Cuddy ficou petrificada com a pergunta, admitir que o amava era mais difícil do que qualquer coisa. Tentou por alguns segundos, mas não conseguiu falar absolutamente nada, apenas sorriu para ele e se aninhou em seus braços.

House a segurou firme, dolorosamente decepcionado por ela não ter lhe respondido. A dor do silêncio machucava ainda mais seu coração.

Durante aquela noite não disseram mais nada, mas também não se desgrudaram. Cuddy adormeceu em seus braços enquanto ele fazia carinho em seus cabelos.


Melissa abriu a porta devagar e se iluminou ao ver os dois juntos, pensando que tudo finalmente estaria bem.

Ela foi até House e o acordou docemente.

"Hey. Bom dia. Temos uma consulta em meia hora."

House abriu os olhos devagar e percebeu que Cuddy ainda dormia em seus braços.

"Bom Dia."

Ele sorriu para Melissa com os olhos tristes e ela percebeu que as coisas não tinham saído exatamente como o planejado.

"Você está bem?"

House soltou as mãos de Cuddy que estavam presas à ele e se levantou.

"Sim. Vai passar."

Ele tentou sorrir diante dessa frustração e Melissa lhe deu um forte abraço.

"Eu sinto muito."

House não era do tipo que demonstrava sentimentos ou aceitava demonstrações de carinho, mas Melissa era mais do que especial e ele sentia que necessitava desse apoio.

Deixou que ela o abraçasse por um longo tempo, até decidir se trocar e preparar um café. Cuddy acordou poucos minutos depois e viu que House já estava pronto para ir à consulta.

"Você dormia tão bem que eu não quis te acordar."

Ele sorriu e entregou uma xícara de café à ela, que agradeceu e se levantou imediatamente.

"Você está preparado pra consulta?"

"Claro."

House mentiu e brindou o café com ela, percebendo que ela parecia estar mais nervosa do que ele.

O caminho para o consultório nunca pareceu ser tão longo.

Naquele corredor uma vida inteira se passava, era decisivo. House precisava se desapegar à uma das coisas que mais amava fazer.

Um destino triste para alguém que quase nunca encontrou a felicidade.

Melissa o esperava na porta, com seu olhar ainda esperançoso.

Cuddy seguia atrás dele, esperando um último olhar para lhe desejar boa sorte. Ela tinha certeza que ele estaria recuperado, infelizmente não sabia de nada que estava acontecendo.

Ele segurou a mão de Melissa e lhe deu um beijo, olhando para trás antes de entrar.

Cuddy encarou os olhos dele e por um momento aquela cena foi eterna. Enquanto estavam envolvidos nesse olhar, o mundo girava devagar e uma ponta de esperança teimava em resistir em seu coração.

House sorriu para ela e se virou, quebrando o contato visual.

"House.."

Ela o chamou e lhe deu seu sorriso mais encantador.

"Eu ainda amo você."

Quando a noite chegar, a terra ficar escura e o luar for a única luz que se vê, eu não vou ter medo enquanto você ficar comigo.

House sentiu sua cabeça doer e um sentimento diferente tomar conta de seu coração.

Se o céu que contemplamos despencar e cair, ou a montanha se desmoronar para o mar, eu não vou chorar.

Não vou derramar uma lágrima enquanto você ficar comigo.

A porta se fechou e Melissa sorriu para Cuddy.


Amor era sempre a resposta para tudo.

Ele havia feito um acordo para ser feliz e amá-la como ela merecia, mas não tinha dado certo, como tudo em sua vida.

Morpheus adorava esse tipo de acordo pois sabia que ninguém era capaz de mudar o passado sem consequências.

Pegar o dom que tanto desejava era apenas uma forma de provar que humanos eram frágeis e ignorantes.

Um dom em troca de um amor era tão clichê.

House sempre soube que havia perdido seu dom pela tentaviva do amor, mas não imaginava que o contrato poderia se inverter se o amor ainda estivesse vivo.

E foi isso que aconteceu naquela manhã em que Cuddy finalmente assumiu que ainda o amava.

Apenas uma palavra e seu destino mudou completamente, devolvendo-o tudo que sempre amou.

"O que você fez?"

Morpheus agarrou o braço de Melissa e a arrastou para uma sala vazia.

"Me solta."

Ela se debateu e puxou seu braço.

"Você não podia interferir."

Ele a empurrou na parede e a olhou com os olhos em brasa.

Seu contrato havia sido desmoronado por culpa dela.

"Eu não fiz nada."

Ela alterou seu tom de voz e não se intimidou.

"Você não podia ajudá-lo..."

"Por que não? Eu não existo nessa história."

Melissa deu um sorriso irônico que o deixou ainda mais bravo.

"Você vai se arrepender."

Ela abriu a porta e o ignorou.

"Quem mandou você não cumprir com a sua palavra? O amor ainda existe, sabia?"

Morpheus a viu ir embora e desapareceu desejando se vingar.

"Vou sentir sua falta."

Melissa sorriu e colocou a última mala no carro de Cuddy.

"Eu também, Mel."

House sorriu de volta e a abraçou, sem saber porque a tinha chamado de Mel. Estava imensamente feliz e ansioso para finalmente aproveitar sua liberdade agora que tinha recuperado sua licença médica e se sentia muito bem.

Voltaria para sua casa, para o trabalho no hospital de Cuddy e aos poucos a vida ia voltando ao normal.

Talvez não fosse o normal que ele desejava, uma vez que Cuddy estava relutante em voltar com ele, por mais que se dissesse apaixonada, mas era um começo de "normal" de qualquer forma.

Decidiu dar um tempo antes de sua útlima tentativa, esperando ela ajeitar seus sentimentos e esfriar a cabeça.

Enquanto tiveres problemas, não terás, se estiveres comigo.

Não iria desistir agora que tinha certeza de que o amor era capaz de mudar as coisas.

"Espero que você venha nos visitar no hospital."

Cuddy se despediu de Melissa e lhe entregou um bilhete com seu telefone e endereço.

"Apareça sempre que quiser, você é muito especial, Melissa. Obrigada por tudo."

Elas deram um abraço apertado e Melissa acenou enquanto o carro saía da clíninca rumo à liberdade.