Cap. II – A Seleção

O prof. Dumbledore entrou no salão. Atrás dele, dezenas de aluninhos do primeiro ano, todos muito espantados com a grandeza do aposento.

O salão principal era enorme, com as, quatro mesas das casas enfileiradas e a mesa principal no extremo do salão, onde se sentavam os professores. O teto enfeitiçado parecia o céu lá fora.

O professor colocou um antigo, remendado e esfiapado chapéu de bruxo sobre um banquinho, diante da fila de alunos. Um rasgo junto à aba do chapéu se abriu, e ele começou a cantar:


Caros alunos, vocês já conhecem
A triste sina dessa chapéu
Preciso quarteá-los a cada ano
Foi assim que o destino escolheu
Mas me pergunto se essa atitude
Não será a errada a tomar
Se o certo não seria uni-los
Ao invés de tentar separar
Por mil anos esse caminho trilhamos
Por um milênio vos separando
Vi vitórias e derrotas
Vi nascimentos e mortes
Vi muito sangue derramado
Por motivos nada nobres
Mas vi, acima de tudo,
O poder da união
Mantenham-se unidos e fortes
Pois o verdadeiro risco
É o da separação
Avisei a todos, preveni a todos
Iniciemos agora a seleção.

Os alunos mais velhos aplaudiram, mas um murmúrio percorreu as quatro mesas: que raio de canção era aquela? De todos os grupinhos, o que cochichava mais compenetrado era o que ocupava o centro da mesa da sonserina: Tom, Lúcio, Rodolfo, Jefferson e outros.

Mas a um olhar de Dumbledore os murmúrios cessaram. Ele desenrolou o pergaminho que levava, e chamou o primeiro nome:

– Abbot, Jean!

Um garoto louro se adiantou, pôs o chapéu e sentou-se no banquinho.

– LUFA-LUFA! – anunciou o chapéu.

A segunda mesa à direita aplaudiu quando Jean foi juntar-se a eles.

– Black, Narcisa!

Uma loura de marias-chiquinhas se adiantou para experimentar o chapéu.

– SONSERINA!

Sirius revirou os olhos quando Cissy correu para se sentar ao lado de Bellatriz, sua irmã mais velha, também da sonserina.

– Black, Sirius!

O chapéu levou um bom tempo para se decidir a respeito de Sirius, mas finalmente anunciou:

– GRIFINÓRIA!

Com um suspiro de alívio, ele foi sentar-se na mesa à extrema esquerda.

– Brianne, Gisele!

Tremendo da cabeça aos pés, Gisele se adiantou para experimentar o chape, que cobriu seus olhos deixando tudo escuro. Ouvia uma vozinha em sua cabeça, resmungando:

– Hum. Inteligente, mas preguiçosa. Há uma certa ambição, mas também há um coração generoso. Ah, bastante coragem... é, sem dúvida, você pertence à GRIFINÓRIA!

O sorriso de Gi vacilou quando, ainda a caminho da mesa, seus olhos encontraram os de Sirius. Sabia que não ia se dar nada bem com esse garoto.

– Brianne, Guilherme!

Tão nervoso quanto a irmã, Guilherme apertou as bordas do banquinho ao sentar...

– GRIFINÓRIA!

– Clarkson, Maya!
– CORVINAL!
– Dickens, Edward!
– SONSERINA!
– Evans, Lily!
– GRIFINÓRIA!

A vez de Thamiris estava chegando. Seu rosto estava pálido-esverdeado, e suas mãos suavam.

– Logan, Thamiris!

Ela se adiantou tremendo e cruzou os dedos ao colocar o chapéu.

– Você é corajosa, mas nem tanto. Suas ambições não são grandes. Decididamente, a Corvinal está fora de cogitação. Assim, fica fácil demais: LUFA-LUFA!

A garota saiu correndo para a mesa e tropeçou nomeio do caminho quase caindo.

– Lupin, Remo!

Jessica acompanhou com o olhar o garoto que a ajudara no trem. Ele quase sorriu quando Sirius, lá da mesa da Grifinória, lhe fez um gesto de vitória. Colocou o chapéu e...

– GRIFINÓRIA!
– McKinnon, Marlene!
– GRIFINÓRIA!
– Nott, Susan!
– SONSERINA!
– Patil, Marcus!
– CORVINAL!
– Pettigrew, Pedro!

O cara-de-rato experimentou o chapéu. Thamiris cruzou os dedos, implorando aos céus que ele fosse para qualquer casa, menos a sua.

– GRIFINÓRIA!

Ele pareceu realmente espantado com a decisão do chapéu, mas mesmo assim sorriu ao receber os parabéns de Remo e Sirius.

– Potter, Tiago!

Kate viu-se desejando que o chapéu anunciasse que havia um engano, que Tiago Potter era completamente trouxa e que devia tomar o trem de volta para a casa. Mas logo depois que o garoto pôs o chapéu, ele anunciou:

– GRIFINÓRIA!

Tiago foi sentar-se com os três amigos, com um sorriso vitorioso no rosto.

– Riddle, Katherine!

