Chegamos ao terceiro capítulo... e já vou avisando que o quarto só vem depois de, no mínimo, 15 reviews!!! (

Cap. 3 – Um pacto

Jéssy desceu as escadas aos saltos, enquanto equilibrava uma pilha de livros nos braços, os ombros curvados pelo peso da mochila. No último degrau, tropeçou e os livros caíram com um estrépito no saguão.

- Calma, Jéssy! – veio uma voz da escada que descia para as masmorras.

Kate estendeu a mão e ajudou-a a levantar. Os olhos claros da corvinal a examinaram veladamente. Ela riu.

- Que foi?
- Ah, é que...
- Vai, pode falar, é porque eu fui pra Sonserina...

Jéssy sorriu e desviou o olhar.

- Bom... hum... é.
- Ah, vai, sonserinos não são monstros. Bom, nem todos. Só alguns.

As duas riram e começaram a pegar os livros. Quando se levantaram, mal tiveram tempo de sair do caminho ao ouvir um berro:

- SAI DA FRENTEEEE!!!!!!!

Tham desceu os cinco últimos degraus da escada quicando o traseiro no chão e tomou um tombo espetacular ao cair de bruços no saguão. Uma risada alta fez-se ouvir no topo da escada.

- DEIXE A THAM EM PAZ!

Um olhar malicioso e irônico apareceu no rosto de Tiago Potter.

- Eu não sabia que você defendia emos choronas...
- EU NÃO SOU EMO! – gritou Tham se levantando furiosa.

Tiago gargalhou. Kate puxou a varinha.

- Você é muito valente pra enfrentar a coitada da Tham. Quero ver se é grifinório o suficiente pra ME enfrentar!
- Pois não, Riddle!

Ele terminou de descer a escada deslizando pelo corrimão e saltou bem em frente dela, de varinha em punho. Jéssy imediatamente agarrou as vestes de Kate.

- Por favor, briga não...
- Me solta! Eu vou arrebentar esse idiota, nem preciso da varinha, EU VOU MATAR ELE COM AS MÃOS!
- SOCORRO! – gritou Jéssy
- PEGA ELE! – berrou Tham

Tiago guardou a varinha e entrou no salão, rindo. Kate gritou:

- Eu ainda te pego, Potter!

Ela parou de se debater, mas só pro precaução, Jéssy não soltou-lhe a capa até Tiago ter entrado no Salão Principal.

- Pronto. Pode me soltar.
- Posso mesmo?
- Pode.

Enquanto Kate resmungava pragas terríveis contra Tiago, e Jéssy via se Tham estava bem, uma outra voz (e por sinal, bem mais agradável) chegou até elas:

- Ih... acho que perdi alguma coisa...
- Perdeu mesmo – disse Kate para Gi, que saltou os três últimos degraus para se juntar às amigas – quase arrebentei o Potter de pancada. Se a Jéssy não me segurasse...
- ...você estaria tomando o trem de volta pra casa a essas horas. – completou a corvinal.
- Então seríamos duas – garantiu Gi – é numa hora dessas que eu não queria ser da Grifinória...
- Por quê? – perguntou Jéssy.
- Porque o Salão Comunal é um pesadelo com aqueles dois...
- Que dois? – perguntou Tham aereamente, seus olhos estavam fixos no garoto que descia a escada.

Sirius Black parou bem próximo de Gisele (que pareceu estremecer de raiva) antes de perguntar:

- Alguma de vocês viu o Tiago?
- Aquele descabelado quatro-olhos? – perguntou Kate sem se alterar – no salão.

O garoto afastou a franja dos olhos num gesto um pouco exagerado mas muito bonito, e chegou a abrir a boca para retrucar, mas pareceu mudar de idéia e foi para o salão sem responder. Tham suspirou:

- Ele é tão lindo...
- Mas é tão idiota que parece horrível! – disse Gi olhando enojada para a porta por onde Sirius passara como se ela pudesse lhe transmitir germes.
- Sirius? – perguntou Jéssy, incrédula - Lindo? Tham, acho que não sou só eu quem precisa de óculos...
- O que é isso, clube dos sangues-ruins?

Kate sentiu o sangue ferver. Depois de Potter e Black ela não estava com a mínima paciência para o tal de Ewerton Kuysper... não era Van Puyster... ah, o tal de Caverna!

- Escuta aqui, se me chamar de sangue-ruim de novo eu juro que chamo o meu primo Tom!
- Ei, eu...
- Você nada! Some da minha frente antes que eu te mostre com quantos feitiços se faz um Caverna morto, JÁ!

