Saint Seiya não me pertence, pertence à Masami Kurumada e à Bandai, uso seus personagens com carinho 8DDD

Os personagens Hewke, Zeta e Milia são de criação própria.

Destino selado 2

Seria sorte, destino? Bem isso não sabia dizer, Zeta e Camus foram adotados por uma família de ricos nobres. O rapaz de dezoito anos que discutia com o vendedor era o filho de um senhor feudal generoso daquele país. Ele havia se surpreendido com a linguagem polida que ouvira os dois conversando e comprara por um preço razoável.

Zeta sabia de cor inúmeros livros de literatura famosa, matemática e ciências. Sabia tudo de comércio e da cultura de vários países. Rapidamente foi de um mero servo à um professor para as crianças do castelo. Camus era um exímio lutador, aprendera diversas línguas e ainda não tinha ao menos treze anos. Seus pais o treinaram para ser um nobre de classe e um guerreiro estratégico.

Camus aprendeu a lidar com os animais nos estábulos e aprendia a ler outras línguas e ensinou os filhos pequenos do senhor a lutar e, mais para frente a escrever, ler e se portar.

Aos poucos ambos foram vistos não como servos, mas sim como professores e parte da família. Ganharam um pequeno pedaço de terreno e alguns cavalos, uma pequena casa de tijolos e pedras, com alguns quartos aconchegantes no segundo andar e uma biblioteca no primeiro repleta de livros antigos. Eles mesmos ganharam alguns servos de cor e alguns empregados, tinham uma pequena plantação e alguns porcos e galinhas. Ganhavam salários e juntavam mais e mais.

Camus era estudado, agia como aprendera em sua infância e mantinha o porte da família real, andava com o tronco erguido e o nariz empinado-o que fazia Zeta rir as vezes e chamá-lo de "o falso conde". Ia à igreja todos os domingos às missas confessar ao padre e pagar sua parte da salvação divina, não por acreditar, mas por assim ter sido criado, como sua mãe falava para fazer. Zeta o acompanhava em suas missas. Zeta era de um outro país, Camus jamais soube de onde, mas ele dizia que não acreditava nos Deuses e salvações, apenas o acompanhava para seu bem-estar social, afinal os ereges eram traidores de Deus, não queria ser queimado vivo.

-Tolice- ele dizia- bobagens, a igreja é contra tantas coisas e seus seguidores a praticam da mesma forma. Por mim a maldade existente entre os homens é o maior dos pecados.

Eram palavras jamais ditas em voz alta. Apenas Camus conhecia esse seu lado assim como apenas Zeta conhecia as origens de Camus. Um filho de conde francês, um nobre de natureza.

Zeta se tornou um homem bonito, tinha cerca de um metro e noventa, uma perna era maior que a outra devido ao ferimento que jamais o permitiu correr como antes, seu tórax largo e braços musculoso, seus cabelos grossos eram lisos negros cortados no ombro como era comum em sua época e estava sempre impecavelmente vestido com seus ternos de veludo de várias camadas. Seu rosto agora adquirira um traço mais forte, o pescoço largo e grandes olhos negros o queixo quadrado, as costeletas grossas e o nariz fino. Sua voz era grossa e forte, mas não sabia nem ao menos segurar uma espada para se defender. Jamais aprendera a lutar. Ele se dizia um erudito e não um guerreiro.

Camus era bonito também, um metro e oitenta e cinco, cabelos longos vermelhos lisos e brilhantes, olhos castanhos-avermelhados amendoados, braços finos e fortes pelas lutas, pernas longas e torneadas, mas tinha o rosto delicado, triangular e a pele muito branca contrastando com as sardas alaranjadas e discretas em seu nariz e bochechas. Andava sempre tão bem-vestido quanto Zeta, com ternos de veludos e babados. A barba era fina e estava sempre bem-aparada. Camus mantinha o cabelo dentro de sua peruca branca em público. Cabelos vermelhos não eram bem-vistos pela sociedade. "Mau agouro" diziam para ele.

Zeta se tornou mais do que sua família, era seu confidente, seu amante, seu irmão. Muitas vezes dividiam a mesma cama, os mesmos servos. Festejavam juntos, dançavam, cavalgavam pelos campos verdes.

Participavam de eventos dos nobres, eram sempre tratados como cavalheiros respeitosos.

Camus adorava passar as noites conversando com Zeta, discutindo suas ambições, Zeta tinha uma perspectiva incrível da vida. Talvez a quase-morte pela sua perna tivesse significado muito para ele. Mancava sim, mas estava vivo, depois de tanto sofrimento desde que deixara sua vila, estava vivo, forte, saudável e acima dos padrões sociais. Podia estudar à vontade, podia beber à vontade. Os dois juntos.

