House e Cuddy acordaram abraçados e com a estranha sensação do dia seguinte, nenhum dos dois sabia como começar o assunto, então ele tentou.
"Você quer conversar?"
Ela olhou para ele e se sentou, encostando-se na cabeceira da cama e enrolando o lençol em seu corpo.
"Quero."
Cuddy disse baixinho e entrelaçou suas mãos, esperando que ele começasse a falar. House respirou fundo e pensou em como ser gentil e compreensivo.
"Eu não quero que você pense que isso é uma brincadeira. Nosso jogo terminou há muito tempo, eu estou realmente gostando de você."
"Eu também gosto de você, mas é complicado.."
Cuddy tinha acabado de cortar suas esperanças sem querer, House abaixou seus olhos e ficou com uma carinha um pouco chateada.
"Eu sei.."
Assim que ela percebeu o que tinha feito, tentou consertar, a intenção não era dizer não à ele, muito pelo contrário.
"Mas.. Eu estou disposta a correr o risco, eu acho que vale a pena."
Ela fez um carinho em seu rosto e o levantou para que ele encarasse os olhos dela e visse o quanto ela estava sendo sincera.
House a encarou por alguns minutos e deu um meio sorriso.
"Você acha que vale a pena?"
Ela fechou seus olhos e suspirou, sem tirar as mãos do rosto dele.
"Você acha?"
Quando os olhos azuis o encararam novamente, ele teve certeza de que tudo valeria a pena se pudesse tê-los olhando para ele todos os dias.
"Eu acho."
Ele a puxou pra perto e lhe deu um beijo delicado.
"Eu só queria que nós mantivéssemos isso entre a gente, pelo menos por enquanto. Não quero que você se sinta pressionada a assumir um relacionamento agora, ainda mais comigo."
Cuddy estranhou seu jeito maduro de ver o relacionamento.
"Você tem certeza?"
Ele estava certo em ir devagar, só assim conseguiriam aproveitar o começo do relacionamento sem ninguém atrapalhar, era um grande passo, eles tinham que aproveitar cada pedacinho disso.
"Tenho."
Ele acariciou seus cabelos e a abraçou forte, deixando-a totalmente segura em seus braços.
"Então está tudo bem, eu confio em você."
Os dois ficaram na cama por um tempo com beijos e carinhos intermináveis de começo de namoro.
Um mês depois
A lua de mel entre House e Cuddy ainda não tinha acabado, eles estavam cada dia mais apaixonados e o humor de House mudou da água para o vinho. As pessoas estranhavam esse novo comportamento, mas ninguém ousava perguntar pra ele o que estava acontecendo.
Apenas Wilson sabia desse romance e estava tão feliz quanto eles, ele sempre achou que os dois formavam um belo casal.
House sempre inventava desculpas para aparecer de surpresa no escritório de Cuddy, ela adorava e fingia estar surpresa em todas as vezes, mesmo sabendo que ele não passava muito tempo sem aparecer por lá.
O único problema era que nesse dia, ela estava com outras coisas em sua cabeça.
"House."
Ela se levantou assim que ele entrou em seu escritório.
"Eu tenho uma novidade pra você."
E cortou todo o clima daquela chegada inesperada.
"Eu pensei que você fosse me beijar."
Ela passou reto por ele e fechou a porta.
"Você não vai acreditar..."
House ficou chateado por ela estar mais interessada em alguma coisa que não fosse ele, mas decidiu esperar para ver o que ela dizia. Ele a obedeceu e se sentou, como quase sempre fazia quando estava curioso para saber alguma coisa.
"Eu consegui um bebê."
"O quê?"
Ele havia pensado que ela tivesse desistido de ter um filho, pelo menos agora que eles estavam começando um relacionamento.
"Eu consegui. A assistente social me ligou hoje de manhã, nós já começamos o processo de adoção, é uma menininha."
House perdeu a fala por alguns minutos, olhando pra ela com os olhos arregalados e a deixando assustada.
"O que foi?"
"Nada, eu estou feliz por você."
Cuddy sorriu, aquele dia ela estava mais radiante do que jamais esteve.
"Você quer ir comigo buscá-la?"
"Não.. Eu não posso. Mas nós nos vemos à noite."
Ele deu um desculpa e foi embora, dando um selinho nela antes de sair.
Cuddy estava tão feliz que nem percebeu que House começou a se distanciar nos dias que se seguiram.
