando a procurar por algo dentro dela. Rin aproximou-se, curiosa; foi quando reparou que ele assinava um cheque.

- Hayashi-san, creio que essa quantia não chega nem perto de expressar a gratidão que tenho pela senhorita, por ter salvo a minha vida, e por manter sua discrição em relação à situação toda. Sinto muito pelo trabalho que lhe causei, espero que isso possa recompensá-la em pelo uma fração da nobreza de seu gesto perante minha pessoa. – ele estendeu o cheque à uma atônita Rin.

"Mas o quê... MAS QUE QUANTIA ABSURDA É ESSA?" – a Hayashi quase caiu para trás ao ver a gorda soma que aquele rapaz a oferecia.

- Iie... não, não posso aceitar isso, Sesshoumaru-sama! De maneira alguma! – ela estendeu o papel de volta para ele.

- Acha que o valor está muito baixo? Podemos resolver isso! – ele puxou o talão da valise novamente, mas tudo o que ganhou foi um olhar revoltado da parte dela:

- Uma vida não tem preço, Sesshoumaru-sama! Desculpe se estou sendo rude, mas creio que não poderei aceitar NENHUMA quantia vinda do senhor ou de quem quer que seja. Agi de boa-fé, e honestamente, o senhor deveria acreditar um pouco mais no desinteresse das pessoas. Não quero seu dinheiro, queria apenas saber se está bem. Pelo visto sim, e já fico muito grata com isso. Portanto, se já acabou – ela rasgou o cheque na frente dele – eu preciso ir, meus amigos me esperam. Com licença. Apague a luz quando sair, onegai.

Rin apanhou sua mochila e saiu da sala em direção aos vestiários praticamente correndo, e bufando de raiva. Quem ele pensava que era? Só porque era um figurão dos negócios, um homem bem apessoado e de família rica, ele achava que podia comprar a gratidão das pessoas? Só se fosse no mundo em que ele vivia! E do qual ela, Rin decidamente, queria ficar longe!

Enquanto isso, um certo Taishou não acreditava na cena que presenciara há pouco. Além de salvá-lo, aquela moça o enfrentara sem pudor algum, coisa que pessoas mais velhas e de maior posição que ela, uma mera estudante, nem ousavam fazer! Quem era aquela criatura? Ele precisava descobrir mais dela... riu, ao considerar seus pensamentos:

"Eu vou saber quem é você, Hayashi Rin, ah se vou! Ou não me chamo Taishou Sesshoumaru!"


No "Western Lands Night Club", a rotina de trabalho estava intensa, com a ausência de Sesshoumaru no estabelecimento, todos faziam o seu melhor para manter tudo em ordem. Após suas respectivas aulas, Inu-Yasha, Kagome e Miroku dirigiram-se para o clube (depois dos dois rapazes conseguirem a permissão de Inu-Taishou para trabalharem para a Cia. Taishou enquanto estavam por ali também) onde, no salão principal, Eri, Ayumi, Yuka e Sango ensaiavam, embaladas pelos ritmos mixados pelos DJ's do local, Houjo e Kouga.

- Pena que a Eri-chan vai se casar, ne, Inu-Yasha? – perguntou Miroku, com cara de desapontado.

- Uma a menos para você cantar, Miroku? Ops, desculpe! Esqueci que você já levou um fora dela também! Hehehehehe! – Inu-Yasha brincava com o amigo.

- Hunf! Não é disso que estou falando! Afinal, ela vai se casar e ir embora, pois o futuro marido não quer que ela continue trabalhando aqui, o que é uma grande contradição, já que ele a conheceu exatamente neste lugar! – Miroku falava com um certo ar de indignação.

- Bem, ele está certo, não? – Inu-Yasha verificava as pastas com as cotações de pedidos de compras de bebidas e outros insumos – Ela não precisa continuar dançando aqui se vai se casar com um cara disposto a bancá-la...

Nesse momento, Miroku abstraiu tudo o que o amigo dizia. No palco do "WeLands", como os funcionários carinhosamente chamavam seu local de trabalho, uma bela moça morena com um rabo-de-cavalo alto, legging vermelha, tênis e top preto começava a ensaiar seu número de dança (N/A: com a música do capítulo!). Sango sempre dançava com um olhar altivo mas simpático, concentrada no que estava fazendo; a parede oposta ao palco era de espelhos, o que ajudava muito as dançarinas – ou atrapalhava, no caso das mais inseguras. Mas ela estava habituada com os espelhos, pois sempre gostara muito de ginástica artística, e sempre incorporava elementos da mesma em seu trabalho no clube. O resultado era um número objetivo, intenso, enérgico.