Ela encontrou o olhar de Tom, que parecia encorajá-la, antes que o chapéu cobrisse seus olhos.

– Ora, ora, ora, o que temos aqui... muita sede de vitória, uma boa dose de bravura, inteligência... e uma frieza que beira a crueldade. Garota, você foi feita para a SONSERINA!

Foi sentar-se ao lado do primo, que lhe deu um breve e raro sorriso.

– Snape, Severo!
– SONSERINA!
– Trelawney, Sibila!
– LUFA-LUFA!
– De Puystyer Van Der Kuyper, Ewerton!
– Perda de tempo – disse o Caverna para Jessica, que estava a seu lado. – sei que vou para a Sonserina...

Ele se adiantou, experimentou o chapéu e...

– LUFA-LUFA!
– Ei, espere aí, deve haver um engano...

O Caverna teve que se arrastado para a mesa da Lufa-lufa para que fosse dado seguimento à seleção.

– Willianson, Jéssica!

Jéssica engoliu em seco e se adiantou. Mordeu o lábio com força quando o chapéu cobriu seus olhos.

– Bastante inteligência. Muita coragem. Há uma certe vontade de se provar... muita racionalidade... Sonserina não? Então você vai para a CORVINAL!

Aliviada, Jéssica sentou-se ao lado de uma garota loura de cabelos mal-cortados.
Na mesa da Lufa-lufa, Ewerton de Puyster Van Der Kuyper, o Caverna, parecia desolado.

– Quero dizer, toda a minha família é de sonserinos, isso está errado, eu não sou da Lufa-lufa, eu não posso ser da Lufa-lufa,
– CALA A BOCA, CAVERNA! – berrou Thamiris. Esse apelido ia pegar.

Na mesa da Grifinória, Gisele e Sirius trocavam olhares mortíferos, que eram ignorados tanto pelos amigos dele quanto pelo irmão dela.

– A gente precisa dar uma lição naquele idiota do Snape. – ia dizendo Tiago.
– Eu sugiro veneno – disse Sirius entre os dentes.
– A gente podia enfiar um fogo Filibusteiro aceso naquela napa dele – sugeriu Pedro em voz baixa.
– Sua idéia não deixa de ter mérito, Pedrinho. Mas a gente não quer matar aquele seboso nojento. Só fazer ele passar um pouco de vergonha...
– Vocês vão se dar mal – alertou Remo, distraidamente. Seus olhos esquadrinhavam a mesa mais próxima, a da Corvinal.
– Procurando alguém, Remo? – perguntou Sirius em tom de gozação. – a sua corvinalzinha de olhos verdes?
– Não enche.
– Eu também vi – emendou Tiago maldosamente – só faltou a trilha sonora: near, far...
– ...wherever you are...
– ... you'll be safe in my heart and...
– ... my heart will go on and on...
– Calem a boca.

Os dois riram.

– É por isso que ele tá tão aluado...

O "assunto" da conversa dos quatro estava sentada de costas para eles, conversando com Celine Todd, a garota loira de cabelos sujos e sem corte, que acabara de embarcar numa longa explicação sobre bufadores de chifre enrugado.

– É verdade! – assegurou ela, ao perceber o ar descrente de Jéssica – foram registradas aparições em Rovno, Lutsk, Stanilav, Ushgorod e até nos arredores de Kiev, na época da migração!
– Hum...
– Eu acredito plenamente em você, Cel- disse um garoto sentado diante delas. Tinha cabelos também louros, e olhos saltados de um azul claro quase prateado – acho que ainda não me apresentei, sou Serafim Lovegood.
–Jéssica Willianson.

Ela estava apreensiva, talvez a tivessem mandado para a casa errada, pois na mesa da Corvinal só parecia Ter loucos. A algumas cadeiras de distância, uma garota asiática de longos cabelos negros vangloriava-se de estar saindo com Amos Diggory.

– Nossa, mas você gosta de apanhadores, hein, Chang?
– Eu gosto de apanhadores muito bons, querida!

Jéssy voltou para a conversa com Lovegood e Todd. Não queria ficar assistindo àquela garota se mostrando para qualquer um que visse.

Na última mesa, na outra ponta do salão, Tom parabenizava, muito timidamente, o que era de se espantar, sua prima:

– Ahn... Parabéns por ter sido mandada para a Sonserina...
– Valeu. – respondeu Kate observando o salão. Todos, agora, conversavam, cada um a seu modo e tom. Gi com seu irmão; Thamy gritava o tempo todo com Caverna e Jéssy fingia prestar atenção nos dois seres de aparência estranha que a rodeavam.

Kate, por outro lado, não conversava com ninguém. Todos em sua mesa pareciam tão... ela não pôde descrevê-los.

O único que tinha real confiança em si mesmo e sabia o que significava, na verdade, ser um bruxo, era seu primo.

Depois de muito tempo em que todos os alunos comeram, cada grupo de calouros foi levado pelos seus respectivos monitores para os Salões Comunais de suas casas. Tinham que ir dormir, pois tinham aula no dia seguinte.