Ele olhou assustado para Kate, e saiu correndo. Tham e Gi bateram palmas.

- Gente, vocês não têm dó dele? – perguntou Jéssy
- Não! – responderam as outras três em uníssono.
- Eu não tenho paciência com gente idiota – disse Gi, e olhou de esguelha para Tham – quer dizer, com gente idiota DEMAIS.
- Ele é um babaca – disse Tham – Se acha o máximo só porque é de família tradicional.
- E o Tom não gosta dele – disse Kate como se isso encerrasse a questão. Ela pareceu não perceber que Jéssy a examinava preocupadamente – Vamos, não podemos ficar aqui o dia todo!

Foram para o salão, cada uma para sua mesa. Ou pelo menos Gi, Kate e Tham foram, porque Jéssy foi parada por seu irmão à mesa da Sonserina. Jeff segurou-lhe o braço e ordenou:

- Explique-se!
- Explicar o quê? – perguntou ela aparentando calma, mas com o coração batendo descontroladamente.
- Como assim "explicar o quê" – a voz dele se alterava a cada palavra – quero saber porque diabos você não foi para a Sonserina, ora essa!
- Jeff, menos...
- Menos nada! Você envergonhou nossa família, assim como o Sirius! Você...
- Black, chega – a voz de Kate estava tão seca e altiva quanto a de Tom, e Jefferson precisou olhar para se certificar de que não era ele. – Você já falou mais que o suficiente. Já chega.
- Certo.

A mão dele estava insensível quando soltou o braço de Jéssy, que murmurou um "tchau" para Kate antes de ir para a mesa da Corvinal. A outra caminhou ao longo da mesa da Sonserina até encontrar Tom, e sibilou em seu ouvido para que só ele ouvisse:
- Da próxima vez, não esqueça de pôr coleira em seus cãezinhos, primo.

Para os alunos do primeiro ano, as novidades eram tantas e havia tanto para aprender que os primeiros dias pareceram passar num piscar de olhos. Depois do jantar, Jéssy praticamente intimava suas amigas a comparecerem na biblioteca com ela para fazer os deveres, o que acabou virando uma rotina. Bom, na verdade, Jéssy era a única que realmente fazia as lições, porque Tham costumava apoiar o espelho na pilha de livros e ficar penteando a franja, Gi ficava esperando que alguém terminasse a lição para copiar e Kate nem se dava ao trabalho de fazer isso, era especialista em dizer "esqueci no dormitório", "minha lição caiu na privada", "fiz tudo, mas perdi o pergaminho" e muitas outras desculpas esfarrapadas na maior cara de pau.

As aulas eram difíceis e exigiam concentração absoluta. Às vezes as garotas se encontravam: Grifinória e Sonserina tinham Poções e Transfiguração juntas, assim como Corvinal e Lufa-Lufa, a aula de Herbologia era Grifinória – Lufa-Lufa e Sonserina – Corvinal, e as aulas de vôo seriam com as quatro Casas juntas.

O mestre de Transfiguração era o Professor Alvo Dumbledore, alto, magro, com longas barbas avermelhadas e nariz comprido e torto, em cima do qual havia óculos de meia-lua. Além de professor, era diretor da Grifinória.

A matéria de Poções era ensinada por um bruxo gordo e bigodudo chamado Horácio Slughorn, diretor da Sonserina, a quem os grifinórios (principalmente a "turminha do Potter") se referia como o "Velho Leão-Marinho".

Defesa Contra as Artes das Trevas era ensinada por uma bruxa miudinha e enrugada chamada Galatéia Merrythought, a quem Kate e Gi chamavam de "Avó de Matusalém".

O professor de Feitiços e diretor da Corvinal era Filio Flitwick, que conseguia ser ainda menor que a Professora Merrythought, e precisava subir numa pilha de livros para ver acima do tampo da escrivaninha.

Fílida Armstrong ensinava Herbologia e dirigia a Lufa-Lufa. Era uma bruxa alta e imponente como um carvalho, e tinha grandes olhos negros que, junto com o nariz aquilino, a faziam parecer uma ave de rapina.

História da Magia era a única matéria ensinada por um fantasma, o Professor Brandom Binns. Sua voz de aspirador de pó com defeito e o costumeiro silêncio sonolento na classe eram a marca registrada de sua aula.

Sylvia Sinistra, professora de Astronomia, fazia jus ao nome: era alta, magérrima e meio encurvada, o nariz reto e comprido, uns olhos pretos miúdos e maldosos e a voz rouca e gutural. Tiago e Sirius chamavam-na de "Irmãzinha do Snape".