Miroku particularmente adorava ver todas as meninas dançando, mas Sango... ela era diferente. Ela não se insinuava, e no entanto, conseguia ser mais natural e mais provocante do qualquer uma ali; na visão dele, ela era a mais curvilínea de todas das dançarinas do "WeLands", e a que causava maior impacto visual nas apresentações. O clube, apesar do nome, tinha uma veia burlesca, e as meninas dançavam para entreter as pessoas quando a pista não estava aberta, ou para animar as coreografias quando Houjo e Kouga tocavam para fazer os frequentadores do clube se mexerem ao som de suas batidas e remixes.

Ele continuava olhando para ela embevecido, quando as outras moças juntaram-se à morena no palco para ensaiar o número conjunto. Nisso, o jovem Miyamoto assustou-se com a pancada de pasta de papéis que levava na cabeça:

- Por acaso está me escutando, Miroku? O material de marketing da Sakai Bebidas e daquelas marcas de cervejas e tequila chegou. Você tem que resolver se e como vai usá-los, a Ka-chan ou as meninas podem te ajudar a escolher pontos estratégicos do clube nos quais colocá-los. – Inu-Yasha chamava a atenção do amigo, até espiar pela janela do escritório e ver para onde – ou para quem – ele olhava.

O escritório ficava no andar mais alto, em uma água-furtada acima do mezanino que servia de local para os camarotes; havia uma janela que permitia a quem estivesse no escritório observar o salão principal, com a pista, a cabine de DJ e o bar. Este ficava em uma fenda no palco, o balcão também servia de passarela para as meninas dançarem, caso quisessem. Atrás do palco haviam as cortinas e uma espécie de divisória se abria para dar passagem a elas quando iam se apresentar. As mesas para os fregueses ficavam espalhadas em torno do palco e do bar, e a pista se encontrava mais adiante, em um nível um pouco mais baixo, cercada pela parede de espelhos.

A cabine de DJ ficava à direita do palco e do bar, e ao final da pista, uma escada de madeira retorcia-se em caracol até o mezanino, cujos lados direito e esquerdo funcionavam como camarotes; o escritório ficava acima do lado oposto ao palco, com janelas fumê, preservando a privacidade de quem estivesse no escritório, mas não de quem estivesse fora dele. Era um escritório amplo, onde ele, Inu-Yasha, dividia o trabalho com seu irmão mais velho, Sesshoumaru, e com seus braços direitos, Higurashi Kagome e Miyamoto Miroku.

- Miroku, pára de se torturar, cara... diz a ela como você se sente! – insistiu Inu-Yasha.

- Meu, como assim? Eu já disse! Disse que a respeito, que a acho linda, ela simplesmente me abraçou e aceitou como quem eu sou de verdade! Que mais posso querer dela, Inu-Yasha? – Miroku sentia-se confuso.

- Feh! Quer dizer que nem você mesmo percebeu o que sente por ela? Olhe-se no espelho, Miyamoto! – com isso, o mais novo dos Taishou desabou na cadeira de sua mesa, de certa forma entendendo o que o amigo queria dizer.

Pegou os relatórios e notas de compras, todos impecavelmente organizados e preenchidos devidamente, com a letra DELA. Ela, que agora estava lá embaixo em reunião com Ginta e Hakkaku, os irmãos que trabalham como bartenders do estabelecimento. Ela, que mesmo não querendo, o ajudava a pôr ordem em sua vida, e ao mesmo tempo, virava tudo de ponta cabeça. Enquanto isso, Miroku se ocupava dos materiais de marketing, mas observando o amigo, podia quase ler sua mente; de sua parte, não ofereceria nenum conselho, ao menos por enquanto. Afinal, estava absorto em suas próprias confusões.

De repente, o celular do Taishou tocou; Inu-Yasha viu quem era na bina e já atendeu reclamando:

- O que você quer, Sesshoumaru?

Nisso, Kagome entrou no escritório, chamando a atenção de Miroku:

- Miroku-kun, por acaso você ainda tem ingressos de cortesia para a noite de amanhã? Preciso de dois, urgente!

- Ih, Ka-chan, preciso verificar se o chefe libera... para quem seria?

