It's a little bit funny this feeling inside

I'm not one of those who can easily hide

I don't have much money but boy if I did

I'd buy a big house where we both could live

"Você canta muito bem."

"Obrigada."

"E toca muito bem."

Melissa sorriu tímida e agradeceu mais uma vez, ela sabia do bem que estava fazendo à House e se sentia feliz em poder deixá-lo livre de sentimentos ruins.

"Eu aprendi com meu pai quando era pequena."

Eles tocavam piano quase todos os dias, era divertido, relaxante e fazia o tempo passar rápido. A presença de Melissa era mágica e iluminava todos da clínica, não existia ninguém que não gostasse dela.

"Precisamos treinar umas músicas novas. Eu estou um pouco ultrapassado."

House estava se recuperando do trauma aos poucos, mas sua mente ainda estava confusa. Os médicos que estavam cuidando de seu caso perceberam grandes melhoras através do tratamento, mas precisavam ainda fazer o último teste.

O teste que House mais temia, pois tinha certeza que iria perder sua licença médica em questão de dias e não sabia o que fazer para reverter isso.

Marcaram a consulta para segunda-feira às 8 horas, ele tinha apenas um final de semana para se acostumar com a ideia.

No fundo não parecia tão difícil, poderia fazer pesquisas ou lançar um CD. Já havia aprendido a viver sem Cuddy, essa era só mais uma pequena perda em sua vida.

"Você quer dar uma volta? O dia está lindo e tem uma árvore cheia de amoras lá for a esperando por nós."

Ela piscou para ele.

"Como você sabe que eu gosto de amora?"

House sorriu e fechou o piano. Melissa era exatamente tudo o que ele precisava naquele momento.

"Não sei. Você me pareceu ser alguém que gosta de amoras."

Ela se levantou e pegou a bengala de House, que estava apoiada em uma das cadeiras da sala de estar.

Caminharam por um tempo e se aproximaram do portão para verem o pôr-do-sol. O dia estava lindo e a vida do lado de fora parecia ser perfeita.

"Tem saudades de casa?"

Ela perguntou a ele com um olhar compreensivo, vendo o quanto ele queria estar do outro lado.

"Às vezes sim, às vezes não. Hoje? Muita."

"Fiquei sabendo que Wilson vem te visitar mais tarde… Vai ser bom pra você ter notícias do submundo."

Melissa sempre tentava alegrá-lo, ela passava mais tempo com ele do que com qualquer outro paciente.

"Depende do ponto de vista."

Ele pegou uma pequena amora em uma das árvores e se sentou, continuando a conversa.

"É bom receber o Wilson, ele é um grande amigo…"

"Mas você queria a visita de outra pessoa?"

Ela o cortou e viu através de seu olhar que estava perfeitamente certa. Não era bem essa visita que ele precisava receber.

"Querer e conseguir são duas coisas bem distantes, não é?"

"Por quê? Você acha que ela não viria se você chamasse?"

"Ela? Quem te disse que tem um "ela" na história?"

House deu risada e tentou mudar de assunto, mas Melissa não deixou e foi direto ao ponto.

"Ouvi falar sobre você e a doutora Cuddy."

"Você conhece ela?"

House estranhou que Melissa soubesse sobre isso, já que Cuddy não foi visitá-lo uma única vez.

"Digamos que sim. Mas isso não vem ao caso. O que eu quero dizer é que você precisa ter alguma atitude. Esperar por ela com certeza não vai trazê-la de volta."

"Hey. Quem está internado sou eu, ela é quem tem que vir me visitar."

Melissa balançou a cabeça como se o reprovasse.

"Você tem que se desculpar. O último erro foi seu."

"De que último erro você está falando?"

"Do ataque de ciúme completamente sem noção? Não sei, acho que esse foi o último."

House sorria ao mesmo tempo em que estava assustado. Ele não sabia como, nem por que, mas Melissa sabia muito mais dele do que ele imaginava.

Pela primeira vez, House não se incomodou ou ficou irritado, ele estava gostando disso.

Gostava da atenção e do carinho.

"Você acha que ela aceitaria minhas desculpas?"

"Eu acho que sim, ela gosta muito de você."

Por um momento ele pensou em questioná-la, mas deixou que ela lhe dissesse tudo o que precisava ouvir.

Embarcaria nessa loucura se ela lhe deixasse confiante.

"Acha que ela viria?"

"Só tem um jeito de descobrir."

Melissa olhou bem fundo em seus olhos, como se dissesse: "Confia em mim." E ele sentiu seus medos desaparecerem na mesma hora.

Poucos minutos depois Wilson chegou trazendo uma caixinha.

"Veja só quem eu encontrei curtindo a natureza."

House revirou os olhos e esticou a mão para pegar o presente. Wilson sempre levava doces ou qualquer outra coisa gostosa quando ia visitá-lo.

"Torta Holandesa?"

House olhou a caixa pelos quartro cantos e tentou adivinhar o que era.

"De Maracujá."

Wilson lhe entregou uma sacola com alguns pratinhos e se sentou ao lado dele, apresentando-se para Melissa.

"Você é nova? Eu acho que te vi apenas uma vez por aqui."

"Sou sim. Entrei como estagiária do doutor Carter e estou ajudando na recuperação do doutor House."

"Que bom. Vejo que você ainda não enlouqueceu. Não é qualquer medico que tem essa proeza."

Wilson riu para ela e viu que House estava se divertindo também.

"Aceita um pedaço de torta?"

Ele ofereceu à Melissa e os três passaram o final da tarde juntos.


"Vai, fala com ela."

Melissa estava com o telefone na mão, empurrando-o para House.