As vezes Zeta falava de Hewke e Milo, e a garota Milia que ambos jamais haviam se encontrado. Hewke era um estudioso como ele, vinha de uma vila vizinha, era bondozo desde que haviam sido sequestrados juntos e muito inteligente, Milo, que não conseguia calar a boca um dia inteiro apesar da irritação de Zeta e Milia, solitária, isolada, provavelmente morava naquele bordel que foi vendida, se eles estivessem vivos quem sabe um dia não se encontrariam?

Zeta tinha um pouco mais de vinte anos agora, tinha uma linda noiva de cabelos negros como a noite, uma das moças que trabalhavam em sua casa, de família pobre, porém com muita bondade. Tinha empregados fiéis e alunos ricos que vinham lhe trazer presentes e mais presentes, e ganhou uma casa em um terreno perto da casa que dividia com Camus para formar sua família.

Para comemorar seu noivado, Zeta foi com Camus e apenas com ele para um bordel, Camus foi contra a início, mas Zeta insistia. Quando ficaram sozinhos nas ruas em direção à casa de luxo Zeta passou a mão sobre seu ombro e caminhava balançando o corpo.

-Andei procurando, meu amigo, eles, nossos ex-companheiros de celas e carruagens. Não achei a garota Milia, mas sei que o dono dessa casa comprou Milo e Hewke.

Camus parou, pensativo. Milo, ele sabia quem era, Zeta falava sempre dele, e ele mesmo pensava nele de vez em quando. O garoto que lhe empurrara sorridente um punhado de comida, o garoto que o abraçou na noite em que o menino sem nome morrera, o garoto que roubara um pão e escondera dentro de suas vestes e entregara-o para Camus. O garoto para quem contou seu nome no ouvido. Camus se lembrava que ele se recostava em si para dormir e que ele sorria o tempo todo, tentava falar com todos em sua volta. Mas tinha uma coisa que ele não se lembrava: seu rosto.

As crianças tem uma mente confusa, Camus se lembrava de seus grandes olhos azuis que piscavam para si, mas não se lembrava de nenhum outro detalhe em seu rosto.

Enquanto caminhava com Zeta, passou a se perguntar, temerosamente se reconheceria Milo, se seria reconhecido. Não sabia mais nada dele, se tivesse trocado de nome, se Milo se lembrava da carruagem. Se estivesse vivo o reconheceria? Se estivesse morto jamais saberia afinal.

Era uma época em que haviam bordéis de luxo para prostitutas caras, casas de banhos e chás, haviam concubinas dos lords e reis, haviam profissionais e os bares sujos de prostíbulos baratos e repleto de bêbados encrenqueiros com mulheres qualquer.

Camus ajeitou as camadas de tecido em seu colarinho e a peruca, suas vestimentas eram creme e dourado, eram as mais finas que possuía, seus sapatos e os de Zeta faziam um barulho suave quando andavam lentamente.

Subiram o morro de estradas de pedras em uma cidade nobre. Haviam poucas pessoas na rua pendendo de fome e algumas carruagens passavam barulhentas com seus cavalos e cocheiros. Ouvia-se pouca coisa saíndo das casas naquela hora da noite, as famílias estariam dormindo já e as casas noturnas conseguiam discrição.

Chegaram à grande mansão de colunas brancas e altas com muitos andares e grandes janelas. Muitas delas com uma luz baixa de vela entre as cortinas. Alguns barulhos de risos e música baixa podia ser ouvido lá dentro. A grande porta de madeira entalhada indicava uma casa de banhos de luxo.

Foram bem recepcionados como cavaleiros por um elegante senhor em terno e logo viram o grande salão de entrada. Ao lado direito uma escada larga com o corrimão bem-trabalhado forrado por um tapete vermelho longo. As janelas estavam cobertas por cortinas pesadas e haviam algumas pessoas andando acompanhadas. Um senhor conhecido de seus antigos mestres andava com uma linda moça em seu braço alisando seu bigode escuro e espesso. O recepcionista indicou que o lado direito seriam as sala de banhos e do esquerdo um grande salão de festas onde era sempre apinados de nobres cavaleiros como eles.

O ar tinha cheiro de insenso e sabão. As mulheres passavam com perucas e maquiagens pesadas agarradas aos braços dos homens, seus seios saltando dos espartilhos apertados e saias em camadas. Muitos rapazes também estavam com o rosto pintado de branco e os lábios vermelhos e bochechas rosadas.

Zeta indicou o lado da festa para Camus. Era realmente um imenso salão, maior que podiam ter imaginados apenas olhando para o lado de fora da mansão. Eles conheciam muitos dos convidados que riam e jogavam e alguns dançavam no centro. Música, bebida, risadas.