- Ah, quanto a isso não se preocupe, foi o próprio chefe quem me pediu isso pela manhã, eu apenas esqueci de comunicar. E seriam pra...

- Feh, Sesshoumaru, você realmente é um grande baka! – disse Inu-Yasha, desligando o celular, e encarando uma confusa Kagome e um desconfiado Miroku.

- Muito bem, Miroku, arrume os ingressos de cortesia que a Kagome pediu, está liberado, e Ka-chan, se prepare para sair em 5 minutos, temos que nos apressar! – disse o Taishou, apanhando o paletó que se encontrava no encosto de sua cadeira, e vestindo-o.

- Mas... para quê, Inu-Yasha? – a moça não estava entendendo nada.

- Para consertar a grande porcaria que meu querido onii-sama acabou de fazer! Vamos lá, minna! Feh!


As aulas do curso de Medicina na Universidade de Tokyo certamente exigem muita atenção de seus alunos, mas um deles em particular não estava prestando muita atenção no professor, e sim lendo um grande volume de medicina natural que havia retirado da biblioteca alguns instantes antes de sua aula começar. Mal sabia o rapaz em questão que estava sendo observado com curiosidade por uma de suas colegas de curso...

Shimizu Kirara deu um grande suspiro: tanto esforço para estar ali, e parecia que tinha tanta gente que não estava nem aí! Um exemplo era aquele rapaz ruivo que conhecera na calourada... qual era mesmo o nome dele? Lembrou-se que mal pôde conversar com ele, devido aos trotes, ao desaparecimento de um amigo da turma que conhecera e à conversa interessante que engatara com o mocinho encrenqueiro, Takeda Kohaku.

Kirara sentiu-se enrubescer; havia algo nele que havia prendido a sua atenção, seria a beleza? O jeito ironicamente sapeca do rapaz ou sua inteligência impressionante? Ela não sabia, apenas dera a ele seu telefone e desde aquele dia, volta e meia trocavam torpedos no celular, e se falavam pouco via chat. Sabia que no momento ele não estaria na universidade, mas sim no trabalho, pois estudava no período noturno.

Sentiu-se meio mal por estar pensando nisso ao invés de se concentrar na aula, pelo menos o ruivinho estava ocupado com alguma leitura que parecia proveitosa. Na real, ele parecia ser tragado pelo livro. Seus pensamentos foram rompidos pelo sinal avisando que a aula acabara. Anotou rapidamente a bibliografia para a próxima aula em seu notebook, e passou a guardar suas coisas; ainda teria que passar na petshop antes de ir para casa.

Shippou mal percebeu quando a aula acabou; desligou seu gravador digital e fechou o notebook, esperando que ninguém percebesse o quão desatento estivera; marcou a página do grande livro que lera, e estava saindo da fileira de carteiras onde estava, quando esbarrou em uma linda moça loira.

- Gomen ne, com licença, eu a conheço, senhorita? – ele perguntou, educado.

- Hai – ela respondeu, sorridente – sou Shimizu Kirara, nos conhecemos na calourada, mas mal conversamos... gomen, mas não lembro o seu nome...

- Yoshida Shippou, ao seu dispor. Então frequentaremos a mesma sala, Shimizu-san? – ele parecia amistoso.

- Pois é, mas essa não não parecia muito interessante, Yoshida-san... percebi que estava entretido com seu livro – ela apontou para o volume embaixo do braço dele – e eu mesma confesso que não estava muto presa ao assunto...

- Eu gravei a aula toda. Aquele professor deve ser novato, não consegui sentir firmeza nele. Além do mais, é Citologia Básica, nada que algum tempo na biblioteca e umas pesquisas na internet não resolvam. O que foi, falei bobagem?

Kirara sorria. Então ele havia prestado atenção na aula? Ela sentia-se envergonhada, afinal só pensara no que ele poderia estar lendo e em... Kohaku. Sentiu-se enrubescer novamente, o que foi percebido por ele.

- A deixei sem-graça? – ele perguntou, com um tom brincalhão – Ou está pensando no namorado?

A questão a deixou ainda mais vermelha. Nesse momento, seu celular tocou. Levou um susto ao ver quem era, bem naquela hora. Sem pensar, atendeu ao telefone e segurou Shippou pelo ombro, entrando com ele na primeira sala vazia que encontrara.

- Moshi moshi? Olá, Kohaku-san, como vai?