"Não.. Eu.. Não sei.."

"Vai logo."

Ela ouviu o último toque e percebeu que alguém atendeu o telefone.

"Vai!"

Ela tentou entregar à ele mais uma vez, mas House ficou sem reação ao ouvir a voz do outro lado da linha.

"Alô?"

Melissa arregalou os olhos para ele e percebeu que ele não iria conseguir falar nada.

"Alô?"

Cuddy repetiu quando não obteve resposta e Melissa decidiu responder enquanto revirava os olhos.

"Doutora Cuddy? Oi..Meu nome é Melissa, eu sou assistente do doutor Carter..."

Ela lançou um olhar mortal para House, não acreditando que ele pudesse ser tão medroso.

"Não, não. Está tudo bem sim, eu só... Bom, eu queria saber se você poderia vir visitá-lo. Hoje à noite vamos ter um... Jantar especial e ele vai tocar alguma coisa no piano..."

House a olhou surpreso.

"..Ficaríamos felizes em ter sua presença aqui. É bom reencontrar os...Amigos.."

Ela se enrolou um pouco mas conseguiu fazer a proposta. Falar em um encontro de "amigos" era uma boa forma de tentar levá-la até lá.

"Mas será rápido. Apenas algumas músicas, não se preocupe. Você vai gostar..."

House suspirou chateado quando percebeu que ela estava demorando para aceitar.

"Doutora Cuddy.. É só uma passadinha. Você não seria capaz de recusar, não é?"

Melissa mudou o tom, estava séria e um pouco nervosa pela recusa de Cuddy. Era incrível como ela conseguia ser tão medrosa quanto House.

"Jura? Oh, que bom. Eu sabia que podíamos contar com você."

Ela sorriu para House.

"Isso. Hoje às 22 horas. Esperamos por você."

Quando desligou o telefone respirou fundo e se sentiu a mulher mais poderosa do mundo.

"Ela vem."

"Percebi."

House deu um meio sorriso nervoso.

"Só não entendi a parte do jantar e a parte que eu toco..."

"É simples. Eu vou deixar a sala preparada, com luz de velas, vocês jantam juntos, você toca alguma coisa, liga o rádio..."

"Melissa.. Isso não vai adiantar."

"Não tem problema. Pelo menos nós vamos tentar, não é?"

Ela passou a mão em seu braço e se levantou.

"Vou preparar o jantar e avisar a segurança que ninguém mais entra naquela sala hoje."

Se eu fosse um escultor, mas poxa, não sou. Ou um homem que faz poções em um circo…

Eu sei que não é muito, porém é o melhor que eu posso fazer.

Meu presente é minha canção e esta é para você.

"Eu pensei que tivessem mais pessoas no jantar."

Melissa levou Cuddy até a mesa e ela se sentou.

"Tinham…Teriam..Quer dizer… Aproveite o jantar."

Ela sorriu e deixou Cuddy sozinha, em uma sala com um clima completamente romântico, que a deixava um tanto quanto desconcertada. Romantismo era tudo o que ela menos precisava agora.

Pouco tempo depois House entrou pela porta com sua bengala e uma única flor. Ele entregou à ela e se sentou à sua frente, tão desconcertado quanto ela estava. Parecia que tinham perdido toda a intimidade naqueles poucos meses.

"Está tudo bem com você?"

Ele tentou começar uma conversa.

"Sim, e você? Wilson tem me dado notícias sobre a sua recuperação, eu estou feliz. Tenho certeza que logo tudo voltará ao normal."

"Normal? O que é o "normal" pra você?"

"Bom…"

Cuddy ficou corada, pensando que qualquer relacionamento que voltassem a ter mexeria com ela.

"..Você salvando vidas e eu…Salvando a sua."

Ela sorriu timidamente e tentou controlar suas emoções.

"Como sempre."

House aproximou sua mão e segurou a dela, delicadamente, com medo de uma rejeição.

"Sinto sua falta."

Conseguiu finalmente falar, com a voz trêmula e o coração saltando em seu peito.

"House…"

Ela soltou sua mão e abaixou seus olhos, não conseguia encarar aqueles lindos e apaixonados olhos azuis sem sentir seu corpo estremecer.

And you can tell everybody this is your song

It may be quite simple but now that it's done

Do lado de for a da sala, Melissa sorria ao ver a cena. Qualquer pessoa que os visse agir daquela forma saberia que estavam apaixonados.

Ela abriu a porta sem que nenhum deles percebesse e deixou que o som de uma música chegasse até lá.

Não havia mais ninguém acordado. Naquela sala eram apenas House, Cuddy e Elton John.

Eu espero que você não se importe que eu tenha colocado em palavras como a vida é maravilhosa enquanto você está no mundo!

Cuddy se virou, procurando de onde vinha a música, e ao se voltar para House, o viu em pé, próximo à ela.

"Aceita dançar comigo?"

Ele esticou sua mão direita e ela sorriu, embalada pela canção.

O sol estava adorável enquanto eu escrevia esta canção, é para pessoas como você, que a mantém viva.

Cuddy fechou seus olhos e sentiu as mãos dele percorrerem sua cintura em meio à um coração acelerado.

Então perdoe-me se eu esquecer, mas eu geralmente faço isso.

Perceba que esqueci se são verdes ou são azuis…

Ele segurou em seu rosto e fez com que ela encarasse seus olhos, tão brilhantes e pronfundos.

De qualquer maneira, bom... O que eu realmente quero dizer

É que seus olhos são os mais doces que já vi.

Ele sorriu e a apertou conta si, sentindo o calor que ela emanava de seu corpo.