E, por último mas não menos importante, havia Kenny Killminster, professor de vôo. Era um bruxo magro, com cabelos avermelhados sempre despenteados, e olhos incrivelmente azuis. Praticamente todas as garotas eram apaixonadas por ele.

Quando apareceram os avisos com a data do início das aulas de vôo nos quadros de avisos, Kate e Gi comemoraram. Tham também, embora fosse mais pelo professor que pelas aulas propriamente ditas. Jéssy, no entanto, gelou.

- O quê? Aulas de vôo? – exclamou ela, quando ficou sabendo, numa sexta-feira à tarde (os alunos do 1º ano tinham as tardes de sexta livres). Estava com as amigas, sentada sob uma faia do jardim. – Eu não vou fazer aula de vôo nenhuma!
- Relaxa, Jéssy – disse Kate – o Tom disse que é moleza.
- Será que vocês não entendem? Os alunos da Grifinória vão estar lá!
- E daí? – perguntou Gi
- Eu não quero fazer papel de tonta na frente do...
- Vocês estão no nosso lugar.

Jéssy se calou bem a tempo. Lá estavam os dois alunos de quem Kate e Gi menos gostavam: Tiago Potter e Sirius Black, acompanhados de seus amigos Remo Lupin e Pedro Pettigrew.

- Sério? – Gi ergueu as sobrancelhas – pois eu não estou vendo o nome de nenhuma das belezinhas escrito aqui!

Remo olhou para Jéssy. Ambos pareciam estar pedindo desculpas pelas atitudes dos amigos.
Kate e Gi se levantaram. Aquilo não ia acabar bem...

- Pronto pra bancar o idiota na vassoura semana que vem, Potter?
- Acho que essa frase é minha, Riddle. Eu tenho o quadribol no sangue.

Sirius deu uma risadinha debochada, e virou-se para Gi.

- E você, Brianne? Vai se juntar à Riddle e fundar o "Sem-Futuro Quadribol Clube" ?

Ela sorriu, mas tinha um brilho perigoso no olhar.

- Só depois que você e o Potter fundarem o "Fracassados de Hogwarts Quadribol Clube"!
- Tiago, Sirius, vamos embora – sugeriu Remo timidamente – a gente senta em outro lugar, vamos...

Jéssy se levantou e segurou os braços das duas.

- Vamos, eu tenho que devolver uns livros na biblioteca.

Gi e Kate se viraram para ela.

- Ah, Jéssy...
- JÁ! Vamos, Tham!

As quatro foram andando para o castelo. Já estavam quase na entrada quando Kate se virou. Tiago a encarava com aquele sorriso malicioso e irônico.

- Nos vemos no campo, Riddle! – gritou ele.

A garota sorriu de um jeito que só sonserinos sabiam fazer.

- Mal posso esperar, Potter!

Killminster estava parado junto a uma fileira de vassouras velhas no campo de quadribol. Depois de "desentocar" Jéssy do banheiro feminino (onde ela tinha se trancado duas horas atrás, amaldiçoando as vassouras, o quadribol e o professor), as quatro amigas se dirigiam para lá.

- É, parece que os quatro patetas ainda não chegaram... – comentou Kate. Gi riu, mas como as outras duas não haviam sido criadas trouxas, não entenderam a piada.
- Vamos esperar os outros chegarem, depois começamos, OK? – disse Killminster para os poucos alunos que já tinham chegado.

As quatro garotas sentaram-se num canto, em silêncio, que (como de costume) foi quebrado por Tham:

- Bem que a gente poderia ter um nome.
- Quê? – perguntaram as outras, encarando-a. Como sempre acontecia quando todos a olhavam, Tham baixou os olhos.
- Ah, sei lá, meu, tipo... um nome pro nosso grupinho.
- É uma boa – disse Gi – mas qual vai ser o nome do nosso grupo?
- Que tal As Três Mosqueteiras? – sugeriu Tham, e ficou brava com o coro de gargalhadas que recebeu – Que foi?
- Se você não sabe contar, nós somos quatro – disse Kate.
- E somos o grupo mais esquisito de Hogwarts – acrescentou Jéssy – olha só, uma punk, uma nascida trouxa, uma emo...
- EU NÃO SOU EMO! – berrou Tham
- E uma...
- CDF! – disseram Gi e Kate
- Não! Eu não sou CDF!
- Bom... você faz todas as lições... – começou a sonserina.
- ...Você não toma detenção... – continuou a grifinória.
- ...Tira boas notas...
- ...E briga quando a gente não tira...
- ...Se você não é CDF...
- ...É o quê?