A moça fazia gestos para um confuso Shippou, que foi até o quadro branco próximo à porta e escreveu perguntando a ela o que estava acontecendo.

- Estou bem, sim, minha aula acabou há pouco tempo.

Kirara respondeu escrevendo que não podia atender o telefone em público (N/A: no Japão, é falta de educação atender o celular em locais públicos.), mas que não queria perder a companhia dele, portanto, o arrastara junto com ela para a sala vazia. O rapaz apenas deu um sorriso malicioso, e voltou a escrever no quadro.

- Ah claro, também gostei de conversar com você esses dias... como? Nos encontrar pessoalmente? – ela ficou surpresa com o convite do Takeda.

Nesse instante, Shippou a cutucou, apontando o quadro com um sorriso maroto. Ela sorriu de volta para ele quando leu a pergunta: "Vai me dizer agora que não estava pensando no namorado?"; e com dedos ágeis, respondeu: "Ele não é meu namorado, é apenas um amigo que quer me encontrar.". Shippou não deixou barato e perguntou: "E para onde ele vai te levar?".

- Amanhã, mas onde? Não, já ouvi falar nessa boate mas nunca fui lá...

Ela escreveu: "Em uma boate badalada da cidade."; no que o ruivo rapidamente retrucou: "Amigo, sei! Só se for da sua parte, ele vai dar em cima de você!".

Kirara suspirou fundo. Sabia que Shippou estava certo e, por mais que tivesse apreciado Kohaku, não queria correr o risco de ir com muita sede ao pote ou acelerar as coisas – nem sabia o que ele queria com ela (e vice-versa), por Kami! Então, teve a brilhante idéia.

Pegou a caneta pincel das mãos de Shippou e escreveu, determinada: "Você vai comigo, Shippou-san?"

- Só um instante, Kohaku-san... eu até posso ir, mas provavelmente levarei um amigo, está bem? Preciso apenas confirmar com ele aqui...

Shippou olhava para ela, surpreso; era a primeira vez que uma mulher o chamava para sair de forma tão direta. Ela olhava para ele com cara de coitadinha, com as bochechas vermelhas, dizendo apenas com os lábios: "Onegai..."

Ele não pôde recusar aquele convite, mesmo sabendo que sairia para acompanhá-la, de vela. Concordou com a cabeça e ela prontamente abriu um grande sorriso.

- Certo, Kohaku-san, amanhã à noite, vamos eu, você e meu amigo. Sim, pode me buscar... depois passo o endereço... este horário está bom. Até mais então!

Assim que desligou o telefone, ela soltou o ar que não sabia que estava prendendo, e automaticamente abraçou o ruivo a sua frente, rindo. Shippou ficou desconcertado, não esperava uma reação dessas... mas ela parecia feliz...

- Arigatou, Shippou-kun! Posso lhe chamar assim? Te devo uma bem grande... mas não se preocupe, vou compensá-lo por isso!

- Mesmo? - ele sorriu – Como?

- Bem, eu não sei... tem algum animal de estimação?

Ele balançou a cabeça negando. Ela fez uma careta, pensando no que mais poderia oferecer além de seus serviços na petshop. Logo sentiu que o ruivo se aproximara dela, encarando-a.

- Sei o que pode fazer por mim, Kirara-chan. Mas não sei se irá concordar com a minha ideia... – ele tinha um sorriso maroto, quase sedutor.

"No que ele estará pensando?" – Kirara o fitou de cima a baixo, com um olhar questionador.

Como se adivinhasse os pensamentos da moça, apenas foi até o quadro, apagou a conversa deles e a puxou para fora da sala. Foram andando juntos pelo corredor, e ao chegarem na porta do prédio, ele disse:

- Amanhã estabeleço as minhas condições... por gentileza, me passe seu endereço e horário do encontro para que eu possa chegar antes do seu pretendente.

- Hai. – ela disse, desconcertada. No que fora se meter? – Shippou-kun, não seja rígido demais, está bem? Eu não sei se...

- Calma, Kirara-chan, não é nada demais e acho que você pode apreciar a situação tanto quanto eu. Mas vou pensar em tudo direitinho e depois falo com você. Até amanhã, sim? – ele fez uma reverência e se afastou.

- Até amanhã... – ela repetiu, confusa. Em sua mente, apenas uma questão se formava:

"Kami-sama! O que será que ele vai aprontar?"