Entre as rodas, uma pessoa se destacava, Zeta sorriu e andou animadamente na direção de um rapaz um pouco mais alto que Camus, com longos cachos dourados e costas fortes, vestindo uma túnica romana de luxo branca e vermelha. Então, muitas das preocupações que Camus tinha haviam sumido, ele reconhecera Milo, era ele, tinha certeza. Aqueles olhos azuis, aquele rosto forte, o nariz, o queixo, as mãos, grandes e fortes mãos. Seu rosto não estava pintado como o da maioria dos anfitriões.

Estava tão diferente, tão mudado, mas mesmo assim, era ele, Camus tinha certeza.

Ele virou-se surpreso, erguendo as sobrancelhas e seus olhos pareciam crescer. Abriu um grande sorriso quando teve certeza, ambos eram reais.

-Zeta? Camus? Por todas as Deusas, vocês estão vivos, e bem. Sua voz soou grossa e forte, seu sotaque não existia mais.

Zeta passou os braços em volta de Milo e o abraçou como se abraça um parente antigo, foi seguido por Camus e bem-aceito por seu amigo.

Foram levados por ele à seu quarto no quarto andar, subiram pelas escadas magníficas e corredores largos com muitas portas pelo caminho. A porta de madeira tinha a maçaneta de ferro pesado e uma grande chave com uma argola arredondada. O corredor era iluminado por algumas velas e Milo empurrou a porta com seu corpo, segundo ele, ela emperrava com frequência.

O quarto era espaçoso, havia uma enorme janela para o terraço largo com cortinas pesadas vermelhas e detalhes dourados, havia uma área levemente separadas por biombos de bambu com uma banheira e muitos baldes, uma enorme cama de feno digna de um rei com grandes pilastras segurando suas cortinas transparentes e douradas. Em um canto haviam almofadas e um tapete persa para deitar. Em um outro canto livros e pergaminhos. Na parede havia uma grande pintura de Artemis, a Deusa apaixonada, seu amante Órion e seu inimigo mortal, o escorpião, em uma batalha, em um lindo molde trabalhado de ouro. Como era comum na época, as paredes eram decoradas com desenhos discretos e havia uma lareira em um outro canto. Várias cadeiras estavam espalhadas pelo quarto, assim como um divã com tecido de veludo vermelho tambem, tudo combinando.

Milo foi até um outro canto onde haviam doces, frutas frescas e garrafas e mais garrafas de bebidas e canecas. Encheu três copos com vinho e levou-os para Camus e Zeta, logo em seguida se jogou no divã.

-Então, o que traz meus antigos companheiros de sela à minha humilde casa?

Zeta se aproximou mancando com o copo na mão.

-Vejo que está bem-alimentado. Zeta virou o rosto analisando cada centímetro do quarto, era realmente tudo muito caro.

-Oh sim, eles cuidam bem de suas mercadorias por aqui- Milo bebeu um longo gole de vinho branco, saboreando- vejo que vocês dois estão bem também.

-Tivemos sorte- Zeta também bebeu, mas apenas um gole breve- Milo, você está só por aqui?

-Só? Ah? Pergunta de Hewke? – mais um longo gole, dessa vez pareceu doloroso engolir- ele...ele morreu . Acontece com muitos de nós, digamos que eu também tenha sorte de estar vivo.

Camus bebeu também, observou o semblante de Milo que de repente estava sério. Muito sério.

-Uma grande perda- Milo virou a cabeça de um lado para o outro- ele era um dos melhores daqui, um dos mais inteligentes e e bonitos. Era gentil e bondozo, e um grande amigo com um coração muito bom. Sabem, seus cabelos vermelhos podem ser um pecado para a igreja, mas onde estamos afinal, não é mesmo?- uma risada amarga surgiu em seus lábios- Hewke era o melhor cortesão dessa casa.

Milo fez uma pausa como se quizesse absorver cada palavra que ele mesmo dizia. Zeta abriu a boca para falar algo, mas se calou, esperando Milo voltar a falar.

-Foi ano passado...

Zeta colocou uma mão em seu ombro em sinal de respeito.

-Sinto muito.

Milo jogou sua cabeça para tráz, brincando com o balanço de seus cabelos, e voltou a encará-los sorrindo novamente.

-Está tudo bem, talvez tenha sido certo, ele estava sofrendo.

Um silêncio de luto caiu sobre os três, Milo manteve o sorriso amargo no rosto que fazia com que soubessem o quanto ele tinha perdido. Eles eram íntimos, os três? Afinal estiveram juntos à tanto tempo e apenas por poucas noites. Dias difíceis haviam sido aqueles naquela carruagem de madeira com grades e fechaduras, mas fora o suficiente para terem entre si essa cumplicidade de partilhar o sofrimento.