Jéssy corou.

- Ta, eu sou um pouquinho CDF. Mas isso só deixa a gente um grupo mais estranho ainda!
- Olha só quem chegou! – disse Tham, que obviamente não tinha escutado nada da conversa.

Tiago, Sirius, Remo e Pedro estavam entrando em campo.

- Eles são mais estranhos que a gente! – garantiu Gi – o Black é um mauricinho revoltado.
- O Potter é um rebelde órfão de causa – emendou Kate.
- O Pettigrew é um "rabicho" deles – Tham pela primeira vez no dia falou algo que tinha a ver com a conversa ao redor.
- E o Lupin é igualzinho a mim – disse Jéssy – um coitado que precisa aturar três amigos insanos!

Kate e Gi se olharam.

- Gisele, foi impressão minha ou ela fez uma insinuação nada legal a respeito da gente?
- Ela fez mesmo uma insinuação nada legal a respeito da gente, Katherine.

As outras duas riram. O olhar de Gi vagueou pelo campo e bateu num bastão encostado ali perto, pouco menor que um bastão de beisebol. Seus olhos foram do bastão para Sirius e de Sirius de volta para o bastão. Um sorrisinho peculiar apareceu em seu rosto.

- Gisele Tabatha Golombeck Brianne, eu conheço esse olharzinho maroto! – advertiu Jéssy – e esse sorrisinho também!

- Ei, eu não estou com olharzinho... é isso! – ela bateu na própria testa – Achei!
- Achou o quê? – perguntou Tham, mais uma vez distraída.
- Você não ouviu o que a Jéssy disse? Olhar maroto, sorriso maroto? Vamos ser...
- As Marotas! – gritou Kate se levantando – é isso!

Mas nesse instante Killminster apitou, fazendo os alunos se aproximarem.

- Muito bem galera, se organizem. Para os que não me conhecem, Kenny Killminster, professor de vôo, mas podem chamar de Ken ou Kenny. Nada de Professor Killminster ou senhor, ok?
- Ok! – disse a turma.
- Coloquem a mão sobre a vassoura e digam "em pé".
- EM PÉ! – entoou a classe. Entre as poucas vassouras que saltaram para a mão do estudante estavam as de Gi, Kate, Sirius e Tiago.
- Montem as vassouras.

Os alunos obedeceram, enquanto ele passava pela fila, corrigindo postura e modo de segurar.

- Muito bem, quando eu apitar vocês vão dar impulso para cima e para frente com os pés, ok?
- Ok.
- Um, dois, três, já!

Ele apitou. A maioria dos alunos nem subiu no ar, uns poucos caíram depois de dois segundos na vassoura e só cinco se mantiveram sobre elas: Kate, Gi, Tiago, Sirius e um tal de Rabastan. As duas garotas voltaram logo para o chão, mas dos três garotos era difícil saber qual o mais infantil. Eles davam mergulhos um sobre o outro e fingiam cair das vassouras a mais de dois metros, provocando gritinhos de medo das garotas lá embaixo; o professor precisou ir ao castelo e deixou-os praticando.

Depois disso, a maioria dos alunos conseguiu dominar mais ou menos a vassoura. Apenas cinco continuaram com os pés no chão: Jéssy, Tham, Pedro, Caverna e...

- O Ranhoso não conseguiu! – gritou Tiago
- É que o nariz dele é muito grande e pesado, a vassoura não agüenta – emendou Sirius.

O garoto seboso de nariz comprido (em cima do qual Tham havia caído no Expresso de Hogwarts) ficou vermelho.

- Vou te mostrar que consigo! – rosnou ele, e passou desajeitadamente a perna pela vassoura. Deu um impulso e caiu no chão com um estrondo, para gargalhadas ainda maiores dos dois grifinórios.
- Parem com isso!

Tiago parou de rir e encarou irônicamente a menina ruiva que se postou entre ele e o narigudo.

- Parar com o quê?
- Parem de rir dele!
- E se eu não quiser?
- Eu vou contar para o Professor Dumbledore!
- E eu estou me mijando de medo do Professor Dumbledore! Sai da frente, sua cabeça-de-fósforo!
- Não saio, seu babaca metido! Você se acha muito legal só porque tira sarro dos outros, mas não passa de um idiota!
- Ninguém te chamou aqui, sua baleia vermelha!

Quando disse isso, Tiago percebeu que tinha pegado pesado. A garota o encarou, e seus olhos (verdes como esmeralda, só então ele reparou) se encheram de lágrimas. Sem dizer uma palavra, ela saiu correndo.