Naquela tarde, dois jovens apreciavam uma paixão que tinham em comum juntos: a dança. O rapaz reservara uma sala para treino e levara a jovem ruiva consigo, para que eles pudessem trocar algumas ideias e dividir algumas de suas experiências. Isto era novo para Jakotsu, que geralmente procurava se afastar dos outros dançarinos de sua turma por sentir que ninguém tinha algo a acrescentar a ele, de fato.

Mas aquela garota era diferente; observou enquanto ela dançava para a avaliação de Hishodo-sensei, na frente da sala toda, sua extroversão e feminilidade características em seus movimentos. Ela era livre, segura de si e não tinha medo de mostrar do que era capaz. Exatamente o tipo de pessoa que ele gostava, e com quem desejava cultivar uma amizade sincera. A amiga dela, Rin-chan, também era assim, mas tratava-se de um diamante a ainda ser lapidado. Enquanto Ayame mostrava paixão, calor e vigor em sua dança, Rin mostrava uma técnica, fluidez e leveza impecáveis, ela apenas precisava de mais autoconfiança, nada que não pudesse ser trabalhado em uma dançarina tão boa.

Para Sakai Jakotsu, a dança não era brincadeira, era um estilo de vida. Durante o almoço, teve a chance de conversar bastante com Ayame sobre isso, e percebeu que ela partilhava de sua visão, da própria maneira dela. Sentiu-se à vontade com a garota como há muito tempo não se sentira com uma pessoa do sexo feminino, portanto, resolveu preservar a amizade que ali começava a nascer. Nem com seu irmão mais velho, Bankotsu, pôde conversar de modo tão livre, pois sabia que por mais que ele não se intrometesse em seus gostos pessoais, seu aniki não seria capaz de entender como ele vivenciava sua maior paixão.

E agora estavam os dois ali, dançando um ritmo bem inusitado: salsa. Ayame se esforçava para ensinar os passos básicos para seu novo amigo, e os dois riam juntos a cada sequência aprendida. Mas havia algo que não estava muito certo ali...

- Jakotsu-kun, você tem uma ótima ginga e memoriza bem os passos, mas, você precisa me segurar com mais firmeza! – dizia a moça, retomando a posição inicial da dança.

- Mas Ayame-chan, eu estou a segurando como posso... se eu te apertar com mais força vou te esmagar! – ele não entendia onde estava errando.

- Não, não se trata de me segurar com mais força, e sim com firmeza. Permita-me demonstrar...

Assim sendo, a moça assumiu a posição do parceiro e segurou devidamente, apertando-o ao seu corpo pelo ombro esquerdo com suavidade, mas firmeza. Ela começou a conduzi-lo dessa forma, com os corpos ligeiramente separados.

- Muito bem, assim... mantenha seu peso nas pontas dos pés... assim... com movimentos bem sutis... – ela acompanhava o ritmo dele.

Ele olhava para os pés de ambos. Até sentir uma das mãos dela se soltar da sua e alinhar seus olhos com os grandes olhos verdes dela, cruzando seus olhares de modo firme. Jakotsu não soube o porque, mas sentiu-se meio tímido. Percebendo isso, Ayame parou o que fazia e soltou o amigo, sorrindo:

- Isso é o que eu chamo de "a pegada ideal", hehehe! Sei que é um péssimo nome, mas assim fica mais fácil para lembrar. E como em qualquer dança de salão, olhe para sua parceira. Olhar para os pés só atrapalha. – disse ela, sentando no chão, sendo seguida por ele no ato.

- Hum, acho que preciso exercitar mais a minha masculinidade – ele riu – afinal, não é porque sou gay que deixei de ser um cavalheiro, não é mesmo?

- Isso não tem nada a ver, Jakotsu-kun. Eu sei que deve ser mais difícil para você agir de forma sensual com uma garota quando não é bem isso que o estimula, hehehe, mas é tudo técnica, logo você se acostuma. – ela parecia meio sem jeito com o rumo da conversa.

Jakotsu percebeu tal fato, e resolveu brincar com ela:

- Sei, queridinha, tá me chamando de biiiiiicha, é? Mas como sou um Sakai, posso dizer que sou um cavalheiro sim! Muito rica e com muita finesse, viu? – ele exagerou nos trejeitos, propositadamente.

- Hihihihihihihihi, estou certa que sim! Você tem muita classe em sua dança, pude observá-lo enquanto dançava para a Hishodo-sensei... – ela disse despreocupadamente.