Talvez não seja questão de tempo para dividir um amor entre os seus. As vezes poucos dias são mais significativos que muitos anos.

Seus olhos vazios agora encaravam o silêncio, era como se uma pesada sombra tivesse se abatido sobre ele.

Milo se levantou como uma dinvindade melancólica, os braços baixos jogados e a cabeça pendendo para o lado, sorriu novamente para Camus e andou lentamente em sua direção. Quando chegou perto o suficiente esticou a mão. Camus extremeceu com a proximidade, podia sentir a respiração e o cheiro de Milo.

A mão passou por cima de seu ombro direito e agarrou uma garrafa de vinho atrás de Camus. Lentamente, Milo voltou para seu lugar anterior, se jogando agora e bebendo um grande gole.

-Há mais de onde saiu, seu quizerem beber.

Camus andou até os dois e sentou-se ao lado, pegou a garrafa da mão de Milo e encheu seu próprio copo.

-Sabem- ele olhava para Camus agora- quando algum de nós morre, digo, os bons como Hewke era, isso significa grande perda de dinheiro para o lugar. E isso não é bom.

-Por quê?- mais um gole de Zeta, Camus temeu ele se embriagar, era sempre trabalhoso, teria que carregá-lo para casa.

-Pressão, precisamos recuperar o prejuízo, como se a culpa fosse nossa afinal- sua voz soou levemente amargurada, mas ele se ajeitou novamente- então, o que vieram fazer aqui? Querem meus serviços especiais?

-Do que você está falando?

-Olha, Camus, sei que vocês não são ingênuos. Sabem o que é este lugar, não viriam aqui apenas para me encontrar, sei que não tenho nenhum significado para vocês ou tenho?

-Está enganado. Você, Hewke, aquela menina, todos estamos ligados, acho que eu e Camus queríamos ver como vocês estavam. Sabe, querendo ou não temos alguma coisa em comum..

Milo riu.

-Como vocês são românticos. Que visão maravilhosa que vocês tem da vida- ele chacoalhava o cabelo virando a cabeça de um lado para o outro.- oras apenas alguns dias que passamos juntos, gostei de vê-los aqui, mas sei que não significamos nada, ninguém nesse mundo significa coisa alguma para outra.

-Não diga essas coisas, estamos aqui, não estamos?

Milo riu novamente, gargalhando alto. Sua voz grave ecoava pelos corredores.

-Realmente adorável, é uma pena que a vida não tenha sido assim para mim, não entendo isso tudo o que dizem...Bom, aproveitem que estão em um lugar como este, se querem se divertir estão no lugar certo, eu preciso entreter clientes para ganhar a vida.

Milo olhou para Zeta maliciosamente, levantou-se e encheu seu copo mais uma vez, colocou a mão em seu ombro e se aproximou, devagar.

Zeta o empurrou delicadamente.

-Não, eu..não vim por isso.

-E você, Camus?

Camus apenas meneou com a cabeça.

-Oras, tudo bem, querem conversar- ele sorriu e voltou ao seu lugar- curioso, bastante curioso para dizer a verdade. Aqui não serão julgados pelos pecados que cometerem, sabe.

Milo bebeu outro grande gole de vinho e se levantou para pegar mais.

-Camus, é melhor irmos embora, não há nada para nós aqui.

Zeta se levantou e fez uma reverência para Milo, andou até Camus e o puxou para cima, arrastando-o para fora.

Milo sorriu e acenou com a mão.

-Obrigado por virem, espero que tenham aproveitado sua estada, voltem sempre que desejar mais.-sua fala soou totalmente pré-programada, assim como todos os seus movimentos.

Logo após sairem, Camus viu um senhor entrar no quarto.

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Olá queridas leitoras e possíveis leitores

Resolvi postar mais um chap dessa fict que é uma das que eu mais gostei de escrever, apesar de ainda não ter terminado-o e ela estar já um pouco longa.

Quem acompanha Love&Blood vai saber o motivo pelo qual Camus é como é XD. Mas ler a outra fict não é obrigatória para entender essa.

Gosto muito de Zeta, ele é calmo e bem-educado, gostava de Hewke mas, infelizmente o pobrezinho teve que morrer *sádica.

Nechan arigato pela review *-* é mesmo mais triste q a outra fict XDD

Daniela, linda, vc nom tm e-mail entom não pude responder a sua review, mas obrigadíssima viu, fiquei muito contente por ela. Só para esclarecer, o rapazote que morreu, Hawk, Zeta são todos personagens próprios, vou inserir outros cavaleiros futuramente, mas ainda só tem o Milo e o Camyu XD. Obrigada pelos elogios, estou me esforçando por essa fict pois ela é especial para mim *-*

Review, críticas construtivas e olás são sempre bem-vindos.

Obrigada por lerem até aqui.