- E vocês ainda me criticam quando eu quero quebrar o cabo da vassoura na cabeça dele – disse Kate, olhando a garota se afastar.
- Coitada da Lily – murmurou Gi, que também assistia à cena – acho melhor ir ver como ela está.

E saiu na direção dos vestiários, para onde a outra tinha ido.

- Acho melhor continuarmos praticando, Tham – disse Jéssy, que ainda não conseguira sair do chão.
- Verdade – concordou Tham

Kate montou sua vassoura e começou a dar voltas no estádio de quadribol, lentamente. As risadas e gritos dos outros já estavam bem distantes, e...

- AAAAAAAHHHHHH!!!!!!!

Um grito alto e aterrorizado chegou em seus ouvidos. Virou a vassoura, e viu uma cena de gelar o sangue.

Jéssy e Tham tinham perdido o controle das vassouras. A da primeira ziguezagueava velozmente a mais de quinze metros de altura, e a da outra subia como a rolha de uma garrafa de champanhe.
Kate se curvou sobre a vassoura e disparou como uma flecha, não as alcançaria antes que se machucassem, mas poderia, talvez, evitar que acontecesse algo de pior...

Tudo se passou tão rápido que ninguém jamais saberia explicar como foi.

Jéssy perdeu o controle de sua vassoura, que disparou em ziguezague. Apavorada, ela gritou. Enquanto todos os alunos ficavam boquiabertos, um deles teve coragem de reagir: Remo Lupin. Ele montou na vassoura e disparou na direção dela, como um raio. Mergulhou e ficou bem embaixo de sua vassoura.

- Jéssica! Pule!
- NÃO!
- Pode pular, confie em mim!

Ela largou a vassoura e escorregou para o lado. Ele a amparou, pegando-a no colo ao mesmo tempo que, do outro lado do campo, Tham descia da vassoura de Lestrange, trêmula de medo.

Remo colocou-a sentada na vassoura com ele, e a abraçou. Jéssy estava chorando.

- Pronto, pronto. Já passou.

Ela chorava e soluçava, tremendo de medo.

- Acho melhor você ir até a Ala Hospitalar.

Jéssy concordou, sem nem saber com o que estava concordando. Desceram, e ouviu vagamente a voz dos outros. Remo conduziu-a para dentro do castelo, e ela às vezes captava fragmentos de conversa entre ele, Gi, Kate e o outro garoto (o que tinha salvado Tham).

Depois de tomar uma poção calmante as duas garotas se sentiam melhores. Remo voltou para o Salão Comunal da Grifinória e Lestrange para o da Sonserina, deixando apenas as Marotas na enfermaria.

- Ainda bem que você tá legal, Jéssy – disse Gi, sentando-se ao lado da amiga – sorte que o Lupin te ajudou, senão...
- ...Eu teria virado panqueca de Jéssica! – completou ela – Ele é muito corajoso.
- Ei, ninguém vai elogiar o Lestrange? – perguntou Tham, do seu canto.
- Aquele idiota, nojento e infantil? – perguntou Gi – Claro que não!
- Mas ele me salvou!
- Grande coisa – resmungou Kate olhando pela janela, e acrescentou inesperadamente – A culpa é do Potter.

Jéssy revirou os olhos.

- Se chove a culpa é do Potter, se não chove a culpa também é do Potter, se está nublado a culpa é do Potter, se caiu um raio na lula gigante a culpa é do Potter, sinceramente Kate estou começando a achar que você ama o Potter! E nem adianta dar risada, dona Gisele, porque se a Kate ama o Potter, a senhora ama o Black!
- Ei! – exclamou Gi ofendida, parando de rir.
- Não é isso, Jéssy. – disse Kate – Estou falando sério, se ele não tivesse brigado com a Evans, a Gi não teria ido atrás dela, nem eu teria me afastado de vocês, e aí nenhuma das duas ia se atrapalhar e perder o controle da vassoura.
- É verdade...
- A gente podia fazer um pacto contra esses dois idiotas – sugeriu Gi – um pacto para nos unirmos contra Black e Potter!
- E Pettigrew! – acrescentou Tham.

Kate ergueu a varinha:

- Contra o Potter!

Gi uniu sua varinha à dela:

- Contra o Black!

Tham imitou as duas:

- Contra o Pettigrew!

Jéssy suspirou.

- Alguém vai ter que controlar essas três malucas... e não deixa-las fazer mal ao Lupin!
- Uma por todas e todas por uma!