- Mesmo? – ele disse, animado – Também estava observando você, garota, você tem talento! E postura! Parece um mulherão dançando!

Ayame sentiu suas bochechas enrubescerem. Nunca ninguém havia dito aquelas coisas para ela, por mais que ela soubesse que era verdade. Abaixou o olhar, só para sentir seu queixo sendo levantado pelas mãos daquele rapaz tão legal, e tão bonito. Ele olhava fundo nos seus olhos, e lentamente foi se aproximando até encará-la bem de perto:

- Nunca acredite no contrário disso, Ayame-chan, você é perfeita dançando justamente por essa segurança que emana de você. Acredite, é algo lindo de se ver. Mais de metade daquela sala precisa aprender a ter essa atitude enquanto dança, e você sabe disso, ne? – ele disse, com voz grave, bem diferente da entonação suave, meio afetada, que geralmente usava.

Ela olhava para ele, boquiaberta. Sim, ela sabia que ele estava certo, mas encarar os fatos assim era bem diferente de tê-los guardados para si, em sua modéstia. E ele havia visto isso nela em algumas horas juntos. Que mais ele perceberia nela a partir de então? Instintivamente, olhou para ele de forma questionadora, sem nunca desviar o olhar. Queria saber mais de si através desse olhar, se fosse possível.

Sem perceber, foram se aproximando, até seus narizes se tocarem, os olhos cravados uns nos outros, suas respirações se misturando. A mesma coisa passava pela cabeça de ambos...

"Tem algo muito errado aqui..." – Ayame e Jakotsu pensavam.

"Mas o olhar dele é tão penetrante!" – ela não conseguia nem piscar.

"Ela tem um cheiro e uma energia tão bons... será que..." – ele não conseguia se conter.

A última coisa que ambos podiam prever é que seus lábios se encontrassem por vontade própria, ali naquela sala, os dois sentados no chão. Ele pôde sentir a maciez dos lábios dela e instintivamente quis mais, a língua tocando a dela, enquanto eles começavam a se beijar, sem pensar em mais nada.

E assim teriam permanecido, se não ouvissem o barulho da porta se abrindo, revelando um casal de morenos, Kagome e Inu-Yasha.

- Aham! – Inu-Yasha pigarreou – Gomen, estamos interrompendo algo?

Os jovens dançarinos caíram em si, percebendo o que estavam fazendo, e rapidamente enrubescendo por conta disso. Para amenizar o clima, Kagome foi direto ao assunto:

- Ayame-chan, Jakotsu-san, estamos procurando pela Rin-chan, sabem onde podemos encontrá-la?

- A Rin não está no campus... ela deixou de ensaiar com a gente agora para procurar um emprego e fazer algumas compras pro apartamento dela no alojamento. Aconteceu algo, Kagome-san? – Ayame levantou-se, curiosa.

- Não, apenas gostaria de conversar com ela e entregar-lhe algo. Ayame-chan, poderia entregar estes dois ingressos para ela, para ir ao "Western Lands" amanhã à noite? Trata-se de uma cortesia, portanto, o único gasto é com o que for consumido por lá.

A ruiva ia perguntar o que era o "Western Lands", quanto Jakotsu intrometeu-se:

- Olha só, convites para uma das baladas mais interessantes da cidade. Eles são válidos apenas para amanhã, Inu-Yasha-san?

- Hai, poderiam entregar os convites à Rin-san, por gentileza? É realmente importante que ela apareça por lá amanhã. – respondeu o rapaz.

- Mas é claro, Inu-Yasha-san... eu também irei, viu? Pode me esperar por lá... – o Sakai insinuou-se para o Taishou.

- Feh! Está bem, Jakotsu, só não esqueça de avisar seu aniki, certo?

- Com certeza! – ele piscou de modo charmoso para o Taishou.

Assim, a Higurashi e o Taishou se despediram, deixando uma Yamaguchi e um Sakai embaraçados, mas igualmente curiosos.

* N/A: O "Western Lands" tem esse nome para referir-se às Terras do Oeste, já que na trama original Sesshoumaru detém o título de "Senhor das Terras do Oeste". E o cenário do clube é inspirado na boate "Ruby's" do filme "Make It Happen", mas claro, com mudanças para se adequar à fic – mas o palco com o bar seria o mesmo, e a posição da cabine do DJ também. Até o próximo capítulo!