Ele achava que ela devia passar um tempo sozinha para se conectar com a filha, ela trabalhava tanto que o pouco tempo de lazer que tinha estava passando com ele, mas agora outra pessoa necessitava de sua atenção.
House também não queria entrar no meio disso tudo, era uma relação familiar demais e ele não se sentia pronto. No fundo de seu coração ele queria começar uma família com Cuddy, mas tinha medo de estragar tudo e magoá-lá.
Ele estava sentindo um pouco de ciúme de Rachel e da relação de amor explícito entre as duas, querendo que Cuddy também cuidasse dele. Era um pensamento um pouco egoísta, mas o último mês tinha sido repleto de paixão e ele tinha aberto seu coração pra ela, que agora parecia não se importar tanto com isso.
Ser mãe sempre foi o maior sonho de Cuddy, ela se sentia encantada com tudo aquilo, mas não estava totalmente feliz. Faltava alguma coisa para sua felicidade estar completa e ela sabia o que era, porém, tinha medo de que House não quisesse se comprometer e se afastasse. Eles estavam se encontrando menos e nenhum dos dois havia dito nada sobre isso, driblando o problema o máximo que conseguiam.
Assustava pensar que uma hora o relacionamento passaria para uma outra fase e que para essa fase era necessário comprometimento. Cuddy tinha medo que ele não quisesse nada sério e ele tinha medo de não conseguir ter nada sério.
Ela se distraia de seus medos cuidando de sua filha e ele tentava não pensar sobre isso aumentando o Vicodin, já que sua perna sempre o lembrava dessa dor.
"Tem uma mulher na porta da sua sala."
Ele entrou no escritório dela e a agarrou antes que ela pudesse responder.
"Bom Dia."
Ela fez um carinho no rosto dele e o puxou para mais um beijo.
"Bom Dia."
Assim que House se sentou ela começou a falar sobre sua nova assistente.
"O nome dela é Lilian, ela veio de Ohio."
"E pra que uma assistente? Você nunca teve uma."
Cuddy estava relutante em contratar uma assistente, mas agora que tinha um bebê, estava precisando de ajuda.
"É por causa da Rachel, eu deixo ela em casa com a babá, mas se acontecer alguma coisa eu tenho que ir correndo pra lá, então pensei em alguém pra me ajudar aqui."
"Hum, a Rachel.."
Era sempre a Rachel.
"Você não está com ciúmes da minha filha, está? Porque seria ridículo.."
"Eu não estou com ciúmes, só queria que você não se esquecesse de mim."
Cuddy achou lindo o jeito que ele estava falando, parecia uma criança pedindo carinho.
"Oun Meu Deus, eu não vou me esquecer de você."
Ela se levantou e foi até ele, sentando-se em seu colo.
"Quer dormir em casa hoje? Eu posso fazer um jantar pra você."
House pegou seu celular e começou a mexer em alguma coisa, deixando Cuddy curiosa.
"Eu acho que vou precisar olhar a minha agenda."
Ela deu uma gargalhada e segurou em seu pescoço, enquanto ele soltava o celular e a prendia pela nuca em um beijo quente e demorado que foi atrapalhado pela chegada de Lílian.
"Oh, me desculpe."
Cuddy soltou House sorrindo e o apresentou à ela.
"Lílian, esse é o doutor Gregory House."
"House, essa é Lílian Reed, minha nova assistente."
Eles se cumprimentaram e ela o olhou com um estranho brilho no olhar.
"É um prazer, ouvi muito sobre você."
Ele olhou para Cuddy, achando estranho que ela já o conhecesse.
"Eu achava que hoje era seu primeiro dia aqui."
"É sim, eu ouvi sobre você em outro hospital que eu trabalhei."
"Hum.. Espero que tenham falado bem."
"Muito bem, não se preocupe."
Lílian se virou para Cuddy e lhe entregou alguns papéis.
"É sobre a reunião de hoje à tarde."
"Ah, claro."
Cuddy se sentou em sua cadeira e pediu que ela o acompanhasse.
"Eu preciso que você me ajude em algumas coisas aqui, mas antes de tudo, isso que você viu entre House e eu, fica só entre nós, ok?"
"Pode deixar, doutora. Guardarei o segredo de vocês."
As duas continuaram a conversar e House percebeu que Cuddy estava ocupada demais para lhe dar atenção naquele momento, então decidiu ir embora.
"Nos vemos à noite."
Ele disse já próximo à porta e piscou pra ela, que retribuiu com um sorriso.
